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Estrutura do Pé: A influência dos calçados e o Pilates

Estrutura do Pé: A influência dos calçados e o Pilates
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Nesse artigo vamos continuar nossa série especial sobre os pés, especialmente sobre a estrutura do pé.  Já vimos, no artigo anterior, o quão importante são os nossos pés, tanto no dia-a-dia, quanto para praticarmos algum esporte.

Nesse artigo, vou abordar mais sobre a estrutura dos pés: ossos, tendões, ligamentos e músculos, a influência de alguns calçados em alguns tipos de pés e principalmente como o Pilates pode nos ajudar.

Estrutura do pé

Ossos

Como já dito no artigo anterior, os nossos pés são compostos por 26 ossos (sete ossos do tarso – tálus, calcâneo, cuboide, navicular e três cuneiformes, cinco ossos do metatarso, catorze falanges (três para cada um dos dedos, exceto para o hálux, que tem apenas duas).

Veja na figura abaixo a distribuição desses ossos.

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Ligamentos e articulações

Todos esses ossos são mantidos unidos através de 107 ligamentos, formando as articulações. No pé temos 33 articulações:

  • Talocrural (articulação superior do tornozelo);
  • Subtalar; a mediotársica (calcâneo-cuboide e talo-navicular)
  • Talometatarsianas (cuboide, cuneiformes e bases metatársicas)
  • Articulações metatarsofalangeanas
  • Articulações interfalangeanas.

           estrutura do pé (11) estrutura do pé (2)

Músculos

Os músculos são classificados em extrínsecos e intrínsecos. Os extrínsecos primeiros possuem origem abaixo do joelho e tem inserção no pé, e realizam os movimentos do tornozelo como:

  • Dorsiflexão ou flexão dorsal (músculos tibial anterior e extensor longo do hálux)
  • Plantiflexão ou flexão plantar (músculo tibial posterior, fibular longo e curto, gastrocnêmios,sóleo, flexor longo dos dedos e flexor longo do hálux)
  • Inversão (músculos tibial anterior e posterior, extensor longo do hálux, flexor longo dos dedos e flexor longo do hálux)
  •  Eversão (músculos fibulares – curto, longo e terceiro).

Além de atuarem na movimentação dos dedos dos pés, os intrínsecos têm sua origem abaixo da articulação do tornozelo, são mais profundos, estão no dorso ou na planta do pé, e realizam a movimentação dos dedos.

 

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Músculos extrínsecos, vista lateral
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Músculos extrínsecos, vista anterior
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Músculos extrínsecos, vista posterior
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Músculos intrínsecos

 Associando a estrutura do pé com as cadeias musculares

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Como você pôde perceber até aqui, temos uma estrutura que nos ajudam a manter nossos pés saudáveis: se movimentando o tempo todo, nos dando autonomia para ir e vir.

Essa estrutura do pé não estão sozinha e não é separadas do nosso corpo, afinal, como já vimos, nossos músculos estão ligados em cadeias e essas cadeias influenciam todo o nosso corpo, podendo mudar a nossa postura.

Os movimentos dos pés estão relacionados com 3 trilhos anatômicos de Myers e podem sofrer alterações de gênu varo ou valgo, influenciados por uma das cadeias musculares de Phillippe Souchard.

Influência dos calçados na saúde do nosso corpo

Se nós pararmos para pensar nisso, e colocarmos as cadeias musculares em nossa vida prática, veremos que, quem usa muito salto alto, por exemplo, pode ter alterações, ou compensações posturais, não apenas na panturrilha, mas em toda a cadeia superficial anterior e posterior.

Portanto, não adianta só alongar panturrilha com suas alunas/clientes/pacientes que usam salto o dia todo.

Falando nisso, que tal vermos uma imagem explicativa sobre esse tema tão frequente em nossos Studios? Assim fica mais fácil de entender:

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Fonte: Folha de S. Paulo

Como vemos na imagem acima, os saltos maiores do que 3 cm, altura máxima de um salto “inofensivo” à saúde, pode ser nocivo em diferentes aspectos.

O pé acaba recebendo maior descarga de peso em sua porção anterior (ante pé), e essa pressão transferida pode desviar os ossos, podendo levar à formação de joanetes e esse desvio, ou calo ósseo, pode ser agravado pelo uso de sapatos com o bico fino

Pode haver compressão dos músculos dos calcanhares, deixando-os menos flexíveis, ou seja, mais rígidos e mais suscetíveis a lesões (o sinal da pedrada é um exemplo e lesão gerada por rigidez do tendão calcâneo combinada a um movimento brusco).

Fora a diminuição do alongamento, que pode acarretar em dores ao colocar os pés diretamente no chão, ou a diminuição de flexibilidade de toda uma cadeia muscular (em casos mais acentuados de encurtamento muscular).

Os joelhos também ficam mais sobrecarregados, devido à inclinação da coluna que muda para se ajustar ao “novo” centro de gravidade, mudando a descarga de peso sobre os joelhos e levando a pelve no sentido de uma anteversão, o que aumenta a lordose lombar, levando à uma hiperlordose – que, sabemos, é prejudicial para a postura de um adulto e, muito mais, de um indivíduo em fase de crescimento. O uso do salto é prejudicial independentemente do tipo de pé que a pessoa possua.

No caso dos indivíduos que tem pé plano, usar sapatos com a sola muito rígida e sem amortecimento também pode ser prejudicial, pois esse tipo de pé não tem a mesma mecânica de marcha de um pé normal: ele absorve menos impacto no contato com o solo e sua propulsão também fica debilitada, isso acaba gerando um maior impacto em articulações como joelhos e quadril, o que acaba sobrecarregando diretamente a coluna lombar.

Em ambos os casos, o Pilates pode ajudar!

Como o Método Pilates pode ajudar?

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Como já visto anteriormente, podemos fazer alongamentos direcionados para as cadeias musculares, diminuindo, assim a sobrecarga muscular do uso contínuo do salto alto.

Sabemos também que um dos objetivos do método é melhorar a postura, então temos diversos exercícios para melhorar mobilidade da coluna, como o Spine Strech, por exemplo, e para tentar diminuir a hiperlordose lombar – mobilização de coluna, fortalecimento de CORE, fortalecimento de cadeia posterior, etc.

Podemos dar mais ênfase nos alongamentos de cadeia posterior numa aula e, na outra, mais na cadeia anterior.

Podemos também usar metade da aula para alongar e outra para fortalecer a estrutura do pé necessárias para aguentar esse salto o dia todo (no caso daquelas alunas que precisam passar o dia de salto e não tem escolha).

O principal é analisar o caso de cada aluna/ cliente/ paciente para ver no que você precisa dar mais ênfase, qual cadeia está mais encurtada, qual está mais flexível e se lembrar sempre: músculo encurtado não é sinônimo de músculo forte!

Outra coisa legal é aproveitar que o Método nos proporciona tônus muscular global e “abusar” disso em nosso favor! Podemos fazer exercícios para fortalecimento das cadeias corretas e dar estímulo para o arco plantar durante todos os exercícios (principalmente os alongamentos estáticos em pé), ajudando, assim a tentar construir um arco plantar nos pés planos.

Isso só não será possível nos casos de pé plano rígido, onde há desabamento completo do osso cuboide.

Concluindo…

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Já deu para perceber que os pés sofrem mais influência externa no cotidiano do que imaginávamos né? E que ele tem diversas estruturas importantes relacionadas não só com os tornozelos e dedos dos pés, mas também, com os joelhos.

E quando sobrecarregamos os nossos pés, estamos sobrecarregando também os joelhos, o quadril e a coluna, além do uso incorreto (ou abusivo) de alguns tipos de sapato podem prejudicar o corpo todo, trazendo deformidades ósseas e posturais.

Vimos também que o Pilates entra como um grande aliado, alongando e fortalecendo a estrutura do pé certa para manter o nosso corpo saudável, mesmo quando precisamos de um saltinho – seja por paixão, porque a profissão te exige, ou os dois

Ou até quando temos aquele pé “chato”, mas adoramos a usar uma rasteirinha de vez em quando.

Espero que esse artigo tenha lhe ajudado a entender como os nossos pés “funcionam”, a influências de alguns calçados, a relação das cadeias musculares num simples caso cotidiano dos nossos Studios (afinal, quem não tem aquela aluna que não dispensa um salto alto?), e percebido que tudo se interliga e que o nosso método Pilates pode nos ajudar!

No próximo artigo da série iremos falar sobre alguns exercícios específicos para manter a saúde dos pés: relaxamento, fortalecimento e alongamento!

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Até o próximo artigo!

 

BIBLIOGRAFIA:

Livro de anatomia humana, Van de Graaff. 6ª ed; Ed. Manole. 2003.

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