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Estratégias para uma Aula de Pilates com Qualidade

Aulas-de-Pilates---CAPA

Quem nunca teve dificuldades em montar sua primeira aula de Pilates por não saber como organizá-la, quais exercícios escolher primeiro, o que corrigir sem encher seu aluno de informação, como explicar um movimento que não está claro ou melhorar o padrão respiratório através de dicas?

Quem nunca ficou nervoso ao perceber que sua aula de Pilates é um pouco diferente da dos outros instrutores e não sabe porque anda perdendo alunos?

Tem ainda os que não sabem por onde começar numa aula com pessoas iniciantes, ou como se posicionar adequadamente na sala, como usar a disposição dos equipamentos a seu favor, que tom de voz usar para manter a concentração dos alunos em você?

Ou para o proprietário do estúdio, como contratar um instrutor de Pilates recém-saído do curso de formação que aprendeu os exercícios, mas não sabe como passa-los da melhor forma?

A Importância da Didática na Aula de PilatesAula-de-Pilates

É realmente difícil. Todas essas situações acima normalmente desaparecem quando o instrutor tem didática.

Por definição, didática é um ramo da ciência pedagógica que tem como objetivo ensinar métodos e técnicas que possibilitam a aprendizagem do aluno por parte do professor ou instrutor. Tem pessoas que naturalmente as têm, outras que aprendem na graduação, outras não a terão nunca.

Já vi excelentes profissionais que tinham amplo conhecimento do assunto e que não tinham a habilidade de se fazer entender. Isso acontece. Durante a graduação de educação física, somos incentivados a ser “didáticos” desde o primeiro dia de aula.

Na graduação praticamos a arte de ensinar movimentos desde sempre, não apenas executá-los, então por isso as vezes educadores tenham mais facilidade em passar o que receberam no curso, mas nem sempre. Há fisioterapeutas que se fazem entender muito bem com palavras e gestos.

Por isso quando se termina o curso de Pilates, sabemos que saímos de lá com a sensação de que falta alguma coisa, e a pergunta que fica é: “Como aplicar o que eu aprendi?” Resposta: Usando didática na sua aula de Pilates!

Uma coisa que todo bom instrutor precisa saber é que toda aula, seja ela de português, matemática, inglês ou PILATES, tem que ser dividida em três partes.

  1. Parte inicial, na qual acontece uma introdução do que será realizado na aula.
  2. Parte principal, em que desenvolve-se o conteúdo que se quer trabalhar.
  3. Parte final, aquela em que se conclui o assunto, e no caso das atividades físicas, um relaxamento ou como chamamos a “volta à calma”.

Portanto ficaria mais fácil de organizar um conteúdo cheio de informações como a aula de Pilates, se o colocarmos de uma forma clara e organizada para nossos alunos.

Parte Inicial

No início da aula de Pilates sugere-se trazer o aluno da situação em que ele chegou, estressado, cansado ou com pressa, para o ambiente da aula.

Lembre o seu aluno que neste momento ele chegou à melhor parte do dia, que vai se concentrar em trabalhar seu corpo e sua mente e esquecer-se da rotina do dia.

Pode-se começar com exercícios de respiração, mobilidade articular e alongamentos das estruturas que se quer trabalhar na aula, lembrando-se de manter o controle da aula através da entonação da sua voz.

Mantenha comandos constantes, utilize-se do conhecimento que você possui e passe informações sobre tudo que esta acontecendo durante a proposta. Não permita a dispersão!

Parte Principal

Quando for iniciar a parte principal, escolha os exercícios que programou de acordo com os objetivos que você quer trabalhar com estes alunos, entretanto, busque aumentar o grau de dificuldade conforme a aula de Pilats vai passando, se for possível, e continue mantendo o padrão de voz e a concentração dos alunos.

Lembre-se de trabalhar todas as partes do corpo uniformemente, tronco, membros inferiores e superiores igualmente.

Neste momento também trabalharemos os exercícios que exigem coordenação motora, equilíbrio e consciência corporal. Quando falamos em parte principal da aula e objetivos é importante levar em consideração quantas aulas por semana aquele aluno faz.

Lembre-se: normalmente temos uma lista de objetivos a alcançar com nosso aluno, flexibilidade, aumento de força, melhora de equilíbrio, coordenação, mobilidade de coluna…

Enfim, procure dar prioridade para o que for mais importante, e já leve em consideração quantas aulas na semana restarão para você procurar trabalhar o conteúdo que faltar e repetir os necessários.

Parte Final

Na parte final da aula você pode relembrar com seus alunos o que foi trabalhado no dia, fazer alongamentos e movimentos com a função de relaxamento.

Pode-se usar ainda as massagens, tão famosas em nossas aulas e ainda avisá-lo do que se pretende propor na próxima aula. Instrutores organizados já saberão.

Ok, aula dividida, bem organizada, mas como faço para ensinar cada um desses exercícios que pretendo propor em minha aula de forma objetiva e clara?

Exercícios de Forma Objetiva e ClaraAula de Pilates

Quando um profissional se propõe a ensinar alguma coisa, deve se levar em consideração muitos fatores, é claro, mas quando estamos falando do ensino do movimento, buscamos entre outras coisas, atingir o objetivo do aluno com aquele exercício.

Por isso ao detalharmos um movimento é necessário ser o mais claro possível, de preferência dando um número suficiente de informações para que ele execute a tarefa da melhor forma possível.

Normalmente nas atividades de academia, os objetivos costumam ser o gesto motor para o desenvolvimento muscular, seja ele para estética, saúde, performance esportiva etc. Já no Pilates, utilizamos o gesto motor para o trabalho muscular e para mais uma série de coisas que vem “acopladas” a ele.

Solicitamos um movimento ao aluno falando também sobre a importância de não haver sobrecargas indevidas na coluna vertebral ou outras articulações, pediremos que utilize o centro de força para estabilizar o tronco garantindo sua organização.

Solicitaremos também que as articulações se movam de forma a conseguirem espaço (alongamento axial) e consigam alinhamentos adequados garantindo sua lubrificação e máxima congruência.

A respiração estará presente ditando o ritmo e a fluidez do movimento e ainda por cima tudo isso estará acontecendo ao mesmo tempo que ocorre a querida interação entre a actina e miosina na fibra muscular do individuo, a nossa contração muscular. Ufa!

Muita coisa né? Pois é por isso que a didática é tão importante.

Não basta demonstrar um movimento e pedir a execução. Numa situação como esta onde os movimentos são ligados a tanta informação, um instrutor sem recursos poderá se utilizar apenas da demonstração dando a dica visual para seu aluno que vai por sua vez, reproduzir o gesto.

Mas a quantidade de informações exige conhecimento biomecânico aliado à uma estratégia de ensino.

Não sou contra a demonstração de exercícios, devemos fazê-lo com certeza, entretanto podemos deixar para os movimentos mais complexos. Neste momento poderemos acionar a consciência corporal para que nosso aluno seja incentivado a pensar no próprio corpo.

Estratégias para Melhorar a Didática na Aula de PilatesAula-de-Pilates-3

Desta forma vamos pensar em algumas estratégias para melhorar a didática:

  • Inicie sempre colocando seu aluno na posição inicial do exercício proposto posicionando-o corretamente, deixando claro que aquela posição é a que partirá seu movimento e será para ela que ele volta ao final.
  • Descreveremos exatamente quais movimentos terão que ser feitos para a realização do gesto. Seja detalhista e observe todas as articulações. Eu costumo ir falando da cabeça aos pés. É uma forma de não esquecer nada.
  • Peça para ele executar uma vez para que você veja e não esqueça de informar qual padrão respiratório quer que ele reproduza.
  • Dê-lhe informações sobre como quer que ele sinta o movimento que está fazendo. Como exemplo da frase “vértebra por vértebra” que usamos bastante no pilates.
  • Solicite que ele execute alguns movimentos para identificar os erros mais grosseiros;
  • Corrija os principais, mas procure não passar todas as informações de uma vez. Seu aluno assimilará apenas algumas.
  • Proponha uma respiração simples, acompanhando o movimento, se for necessário respire junto com ele. Essa fluidez será necessária para todos os outros momentos da aula.
  • Se perceber que o movimento está sendo executado corretamente, fale quantas repetições serão feitas e passe informações mais profundas se for o caso;
  • Se conseguir ainda adicione informações técnicas, dependendo do aluno que estiver trabalhando na hora, onde o conhecimento dele possa ser enriquecido, como nome de articulações, músculos etc.
  • Use estalos de dedos ou contagens, inspirando e expirando, para enfatizar o ritmo e a fluidez.
  • Ande pela sala durante a sua fala e mostre que você o está observando de todos os ângulos, ou ainda use a ajuda dos espelhos, muito comuns nas salas e auxiliares na sua observação.
  • Faça as correções e depois de obter sucesso, elogie o resultado. Seu aluno ficará feliz em saber que executou corretamente.
  • Não fale muito baixo que pode mostrar insegurança, nem muito alto que seja grosseiro, mas tenha um certo grau de firmeza na fala.
  • Procure nunca ficar de costas para os outros alunos da sala. Eles poderão achar que você está dando preferência para alguém, e vão perguntar: “Fiz certo professora?” E você não terá como responder, porque não o viu.
  • Acertado o movimento, passe para o próximo de preferência ligando um exercício ao outro de forma gradativa.

Concluindo…Aula-de-Pilates---Concluindo

Infelizmente hoje em dia muitas pessoas acham que uma boa aula de Pilates é composta de exercícios mirabolantes que deixam os alunos todo doloridos no dia seguinte.

Acredito que uma boa aula precise atingir a proposta do instrutor e do aluno a curto e longo prazo, conscientizar o aluno da importância da correta contração muscular do powerhouse e mostrar a eficiência dos movimentos executados de forma a ligar o corpo e a mente.

Infelizmente apenas conhecendo os exercícios isso nunca será atingido. O seu poder de se fazer entender é fundamental para o sucesso da aula de Pilates.

O conteúdo de didática é realmente extenso e necessita de mais esclarecimentos sobre outros pontos importantes principalmente para novos instrutores.

Estaremos trabalhando para cada vez mais trazer este tipo de informações para vocês.

Mandem e-mails com dúvidas que vou adorar responder.

Written by Sabrina Costa Teno

Sabrina Costa Teno

- Formada em Educação Física pela Universidade Nove de Julho / bacharelado e licenciatura (2006)
- Pós graduada em Biomecânica do aparelho Locomotor e avaliação física pela FMU (2008)
- Curso de mat pilates pelo Instituto de Ed. Fisica e esportes (2009)
- Curso de pilates em aparelhos pela Voll Pilates (2012)
- Curso de treinamento funcional – preparação para o treinamento físico (2013)
- Curso de pilates avançado pela Voll Pilates (2014)
- Curso de pilates aéreo (2015)
- Atua atualmente como Personal Trainer e é proprietária do estúdio de Pilates e treinamento funcional “Infinity Pilates”.

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