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Aula Experimental – Uma Vivência Prática dos Princípios do Pilates

Aula Experimental – Uma Vivência Prática dos Princípios do Pilates
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A aula experimental é a expectativa compartilhada entre profissional e cliente sobre um serviço que se pretende conhecer/ser apresentado.

Mesmo essa experiência sendo permeada por poucas informações ainda acerca do cliente, devemos, como profissionais, encantá-lo ou surpreendê-lo quanto ao que poderá vivenciar durante todo o período que praticar o método Pilates em seu Studio.

A aula experimental se torna uma proposta de venda da qualidade, da competência, do diferencial que aquele instrutor ou sua equipe tem a oferecer.

É também a apresentação do uso do espaço do Studio, da possibilidade de associação com outros métodos de treinamento ou tratamentos de fisioterapia ou equipamentos, como por exemplo, esteira, bike e elíptico que se somam como mais possibilidades ofertadas aos clientes num plano de exercícios aeróbicos dentro do Studio.

A apresentação profissional também conta para influenciar positivamente o cliente.

Pontos principais do seu currículo podem ser ressaltados de maneira descontraída e leve para valorizar o investimento em estudos e experiência. Um instrutor também impressiona se mostra domínio na execução dos exercícios com a máxima fluidez e precisão e isso realmente depende de treinos.

Ao treinar, o instrutor também será capaz de interpretar as queixas, dúvidas e observações que o cliente relatar ao experimentar o estresse físico do exercício.

1º Contato – Uma Conversa Introdutória

Costuma-se, para a aula experimental, o cliente ser recebido pela recepcionista/secretária que o orientará a preencher um cadastro com seus dados pessoais, como:

  1. Nome Completo
  2. Idade
  3. Data de Nascimento
  4. Sexo
  5. Profissão
  6. Ocupação
  7. Endereço
  8. Dados para Contato (Celular, WhatsApp, Redes Sociais, Email)

Estas informações, em entrelinhas, podem nos revelar pontos importantes para formulação da aula experimental.

  1. Idade e Sexo – Há interesses/objetivos diferentes para as faixas etárias, estética, condicionamento e saúde entre homens e mulheres.
  2. Profissão/Ocupação – Profissão é diferente de ocupação. A ocupação profissional se torna mais importante saber para identificar as sobrecargas físicas e psíquicas envolvidas no modo de trabalho do cliente.

Como exemplo podemos citar os fisioterapeutas e educadores físicos, quando alguns assumem funções gerenciais/administrativas, predominantemente sentados ao computador, e outros trabalham com o método Pilates e assumem grandes períodos de tempo por dia em pé e demonstrando exercícios em posturas diversas.

As sobrecargas fisiológicas, mecânicas e psíquicas são diferentes e devem ser levadas em conta para a elaboração das aulas pensando-se em especificidade do treino ou tratamento/prevenção das lesões relacionadas a tais sobrecargas.

É imprescindível também uma conversa sucinta sobre a saúde geral ou no cadastro ter opções para marcar as patologias ou comorbidades mais frequentes.

Lembrando que este momento não se constitui numa anamnese, pois a aula precisa começar na prática, porém deve ser guiada pela segurança de saber o mínimo necessário sobre aquele cliente que vai se submeter a diversos estímulos e intensidades por 1 hora de exercícios.

Diagnósticos como cardiopatias, hipertensão arterial, diabetes, trombose venosa profunda, pós-operatórios, pós-fraturas, pós-entorses, devem ser questionados, bem como gestação/amamentação e tratamentos gerais realizados no momento.

Alguns cadastros até incluem um termo de compromisso sobre riscos de atividades físicas ainda realizadas sem a avaliação ou consulta fisioterapêutica, como é o momento da aula experimental de Pilates.

As lesões músculo-esqueléticas crônicas ou as limitações de movimento relatadas pelos clientes devem ser pontos fortes para escolha de exercícios que afetem positivamente a reabilitação destas funções.

Aula Experimental – Treinamento dos Princípios do Pilates

A aula experimental geralmente dura 1 hora e é marcada em turmas pré-existentes ou até individualmente.

É fato então que este cliente deve ter uma atenção dirigida a princípios do método que os demais clientes do horário já conhecem e treinam. E mesmo que ele venha de experiências passadas com o método Pilates, convém apresentar-lhe novamente tais princípios necessários a execução pois cada profissional exibe uma competência diferente para ministrar suas aulas.

Esta conduta, inclusive, se torna o diferencial de muitos Studios como dizem os próprios clientes.

O principio elementar a se estimular é o controle da respiração, fluindo sincronizada com o exercício, profunda porém ritmada, ditando os tempos dos movimentos em suas contrações concêntricas e excêntricas e resistências contra a gravidade ou acessórios/cargas externas.

A respiração no Pilates deve estimular a expansão/contração das costelas/caixa torácica nos 3 planos, anterior, lateral e posterior. Há diversos exercícios e posturas para se treinar esta eficiência na respiração.

O reconhecimento das contrações envolvidas no power house é o ponto central da realização dos exercícios pelo método.

A ativação do transverso abdominal, o aplainamento dos retos abdominais, a sucção pelos oblíquos abdominais e períneo/músculos do assoalho pélvico, controlando a pressão intra-abdominal, na fase correta da sequência dos movimentos, revela a tão almejada estabilização central dada pelo Pilates como resultado principal.

Exercícios como pranchas em vários planos, pontes com variações, apoios unipodais e unilaterais, exercícios em 4 apoios, hiperextensões, constituem boas sugestões para este treino inicial do power house.

A concentração é a base para o controle refinado dos exercícios e estes 2 princípios, controle e concentração, são difíceis de se construir apenas num primeiro contato de aula.

A sequência de aulas é o que treinará no cliente a percepção/sensopercepção e o levará a uma maior consciência corporal, até que o cliente diminua ao máximo as compensações e vícios de movimento ainda presentes no início e chegue aos princípios de fluidez e precisão em movimentos em diversos planos, alavancas e intensidades.

É prudente que o instrutor de Pilates corrija ou adapte exercícios quando as compensações aparecerem ou as aceite em um nível mínimo quando elas ainda precisam aparecer para permitir o primeiro contato com o movimento bloqueado ou alterado na mecânica do cliente.

Isso exige um olhar experiente e um domínio da biomecânica por parte do instrutor, além de um vasto conhecimento prático sobre adaptações ou variações nos exercícios propostos personalizando-os aquele cliente.

Vale ressaltar a importância do treinamento do instrutor que deve se manter ativo treinando em si o método Pilates. Um instrutor bem treinado é ponto fundamental para a qualidade da aplicação do método.

Instruções e experiências de movimento também devem ser dadas sobre os princípios de crescimento axial/longitudinal para tronco, MMSS, MMII, em várias posturas e também o controle da coluna neutra, um ponto fundamental para o correto posicionamento da lombar durante a aula.

Variáveis Biomotoras e Outros Fatores Traduzidos em Exercícios

Na elaboração de uma aula de Pilates, vários fatores devem ser envolvidos e relacionados para a prescrição dos exercícios:

  • Tipos e Tamanhos das Bases de Apoio
  • Alavancas e Torques
  • Planos de Movimento
  • Eixo e ADM das Articulações
  • Flexibilidade Muscular
  • Mobilidade Articular
  • Mudanças de Decúbito
  • Ortostatismo
  • Postura Sentada, Ajoelhada, Inclinada
  • Associação de Segmentos Corporais
  • Recrutamento em Cadeias Musculares
  • Assistências e Resistências dadas pelos Acessórios
  • Instabilidades criadas pela Postura ou Uso de Acessórios
  • Equilíbrio de Forças entre os Lados
  • Coordenação Intra e Intermuscular Envolvidas
  • Noção Espacial
  • Propriocepção e Tempo de Reação
  • Simetria Postural
  • Exercícios Simples, Combinados e Complexos
  • Periodização em Séries e Repetições
  • Tipos e Tempos de Contração
  • Velocidades de Contração
  • Tipos de Força
  • Séries Progressivas e Séries Agrupadas

Todas essas variáveis irão aparecer no decorrer de muitas aulas de Pilates e é claro que não é possível demonstrar em 1 única aula todo este potencial a explorar no corpo humano.

Entretanto uma citação e explicação breve das principais variáveis pode ocorrer durante a aula e exercícios dirigidos para as mais relevantes aquele cliente também deve ocorrer.

As aulas experimentais de Pilates seguem o modelo geral das aulas, geralmente divididas em 2 partes:

1) MAT Pilates – Momento de exercícios de solo e acessórios, como um laboratório do movimento livre a observar e treinar para corrigir compensações.

2) Equipamentos – Momento de auxílio na execução de movimentos dado pelos apoios das superfícies e possibilidade de uso de cargas pelas molas ou design das máquinas.

Concluindo…

Diante de tantos fatores, vê-se a importância de atender o cliente pela primeira vez com mais responsabilidade sobre este momento que não deve ser encarado apenas como boa oportunidade de venda de serviço.

O bom atendimento se traduz pela empatia, acolhimento, segurança e competência passados pelo profissional e se completa pela estrutura oferecida em qualidade e variedade de equipamentos, acessórios e conforto do Studio.

Written by Isley Lauar

Isley Lauar

- Fisioterapeuta graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de MG em 2000.
- Especialização em Fisioterapia Esportiva e Terapia Manual pela PUC Minas em 2002.
- Especialização em Ergonomia pela UFMG em 2006.
- Formações em Pilates Clássico: Mat, acessórios e equipamentos, Método Cross Pilates, Pilates Suspensus, Treinamento Funcional, Treinamento Suspenso, Crossfuncional, Avaliação Funcional, a partir de 2007.
- Formações em RPG, Bandagem Funcional, Miofibrólise Terapêutica, Crochetagem, Dry Needling, Síndromes de Dominância Muscular, dentre outros temas em recursos terapêuticos manuais.
- Docente em cursos da Escola Brasileira de Pilates / Instituto São Paulo, desde 2010, nos temas: Método Cross Pilates, Treinamento Funcional, Treinamento Suspenso, Avaliação Funcional e Prescrição de Exercícios, nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste.
- Ministrante em cursos da Methodus Capacitação em Pilates Clássico e Treinamento Funcional Terapêutico, em MG, desde 2016.
- Experiência docente em graduação e pós-graduação na PUC Minas/Betim, Estácio de Sá-BH, Unifenas/Divinópolis, FASEH-Vespasiano, em MG.
- Palestrante em simpósios/congressos e participação em bancas examinadoras de trabalhos acadêmicos.
- Proprietária do Studio CrossPilatear em Belo Horizonte/MG atuando nos métodos Pilates Clássico, Cross Pilates, Pilates Suspensus, Pilates Clínico, Gyrotonic, Gravity Pilates, Arcus, Treinamento Funcional Esportivo e Terapêutico e atendimento fisioterapêutico em RPG, Terapia Manual e Instrumental, Bandagem Funcional.

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