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Bases Científicos para Uso do Pilates na Esclerose Múltipla

Bases Científicos para Uso do Pilates na Esclerose Múltipla
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O uso do Método Pilates vem se consolidando cada vez mais como um modelo de tratamento abrangente e universalmente reconhecido com relação aos notáveis efeitos ocasionados sobre diferentes patologias.

Estas corroboram com sua ampla divulgação pautados em critérios de evidência teórico-prático com embasamento cientifico, o que lhe permite um papel de destaque no tratamento de processos álgicos suscitados por desordens crônicas e alterações musculoesqueléticas especificas.

Além de que atualmente também tem se demonstrado eficaz no tratamento algumas das principais disfunções neurológicas de ordem crônico-degenerativa.

Considera-se seus benefícios para este fim, em razão dos resultados apresentados em recentes publicações que destacam implicações positivas acerca do uso do método Pilates em doenças neurodegenerativas como a Esclerose Múltipla (EM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Foram demonstrados importantes efeitos sobre a qualidade de vida em comparação às outras formas de tratamento, destacando que o mesmo pode vir também a potencializar os efeitos do tratamento destas patologias quando utilizado em conjunto com outras terapias.

Recentemente um ensaio clínico publicado em 2017 por Kara et al, observou que pacientes com Esclerose Múltipla obtiveram melhora significativa com relação aos domínios avaliados em comparação aos exercícios aeróbicos, com destaque aos principais aspectos cognitivos e funcionais analisados. De modo semelhante, o estudo de Bulguroglu et al (2017) também demonstrou importantes resultados para a mobilidade e equilíbrio.

Destacando que parte dos benefícios ocasionados pelo método Pilates nas disfunções neurológicas são atribuídos à capacidade que este possui de trabalhar o equilíbrio entre a mente e o corpo de maneira global e não segmentada.

Benefícios que podem influenciar positivamente na recuperação e manutenção da capacidade cerebral com consequente ativação de células neuronais necessárias para a realização das mais diversas atividades funcionais.

Principais Características Clínicas da Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla é descrita na literatura como uma patologia inflamatória neurodegenerativa das mais comuns que pode acometer adultos jovens com maior prevalência em indivíduos do sexo feminino.

Ela afeta o sistema nervoso central e causa progressiva destruição neural com consequente deminielização axonal que compromete o desempenho motor.

A destruição da camada de proteção neuronal e de diversas áreas do córtex também é associada a autodestruição ocasionada pelo sistema neuroimune.

Além disso, segundo Sayed (2013) quando o tronco encefálico é afetado, a esclerose pode apresentar sintomas relacionados ao comprometimento dos nervos cranianos com desenvolvimento de sintomas como tontura, alterações visuais e auditivas.

A esclerose múltipla apresenta como características episódios progressivos recorrentes e remitentes, primários ou secundários. Alguns dos sintomas mais comuns são:

  1. Fadiga
  2. Fraqueza
  3. Déficits Motores e Posturais
  4. Disfunções Cognitivas

Além desses, atualmente alterações nas funções miccionais como a incontinência urinária também são descritos na literatura.

Eficácia do Pilates na Esclerose Múltipla

A cognição e o equilíbrio são importantes fatores que podem ser adaptados ao tratamento de pacientes com esclerose múltipla através do método Pilates, considerando que a evolução da doença pode levar ao comprometimento de tais funções.

Assim como observado nas demais patologias que afetam Sistema Nervoso Central (SNC), o Pilates pode colaborar com o desenvolvimento de atividades que reforcem a atenção e o ganho de controle neural, com destaque para ativação muscular e consequente obtenção de equilíbrio que pode vir a ser aperfeiçoado através do uso prolongado e progressivo do método, como observado na literatura.

A fadiga também é descrita como um sintoma comum e incapacitante na esclerose múltipla segundo Alvarenga-filho et al (2016). A atividade física é descrita como medida de intervenção que pode ser utilizada de acordo com o autor em consequência da inexistência de um medicamento ou tratamento farmacológico que tenha o uso mais eficaz para essa finalidade.

Além disso, a prática constante do Método e a adequada compreensão dos princípios do Pilates – incorporados em conjunto com a atividade muscular e cerebral – empregados de maneira correta durante os exercícios, pode vir a proporcionar e contribuir diretamente com uma maior sensação de bem-estar geral.

Isso possibilita a promoção de uma melhor qualidade de vida por indivíduos acometidos por diversas patologias, incluindo as de aspecto neurodegenerativo.

Diante disso, é válido ressaltar que para se obter tais efeitos existe também a necessidade de um SNC íntegro, com indivíduos que possuam uma boa capacidade de percepção verbal e espacial, de forma que essa também possa vir a ser aprimorada.

Com a inexistência de prejuízos cognitivos que possam interferir ou comprometer a prática e a execução dos exercícios, ou afetar a habilidade de compreender os princípios a serem trabalhados no decorrer do plano de tratamento elaborado com a finalidade de reverter as principais sequelas advindas da patologia.

Bases Neurais para Ativação Cerebral induzida por meio do Pilates

Por ser uma doença autoimune que afeta o Sistema Nervoso Central (SNC), a esclerose múltipla ocasiona o descontrole e a degeneração do sistema neuro-imunológico devido à desregulação da produção de citocinas mediadoras que são responsáveis pelo aumento da sensação de cansaço e fadiga crônicos em pacientes com esclerose múltipla.

A dopamina é um neurotransmissor que tem a capacidade imunomodularadora sobre as Células T, sendo produzida pelo SNC.

Segundo Ferreira et al, (2014) esta pode aumentar a produção de células T reguladoras (Treg) como Inter-leucina 10 (IL10), ocasionado a diminuição da produção de Inte-leucina (IL17) e Inte-leucina 6 (IL6) por células T derivadas que foram associadas a maior incapacidade neurológica

Diante disso, um programa de treinamento constituído por Pilates durante um período de 12 semanas de foi capaz de demonstrar efeitos positivos sobre a atividade neuronal responsável pela regulação das células T, potencializando o efeito anti-inflamatório neuroimunológico da serotonina e produção de Inter-leucina 10 (IL10), o que repercutiu na diminuição da fadiga em pacientes com esclerose de acordo com Alvarenga-filho et al (2016).

Exercícios Indicados de Acordo com a Literatura

Exercício Spine Stretch

Exercícios do Mat Pilates e Reformer foram utilizados por Bulguroglu et al (2017) em pacientes com esclerose múltipla, por um período de 8 semanas, durante duas vezes na semana e apresentaram resultados observados sobre a melhora no equilíbrio, mobilidade e estabilidade do centro de força.

Kuçuc et al (2016) também fez uso de um programa de exercícios de Mat Pilates publicado integralmente e apresentou melhoria no equilíbrio, cognição, função e qualidade de vida com alguns dos exercícios clássicos do método.

Desta forma, alguns dos exercícios destacados na literatura que favoreçam a mobilidade da coluna e alongamento com o Spine Stretch Foward e Mermaid e suas variações podem ser indicados, exercicios no reformer como o Short Spine Massage e Stomach Massage também podem ser utilizados com essa finalidade.

Além disso, é válido salientar que a ativação do Power House também é essencial para a aquisição de controle e equilíbrio e pode ser alcançada por meio de exercícios como o The Hundread, The Shouder Bridge e Single Leg Stretch.

Destacando que apesar de não serem constantemente descritos na literatura, a utilização de outros recursos como bolas suíças, Toning Ball e faixas elásticas podem ser incorporados para melhorar o controle postural através do aumento de dificuldade e progressão dos níveis de exercício.

1) Spine Stretch Foward

Alongamento de Cadeia Posterior e Mobilização da Coluna.

Execução

Sentar sobre os ísquios mantendo a coluna ereta com flexão de ombros a 90º, levando o queixo lentamente em direção ao peito, mobilizando a coluna em flexão.

2) Mermaid

Mobilidade da coluna e alongamento de cadeia lateral de tronco.

Execução

Em sedestação com membros inferiores flexionados em abdução, realizar flexão lateral e elevação de membro superior contralateral.

3) Short Spine Massage

Mobilidade da coluna e alongamento de cadeia posterior.

Execução

No Reformer em decúbito dorsal, com flexão de quadril a 60º, realizar flexão de quadril até que a lombar esteja fora da superfície do reformer, mobilizando a coluna e flertindo os joelhos em direção ao peito.

4) Stomach Massage

Mobilidade da coluna e alongamento de cadeia posterior.

Execução

No Reformer em sedestação com pés e mãos apoiados sobre a barra, empurrar o carrinho posteriormente realizando extensão de joelho.

5) The Hundred

Fortalecimento Abdominal

Execução

Ombros, quadril e joelhos flexionados a 90º, realizando extensão de membro inferior com flexão de membro superior com leve flexão cervical para longe do solo.

6) The Shoulder Bridge

Fortalecimento abdominal, glúteos, isquiotibias e tríceps sural.

Execução

Em decúbito dorsal, com joelho e quadril em flexão, descarga de peso sobre os pés com realização de elevação de quadril.

7) Single Leg Stretch

Fortalecimento abdominal de flexores e extensores de quadril.

Execução

Em decúbito dorsal, flexionar o quadril e joelho enquanto o membro inferior contralateral faz o movimento oposto, alternando entre membros superiores e inferires com as mãos apoiadas no maléolo lateral e outra na face medial do joelho.

Concluindo…

O uso do Pilates na esclerose múltipla se propõe como uma forma versátil e eficaz de tratamento de acordo com a literatura disposta atualmente.

Esta visa reforçar os ganhos adquiridos em associação às demais terapias que já se encontram em uso, ou até mesmo isoladamente, desde que seja empregado por meio da avaliação minuciosa e completa das necessidades pessoais de cada indivíduo.

Dessa forma, sendo indicado desde que não implique diretamente em riscos ou retrocesso diante da evolução necessária para o tratamento e controle do avanço da doença.

Written by Lydiane Bonneterre

Lydiane Bonneterre

Fisioterapeuta Graduada pela Universidade da Amazônia - UNAMA. Instrutora de Pilates pelo Instituto Corpóre com Pós Graduação em andamento na área de Fisioterapia Neurofuncional.

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