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Efeito do Pilates nas Doenças Crônicas Não Transmissíveis

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Imaginem uma sociedade baseada em uma educação moral que despreza os valores como família e desumana. E que o maior valor é baseado somente no poder da aparência, no consumo exagerado, na eterna juventude e que o envelhecer é, o grande causador da instabilidade econômica porque leva ao sofrimento físico e emocional, além de ser feio esteticamente.

Imaginem também que envelhecer é ter que enfrentar as limitações que o corpo e a mente apresentam, ter que lidar com rótulos estipulados por uma sociedade preconceituosa e ter que enfrentar problemas que surgem com a idade e que é mera perda de tempo e dinheiro.

Morrer seria uma estratégia econômica e um benefício para a sociedade. Não se assustem, essa é uma descrição de uma sociedade descrita por Aldous Huxley em seu livro  “Admirável mundo novo” que foi publicado em 1932.

Coincidência ou mera semelhança em relação aos dias atuais? Huxley nos leva também a uma reflexão para analisar em que tipo de sociedade queremos viver e criar para as gerações futuras.

Em busca de uma melhor qualidade de vidaDoenças-Crônicas

Estamos avançando a passos lentos na busca de uma melhor qualidade de vida. Mas ao mesmo tempo em que buscamos mais saúde ou seja, não somente ausência de doença.

Isso porque saúde é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como sendo um estado de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social a nível micro (celular) e macro e que todos esses estados estão associados, e não funcionam bem se um está desequilibrado e que um depende do bom desempenho do outro.

O modelo de sistema de sociedade no qual vivemos atualmente nos empurra para um modo de vida em que temos que lutar para manter bons hábitos e que o estilo de vida que escolhemos pode ser benéfico ou prejudicial à saúde.

Neste contexto, temos que tomar consciência, nos responsabilizar pela saúde. Podemos direcionar nosso estilo de vida e fazer escolhas, e como profissionais da saúde temos o dever de orientar a que outros também possam  ter uma melhor qualidade de vida e fazer melhores escolhas.

Escolhas tais como a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada além de uma boa saúde mental, espiritual e psicológica. Isso se chama empoderar. E tomar consciência é conhecer e poder escolher.

Mas por que esse assunto?

Tudo isso para chegarmos a um tema que já é parte das estratégias de vigilância em saúde de governos ao redor de todo o planeta:  Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT). E seguindo a tendência mundial, no Brasil, 74% das mortes (Ministério da Saúde – 2012) são causadas pelas DCNT.

Em geral por excesso de peso, tabagismo, consumo abusivo do álcool e inatividade física. São dados alarmantes e impactam diretamente na qualidade de vida dos indivíduos afetados, na economia familiar, sociedade e do país como um todo, além de morte prematura.

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis são doenças multifatoriais, que não se transmitem de pessoa para pessoa e sim com o passar dos anos, de forma progressiva, tem relação com os hábitos e estilo de vida e que na maioria dos casos podem ser prevenidas.

De acordo com a OMS 38 milhões de pessoas morrem a cada ano devido as Doenças Crônicas Não Transmissíveis e a maioria das mortes ocorrem por doenças cardiovasculares (ataques cardíacos-DCV e acidente vascular encefálico-AVE), seguidas por cânceres, doenças respiratórias (doença pulmonar obstrutiva crônicas -DPOC- e Asma) e diabetes mellitus-DM.

Por ser multifatorial possui fatores de riscos não modificáveis (gênero, genética e idade) e modificáveis (consumo de tabaco,  sedentarismo, uso de álcool e a má alimentação, etc.). A maioria das mortes ocorrem prematuramente, antes do 75 anos de idade e o pior que 75% -28 milhões- provém de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento no caso do Brasil.

Estas doenças crônicas são favorecidas por fatores tais como o envelhecimento, o crescimento desenfreado e não planejado dos centros urbanos e hábitos não saudáveis que podem levar a um aumento da pressão arterial, aumento de glicose no sangue, obesidade, etc. e a desenvolver doenças cardiovasculares ou metabólicas.

Eficácia do Método Pilates nas Doenças CrônicasDoenças-CrÔnicas-2

Trabalhos científicos começaram a surgir – já há alguns anos – para demonstrar a eficácia do método Pilates sobre as doenças crônicas não transmissíveis e seus fatores de riscos.

No Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, iniciada pelo Ministério da Saúde em 2011 a fim de promover ações para o controle destas doenças, foram implantadas políticas públicas para a prevenção e o controle das DCNT e seus respectivos fatores de risco.

E para fortalecer ainda mais estas estratégias de maneira sustentável, sempre baseado em evidencias, nós como profissionais de saúde podemos colaborar com informação, promoção de saúde, prevenção e cuidado integral afim de cumprir com a nossa parte.

Um estudo clínico randomizado desenvolvido por Pestana et al (2012) com 78 indivíduos na faixa etária de 69 anos de idade, demonstrou uma redução estatisticamente importante sobre as medidas de adiposidade e circunferência abdominal.

Em 2015 foi realizado uma revisão sistemática de artigos científicos em relação ao efeito do método Pilates em fatores de risco para doenças cardiometabólicas desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Universidade Católica de Porto Alegre.

Concluíram que de forma direta ou indireta o método Pilates se consolida cada vez mais como atividade física eficaz para minimizar os fatores de riscos modificáveis das Doenças Crônicas Não Transmissíveis.

86% dos estudos incluídos nesta revisão mostraram eficácia do Pilates na redução de porcentagem de gordura corporal, da massa gorda, da relação cintura/quadril, -que corrobora com o estudo de Pestana et al. O estudo de 2015 também constatou uma redução da pressão arterial em indivíduos de diversas faixas etárias.

Obviamente ainda são necessários a realização de novos ensaios clínicos com tamanho de amostra e tempo de intervenção maiores, assim como uma avaliação ampliada da prática do Pilates tanto em solo como em máquinas para assim poder investigar com maior segurança o efeito benéfico do método em relação aos fatores de risco modificáveis.

Fatores de Risco Modificáveis e o PilatesDoenças-CrÔnicas-3

Segundo Joseph Pilates, para ser feliz é imperativo dominar o próprio corpo. De acordo com sua teoria, ele prega que o condicionamento físico é o primeiro requisito para a felicidade pois foi desenvolvido na visão do estilo de vida ideal, integrando saúde física e mental.

Utiliza a visualização, a força e o alongamento do corpo, promovendo um aumento na circulação sangüínea cerebral atingindo células inativas e consequentemente auxiliando no bem estar geral, na redução do estresse, da fadiga e aumentado a motivação, relata B. Siler, O Corpo Pilates, Summus ed.

Sabemos que nos dias atuais o estresse mental e o físico são estados que prejudicam a saúde e qualidade de vida. Passamos horas sob pressão laboral, no trânsito, no computador, em atividades repetitivas, posturas inadequadas, problemas de sono, indo de um lado para o outro, sobrecarregando corpo e mente, vivendo completamente como robôs.

Na maioria dos casos, o estresse está associado principalmente à fadiga, má postura e a uma respiração pouco adequada. Necessitamos manter nosso corpo fortalecido, flexível, controlado, para assim poder enfrentar os desafios diários de uma vida moderna. Se bastasse somente atividades de lazer, muitos de nós estaríamos bem, sem dores, nem lesões ou sobrecargas, mas, o Happy Hour não é o suficiente.

Por este motivo o Método Pilates vem se consolidando como uma ferramenta a mais no controle dos fatores de risco e na melhora da qualidade de vida dos indivíduos, através de uma inserção desta intervenção na mudança de estilo de vida, proporcionando condicionamento físico e saúde para população que adere essa prática.

Através dos princípios do método inspirados em vários estilos de exercícios passeando pela medicina chinesa, acrobacia à yoga que tem como objetivo desenvolver no indivíduo concentração no intuito de conectar corpo-mente, a focar no centro de força (power house).

Assim como evitar lesões e sem excessos ganhar força, flexibilidade, resistência e fluidez associado com a respiração adequada facilitando assim o controle do movimento e do corpo e sendo feliz como pregava J.Pilates.

Concluindo…

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Praticar o Pilates provoca um gasto energético considerável e consequentemente promove um aumento no metabolismo celular, tendo um impacto considerável na prevenção de DCV e AVE. Sem mencionar o aumento da capacidade funcional, da melhora postural e da qualidade de vida dos indivíduos, entre outros.

O Método Pilates pode sim contribuir nas Ações Estratégicas para enfrentar as Doenças Crônicas Não Trasmissíveis,  promovendo saúde, na prevenção dos fatores de risco e como coadjuvante no tratamento das sequelas destas doenças crônicas, e por conseguinte melhorando a qualidade de vida da população.

“Não interessa o que você faz e, sim, como você faz.” 

“Se com 30 anos você não tem flexibilidade e está fora de forma, é velho. Se com 60 é flexível e forte, é jovem”. Joseph Pilates

Written by José Daladiê de Pontes

José Daladiê de Pontes

Fisioterapeuta graduado pela Universidade Paulista, Pós-Graduando em Traumato-Ortopédico com Ênfase em Terapia Manual, Massoterapeuta formado pela Escola Oriental de Massagem e Acupuntura e Formação no Método Pilates pela Voll Pilates Group.

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