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Como fornecer Feedback ao seu Aluno na Aula de Pilates

Como fornecer Feedback ao seu Aluno na Aula de Pilates
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Você já deu um feedback para seu aluno durante a aula de Pilates?

Quem frequenta a aula de Pilates, como um tipo de atividade física, independente da finalidade a qual é empregada, (prevenção de lesões, condicionamento físico, melhora da capacidade pulmonar, entre outros), precisa aprender os princípios do método.

O aprendizado motor que discorre sobre o Pilates não difere, em nada, do aprendizado motor que devemos seguir quando assimilamos uma nova atividade motora, seja aprender a levantar um braço ou executar um “the hundred”.

Para tal, o que devemos levar a em consideração quando estamos ensinando nosso aluno?

Instruir na Aula de Pilatesaula-de-pilates-02

Cada aluno é único e irá responder de maneira específica ao método em questão, tanto em sua percepção de movimento quanto à resposta dada a um comando para realizar a atividade.

Capacidades e habilidades individuais irão nortear como deveremos agir com este cliente. Fatores como idade, sexo e experiências anteriores também irão influir em nossa função de como ensinar.

Para um aprendizado pleno, alguma forma de feedback é essencial. E é sobre esta ferramenta tão importante que irei discorrer agora.

O Feedbackaula-de-pilates-5

Feedback são todas as informações sensoriais disponíveis acerca do resultado de um movimento1. Podemos separá-lo em intrínseco ou extrínseco.

O primeiro chega ao indivíduo através dos sistemas sensoriais (visual, auditivo, proprioceptivo e tátil), resultado da produção normal do movimento1,3  feito durante a aula de Pilates.

Em resumo, aquilo que o próprio aluno, interiormente, percebe do movimento. O segundo, por sua vez, pode-se definir como uma informação que complementa o feedback intrínseco1, vindo de fontes externas ao corpo3.

A forma mais comum de exemplo do feedback intrínseco é a utilização da visão pelo praticante, por ser de fácil percepção do resultado.

Dessa maneira, entende-se o porquê as demonstrações de um determinado exercício pelo professor podem ser bastante benéficas para o aprendizado do aluno.

Mas não é a única, tanto que a forma mais comumente usada de feedback extrínseco é o verbal, utilizado para informar o praticante sobre seus resultados3.

Este feedback pode ser oferecido durante a tarefa ou ao término dela1.

O Feedback Informativo

Ainda dentro do feedback extrínseco, podemos utilizar o feedback informativo ou de reforço.

O informativo, como o nome diz, contém informações sobre o movimento.

Estas devem ser de domínio de quem ensina em sua mais profunda compreensão pois, como nossa memória de processamento de informações não é capaz de reter muitas informações, esse tipo de feedback exigem um comando claro, objetivo e específico, indicando os principais aspectos a serem modificados2,4.

O feedback de reforço irá ressaltar a correta execução de um movimento e, com esse feedback positivo, a probabilidade desde movimento ser repetido de maneira eficiente é maior. É quando você diz que seu aluno está fazendo o exercício certo.

O Feedback na Aula de Pilatesaula-de-pilates-03

O feedback tem como objetivo motivar o aluno, fornecer informações sobre a atividade em questão, além de reforçar as instruções2,4.

Devemos ter cuidado, no entanto, ao colocar uma quantidade elevada de informações num mesmo momento. Isso pode interferir no aprendizado, pois elas dificultariam o direcionamento da atenção para pontos imprescindíveis da tarefa4.

Por isso, quanto mais específico o instrutor for, melhor para o aprendizado.

Não existe um consenso sobre a frequência que devem ser dados estes feedbacks na aula de Pilates e nem quanto e quando é o melhor os fornecer.

O que alguns autores defendem é que feedback dado de forma muito frequente pode prejudicar o aprendizado, deixando o paciente dependente daquela informação extrínseca3, prejudicando sua percepção intrínseca do movimento2,4,6.

Mas e agora? Você deve estar se perguntando: como devo dar os feedbacks e como devo dosar o que falar, mostrar ou fazer?

Como Equilibrar na Hora do Feedbackaula-de-pilates-06

Não é tão difícil dosar quando for dar um feedback para seu aluno. Uma opção válida é diminuir a frequência de informações criando uma margem de erros aceitáveis.

O aluno será corrigido quando essa margem for ultrapassada2,3.

Utilize os recursos que a literatura nos mostra e parte do que foi citado nesta matéria. Por exemplo, a demonstração de um exercício concomitante à uma instrução ou dica verbal facilitam o aprendizado na aula de Pilates2,3.

Como já explicado, não podemos esquecer que nosso aluno é único, e que irá responder de maneira distinta aos estímulos que recebe. O feedback é uma valiosa ferramenta de comunicação.

E, tanto a falta dele, quanto seu mal-uso, pode ter péssimas consequências, tanto no campo psicomotor quanto cognitivo7. O que pode prejudicar muito sua aula de Pilates.

Por exemplo, quando o aluno erra um exercício, você falar “está bom, mas se fizermos de tal maneira ficará melhor”; soa melhor e mais estimulante do que se falarmos “está errado, já disse que não é assim que faz”.

O importante é sempre equilibrar na hora de corrigir ou elogiar seu aluno para que assim, ele não se sinta nem desmotivado ou perca o interesse no movimento, por achar muito fácil.

Concluindo…aula-de-pilates-04

O autor WILLIAMS, 2005, em seu livro, descreve 4 tipos de feedback, e deixa claro que a resposta que obteremos dependerá do tipo de feedback que daremos.

São eles: positivo (repetição de um determinado comportamento/movimento); corretivo (mudança de um determinado comportamento/movimento); ofensivo (gera desprezo) e; insignificante (gera resposta mínima)7.

Cabe a nós, profissionais que ensinam movimento, saber das ferramentas que temos e a melhor forma de usa-las em função do que nosso aluno precisa.

E ai? Gostou da matéria?

O que acha de me dar um feedback?

Referências Bibliográficas
  1. SHUMWAY-COOK, A. WOOLLACOTT, M. Controle motor: teoria e aplicações práticas (2. ed). São Paulo, Manole, 2003.
  2. Schmidt RA, Wrisberg CA. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada na situação. Porto Alegre: Artmed; 2010.
  3. Magill RM. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Phorte Editora; 2011.
  4. Estratégias de Aprendizagem e o ensino de Judô para iniciantes: demonstração, dicas verbais e feedback. Rev. Acta Brasileira do Movimento Humano – Vol.5, n., p.32-46 – Out/Dez, 2014.
  5. O papel do feedback na motivação de praticantes de exercício resistido Rev Bras Ativ Fis e Saúde – Pelotas/RS – 17(4):275-278 – Ago/2012.
  6. Frequencia de feedback como um fator de incerteza no processo adaptativo em apendizagem motora Rev Brasileira de Ciência e Movimento – 11(2):41-47 – 2003.
  7. WILLIAMS, Richard L., Preciso saber se estou indo bem – Uma história sobre a importancia de dar e receber feedback. Ed sextante; 2005.

Written by Karla Seleme

Karla Seleme

Karla Vergaças Seleme é fisioterapeuta, graduada pela PUC-PR. Formação completa em pilates pela Espaço Vida Pilates e MAT e IR pela Pilates Studiofit ( STOTT Pilates). Especialista em Fisioterapia Neurofuncional, pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Possui formação pelo Conceito BoBath Adulto; Balance; iniciação em Kabat, treinamento suspenso, treinamento funcional. Professora de curdo de formação em pilates pela Espaço Vida Pilates

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