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Dicas para Realizar a Liberação Miofascial nas Aulas de Treinamento Funcional

Dicas para Realizar a Liberação Miofascial nas Aulas de Treinamento Funcional
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Atualmente não há dúvidas de que o treinamento funcional revolucionou a maneira de treinar. Com técnicas que consistem em transferir exercícios para as atividades diárias do aluno, o treinamento funcional utiliza de equipamentos simples ou do próprio corpo, seu principal diferencial em relação aos treinamentos tradicionais.

Além disso, ele oferece diversos benefícios para o corpo, como aumento da resistência, flexibilidade, equilíbrio, dentre outros. Basicamente, o treinamento funcional melhora todas as capacidades e sistemas do corpo humano, sendo utilizado também em reabilitações.

Porém, muito mais do que se preocupar e focar em realizar um padrão de movimento correto e não mais treinar um músculo isolado, é preciso também que os instrutores de treinamento funcional consigam realizar e orientar em sua prática.

Outros aspectos que regem nosso corpo, como a flexibilidade e a mobilidade das articulações e tecidos, que possibilitarão um ganho de força adequada, sem prejuízos ao corpo.

Nesse texto vamos ver a importância da liberação miofascial durante as sessões de treinamento funcional e dicas para ser realizada da melhor maneira.

Relação de força, mobilidade e flexibilidade

O equilíbrio entre a força/mobilidade/flexibilidade deve existir, uma vez que o excesso ou a falha de um desses sistemas prejudica o funcionamento dos outros de forma simétrica.

A manutenção da mobilidade corporal completa permite ao corpo se adaptar e realizar as tarefas funcionais de maneira mais ordenada e sem comprometimentos. Promovendo aumento do comprimento das estruturas que tiveram encurtamento adaptativo1.

Podendo ser definida também como uma técnica utilizada para aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo periarticular, contribuindo para aumentar a flexibilidade articular. Isto é, aumentar a amplitude de movimento (ADM).

O encurtamento do sistema muscular gera como consequências o aumento do gasto energético, desestabilização da postura, utilização de fibras musculares compensatórias, compressão das fibras nervosas, aumento das incidências de cãibras e dor, além de prejuízo da técnica nas habilidades esportivas. Exercícios de alongamento são fundamentais para a prevenção e o tratamento de encurtamento muscular2.

A manutenção de parâmetros adequados de flexibilidade proporciona uma boa mobilidade, possibilitando movimentos com segurança em sua completa amplitude. Além de diminuir o risco de lesões em decorrência de limitações musculares e articulares3-5, e um aperfeiçoamento do desempenho físico.

Contamos então com a liberação miofascial como uma das estratégias utilizadas para contribuir com a melhora da flexibilidade e mobilidade.

O que é a fáscia?

 A fáscia é um tecido conjuntivo que envolve todo o nosso corpo, as vísceras, as artérias e as veias, assim compreendendo uma rede que conecta o corpo todo, do crânio até a planta dos pés 6,7.

E quando envolvem as fibras musculares, é chamada de fáscia muscular tendo como função contribuir na transmissão de força entre os segmentos corporais. Perder a plasticidade da fáscia afeta a flexibilidade e a capacidade de movimento com boa amplitude8.

Se em algum momento ou por algum motivo essa fáscia se encontrar “tensa” e começar a se enrijecer, pode não permitir uma livre movimentação entre os músculos e causar além de movimentos limitados, dores e lesões, principalmente após uma atividade de alta intensidade, como é por exemplo, o treino funcional.

Quando ignorada ou prolongada pode até refletir em desconfortos em outras regiões do corpo, provocando uma recuperação ainda mais difícil por seu estado crônico e extenso de lesão.

Seja qual for a atividade exigida, musculação, corrida, ciclismo e no nosso caso o treinamento funcional, sem a devida recuperação pode levar o corpo a perder sua capacidade adaptativa fisiológica9, prejudicando o bom funcionamento do sistema musculoesquelético, alterando a coordenação e agilidade, a flexibilidade, a força muscular e a capacidade neuromuscular de responder a um instinto reflexo.

Por que se deve realizar a liberação da fáscia?

 A técnica utilizada para “soltar” essa fáscia, é conhecida como Liberação Miofascial10. Essa liberação atua com mobilizações (manual ou auto liberação com algum tipo de rolo) da fáscia, onde se aplica pressão e deslizamento em toda a extensão do grupo muscular escolhido.

E o resultado é a busca por maior liberdade de movimento, alívio da dor e restauração da quantidade normal dos movimentos 11,2 já que após a realização da técnica, o músculo e a fáscia podem funcionar sinergicamente sem restrição.

Se tivermos um corpo com boa flexibilidade e mobilidade, a manutenção de força será mais efetiva, uma vez que quanto mais o músculo se alonga mais força de contração ele terá, sem contar que o alongamento da fáscia não faz com que o paciente perca força muscular, o que é o medo de muitos, quando relatam o motivo de não trabalhar esses pilares na musculação, por exemplo.

Fisiologicamente falando, músculos mantidos habitualmente na posição encurtada tendem a perder elasticidade, mostrando-se fortes somente aos testes na posição encurtada, porém fracos quando estão alongados.

Esta condição é conhecida como fraqueza por encurtamento. Em contrapartida, músculos mantidos habitualmente na posição alongada tendem a se mostrar mais fracos aos testes devido a uma mudança na curva comprimento-tensão, circunstância denominada fraqueza por alongamento1.

Portanto, liberar a fáscia do músculo é de extrema importância seja ela antes do treino, com o objetivo de aumentar a amplitude dos movimentos multiarticulares; ou com o objetivo de relaxamento muscular pós-treinamento, diminuindo a frequência da dor muscular tardia, pois diminuiu a rigidez das artérias o que acarreta em um aumento da circulação local, propiciando mais relaxamento e recuperação muscular.

Benefícios da liberação miofascial

  •  Ajuda a desenvolver consciência corporal;
  • Massageia músculos doloridos e permite um alongamento mais profundo;
  • Promove uma postura correta e o alinhamento da coluna;
  • Alivia as tensões e ajuda a evitá-las nos músculos;
  • Promove uma maior efetividade de treinamento por promover mudanças progressivas nos níveis físico e emocional;
  • Liberar as tensões e dores musculares crônicas;
  • Modificar a distribuição da massa muscular;
  • Melhorar a circulação e a respiração;
  • Promover maior mobilidade e amplitude de movimento;
  • Reduzir a rigidez arterial e melhora da função endotelial vascular

 Como podemos realizar a liberação miofascial?

 Normalmente na sessão de treinamento funcional utilizamos acessórios próprios para liberação, com diferentes nomes (foam roller – rolos de espuma), o stick (bastão), softball e bolas de tênis.

Mas com o mesmo princípio que é consistir em uma superfície arredondada e deslizante, como um rolo de Pilates por exemplo, ou até mesmo uma toalha dobrada em forma de cilindro.

A técnica é muito simples de ser realizada e consiste, portanto, em deslizar essa superfície cilíndrica com pressão sobre o músculo escolhido.

Normalmente abrangendo grandes grupos musculares como o quadríceps, isquiotibiais, tríceps sural, internos de coxa que biomecanicamente por serem responsáveis por combinação de dois movimentos, podem aumentar o estresse sobre a relação comprimento-tensão do músculo, deixando-o mais suscetível à lesão por distensão12.

Além do tensor da fáscia a lata e sua banda iliotibial, lombar, glúteos, romboides, dorsal e quadrado lombar.

Essa pressão pode refletir dor, sendo um sinal de que naquela parte específica do seu músculo há restrição, diminuição de irrigação sanguínea e tensão, e que necessita ser liberado.

Portanto quando encontrar uma região dolorida mantenha a pressão por alguns segundos, e ao repetir o deslizamento do cilindro naquela região você já deve sentir uma diminuição da tensão, realizando esse movimento e vai e volta, várias vezes até sentir alívio.

Assim como os exercícios do treinamento funcional, a liberação miofascial também deve ser orientada por um instrutor fisioterapeuta ou educador físico, só ele saberá a melhor maneira de realização das manobras e em quais grupos musculares ela é mais indicada, dependendo do tipo de treino que você terá ou teve.

Concluindo…

 A liberação miofascial pode e deve ser abordada em nosso plano de treinamento quando se trata tanto de recuperação muscular do nosso paciente pós-treino, como também, forma de aprimorar certo exercício ou gesto esportivo.

Essa atenção irá fidelizar seu cliente com relação ao treinamento estar lhe proporcionando bem-estar geral e principalmente, quanto à prevenção de lesões.

Como fisioterapeuta traumato-ortopédica e instrutora de funcional, utilizo essa técnica também em outra abordagem, a reabilitativa, quando meu paciente necessita de aumento de mobilidade fascial para ganho de amplitude de movimento em um pós-cirúrgico e no tratamento da dor de maneira manual.

Fica minha dica de que existem técnicas que a literatura nos apresenta como efetivo para promover saúde ao nosso paciente da maneira mais apropriada.

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Referências Bibliograficas
 Kisner C, Colby LA. Exercícios Terapêuticos Fundamentos e Técnicas. 4ª Ed. São Paulo: Manole, 2005.
Mourad M.R. Terapia miofascial no tratamento de contusão por trauma direto do trato iliotibial em jogadores de futebol profissional de Osasco. Terapia Manual. 2005; 3: 431–437
Achour Jr A. Exercícios de Alongamento: Anatomia e Fisiologia. 2ª Ed. São Paulo: Manole, 2006.
Adams, K.; O´shea, P.; O´shea, K.L. Aging: Its Effects on Strength, Power, Flexibility, and Bone Density. Strength and Conditioning Journal. 1999; 21: 65-67.
Mathews, D.K. Medidas e Avaliação em Educação Física. 5. ed. Rio de Janeiro: Interamericana; 1980.
Barnes, J.F. Healing Ancient Wounds: The Renegade’s Wisdom. Myofascial Release Treatment Center; 2000.
Manhein C. The Miofascial Release Manual. Thorofare NJ. Editora Slack Incorporated; 2001.
Kumka, M.; Bonar, J. Fascia: a morphological description and classification system based on a literature review. Journal of the Canadian Chiropractic Association, vol. 56, n. 3, p. 179-191, 2012.
Hammer, W.I. Exame funcional dos tecidos moles e tratamento por métodos manuais: novas perspectivas. 2 ed, Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan; 2003.
Greenman P.E. Princípios da medicina manual. 2 ed. São Paulo: Editora Manole; 2001
Barnes, J.F. Liberação Miofascial. In: Hammer WI (editor) Exame funcional dos tecidos moles e métodos manuais, novas perspectivas. 2 ed. Rio de Janeiro, Guanabara; 2003.
Rispler DT. Distúrbios dos Músculos, Tendões e Ligamentos. In: Greene WB. Ortopedia de Netter. 1ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006, p. 82-9

 

Written by Camila Lazarin Gallina

Camila Lazarin Gallina

Fisioterapeuta, graduada pela Universidade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO (2012) e pós-graduada em Traumato-Ortopedia Funcional (2014) pela mesma Universidade. Possui formação completa em Pilates, NeoPilates, Treinamento Funcional, Pilates Mamy Baby e nível básico em PFB (Progressive Fit Ball). Atua nas áreas de sua formação completa na Clínica Equilíbrio, no setor público de atendimento trabalha com a promoção da saúde através desses métodos e é docente do Curso de Estética no grupo Geração Centro de Ensino.

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2 Comentários

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  1. muito bom !!! Parabéns
    quero muito fazer um curso para poder usar a liberação miofascial nos meus alunos. 🙂

  2. Boa Tarde Elizandra,

    Vá em frente, se especializar é o primeiro passo para o sucesso!!

    Obrigada por comentar, grande beijo.

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