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O método Pilates emagrece?

E então, o Método Pilates emagrece? Esta pergunta é feita com certa frequência aos professores do Método Pilates, por seus alunos e, também, por pessoas interessadas em praticar uma atividade física com este objetivo. E tenho observado muita insegurança e dúvidas por parte destes profissionais na hora de responder se realmente o Método Pilates tem um gasto energético considerável.

Muitas vezes, para não “iludir” o aluno os profissionais respondem que não, que o Método Pilates emagrece tanto quanto qualquer outra atividade física de mesma carga, e complementam que para perder peso é necessário, além do Pilates, realizar um programa de exercícios aeróbios com certa frequência. A sugestão não está totalmente errada.

Nesta situação, costumo citar uma frase que considero uma das mais sábias de Pilates, que encaixa bem neste contexto: “Não interessa o que você faz, e sim como faz”. Perder peso é, portanto, o resultado de um trabalho bem feito por profissionais capacitados, que motivam e orientam seu aluno com muita determinação e dedicação, principalmente na elaboração do seu plano de aula.

A recomendação de uma atividade aeróbia de baixa intensidade e longa duração, com o objetivo de maximizar o metabolismo das gorduras, é um dos exemplos das estratégias criadas pelos profissionais da área da saúde, muitas vezes sem fundamentação científica adequada. Conforme as recomendações da American College of Sports Medicine, para emagrecer deve-se priorizar o prazer e o bem-estar na escolha de uma atividade física e de exercícios físicos.

 

Atividade física: O método Pilates emagrece?

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A associação entre exercícios e sofrimento é, provavelmente, um dos principais desmotivadores para a prática de atividades físicas, bem como para a execução adequada dos exercícios. Além desse motivo, o ambiente inadequado, muitas vezes competitivo e priorizando resultados imediatos, assim como a música agitada e exercícios padronizados, podem desencadear no aluno transtornos de ansiedade.

Este é um sinal muito comum em pessoas obesas, que, em muitos casos, compensam a ansiedade no ato de comer compulsivamente. Tal conjuntura corrobora para que, logo, este aluno se sinta deslocado, e desista da prática de exercícios.

Por isso, como o Método Pilates está voltado para um trabalho educativo, que proporciona um ambiente que transmite calma e introspecção, o aluno em questão costuma sentir-se mais à vontade e confiante. Sabe-se que o conceito de trabalhar todos os músculos simultânea e continuamente, desencadeando movimentos precisos, é a forma mais eficiente de construir a capacidade de resistência e gasto energético, assim podemos dizer que o Método Pilates emagrece.

O Método foi concebido para trabalhar diretamente com músculos mais profundos do corpo, criando assim um núcleo forte, sem dor associada aos exercícios convencionais.

 

No segundo livro de Joseph Pilates, “Pilates’ Return to Life Through Contrology”, ele descreveu sua preocupação com o excesso de peso das pessoas, ressaltando que o homem não é uma criatura que hiberna, e que, para nós, o excesso de gordura é um verdadeiro prejuízo que impõe carga desnecessária ao coração, fígado, bexiga e outros órgãos de importância vital para a boa saúde.

Para esse grupo de pessoas, Pilates selecionava exercícios específicos para corrigir suas respectivas condições. Muitas vezes, ele aumentava o número de repetições e velocidade nas sessões, para alcançar um gasto energético maior. “Uma seleção criteriosa de exercícios especiais de Contrologia resultará em uma boa condição física de saúde”, dizia ele.

 

Método Pilates e sobrepeso

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Atualmente, estudos científicos com a intervenção do Método Pilates emagrece e em indivíduos que estão acima do peso mostram ainda resultados significativos na alteração da composição corporal, como a diminuição da massa gorda e aumento da massa magra. Além, também, das alterações de alguns componentes que caracterizam a síndrome metabólica, como a glicose, triglicerídeos e circunferência da cintura.

Em 2015, escrevi um artigo científico de revisão sistemática sobre o efeito do Método Pilates em fatores de risco para doenças cardiometabólicas.  Aproximadamente 86% dos estudos inclusos na revisão mostraram a eficácia do Método Pilates na redução de parâmetros corporais e fisiológicos.

Sabe-se que esses benefícios, principalmente a redução da obesidade abdominal, relação cintura/quadril e pressão arterial, têm um impacto clinicamente relevante na morbimortalidade por doenças cardiovasculares (DCV) e acidente vascular cerebral (AVC).

Estes resultados também foram encontrados na investigação que realizei no ano de 2010, em um estudo onde foram analisados os efeitos de um programa de treinamento por meio do Método Pilates, no período de 30 semanas. Este grupo foi composto por 41 mulheres com diagnóstico de hipercifose, na faixa etária de 45 a 80 anos.

Os resultados desses e de outros estudos sugerem que o gasto energético e as correções posturais promovidas pelo treinamento com o Método Pilates podem resultar na melhoria da distribuição do tecido adiposo, através da maior mobilização da gordura depositada na região abdominal.

Este fato também pode estar relacionado com as manobras respiratórias do método, que exige a contração constante dos músculos abdominais na expiração forçada executada junto aos movimentos multidimensionais e precisos.

Para realizar estes movimentos com maior precisão é necessário aplicar também o princípio da concentração. Este princípio é muito eficaz, pois leva o aluno a um estado meditativo, equilibrando os sistemas simpático e parassimpático.

Essas alterações fisiológicas promovidas pelos exercícios do método são de fundamental importância para a homeostase de diversos sistemas corporais, principalmente os sistemas endócrinos, vascular e neurológico.

Na elaboração de um plano de aula é fundamental respeitar o período de adaptação neural. Nesse período, o corpo estará se programando para a execução correta dos exercícios, proporcionando, no futuro, um bom rendimento na execução dos exercícios mais intensos e prolongados.

A intensidade e o volume dos exercícios devem ser respeitados com base nas características individuais do aluno. Basicamente, a composição dos tipos de fibras musculares e idade biológica do aluno determinam a capacidade oxidativa do músculo. Esta capacidade oxidativa é determinada pelo número de mitocôndrias e pela quantidade de enzimas oxidativas presentes.

Este metabolismo depende, principalmente, de um fornecimento adequado de oxigênio. Para isso, é importante um tempo maior de treinamento, com objetivo de adquirir um condicionamento físico adequado, assim se tudo for feito exatamente da forma correta, o Método Pilates emagrece.

 

Concluindo..

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Os exercícios moderados são os mais indicados, tanto para a perda de peso como para o equilíbrio entre o aumento de radicais livres e produção de antioxidantes endógenos.  Os exercícios intensos, aplicados de uma maneira inadequada, desequilibram estes sistemas levando precocemente à morte celular.

Neste contexto, a metodologia desenvolvida por Pilates pode ser eficiente através da elaboração de um plano de aula bem organizado, objetivando o condicionamento físico para uma futura periodização de exercícios de resistência aeróbia, aliados aos exercícios, o método Pilates emagrece sim!

Written by Silvana Junges

Silvana Junges

2012 - 2016 Doutora no programa de Pós Graduação em Gerontologia Biomédica
2008 - 2010 Mestre pelo programa de pós Graduação em Medicina e Ciência da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
2001 - 2003 Especialização em Musculação e treinamento de Força pela Universidade Gama Filho RJ
1982 - 1987 Graduação em Educação Física pela Faculdade de Ciências da Saúde do Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista.

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