Posted in:

O Método Pilates em Pacientes com Espondilolistese

O Método Pilates em Pacientes com Espondilolistese
Gostou? Avalie!

A espondilolistese é definida como um deslocamento ou escorregamento de uma vértebra sobre a outra, podendo este escorregamento ser anterior ou posterior.

É um deslocamento anterógrado da quinta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre o sacro ou menos comumente, da quarta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre a quinta vértebra lombar, onde na maioria dos casos a quinta vértebra lombar é deslocada sobre o sacro.

Sua nomenclatura deriva do grego spondylos (vértebra) e olisthesis (escorregamento).

De acordo com Jassi et. Al (2010), a espondilolistese é classificada em cinco categorias baseadas na sua etiologia: displástica, ístmica, degenerativa, traumática e patológica (quadro 1).

A ocorrência da espondilolistese é maior na coluna lombar, em especial entre as vértebras L5-S1.

Quanto aos sintomas, geralmente a espondilolistese é assintomática, porém podem apresentar dor lombar e ciática bilateral até as nádegas ou face posterior das coxas, a dor é leve ou moderada inicialmente e se agrava com movimentos de extensão e rotação.

A progressão da patologia resulta em tensão dos isquiotibiais, retroversão da pelve, fraqueza dos músculos abdominais e postura flexionada dos quadris e joelhos.

A Coluna Vertebral

A coluna vertebral estende-se do crânio até o ápice (ponta) do cóccix, composta por 33 vértebras que são divididas estruturalmente em 5 segmentos:

  • 7 vértebras cervicais
  • 12 vértebras torácicas
  • 5 vértebras lombares
  • 5 vértebras sacrais fundidas formando o sacro
  • 4 pequenas vértebras coccígeas fundidas que formas o cóccix

A coluna vertebral de um adulto possui quatro curvaturas: cervical, torácica, lombar e sacral. A amplitude do movimento da coluna vertebral varia de acordo com a região e o indivíduo. Os movimentos possíveis da coluna vertebral envolvem: flexão, extensão, inclinação (flexão) lateral e rotação (torção).

Principais Músculos da Região Toracolombar

Grupo Anterior

Na região toracolombar, encontram-se os seguintes músculos do abdome:

  • Reto Abdominal
  • Oblíquo Externo do Abdome
  • Oblíquo Interno do Abdome
  • Transverso do Abdome

Grupo Posterior

São os eretores da espinha (sacroespinhal), o semi-espinhal (da cabeça, da cervical e do tórax) e os músculos espinais profundos (multífidos, rotadores, interespinhal, intertransversários, levantadores de costelas).

Grupo Lateral

Composto por dois músculos, são eles:

  • Quadrado Lombar
  • Iliopsoas

Tratamento da Espondilolistese

O tratamento da espondilolistese deve iniciar de um jeito conservador antes de uma indicação cirúrgica. São indicados nestes casos exercícios de alongamento e estabilização da musculatura lombar.

Na maioria dos casos de espondilolistese, o tratamento conservador tem sido a escolha inicial, pois tem como objetivo o tratamento das dores lombares, a restauração da amplitude de movimento (ADM) e por consequência a sua função, assim como o fortalecimento e a estabilização dos músculos espinhais.

Segundo FRANÇA et. al, (2008); os músculos mais fortes não possuem grande valia em questões de prevenção dos problemas que acometem a coluna, sendo assim esta prevenção está atribuída aos músculos de resistência.

Sugere-se que o modelo mais seguro de estabilização lombar, não seriam os exercícios de força, mas sim os de resistência, que manteriam a coluna em posição neutra, e encorajaria o paciente a recrutar os músculos mais profundos através da co-contração.

Os exercícios de estabilização são precisos e específicos, levando a redução da dor e dos reflexos de inibição muscular, caracterizam-se por atividades de intensidade baixa dos músculos profundos do tronco, principalmente o transverso do abdômen e o multífido lombar (PUPPIN, 2010).

Existem dois sistemas musculares que atuam na estabilidade espinal, sistema global e o sistema local (O’SULLIVAN, 2000 ).

  • Sistema Global: composto pelo reto abdominal, oblíquo abdominal externo e a parte torácica lombar do iliocostal e proporciona a estabilização geral do tronco.
  • Sistema Local: composto pelo multífido lombar, transverso abdominal, diafragma, fibras posteriores do oblíquo interno e quadrado lombar, responsáveis por fornecer estabilidade segmentar e controlar diretamente os segmentos lombares.

Exercícios de estabilização segmentar promovem contração dos músculos transverso do abdômen e multífidos e são eficazes para redução da dor e da incapacidade em lombalgias crônicas.

O Método Pilates e a Espondilolistese

O método Pilates vem sendo utilizado no tratamento de patologias relacionadas à coluna vertebral, trazendo entre outros benefícios a melhora das funções e da dor do paciente, como a espondilolistese.

Estes benefícios se dão através de exercícios que possibilitam o aumento da força dos músculos estabilizadores da coluna, melhorando da flexibilidade da cadeia posterior e maior resistência muscular do corpo como um todo, e estes são fatores importantes a serem recuperados em pacientes com patologias na coluna.

Exercícios de Pilates para a Espondilolistese:

1) Hundred na Bola

  • Exercício gera tonificação de todo centro de força, dando estabilidade a coluna, podendo ser realizado tanto com os joelhos fletidos quanto com os joelhos estendidos (avanço).
  • O paciente deve inspirar elevando a cabeça e o tronco até a base das escápulas. Bombear os braços para cima e para baixo com movimentos curtos e rápidos.
  • Acompanhe o movimento dos braços com sua respiração: inspire durante 5 bombeadas e expire em mais 5.

2) Posição do Gato com Membros alternados sobre a Bola

  • Exercício que recruta toda musculatura profunda da coluna, músculos transverso do abdome, multifido lombar e reto do abdome, pode ser executado com ou sem o auxílio da bola (evolução).
  • A pelve do paciente deve permanecer em posição neutra, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter esta contração durante todo o exercício.
  • O paciente deve retirar alternadamente os membros inferiores durante cada expiração, de forma que a pelve permaneça neutra.
  • A princípio o paciente deve elevar a perna com os joelhos fletidos, e a evolução pode envolver o membro inferior em extensão e ainda alternando os membros superiores de forma contralateral.
  • Realizar 10 repetições de cada lado.

3) Prancha Frontal

  • Exercício recruta os músculos abdominais superficiais, profundos e multífido lombar.
  • Paciente deve posicionar-se em decúbito ventral, onde os apoios são os antebraços e a ponta dos pés.
  • A coluna deve estar devidamente alinhada e a cicatriz umbilical contraída em direção a coluna lombar e manter esta contração durante todo o exercício.
  • Atenção também aos ombros que não devem estar de forma relaxada. Permanecer nesta posição por 30 segundos, repetir por 4 vezes.

4) Ponte

  • Este exercício tem como objetivo o recrutamento da musculatura transverso do abdome, multífido lombar, reto do abdome e glúteo máximo.
  • O paciente deve iniciar em decúbito dorsal, membros inferiores flexionados abertos na largura do quadril e pés totalmente apoiados.
  • Manter a cicatriz umbilical totalmente contraída em direção a lombar, elevar a pelve durante a expiração.
  • Realizar o movimento por 8 repetições.

5) Ponte com Flex

  • Assim como o exercício anterior este exercício tem como objetivo o recrutamento da musculatura transverso do abdome, multífido lombar, reto do abdome e glúteo máximo, além de toda musculatura adutora dos membros inferiores.
  • O paciente deve iniciar em decúbito dorsal, membros inferiores flexionados posicionando o flex entre eles, e pés totalmente apoiados, cicatriz umbilical em direção a coluna.
  • Durante a expiração o paciente deve elevar a pelve e apertar o flex entre os membros de forma sincronizada.
  • Realizar 8 repetições.

6) Ativando o Centro de Força

  • Exercício de estabilização recruta os músculos transverso do abdome, multífido lombar, reto do abdome, reto da coxa e iliopsoas.
  • Paciente em decúbito dorsal, realizar flexão da articulação coxofemoral, extensão de joelhos, e de membros superiores sustentando a bola entre os membros alternados.
  • Paciente deve expirar enquanto “aperta” a bola entre os membros contralaterais e inspirar durante a troca. A cicatriz umbilical deve permanecer contraída em direção a coluna durante todo o exercício.
  • Repetir por 10 vezes.

7) Leg Pull Front

  • Tem como objetivo a dissociação coxo-femoral e estabilização da coluna lombar e pelve. Fortalecimento dos extensores do quadril e coluna.
  • Durante todo o exercício o centro de força deve estar ativado, a pelve deve permanecer neutra, e a lombar estabilizada sem movimentos.
  • O paciente deve permanecer de quatro apoios, com os membros em extensão, (para principiantes pode-se posicionar uma bola na região da pelve como um “suporte” até que o mesmo tenha o controle muscular necessário para realizar sem a bola), de forma alternada realizar a elevação do membro inferior sem realizar uma hiperextensão.
  • Repetir por 10 vezes.

8) Prancha Lateral

  • Tem como objetivo recrutar os músculos estabilizadores laterais, em especial o quadrado lombar, otimizando a ativação lateral e minimizando a sobrecarga na coluna lombar.
  • O paciente deve se colocar lateralmente ao solo, realizar apoio com um dos braços e inicialmente com os joelhos, deixando o corpo todo alongado.
  • Em um nível mais avançado deve estabelecer o ponto de apoio nos pés, mantendo sempre sua coluna alinhada e a musculatura abdominal bem contraída.
  • Manter a postura por 30 segundos, realizar 4 repetições.

9) Flexão de Membros Superiores sobre a Bola

  • Proporciona estabilização da coluna e pelve com fortalecimento dos abdominais, paravertebrais e membros superiores.
  • O paciente deve permanecer em decúbito ventral com o abdômen apoiado na bola os braços estendidos à frente e as pernas unidas, quanto mais próximo dos pés a bola estiver maior o nível de dificuldade, o troco deve ficar reto, pernas unidas e os braços em extensão.
  • Inspire, flexionando os cotovelos e descendo o tronco, e expire esticando novamente os cotovelos.
  • Contraia o abdômen para alinhar as costas com os quadris e não deixar a bola se mover.
  • Repetir 8 vezes.

10) Alongamento dos Paravertebrais

  • Promove alongamento dos músculos eretores lombares, músculos dos glúteos e isquiotibiais.
  • O paciente deve posicionar-se em decúbito dorsal, abraçando os joelhos contra o peito, realizar uma respiração lenta, manter a postura por 30 segundos.
  • Realizar 3 vezes.

 

Referências Bibliográficas
  • FRANÇA, J. R. et al. Estabilização segmentar da coluna lombar nas lombalgias: uma revisão bibliográfica e um programa de exercícios. Rev. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 15, p.200-206, abr./jun. 2008.
  • JASSI, F. J., et al. Terapia manual no tratamento de espondilólise e espondilolistese: uma revisão de literatura. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 17, n. 4, p.366-71, out/dez. 2010.
  • O’SULLIVAN P. B. Lumbar segmental “instability”: clinical presentation and specific stabilizing exercise management. Manual Therapy, [s. l.], v. 5, n. 1, p. 2-12. 2000.
  • PUPPIN, M. A. F. L. Alongamento muscular e estabilização lombar na lombalgia crônica: avaliação do método GDS. 2010. 123 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2010.

Written by Thais Giabani

Thais Giabani

Fisioterapeuta, com pós graduação em Saúde da Mulher
Extensão em Auriculoterapia
Curso de Pilates nas Patologias da Coluna.
Curso de Pilates, e Neopilates
Curso de Reflexologia

10 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *