Posted in:

Pós Parto no Pilates -​ ​Tudo​ ​o​ ​que​ ​você​ ​precisa​ ​saber!

Pós-Parto---CAPA

Com o nascimento do bebê, no pós parto a mulher e agora mamãe, passa a ajustar a sua vida para cuidar do novo membro da família quase que em tempo integral.

Entretanto, é importante que ela saiba que cuidar da saúde é uma etapa fundamental nessa nova jornada.

Muitas vezes, o período do puerpério (inicia-se ao final do parto e prolonga-se por 6 a 8 semanas, termina quando todos os órgãos da repro- dução tenham retornado ao estado pré-gestacional) não é tão agradável ou mágico como algumas pessoas descrevem.

Inicialmente, o corpo terá passado por inúmeras mudanças e continuará passando por um bom tempo. Por isso, o estímulo para a prática de exercício é necessário.

Como instrutor de Pilates, você já pode conscientizar a aluna da importância da prática de exercícios no pós parto logo no início do acompanhamento, mesmo ainda durante a gestação.

Principais Alterações no Corpo da Mulher no Pós PartoPós-Parto-5

Geralmente, os exercícios no período pós parto, podem ser recomendados 30 dias após o parto normal e 45 dias após a cesariana, se não houver complicações, porém é sempre interessante receber a aluna somente com autorização médica, assim você terá certeza que ela estará apta para se exercitar.

Em geral, muitas alterações provocadas pelo período gestacional e pelo parto regridem nas primeiras semanas, entretanto algumas ainda podem estar presentes, por isso é importante saber quais são elas.

Após o parto, o útero diminui, em média, 0,7 cm por dia, ao final da segunda semana, não é mais palpado no abdômen e, com 6 semanas, retorna às condições pré-gravídicas. A partir dessa informação temos que ter consciência que a aluna está passando ou já passou por essas transformações que podem gerar incômodos.

A região perineal apresenta-se edemaciada e normalmente esse quadro regride em 1 a 2 semanas após o parto. O tônus muscular dessa região pode restabelece-se em 6 semanas, dependendo do grau de lesão durante o parto. Com relação ao trato urinário, alterações morfológicas podem persistir por 3 meses após o parto.

O parto vaginal especialmente, é um dos maiores fatores de desenvolvimento de incontinência urinária no pós parto imediato, devido a lesões nas estruturas do aparelho urinário e demais estruturas adjacentes.

A parede abdominal e o peritônio tornam-se flácidos, e as vísceras, aos poucos, voltam à posição original. No período inicial do pós parto é comum a presença da diástase dos músculos reto-abdominais.

A mulher pode ainda apresentar alterações em outros sistemas, como o cardiovascular, que geralmente retorna para níveis semelhantes ao pré gestacional após 6 a 12 semanas.

Apesar de algumas mudanças não serem tão evidentes quanto outras é necessário estar atento a todas elas.

O Abdômen e o Pós PartoPós-Parto-1

O abdômen é uma das regiões que mais merecem atenção no pós parto.

Durante a gravidez, o estiramento da musculatura abdominal ocorre principalmente em consequência ao crescimento uterino.

Alterações posturais que ocorrem durante a gestação também podem alterar o vetor de força muscular e colaboram para esse processo.

Essas modificações predispõem à separação dos feixes dos músculos retos abdominais, predispondo a diástase dos músculos reto-abdominais, que devido à disposição em “V” desses músculos, tende a ser maior na porção supraumbilical do que na infraumbilical.

Lembre-se que o período que ocorre a flacidez da musculatura abdominal fisiológica deve ser respeitado. Em geral, a recuperação do tônus da musculatura da parede abdominal, ocorre em média 6 semanas após o parto.

Esse processo é lento e muitas vezes pode ocorrer de maneira imperfeita. Por isso, a avaliação dessa região é importante quando nos deparamos como uma aluna no período pós parto.

Como Avaliar a Diástase

Aconselho sempre avaliar os músculos reto-abdominais no período do pós parto, como disse anteriormente a recuperação pode ocorrer de maneira imperfeita, por isso é sempre interessante conferir.

Para a mensuração da diástase dos músculos reto-abdominais, a aluna deverá estar posicionada em decúbito dorsal, com quadris e joelhos fletidos a 90°, os pés deverão ficar apoiados e os braços estendidos ao longo do corpo.

Deve ser solicitado que ela realize uma flexão anterior do tronco, pelo menos até que o ângulo inferior da escápula esteja fora do leito.

Em seguida, deve-se palpar as regiões acima e abaixo da cicatriz umbilical introduzindo os dedos, perpendicularmente, entre as bordas mediais dos músculos retos abdominais.

Apesar de não haver um consenso sobre os valores considerados relevantes, aceitáveis e/ou prejudiciais na medida da diástase dos músculos abdominais, devemos considerar que qualquer valor acima de 2,5 cm poderá interferir na capacidade da musculatura abdominal de estabilizar o tronco, manter a postura, os movimentos do tronco, a contenção visceral e a estabilização lombar.

Dicas para Elaboração da Aula de Pilates no Pós PartoPós-Parto-6

O método Pilates é um método seguro e pode auxiliar na recuperação durante esse período ou ainda colaborar para que a aluna retorne a prática de exercícios.

No entanto, devemos estar atentos com relação a algumas particularidades do período.

Os efeitos da relaxina podem ser manifestados em até 12 semanas após o parto, por esse motivo, evite exercícios que trabalham alongamentos em grandes amplitudes durante esse período.

As alterações posturais adquiridas no período gestacional podem ser perpetuados no período pós parto, os cuidados com o recém nascido também podem propiciar alterações.

Ao montar a aula esteja atento a isso, o ideal é sempre fazer uma boa avaliação postural.

Exercícios que trabalhem a contração isométrica do transverso abdominal e os exercícios de mobilização pélvica com contração dos retos abdominais podem ser grandes aliados no período pós-parto e devem evoluir de maneira gradual de acordo com a tolerância da aluna.

Fique atento quanto à presença de diástase dos músculos reto-abdominais.

Lembre-se de dar atenção a musculatura do assoalho pélvico, em alguns casos ela pode ter sido muito afetada e merece ser trabalhada.

Orientar a aluna a fazer exercícios em casa pode ser útil para o fortalecimento dessa musculatura, poucos minutos são suficientes e fazem uma grande diferença.

Por último, lembre-se que essa aluna passou por um grande período muitas transformações corporais que podem ter alterado a consciência corporal, por isso é sempre interessante iniciar ensinando os princípios, ou relembrando-os, e reforçando sobre o posicionamento e alinhamento corporal.

Concluindo…Pós-Parto-3

Sabendo identificar possíveis alterações decorrentes da gravidez e do processo de parto o instrutor de Pilates terá mais segurança para traçar os objetivos e elaborar a aula.

A gravidez, o parto e o puerpério são fases da vida de uma mulher estão interligadas, por isso devemos estar atentos aos detalhes de cada fase, pois podem implicar na nossa atuação.

 

Referências Bibliográficas
  • LEITÃO, Marcelo Bichels et al. Posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte: atividade física e saúde na mulher. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, [s.l.], v. 6, n. 6, p.215-220, dez. 2000. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1517-86922000000600001.
  • Baracho E. Fisioterapia Aplicada à Obstetrícia, uroginecologia, e aspectos da mastologia. 4th ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007.
  • Endacott J. Pilates para grávidas: exercícios simples e seguros para antes e depois do parto. 1st ed. São Paulo: Manole; 2007.
  • Brody L. T; Hall C. M. Exercício terapêutico: Na busca da função. 3rd ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2012.

Written by Isabella da Silva Almeida

Isabella da Silva Almeida

Fisioterapeuta graduada pela Universidade Católica de Brasília. Curso de Pilates completo – Solo, Bola e Aparelhos.
Curso de Exercício Funcional para Idosos promovido pela Liga de Fisioterapia Neurológica da Universidade Católica de Brasília.
Integrante do projeto de pesquisa em geriatria, realizado na Clínica Escola da Universidade Católica de Brasília, Análise morfofuncional e percepção do envelhecimento em idosos participantes do treinamento funcional em realidade virtual.

2 posts

1 Comentário

Deixe um Comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *