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Pilates no Tratamento de Disfunção Neurológica

Pilates no Tratamento de Disfunção Neurológica
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O método Pilates possui inúmeros benefícios mas isto certamente você já sabia! Então a principal questão aqui é: será que o Pilates pode ser uma ferramenta capaz de proporcionar uma melhora na funcionalidade, consequentemente aumentar a qualidade de vida de pessoas que sofreram alguma disfunção neurológica?

O Pilates vem sendo introduzido em diferentes processos de reabilitação neurológica, mostrando grandes benefícios para essa população, agindo na prevenção e melhora de diferentes disfunções que atingem o paciente neurológico.

Aqui nós veremos como o método Pilates pode atuar na melhora, prevenção e tratamento dessas disfunções, por fim proporcionando uma qualidade de vida melhor ao paciente.

Antes de começar a tratar pacientes com disfunção neurológica com o Pilates, acho interessante revermos as principais doenças neurológicas.

Principais Doenças e Disfunções NeurológicasDisfunção-Neurológica-1

Acidente Vascular Encefálico

É uma doença grave e cada vez mais frequente, principalmente na população idosa. É uma das principais causas de incapacidade e comprometimento da qualidade de vida.

Existem dois tipos principais de acidente vascular encefálico: o isquêmico e o hemorrágico. O isquêmico representa a maioria dos casos ocorridos e apresenta-se pela interrupção do fluxo sanguíneo, por trombose ou por embolia, levando a isquemia de determinada área encefálica.

Já o acidente vascular hemorrágico ocorre devido ao extravasamento sanguíneo para o tecido encefálico, devido a um aneurisma, mal formações das artérias e veias, dentre outras causas.

Após o acidente vascular encefálico, diferentes disfunções podem afetar a funcionalidade desse paciente como:

  • Disfunções nas Funções Perceptivas – de Linguagem e de Comunicação
  • Alteração do Tônus – Inicialmente Flácido e posteriormente com Músculos Espásticos (ambos os músculos estão fracos)
  • Prejuízo na Coordenação e no Equilíbrio
  • Fadiga
  • Dificuldade para Caminhar
  • Entre outras Disfunções

Doença de Parkinson

É uma doença crônica e progressiva resultante da morte de neurônios secretores de dopamina (Neurotransmissor monoaminérgico), localizados na substância nigra dos núcleos da base, levando a uma diminuição dos níveis de dopamina.

Apesar da relevante diminuição dos níveis dopaminérgicos, acredita-se que outros neurotransmissores podem estar envolvidos na fisiopatologia dos sintomas da Doença de Parkinson, como os neurotransmissores colinérgicos, serotoninérgicos e noradrenérgicos.

A Doença de Parkinson apresenta-se por distúrbios motores caracterizados por bradicinesia, tremor de repouso, rigidez, alterações da marcha e déficits de equilíbrio. Os sintomas iniciam, normalmente, nas extremidades superiores.

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Lesões Medulares

A Lesão Medular pode ser resultado de diferentes fatores, como quedas, acidentes automobilísticos, lesões esportivas, doenças, violência urbana, entre outras causas, levando a alterações na sensibilidade e/ou na função motora.

Seu comprometimento irá depender do nível da lesão e extensão da mesma e podemos identificar os comprometimentos da lesão dependendo do nível atingido.

Quanto mais alta for a lesão sofrida, maior será a perda da funcionalidade que o paciente terá; e quanto mais baixa for a lesão, maior será a sensibilidade e movimentos que o paciente irá preservar.

No entanto, cada organismo responde a lesão de uma forma particular, por isso, a avaliação fisioterapêutica é crucial.

Além das patologias descritas acima, tantas outras podem levar a disfunções neurológicas como:

  1. Traumatismos Cranianos
  2. Lesões dos Nervos Periféricos
  3. Esclerose Múltipla
  4. Doenças do Neurônio Motor
  5. Polineuropatias

Todas essas doenças apresentam diferentes fisiopatologias.

Apesar de cada uma ter suas particularidades, podemos encontrar alterações em comum, como diminuição de força, de mobilidade, de flexibilidade, de equilíbrio, além de alterações posturais e de tônus muscular, entre outras características.

Independente do nível de comprometimento, todas elas afetam a funcionalidade e comprometem a qualidade de vida do paciente.

Método Pilates no Tratamento de Disfunção NeurológicaDisfunção-Neurológica-3

O Pilates é amplamente conhecido por todos, e extremamente benéfico, principalmente para pacientes com alguma disfunção neurológica.

O método Pilates pode auxiliar proporcionando vários benefícios como aumento da força muscular, melhora do equilíbrio e coordenação motora, prevenção de deformidades, manutenção da amplitude de movimento, minimizando os efeitos das alterações do tônus muscular e melhora na postura.

O método permite desenvolver uma maior consciência corporal, principalmente por meio dos seus princípios: concentração, centralização, respiração, controle, precisão e fluidez de movimento.

Em todos estes princípios reside uma base comum: a especificidade de cada ser humano, ou seja, a capacidade deste método se adequar às distintas características de cada aluno/paciente. Podemos destacar que existem vários estudos que associam os benefícios do método Pilates para a população em questão.

Além disso, podemos salientar que a sua prática é um relevante estímulo para o bem-estar de forma geral do paciente. O método possui uma sequência que se divide em básico, intermediário e avançado, podendo ser adaptada para cada situação.

Os equipamentos são utilizados em todos os níveis (básico, intermediário e avançado), com variações na carga, angulação e na frequência dos movimentos realizados. Os exercícios devem ser praticados de forma suave e com o máximo de concentração, além disso, não devem ser realizados de forma automatizada.

Podemos destacar uma contraindicação do método que é para casos de lesões em processo de dor aguda. Passada essa fase, começa-se o processo de reabilitação.

Exercícios de Pilates Para Disfunção NeurológicaDisfunção-Neurológica-5

O Pilates trabalha o corpo como todo, mas também pode ser trabalhado áreas corporais de maneira isolada. Os exercícios de Pilates para pacientes com disfunção neurológica irão depender dos objetivos traçados.

Por Exemplo: Aluno/Paciente após o AVE uma das impossibilidades percebidas em pacientes hemiplégicos e hemiparéticos é a fraqueza muscular, uma restrição que causa incapacidades motoras e funcionais.

Devido essas fraquezas motoras, instala-se um círculo vicioso entre descondicionamento e inatividade, comprometendo a capacidade das exigências físicas da vida diária estabelecida por déficits neuromusculares resultante do AVE.

Os músculos do lado afetado terão uma dificuldade em gerar força e sustentar o membro a graus normais proporcionando um alto risco de queda.

Esta fraqueza muscular é a incapacidade de gerar padrões normais de força em função da perda ou encurtamento do recrutamento de unidades motoras ou das mudanças fisiológicas do músculo parético, seja pela denervação, pela diminuição da atividade física ou pelo desuso, terminando em atrofia muscular.

As qualidades da força muscular que acompanham o AVE compreendem uma redução de torque isométrico e isocinético, além da demora em gerar torque.

Semelhante incapacidade para gerar o torque mostrou estar associada com o desempenho em diversas tarefas funcionais, tais como transferências, levantar, velocidade da marcha, habilidade para caminhar entre outras, sugerindo assim que o treinamento de força conseguiria levar a um aumento no desempenho funcional.

Como montar uma Aula para Pacientes com Disfunção Neurológica

Para tratarmos com o método Pilates, em primeiro lugar precisamos entender como funciona a fisiopatologia de cada doença e suas particularidades.

Em segundo lugar, precisamos definir os objetivos (inicias, médios e a longo prazo) a serem alcançados a depender do comprometimento neurológico do paciente. Todos os objetivos devem estar de acordo para todos os envolvidos (profissional, paciente e familiares).

Deixando claro para os envolvidos que alguns objetivos são possíveis e mais fáceis de conseguir e outros mais difíceis e que demandam um tempo maior de dedicação para acontecer.

E quando falamos no método Pilates e reabilitação da funcionalidade, devemos lembrar que a comunicação entre paciente e profissional é importante, por mais que não seja tão perfeita, ela deve ser a mais próxima da normalidade.

Isso pois os objetivos traçados vão depender da compreensão das instruções passadas e também da habilidade do profissional de conseguir passar as instruções de forma muito clara e de fácil entendimento. Com certeza, precisamos estabelecer uma forma de comunicação eficiente.

Concluindo…Disfunção-Neurológica-4

Os benefícios do Método Pilates são amplamente conhecidos em sua forma geral. E no processo de reabilitação de paciente neurológico este método não é diferente, seus benefícios continuam a atuar de forma ampla.

Portanto, é possível utilizar o Pilates como ferramenta em diferentes casos de disfunção neurológica. Quem possui ou convive com alguém que possui disfunções neurológicas precisa saber da importância do método Pilates, pois este pode ser extremamente benéfico para este tipo de paciente.

O método pode auxiliar a prevenir ou restaurar as habilidades do dia a dia, melhorando a qualidade de vida. Isto tudo é possível, pois o Pilates proporciona uma melhora na mobilidade, flexibilidade, força, coordenação motora e equilíbrio.

Os exercícios são associados à respiração, exigem concentração e são realizados em poucas repetições.

A interação entre corpo e mente que acontece na prática do método favorece ao paciente perceber melhor o corpo, tornando o mesmo capaz de melhorar o seu desempenho nas atividades cotidianas buscando conquistar autonomia e independência.

Vamos finalizar com uma frase que Joseph Pilates dizia, onde exemplifica bem o desafio que é tratar o paciente com lesão neurológica, destacando que o segredo é a persistência, constância no objetivo e paciência:

“Paciência e persistência são qualidades vitais no resultado final para realizar algum esforço que valha a pena”.

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