Posted in:

Pilates no Tratamento do Câncer de Mama + 7 Exercícios (com fotos!)

Pilates no Tratamento do Câncer de Mama + 7 Exercícios (com fotos!)
5 (100%) 4 votes

O Câncer de Mama pode ser considerado um grande problema de saúde pública, sendo o segundo tipo de câncer mais frequente em mulheres no mundo todo (520 mil mortes estimadas por ano) e o que mais causa óbitos em mulheres brasileiras na faixa etária de 40 a 59 anos de idade.

Apesar de apresentar um bom prognóstico (95% de chances de cura quando detectados em fase inicial), ainda são elevadas as taxas de morbidade e mortalidade devido, principalmente, à detecção tardia do tumor, que já encontra-se em estágios mais avançados.

Medidas de prevenção relativamente simples como o autoexame da mama, bem como detecção e diagnóstico precoces vem sendo estimulados para reverter este quadro.

Estudos indicam que a prática de exercícios pode atuar como fator benéfico para a prevenção do Câncer de Mama, e o Pilates é um dos métodos adotados para tal.

Por ser uma doença de alta incidência, não é difícil recebermos no nosso Studio uma paciente com este diagnóstico, sendo de extrema importância entendermos como o Câncer de Mama se manifesta e as suas repercussões no corpo da mulher, bem como as suas formas de tratamento e como o Pilates pode auxiliar na recuperação da paciente.

O que é Câncer de Mama?

O Câncer de Mama é um tumor maligno caracterizado pelo crescimento anormal e desorganizado das células mamarias, que podem sofrer mutação genética e invadir tecidos e órgãos adjacentes.

Grande parte dos tumores de mama são chamados de Carcinoma Ductal quando acomete os ductos mamários, podendo ser “in situ” (quando atinge apenas as primeiras camadas de células dos ductos), ou invasor (quando invade os tecidos adjacentes).

Quando localizado nos lóbulos mamários é chamado de Carcinoma Lobular, menos comum e normalmente atinge as duas mamas. Mais raro e agressivo, o Carcinoma Inflamatório compromete toda a mama, tornando-a edemaciada e hiperemiada.

É uma doença multifatorial, e fatores genéticos e ambientais contribuem para sua ocorrência, dentre eles estão relacionados:

  • Idade
  • Duração da Idade Ovariana
  • Alterações Hormonais
  • Tempo de Amamentação
  • Hereditariedade
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Hábitos de Vida (alimentação, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo)
  • Uso contínuo de Medicamentos (anticoncepcionais e repositores hormonais)
  • Predisposição Genética (mutações dos genes BRCA1/BRCA2)
  • Fatores Ambientais (exposição a irradiação)

Apesar de raro, homens também podem desenvolver o câncer de mama, apresentando apenas 1% dos casos.

Geralmente assintomático, o câncer de mama na maioria dos casos é detectado pela presença de nódulos endurecidos nos seios ou axilas e deformidades ou assimetria nas mamas.

Em casos mais avançados pode apresentar aumento de volume nas mamas, vermelhidão na pele, dor na mama, dor e/ ou inversão dos mamilos, presença de secreção sanguinolenta ou serosa nos mamilos, feridas nos mamilos, irritação ou retração da pele, e edema no braço.

Vale lembrar que as mamas se modificam ao longo da vida da mulher e do ciclo menstrual, sendo que nem sempre o aparecimento de nódulos nas mamas significa câncer de mama. Esses nódulos mamários podem ser cistos e adenomas benignos.

As maneiras mais eficazes para detecção do câncer de mama precoce são:

  1. Autoexame das Mamas – que deve ser realizado mensalmente, entre o 7° e o 10° dia após o período menstrual ou então em qualquer época do mês para as mulheres que já se encontram na menopausa.
  2. Exame Clínico – realizado pelo ginecologista durante a consulta de rotina anual.
  3. Mamografia – realizada anualmente a partir dos 40 anos ou quando o médico achar necessário antes desta faixa etária.

Na presença de alguma anormalidade nas mamas, a mulher deve procurar o médico o mais breve possível, que irá encaminha-la para a mamografia e os demais exames complementares (entre eles a ultrassonografia e a ressonância magnética são os mais usados), para ajudar na diferenciação dos cistos e nódulos.

Como tratar o Câncer de Mama

Todo câncer de mama é tratável, porém, nem todos são curáveis.

Atualmente, a terapêutica é realizada por uma equipe multidisciplinar visando o tratamento integral da paciente. Quanto mais precoce sua detecção, maiores as chances de cura, apresentando nesses casos 95% de chances de cura.

Outro fator que interfere é o estadiamento do tumor, ou seja, a classificação do tumor de acordo com a dimensão e extensão da doença, o acometimento dos linfonodos e a presença de metástases. Após identificado o nódulo, as biópsias estão indicadas como recurso final para a exclusão ou para a confirmação do diagnóstico de câncer de mama.

Sendo assim, após diagnosticado e identificado o tumor, pode-se adotar as medidas terapêuticas ideais, a saber resseção apenas do tumor, mastectomia (parcial ou total), radioterapia, quimioterapia e hormonoterapia.

Nos tumores de estagio I e II o tratamento consiste em cirurgia apenas do tumor ou a mastectomia parcial ou total. Caso haja risco de recidiva do tumor, o tratamento pode ser complementado com radioterapia, quimioterapia ou hormonoterapia.

Os tumores de estagio III são mais avançados e de maior extensão, com comprometimento de linfonodos, portanto o tratamento inicial consiste em quimioterapia para redução do tumor, seguida do tratamento cirúrgico.

Já no estágio IV o tratamento deve ser mais criterioso devido a presença de metástase, e deve ser adotado de acordo com as respostas terapêuticas do tumor, visando sempre a sobrevida do paciente.

O tratamento de câncer de mama tem um impacto muito negativo na vida social, sexual e na autoestima da mulher, por isso em muitos casos é indicado a reconstrução da mama após o término do tratamento, restaurando a autoestima e a qualidade de vida da mulher.

Pilates auxilia no Tratamento de Pacientes com Câncer de Mama

Além de o exercício prevenir o desenvolvimento do câncer de mama e de várias outras doenças, a Sociedade Americana do Câncer recomenda que os pacientes retornem à atividade física logo após o tratamento (seja cirúrgico, quimioterápico, radioterápico ou por terapia hormonal), e evitem a inatividade física.

Esta recomendação inclui a prática de atividade física regular com exercícios resistidos por pelo menos 2 vezes por semana, num total de 150 minutos de exercícios.

O exercício físico desencadeia no corpo a liberação de diversos hormônios capazes de reduzir as dores e melhorar a sensação de bem-estar da paciente, melhorando a qualidade do sono, o humor e estimular a libido.

Tudo isso sem contar os benefícios musculoesqueléticos e nos sistemas circulatório, linfático e cardiorrespiratório, pois o exercício também estimula o sistema imunológico a combater os radicais livres que danificam as células saudáveis.

Outro fator importante da prática de exercícios por pacientes com câncer é a redução da gordura corporal, pois o excesso de gordura aumenta a produção de hormônios (principalmente estrogênio) e de substâncias ligadas ao crescimento corporal, que podem servir de combustível para o crescimento tumoral.

Para reverter essas consequências do tratamento, o exercício físico tem exercido um papel importante no tratamento, e é neste quesito que o Método Pilates se encaixa perfeitamente, por ser uma atividade física individualizada e altamente adaptável às necessidades de cada paciente.

Os exercícios de alongamento e fortalecimento específicos do Pilates são executados de forma dinâmica e progressiva, sem impacto e sem oferecer riscos à paciente, que já se encontra muito debilitada em virtude de todo o tratamento cirúrgico e do tratamento complementar.

Inicialmente os exercícios de Pilates selecionados devem levar em consideração as debilidades apresentadas pela paciente, evoluindo gradativamente a dificuldade dos exercícios.

São realizados inicialmente exercícios de nível básico para a paciente conhecer a técnica, adaptar-se aos aparelhos e aos exercícios, associando-os aos princípios do Método Pilates. Com o tempo pode-se inserir os exercícios de nível intermediário e avançado, de acordo com a evolução da paciente.

Estudos indicam que o Pilates contribui positivamente no tratamento do câncer de mama de diversas maneiras, dentre elas:

  • Melhora a Fadiga
  • Reduz os Efeitos Colaterais do Tratamento
  • Melhora Sistema Cardiorrespiratório, Circulatório e Linfático
  • Mantem a Saúde Óssea
  • Diminui Dores Crônicas
  • Restaura Amplitude de Movimento principalmente de Ombro
  • Aumento da Resistência e Força Muscular principalmente da Musculatura da Cintura Escapular
  • Fortalece o Power House
  • Alivia Tensões e Estresse
  • Melhora Consciência Corporal
  • Reduz o quadro Depressivo
  • Reduz o Risco de Tumores Recidivos
  • Melhora a Qualidade de Vida da Paciente

Principais Exercícios para Pacientes com Câncer de Mama

1) Arms Up and Down – Variação

Objetivo: Fortalecimento de músculos latíssimo do dorso, peitoral maior esternocostal, redondo maior, reto abdominal, oblíquo interno, oblíquo externo e transverso abdominal.

Posição Inicial: Paciente em decúbito dorsal no Reformer, membros inferiores com joelhos flexionados a 90° e pés no ar, membros superiores com ombro flexionado a 90°, cotovelos estendidos e segurando as alças de mãos.

Movimento: Paciente deve realizar a extensão de ombro enquanto estende os joelhos, retornando à posição inicial.

2) Arms Circle

Objetivo: Fortalecimento dos músculos peitoral maior esternocostal, redondo maior, latíssimo do dorso.

Posição Inicial: Paciente em decúbito dorsal no Reformer, membros inferiores com joelhos flexionados a 90° e pés no ar, membros superiores com ombros flexionado a 90°, cotovelos estendidos e segurando as alças de mãos.

Movimento: Paciente deve realizar a extensão de ombro, seguida de abdução e flexão horizontal de ombro (movimento circular dos braços), retornando à posição inicial.

3) Mermaid

Função: Alongamento dos músculos da cadeia lateral e ombro.

Posição Inicial: Paciente sentado de lado no Reformer, membros inferiores com joelhos flexionados, e membros superiores com uma das mão repousando ao lado do corpo e a outra mão apoiada na barra de pés.

Movimento: Paciente deve realizar a flexão lateral da coluna, empurrando o carrinho e abduzindo o ombro do mesmo superior livre. Após,retornar à posição inicial.

4) Knee Stretches Round

Objetivo: Mobilização da coluna e da articulação do ombro.

Posição Inicial: Paciente ajoelhada sobre o Reformer, membros inferiores com joelhos flexionados e pés nos apoios de ombro.Membros superiores com cotovelos estendidos e mãos apoiadas na barra frontal tendo os ombros flexionados mantendo os membros superiores à frente do corpo.

Movimento: Paciente deve realizar a flexão da coluna, mantendo a flexão de quadril e joelhos a 90º, retornando à posição inicial lentamente, mobilizando a coluna vértebra por vértebra ao estendê-la.

5) Rolling Back: Down/Up

Objetivo: Fortalecimento de abdômen, mobilização de coluna, ombro e cintura escapular.

Posição Inicial: Paciente sentado em frente ao Cadilac, membros inferiores com joelhos estendidos e pés apoiados nas barras laterais do aparelho. Membros superiores com ombros flexionados, cotovelos estendidos e mãos segurando a barra móvel, presa em duas molas superiores.

Movimento: Paciente deve realizar a extensão de coluna, fazendo um rolamento da coluna vértebra por vértebra, até deitar completamente, retornando à posição inicial.

6) Shoulder Up and Down

Objetivo: Fortalecimento dos tríceps braquial, deltoide clavicular, peitoral maior clavicular, coracobraquial.

Posição Inicial: Paciente em pé em frente à Chair, membros inferiores com joelhos estendidos e pés apoiados nos pedais, e membros superiores com cotovelos flexionados e mãos apoiadas nas barras laterais.

Movimento: Paciente deve realizar a extensão dos cotovelos, flexionando os ombros, ao mesmo tempo que eleva todo o corpo, retornando à posição inicial.

7) Side Arm Sit

Objetivo: Alongamento dos músculos da cadeia lateral e do ombro.

Posição Inicial: Paciente sentado na lateral da Cadeira, membro inferior com joelho flexionado e o outro membro inferior contralateral à cadeira com o quadril levemente abduzido, joelho estendido e pé apoiado no solo, membros superiores com ombros abduzidos a 90º e cotovelos estendidos.

Movimento: Paciente deve realizar a flexão lateral da coluna, apoiando uma mão no pedal pressionando-o para baixo, levando o outro ombro à abdução total,acima da cabeça, sem retirar o pé do chão, retornando à posição inicial.

Restrições de Exercícios e Cuidados que devem ser tomados

É claro que logo após a cirurgia surgem algumas debilidades e limitações físicas, como limitação da amplitude de movimento da articulação do ombro, alterações posturais ou até o surgimento de linfedemas (retenção de líquidos por bloqueio do sistema linfático, comuns em pacientes em tratamento de câncer, causando dor, sensação de peso, fadiga e dormência do braço, afetando as atividades diárias do paciente).

Por isso, devem ser tomados alguns cuidados na execução de alguns exercícios.

Além disso, temos que levar em consideração os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia, que variam muito de acordo com o organismo e a imunidade de cada mulher. Alguns deles são:

  • Fraqueza
  • Fadiga Intensa
  • Cansaço
  • Queda dos Cabelos
  • Perda de Apetite
  • Consequente Perda de Peso
  • Vômitos
  • Náuseas
  • Mal-Estar Geral

A liberação médica é imprescindível para qualquer pratica de exercícios.

Quando lidamos com paciente em tratamento de câncer é sempre bom o contato com o médico para sabermos a extensão da doença, para então estabelecermos o programa de exercícios adequado.

Individualidade é a palavra chave do tratamento, sempre devemos estar atentos à condição física diária da paciente, visto os efeitos colaterais do tratamento.

O tipo e a intensidade do exercício devem ser sempre estabelecidos com cuidado, sendo que exercícios extenuantes e com excesso de peso devem ser evitados. Qualquer desconforto sentido pela paciente deve ser relatado, e adaptações nos exercícios (mudanças de decúbitos e pesos das molas) devem ser feitas.

Lembre-se que a paciente já está muito debilitada física e emocionalmente, portanto a prática de exercício deve ser uma atividade relaxante, para que a paciente esquecer dos problemas, liberar endorfina e se divertir, e voltar para casa mais leve e revigorada.

Concluindo…

O Câncer de Mama é o principal tipo de câncer na mulher e também o mais temido por elas devido ao grande impacto psicológico, funcional e social, afetando negativamente a vida da mulher, em questões relacionadas à autoimagem e a percepção da sexualidade.

Geralmente o tumor se inicia na mama, podendo atingir a axila, os gânglios linfáticos e até fazer metástase em outros órgãos e tecidos.

Apesar dos avanços nas formas de prevenção, diagnóstico e tratamento, o câncer de mama ainda apresenta uma incidência muito alta, representando um desafio para políticas públicas no Brasil e no mundo.

O autoexame das mamas ainda é a melhor forma de prevenção, e quanto antes o tumor for detectado, melhor o resultado do tratamento e menor o impacto na vida da mulher.

O Pilates vem sendo reconhecido como um eficaz método para auxiliar o tratamento do Câncer de mama por ser uma atividade que visa o condicionamento físico e mental altamente individualizado e adaptável as condições físicas da paciente.

Através de seus exercícios lentos, dinâmicos e progressivos, o Pilates trabalha o corpo de uma maneira global, sem perder o foco na reabilitação da cintura escapular, ombro e tronco, estruturas mais afetadas com a cirurgia, melhorando então a qualidade de vida e retomando a autoestima dessas mulheres submetidas ao tratamento deste tipo de câncer.

 

Referências Bibliográficas
BRITO; SAMPAIO; CASTRO; OLIVEIRA. Características clínicas de mulheres com carcinoma ductal invasivos submedidas à quimioterapia neoadjuvante. Rev Para Med. 2007.
BARROS; BARBOSA; GEBRIM; ANELLI; FIQUEIRA FILHO; DEL GIGLIO. Diagnóstico e tratamento do câncer de mama.Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. 2001.
LISBOA, L. F. Tendências da incidência e da mortalidade do CA de mama no município de São Paulo. 2009.
Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Estimativa 2012: incidência de câncer no Brasil. 2011
THULER; MENDONÇA. Estadiamento inicial dos casos de câncer de mama e do colo do útero em mulheres brasileiras. RevBras de Ginecol Obstet. 2005
THULER. Considerações sobre a prevenção do câncer de mama feminino. Revista Brasileira de Cancerologia. 2003.
TIEZZI. Epidemiologia do câncer de mama. RevBrasGinecol Obstet. 2009.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *