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Os benefícios do Pilates para portadores da Doença de Parkinson

Entre as patologias neurológicas que mais acometem a geração mais velha, a Doença de Parkinson entra nas estatísticas, atingindo 1% da população com mais de 65 anos, com sua etiologia ainda desconhecida fica mais difícil diagnosticar e prevenir tal patologia.

A Doença de Parkinson (DP) é uma patologia crônica, de caráter progressivo, lento e degenerativo do sistema extrapiramidal, e caracterizada por produzir, principalmente, mas não exclusivamente, um conjunto de distúrbios motores.

Vale destacar que para as manifestações clínicas geradas pela patologia damos o nome de parkinsonismo ou síndrome parkinsoniana, e que algumas outras patologias podem apresentar o parkinsonismo como característica.

Sinais e Sintomas da doença de Parkinson

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Como o processo patológico, acontece no Sistema Nervoso Central, ou mais especificamente, na região dos núcleos da base (substância negra e corpo estriado) ocorre uma degeneração celular em função da redução da concentração de dopamina na sinapse. Este processo ocorre de maneira progressiva e irreversível.

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Fisiopatologia Doença de Parkinson

Como manifestações clínicas básicas do Doença de Parkinson, a patologia apresenta 4 distúrbios de movimento mais característicos: acinesia ou bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e instabilidade postural.

Estas são as principais, porém não os únicos sinais e sintomas. Com a progressão da doença outros fatores aparecem, tanto pela própria progressão fisiológica da doença quanto decorrentes dos sintomas físicos e de fatores psicossociais de cada pessoa acometida.

Acinesia e bradicinesia

Acinesia e bradicinesia são, respectivamente, a ausência e diminuição dos movimentos, e são manifestações bem características desta patologia.

Afeta os movimentos voluntários e os automáticos, tanto na iniciação quanto na execução dos mesmos.

A predisposição em adotar e manter posturas fixas provem deste sintoma. Este fenômeno acontece em todo tipo de movimentação e em todos os aspectos, desde a redução na expressão facial e na marcha em bloco, que acontece sem a movimentação dos braços, até em alterações na direção do movimento e em parar esta atividade.

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Postura Parkinsoniana

A acinesia pode ser súbita (freezing), não tão comum no início dos sintomas, mas especialmente incapacitante numa fase mais avançada da Doença de Parkinson e interfere muito na aplicabilidade de qualquer terapia ou atividade física.

O indivíduo não consegue iniciar o movimento ou acontece uma perda abrupta da capacidade de sustentar um movimento mais específico. Geralmente ocorre durante a marcha, mediante um obstáculo físico ou visual ou por uma tensão emocional.

Rigidez Muscular

A rigidez muscular presente nesses indivíduos e do tipo plástica. A resistência a movimentação em uma articulação é regular aumentada em toda a amplitude de movimento.

Esse processo faz com que o indivíduo tenha um gasto energético maior para realizar os movimentos, percebendo um aumento no esforço o que pode acarretar em sensação de fadiga. Acomete principalmente a musculatura flexora, surgindo alterações de tronco e membros que, geralmente, são assimétricas e unilateral.

Tremor de repouso

O tremor acontece por contrações alternadas de grupos musculares opostos, acometendo mais extremidade em membros superiores do que inferiores.

Também apresenta caráter assimétrico ou unilateral. A movimentação voluntária diminui este padrão, enquanto a marcha, fatores emocionais e esforço cognitivo exacerbam este sintoma. Mesmo sendo esteticamente incapacitante, este sintoma dificilmente interfere nas AVD’s.

Instabilidade Postural

Esta manifestação clínica acontece em função da perda dos reflexos de readaptação postural, fazendo com que o tronco, que fica levemente caído a frente do corpo, não consiga reajustar o movimento, para voltar a posição anatômica e ereta, facilitando episódios de queda.

As quedas são um problema sério no parkinsonismo e a terapia medicamentosa, geralmente, não é eficiente para diminuir a ocorrência deste problema.

A marcha

O padrão da marcha adotado pelos portadores de Doença de Parkinson, é bem característico, os passos são curtos, de baixa velocidade e ocorre um aumento da cadência. Conforme a doença progride, os passos se tornam mais curtos e mais rápidos.

Tanto a marcha quanto a instabilidade postural são principal fator causador de incapacidade em casa e no trabalho desses indivíduos.

Além dessas principais alterações motoras citadas, existem outras que também são de suma importância durante a elaboração de um programa de aula/ terapia, uma vez que interferem diretamente no andamento do programa, são elas: as manifestações cognitivas, psiquiátricas e autonômicas.

Déficits de aprendizagem são comuns nesses indivíduos, sendo necessário uma prática maior na realização de uma atividade aprendida.

Dicas

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Curiosidade: A broncopneumonia é uma das complicações mais sérias relacionais a Doença de Parkinson, é a maior causa morte da mesma. Tal patologia provem da diminuição da atividade geral concomitante à falta de expansibilidade torácica.

Atenção ao medicamento: Importante saber sobre, pois, o uso do medicamento (principalmente L-dopa) influencia o desempenho motor.

O paciente / aluno estará num período “on” ou “off” da interação medicamentosa, no primeiro com efeito máximo da droga e, no segundo com efeito mínimo, sendo que no período “on” é onde eles estão mais preparados para realização de exercícios físicos.

Como o Pilates pode ajudar na Doença de Parkinson?

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Quando pensamos em nosso paciente / aluno portador de Doença de Parkinson, precisamos avalia-lo perante sua deficiência e seu desempenho funcional. Após isto, pensaremos nos mecanismos fisiopatológicos dos sintomas, como eles agem e que causam no sistema neuromuscular, para que assim possamos traçar objetivos gerais para uma intervenção com essa população.

Como objetivo geral para esses alunos/paciente precisamos reduzir as alterações motoras, facilitando a independência e, consequentemente, as AVD’s e, por fim, melhorando a qualidade de vida.

O Pilates como um conceito de reeducação do movimento auxilia na melhora das alterações motoras e em vários sintomas colaterais provenientes da Doença de Parkinson.

Entre outros pormenores, proporciona um trabalho muscular resistido e a realização de alongamentos dinâmicos que juntamente realizados com os seus princípios, desenvolvem tanto força, o alongamento, quanto melhoram a coordenação motora e o equilíbrio beneficiando os portadores da DP.

O padrão respiratório aplicado no método é tão importante para trazer o indivíduo para realização do exercício (atenção direcionada para atividade) quanto para melhorar a expansibilidade da caixa torácica e a rigidez diafragmática, fator tão comprometido e de extrema importância nesses alunos/pacientes.

A aplicação dos exercícios flui de maneira mais adequada se conseguirmos diminuir o padrão de rigidez, para isso, a rotação das extremidades e do tronco assim como o balanço suave e lento proporcionam um relaxamento do indivíduo para que o mesmo consiga realizar as atividades subsequentes.

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Para que a assimilação de um estímulo externo ocorra e o indivíduo consiga interpretar e executar determinado movimento, uma constante estimulação cognitiva deve ser realizada.

Estímulos verbais e visuais, além de feedback tátil são importantes e necessários para realização do movimento. Tais instruções fazem parte dos princípios da aprendizagem motora que, através da prática aleatória, faz com que o aluno/paciente aprenda a maneira correta de executá-lo e consiga com isso regular a extensão, a velocidade e a direção do mesmo.

Os padrões de contração muscular e alongamento utilizados no método Pilates, como as contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas) e isométricas, realizadas de maneira ampla e lenta auxiliam na reorganização do movimento do portador de DP.

A amplitude de movimento acontecendo em sua totalidade é essencial para evitar mudanças nas propriedades dos músculos.

Dentro da técnica e para estes pacientes/alunos, podemos começar os exercícios com padrões simétricos bilaterais, que são mais fáceis de executar, para depois trabalhar com padrões recíprocos de movimento e, por fim, os padrões diagonais. Técnicas de mobilização auxiliam no ganho de mobilidade escapular e pélvica, para melhorar desempenho na realização dos movimentos.

A instabilidade postural e os desequilíbrios presentes nessa população pode ser trabalhada através da estabilização dinâmica. Para isso utilizamos os aparelhos de Pilates e a infinidade de acessórios que, nos dias de hoje, a técnica dispõem. Estimular as reações de equilíbrio em todos os planos de movimento também são benéficas e essenciais.

Os treinos de força funcional apresentam melhor resposta muscular do que a atividade de levantamento de peso e assim que a força for restabelecida ou conquistada, o movimento melhora e as atividades funcionais podem ser realizadas.

Por apresentar um padrão flexor muito acentuado a musculatura extensora do tronco deve ser trabalha assim como toda a mobilidade da coluna, diminuindo o padrão cifótico, proporcionando um alongamento axial, melhorando assim o padrão da marcha e rigidez.

Importante deixar claro que para seus alunos não criar falsas expectativas com relação à patologia e nem aos exercícios.

É importante lembrar que uma boa aula de Pilates deve conter:

  • Muitas repetições e grandes amplitudes
  • Exercícios rítmicos e sequencias
  • Feedbacks e estímulos sensoriais
  • Movimentos de coluna, principalmente extensão e rotação
  • Padrões respiratórios bem definidos.

Concluindo…

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Devemos lembrar, que mesmo com tantos benefícios, sabendo que os exercícios melhoram a qualidade de vida, o humor, a iniciativa, além de diminuir a sintomas característicos da doença.

A atividade física não impede a evolução da mesma, mas propicia ao aluno e paciente as vantagens acima descritas e por esse motivo o Pilates se faz uma ótima opção de atividade, seja para tratamento quanto para manutenção de benefícios já adquiridos.

E você tem algum aluno com essa patologia? Como você trabalha? Conta para gente nos comentários!

Referências bibliográficas
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Written by Karla Seleme

Karla Seleme

Karla Vergaças Seleme é fisioterapeuta, graduada pela PUC-PR. Formação completa em pilates pela Espaço Vida Pilates e MAT e IR pela Pilates Studiofit ( STOTT Pilates). Especialista em Fisioterapia Neurofuncional, pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Possui formação pelo Conceito BoBath Adulto; Balance; iniciação em Kabat, treinamento suspenso, treinamento funcional. Professora de curdo de formação em pilates pela Espaço Vida Pilates

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2 Comentários

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  1. olá,estou com um paciente novo na Clínica de Pilates,ele tem 69 anos e tem Sd. de Parkinson,hipertonia no dimidio E,é meu primeiro paciente com essa patologia,os demais são para qualidade de vida.Trabalho com a geriatria.
    Amei ler um pouco de sua experiência,e já fiz minha inscrição para participar dos cincos dias de conhecimentos online.
    Estou em busca de conhecimentos para trabalhar com meu grupo de Geriatria. Bjus e obrigada pelos seus conhecimentos,gostaria muito de dicas de como abordar no Pilates meu paciente.

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