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Como o Pilates pode ajudar no tratamento da dor cervical

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Joseph Pilates dizia “Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem”.

Você já deve ter conhecido algum aluno entrando no seu estúdio se queixando de dores no pescoço, não é mesmo?

A dor cervical é uma patologia comum no mundo atual. Ela pode ser considerada uma consequência do uso da tecnologia atualmente. Pois afeta diretamente o pescoço, que é quem controla os movimentos da cabeça em relação ao resto do corpo.

Nesse texto iremos buscar entender como o Pilates pode ajudar no tratamento da dor cervical. Além de dicas de exercícios para você começar a aplicar com seus alunos. Confira!

A estrutura da coluna cervicaldor-cervical-4

A coluna cervical é formada por 7 vértebras, chamadas de C0 a C7. Sua curvatura fisiológica é a lordose cervical. A articulação mais superior – a atlnto occipital (CO-C1), tem como principal movimento a flexo-extensão.

A vértebra C1 (Atlas) e C2 (Áxis) não possuem corpos vertebrais. E discos intervertebrais, são nelas que ocorrem maior movimento de rotação (aproximadamente 50°).

A maior amplitude de flexão e extensão das articulações facetárias ocorre entre C5-C6, C4-C5 e C6-C7. Por isso nestes níveis é frequente a ocorrência das patologias degenerativas como hérnia de disco e artroses.

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Figura 1: Vista superior de uma vértebra cervical e vista posterior da coluna cervical (C1 a C4)

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A dor cervical (popularmente conhecida como cervicalgia) é um dos problemas mais comum da vida moderna. Sua incidência aumenta com a idade e tem prevalência de aproximadamente 23% da população (Bovim et al., 1994). O uso crescente de smartphones e computadores ocasionam a postura incorreta de anteriorização da cabeça, favorecendo o desenvolvimento da disfunção cervical.

A coluna cervical suporta o crânio que pesa entre 4,5-5,5kg quando em coluna neutra. O estudo americano de Kenneth Hansraj, mostrou que quando utilizamos um smartphone, o peso do crânio aumenta proporcionalmente ao grau da flexão cervical, de modo que em 60° de flexão o peso do crânio chega a 27,2 kg.

Com a sobrecarga por longos períodos pode desencadear a desde a dor localizada na cervical e/ou em ombros até as hérnias de disco.

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Figura 2: Peso do crânio sobre a cervical à medida que a flexão aumenta.

Os músculos multífidos têm grande relevância na dor cervical devido à sua ação estabilizadora nos segmentos vertebrais. Pacientes portadores de cervicalgias aguda e crônica apresentam atrofia destes músculos.

Os multífidos são pequenos músculos localizados do áxis (C2) ao sacro e se dispõem bilateralmente aos processos espinhosos de todas as vértebras.

Hides et al., (1996) concluíram que um deficitário controle neural dos multífidos compromete a ação estabilizadora desses músculos profundos. Figura 3: Músculos multífidos (estabilizadores da coluna) 

Tratamento do Pilates na dor cervicaldor-cervical-3

O Pilates é um excelente tratamento na dor cervical. Isso porque promove a estabilização da região com controle, além do reequilíbrio muscular (flexibilidade e força).

Os exercícios têm como objetivo restabelecer o alinhamento da região e atenuar os episódios de dor. O crescimento axial dos pacientes é fundamental, porque através deste fundamento ocorre a ativação dos multífidos o que torna a coluna vertebral mais estável.

Outro ponto importante que o instrutor de Pilates deve atentar é a tensão de músculos superficiais durante a prática do método, principalmente esternocleidomastóideo (ECOM) e escalenos. Com o comando verbal o instrutor pode pedir para que o aluno leve suas escápulas para trás e para baixo. Afastando-as de suas orelhas ou imaginando que uma força puxa os braços do aluno em direção aos pés (distalmente).

Este retreinamento escapular também conhecido como estabilização escápulotorácica aumenta a ativação dos músculos serrátil anterior e trapézio inferior (ou trapézio ascendente) que geralmente estão fracos nos pacientes com queixa de dor cervical.

O estudo de Mallin e Murphy (2012) avaliou o efeito dos exercícios do Mat Pilates na dor e função dos pacientes com queixas de dor cervical.

Os 13 participantes tinham idades entre 18 e 60 anos e realizaram os exercícios durante 6 semanas, com ênfase nos princípios do método: respiração e ativação do Power House.

Alguns dos exercícios realizados foram o shoulder bridge e o double leg stretch. O estudo sugeriu que os exercícios de Mat Pilates diminuíram a dor e melhoraram a função da coluna cervical mesmo após 12 semanas que a intervenção tinha sido realizada.

Exercícios de Pilates para dor cervical

Os exercícios abaixo podem ser indicados nas cervicalgias, todavia, a avaliação criteriosa do profissional da saúde é fundamental para as suas aplicabilidades.

  • Swan na chair com rotação

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Instruções: Em decúbito ventral sobre o assento da chair (a caixa extensora facilita o exercício, também pode ser feito sobre a fitball). Uma mão no pedal (atente para o punho não realizar a extensão) e a outra mão na testa.

Na descida do pedal realizar a rotação da coluna com o cotovelo apontado para o teto. Alunos com hiperatividade de paravertebrais podem referir dor durante a execução.

  • Extensão de ombro no Reformer

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Instruções: Em 4 apoios sobre o Reformer, mantendo a coluna neutra com os ombros a 90 graus de flexão segurando uma alça, realizar a extensão de ombro.

Para progressão do exercício pode elevar o membro inferior oposto à alça, estendendo quadril e joelho. Outra variação é realizar a flexo-extensão do cotovelo com o ombro próximo ao tronco em posição neutra.

  • Swan com disco de equilíbrio

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Instruções: Em decúbito ventral com o disco sob o tórax e cotovelos apoiados no solo, realizar a extensão da coluna mantendo a cervical em posição neutra.

Para progressão do exercício pode-se colocar os membros superiores ao longo do corpo. Ou com os dorsos das mãos apoiados sob a testa.

  • Propriocepção com miniband

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Instruções: Em 6 apoios (pode deixar os pés em dorsiflexão em casos de desconforto) com os membros superiores e inferiores alinhados e miniband posicionada acima do punho, realizar a abdução, flexão ou extensão de ombro unilateral.

Para progressão pode-se ficar na posição de prancha. Alunos com lesão em punho podem sentir dor durante a execução e talvez esse exercício não seja indicado.

Concluindo…dor-cervical-1

Diante disso, podemos afirmar que o Pilates é um ótimo método para tratamento da dor cervical.

Espero que com essas dicas de exercícios tenham sido boas para você e que ajude no tratamento do seu paciente/aluno.

Gostou do texto? Tem alguma sugestão? Deixe aqui nos comentários!

 

 

 

 

Referências bibliográficas

Magee DJ: Orthopedic physical assessment, 4 ed. Sauders Elsevier, 2008.

 

Bovim G, Schrader H, Sand T. Neck pain in the general population. Spine 19 (12), 1307 e 1309, 1994.

 

Hides J, Richardson C, Gwendolen A. Multifidus Muscle Recovery Is Not Automatic After Resolution of Acute, First-Episode Low Back Pain: Exercises and Functional Testing. Spine. 21(23), pp 2763-2769, 1996.

 

Mallin G & Murphy S. The effectiveness of a 6-week Pilates programme on outcome measures in a population of chronic neck pain patients: A pilot study. Journal of Bodywork & Movement Therapies. 17; 376 e 384, 2013.

 

 

Written by Érika Batista

Érika Batista

Érika Barroso Batista é Mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Fisioterapia traumato-ortopédica
Professora dos cursos do VOLL Pilates e proprietária do FisioStudio Pilates & Treinamento Funcional.

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6 Comentários

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  1. Sou fisioterapeuta e instrutor de pilates , obrigado pelas orientações tenho pacientes com cervicalgias e utilizo alguns exercícios acima o Swan vou usar nos pacientes.

  2. Maravilhosa dica e de muito bom entendimento.
    Sou estudante de fisioterapia e fico muito contente com o conhecimento compartilhado assim como estão fazendo, parabéns.

  3. Sou uma vítima!Muita sofrencia.
    Os exercícios são ótimos. Basta arrumar um tempinho.
    Minhas dores são constantes.

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