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Pilates no tratamento de doenças cardiovasculares

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Você sabia que de acordo com a Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular, a epidemiologia das doenças cardiovasculares neste início de século, possui comportamento semelhante as grandes epidemias dos séculos passados?

Nesse texto iremos apresentar além de dados sobre as doenças do coração no Brasil, como o método Pilates pode contribuir no tratamento dessas patologias, como seus benefícios podem ajudar na reabilitação de alunos com essas complicações.

As doenças cardiovasculares doenças-cardiovasculares-4

As doenças cardiovasculares são responsáveis pela maior causa de mortalidade no Brasil e é a principal causa de internação hospitalar pelo SUS, correspondendo a 22% das internações após os 45 anos de idade, em ambos os sexos.

Isto pode ser devido ao fato de que a população idosa está em crescente aumento e que nos últimos anos tem crescido a prevalência de fatores de risco, como tabagismo, obesidade, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus.

Mas não é só no Brasil, tanto os países desenvolvidos, quanto os em desenvolvimentos possuem gastos elevados e alta prevalência dessas doenças.

Há algumas décadas, a prática de exercício físico nessa população, chegou a ser questionada e até mesmo não recomendada.

Porém, nos últimos anos, com o avanço da ciência e com o surgimento de inúmeros estudos, sabe-se os benefícios do exercício regular para as pessoas com doenças cardiovasculares, como aumento da força muscular, melhora da capacidade funcional e da qualidade de vida.

O Pilates na reabilitação Cardiovascular

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E conhecendo todos os benefícios do método criado por Joseph, como aumento da força muscular, da flexibilidade, equilíbrio e melhora do condicionamento físico, não seria possível utilizá-lo nesses pacientes?

Atualmente, a prática do Pilates está crescendo mundialmente e ganhando vários adeptos e tem se mostrado um potencial recurso adicional utilizado na reabilitação de pacientes com doenças cardiovasculares.

Inclusive, a Diretriz Sul-Americana de Prevenção e Reabilitação Cardiovascular, cita o método Pilates como alternativa ao exercício convencional com pesos livres ou aparelhos de musculação.

Na literatura existem diversos estudos que utilizaram o método, porém ainda são poucos os que o estudaram nesses pacientes. Mas, existem algumas evidências a respeito.

Um desses estudos, foi realizado em pacientes com insuficiência cardíaca, que é uma síndrome clínica e representa o desfecho final de várias doenças que acometem o coração.

Guimarães e colaboradores, realizaram um ensaio clínico randomizado, com o objetivo de investigar os efeitos do Pilates nas variáveis de capacidade de exercício em pacientes com insuficiência cardíaca.

Os pacientes foram divididos em dois grupos. Um grupo realizou o exercício aeróbico, seguido da reabilitação cardíaca convencional e o outro realizou o exercício aeróbico, seguido do MAT Pilates, ambos 2 vezes por semana, durante 16 semanas.

Como resultado, o grupo reabilitação convencional melhorou somente a tolerância ao exercício, já o grupo que realizou o MAT Pilates, além da tolerância ao exercício, também teve aumento significativo do consumo de oxigênio pico, da ventilação, do pulso de oxigênio (relação entre o consumo de oxigênio e a frequência cardíaca) e diminuição da pressão arterial diastólica de repouso.

Os autores concluíram que o método Pilates pode ser benéfico e utilizado como uma alternativa para os pacientes com insuficiência cardíaca que prefiram outras formas de exercício e ressaltam a necessidade de mais estudos.

Prevenindo com Pilates

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Mas, tão importante como reabilitar, é prevenir. Como já dizia o antigo ditado: “é melhor prevenir, do que remediar! ”.

A prevenção e controle das doenças cardiovasculares e seus fatores de risco são fundamentais para evitar um crescimento epidêmico dessas doenças e suas consequências deletérias para a qualidade de vida e o sistema de saúde no país.

O Pilates é um tratamento não farmacológico, que também poderá contribuir de forma significativa na prevenção dessas doenças e isso já é demonstrado em algumas pesquisas.

Junges e colaboradores, após realizaram uma recente revisão sistemática sobre o efeito do Pilates em fatores de risco para doenças cardiometabólicas, concluíram que o Pilates está se consolidando como um exercício eficaz na redução de porcentagem de gordura corporal, massa gorda, relação cintura/quadril e da pressão arterial em indivíduos de diferentes faixas etárias.

Entretanto, apenas três estudos foram encontrados investigando o efeito do Pilates em relação de fatores de risco clássicos para as doenças cardiometabólicas, como a glicemia, os triglicerídeos e a HDL-c, não sendo observados efeitos do Pilates nesses fatores.

E acrescentam que são necessários mais estudos, inclusive com um tempo de intervenção maior, para que se possa confirmar a eficácia do método na diminuição dos fatores de riscos cardiometabólicos.

É importante lembrar que para que o Pilates seja realizado com segurança, deve-se respeitar a individualidade dos pacientes, levando em consideração a doença de base, a condição clínica e outras doenças associadas.

Além da necessidade de sempre realizar um monitoramento desses pacientes antes, durante e após as sessões. Alguns parâmetros como pressão arterial, frequência cardíaca, saturação periférica de oxigênio e percepção subjetiva de esforço (escala de Borg), devem ser aferidos e avaliados. Caso alcancem valores acima do considerado seguro, os exercícios devem ser interrompidos.

Outro importante ponto a ser observado, são quais os medicamentos que esse paciente está fazendo uso, pois alguns deles, podem influenciar a resposta cardiovascular durante o exercício. Como é o caso dos betabloqueadores, que atuam diminuindo a resposta cronotrópica do coração.

Conclusão

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Para que o método Pilates seja utilizado na reabilitação de pacientes com doenças cardiovasculares, é importante que o profissional, além da formação em Pilates, tenha formação em Fisioterapia Cardiovascular ou Cardiorrespiratória, se Fisioterapeuta, por exemplo.

Os estudos publicados demonstram os benefícios do Pilates para essa população. Porém, ainda são poucas as evidências da associação do método com as doenças cardiovasculares. Dessa forma, é necessária uma boa avaliação e não esqueça de levar em consideração as comorbidades prévias apresentadas por esses pacientes, para que o Pilates seja realizado com segurança e que traga o máximo de benefício para os praticantes.

 

Referências:

Guimarães GV, Carvalho VO, Bocchi EA, d’Avila VM. Pilates in heart failure patients: a randomized controlled pilot trial. Cardiovasc Ther. 2012 Dec;30(6):351-6.

Herdy AH, López-Jimenez F, Terzic CP, Milani M, Stein R, Carvalho T; Sociedade Brasileira de Cardiologia.  Diretriz Sul-Americana de Prevenção e Reabilitação Cardiovascular. Arq Bras Cardiol 2014; 103(2Supl.1): 1-31.

Junges S, Jacondino CB, Gottlieb MGV. Efeito do método Pilates em fatores de risco para doenças cardiometabólicas: uma revisão sistemática. Scientia Medica (Porto Alegre. Online) 2015, v25, 1-8.

Plentz RDM, Reis MH, Neves LF. Uso do método Pilates na fase ambulatorial do processo de reabilitação cardiovascular. PROFISIO, Programa de atualização em Fisioterapia Cardiovascular e Respiratória: Ciclo 1. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2015.

Simão AF, Précoma DB, Andrade JP, Correa Filho H, Saraiva JFK, Oliveira GMM, et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular. Arq Bras Cardiol. 2013: 101 (6Supl.2): 1-63

Written by Luana Marchese

Luana Marchese

Luana Marchese, é fisioterapeuta (Crefito 2: 172116-F), pós-graduada em Fisioterapia Cardiorrespiratória, mestre em Ciências Cardiovasculares (UFF) e doutoranda em Ciências Cardiovasculares (UFF). Atualmente atua como professora do curso de pós-graduação em Fisioterapia Cardiorrespiratória (UNIFESO) e no seu consultório de Fisioterapia e Pilates – Reativa.

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  1. Aprenda a comer melhor, evite gorduras, sal e hidratos em excesso assim evita aumentar o seu nível de Colesterol e tensão arterial.

  2. As estatinas incluem drogas como Lipitor Zocor e Crestor (todos os nomes genéricos terminam em estatina) e podem reduzir o LDL ou “mau”, colesterol em mais de 50.

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