Posted in:

Pilates no Alívio da Sintomatologia de Disfunção Temporomandibular

Pilates no Alívio da Sintomatologia de Disfunção Temporomandibular
Gostou? Avalie!

O Método Pilates foi desenvolvido por Joseph Hubertus Pilates (18831967), na Alemanha. Ele combinou movimentos, yoga, filosofia, artes marciais e ginásticas para desenvolver o Método Pilates, que é baseado em 6 princípios:

  1. Concentração
  2. Controle
  3. Centralização
  4. Fluidez
  5. Precisão 
  6. Respiração

Os movimentos foram baseados no alongamento com fortalecimentos muscular. E uma frase de Joseph ficou muito conhecida, onde ele diz que: “Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem”.

Entre os benefícios encontrados com a utilização do Método Pilates, temos a melhora da resistência muscular, flexibilidade, equilíbrio dinâmico, ocorre a redução da ocorrência de quedas, a melhora da percepção do estado de saúde, do autoconceito físico e da satisfação de vida. 

Além disso, ele pode ser um ótimo aliado no tratamento de alguma Disfunção Temporomandibular. E nesse artigo vamos falar um pouco mais sobre esse assunto. Vamos lá?

Articulação Temporomandibular (ATM)

A ATM é a articulação da mandíbula com o crânio, e é constituída pela parte anterior da fossa mandibular do osso temporal, o tubérculo articular e o côndilo da mandíbula.

É uma articulação sinovial bilateral, ou seja, apresenta um espaço entre os ossos que é preenchido com o líquido sinovial. Esse espaço é conhecido como espaço sinovial, e a articulação é biaxial, apresentando 2 eixos.

A ATM apresenta conexões ligamentares e musculares com a região cervical, e essas articulações formam juntamente o sistema funcional chamado de crânio – cervico – mandibular. Essa articulação é dividida em região superior e região inferior, as quais são separadas pelo disco articular.

O disco articular é uma estrutura fina e ovulada que fica situada entre o côndilo da mandíbula e a fossa mandibular, e se divide em três porções:

  1. Porção Anterior – se localiza anteriormente ao processo condilar da mandíbula, com a boca fechada;
  2. Porção Intermediária – está ao longo do tubérculo articular, com a boca fechada;
  3. Porção Posterior – está na região superior do processo condilar da mandíbula, com a boca fechada.

As funções do disco são proteger e possibilitar o contato de duas superfícies ósseas convexas.

Essa articulação é a mais acionada e mais complexa em nosso corpo e apresenta como funções a deglutição, fonação e mastigação. A postura também está relacionada a essa articulação, pois depende de sua função, estabilidade e saúde para funcionar adequadamente.

Disfunções Temporomandibulares

A Síndrome de Costen foi divulgada pela primeira vez em 1934 por James Costen, onde relatou que mudanças nas condições dentais provocam sintomas otológicos provocados pela perda da dimensão vertical.

Atualmente essa Síndrome é conhecida como Disfunção Temporomandibular (DTM).

O termo DTM é utilizado para nomear patologias que acometem a ATM, os músculos mastigatórios e as estruturas adjacentes. As principais causas da Disfunção Temporomandibular são:

  • Alterações na Oclusão da ATM – como a Perda Dentária
  • Hábitos Diários que lesionam a ATM
    • Dormir com a Mão embaixo do Travesseiro
    • Apoiar a Mão na ATM 
    • Bruxismo
  • Fatores Psicológicos
    • Tensão pode provocar Espasmos Musculares
    • Fadiga na Articulação
  • Lesões Degenerativas e Traumáticas da ATM

Porém atualmente as causas da DTM são vistas como multifatoriais, pois não existe uma única causa que justifique todos os sintomas e sinais.

O principal sintoma da Disfunção Temporomandibular é a dor, porém existem diversos sintomas relacionados à DTM, entre eles temos:

  1. Cefaléia
  2. Zumbido
  3. Presença de Ruídos Articulares durante os Movimentos com a Boca
  4. Travamento da ATM
  5. Inchaço no Rosto
  6. Presença de Pressão no Ouvido

Além disso, estalos na ATM que ocorrem devido ao posicionamento errado da cartilagem que se desloca abruptamente por cima do côndilo quando ocorre a abertura da boca.

Essa disfunção provoca impactos negativos na qualidade de vida do paciente, pois acaba interferindo na alimentação, no apetite, no sono, na escola e no trabalho.

O diagnóstico correto da DTM será realizado através de uma avaliação completa de um dentista através de exames de imagem, exame clínico e alguns testes com movimentos da articulação.

O trabalho multiprofissional é importante para uma correta intervenção terapêutica. Entre os profissionais importantes para este tratamento, está o fisioterapeuta, fonoaudiólogo, dentista, nutricionista, psicólogo e médico.

A fisioterapia é muito utilizada no tratamento da Disfunção Temporomandibular, pois diversos recursos terapêuticos possibilitam o reposicionamento da mandíbula ao crânio melhorando assim a função da articulação, diminuindo a dor, reduzindo o processo inflamatório, melhorando a amplitude de movimento e também promovendo a melhora da postura.

Método Pilates na Disfunção Temporomandibular

Através de alguns estudos já publicados sabe-se que movimentos de algum segmento corporal podem interferir na posição de outro segmento.

Dessa maneira, indivíduos com alterações posturais podem sofrer compensações em outro segmento corporal, podendo ser essa compensação na ATM. Ou então o contrário pode acontecer, uma DTM provocar modificações posturais no indivíduo.

Existem um maior número de evidências científicas que relatam que as alterações posturais são consequências da DTM que está muito relacionada às alterações posturais da região cervical, porém podem afetar toda coluna vertebral.

É possível observar frequentemente em pessoas portadoras de DTM alterações posturais semelhantes, onde uma anteriorização da cabeça irá provocar o olhar mais baixo. Na tentativa de alinhar o olhar em um nível funcional ocorre o aumento da lordose cervical.

A cabeça poderá estar inclinada e/ou rodada para o lado em que a ATM está dolorida, e também ocorre a elevação e rotação medial dos ombros. Um estudo encontrado, relata que ao realizar a correção da posição da cabeça ocorre à melhora da sintomatologia da Disfunção Temporomandibular.

Dessa forma, a correção do alinhamento postural de uma forma global, auxiliará no alívio dos sintomas ocasionados devido à DTM.

Portanto a utilização do Método Pilates em indivíduos portadores de DTM auxiliará no tratamento, uma vez que o Método promoverá o alinhamento da cabeça e pescoço devido ao reequilíbrio da musculatura da coluna cervical, alívio de tensões na região cervical, melhora da mobilidade vertebral e alinhamento de alterações posturais ocasionadas pela DTM.

Conforme a avaliação postural realizada em seu paciente, o profissional poderá traçar os principais objetivos a serem alcançados com o indivíduo, analisando as principais alterações posturais, e promovendo o seu alinhamento, o qual contribuirá para o alívio da sintomatologia da Disfunção Temporomandibular.

Exercícios do Método Pilates

Os exercícios do Método Pilates a serem utilizados com seu paciente dependerão de quais as principais necessidades e alterações posturais dele. Porém, alguns exercícios auxiliam muito neste caso. Como, por exemplo:

Mobilização da Cervical com Auxílio da Overball

  • O paciente permanecerá em decúbito dorsal no MAT com a overball murcha e apoiada na região do occipital.
  • Realizar rotações com a cabeça para ambos os lados, e também poderá realizar movimentos circulares (nos dois sentidos: horários e anti-horário) com a cabeça.
  • Esse exercício irá auxiliar no alívio de tensões na região posterior da cabeça e do pescoço.

Exercício de Organização Escapular

  • O paciente permanecerá em decúbito dorsal no Cadillac embaixo da barra torre, a qual deve estar com duas molas moderadas presas em cima.
  • O indivíduo deverá segurar com as duas mãos na barra torre, mantendo o alinhamento de ombros.
  • Será realizado o movimento de protração e retração de escápulas, mantendo os cotovelos estendidos.
  • Cuidar para não elevar a cabeça junto, pois essa deve permanecer apoiada.
  • Esse exercício irá promover a organização de escápulas, auxiliando no alinhamento de ombros.

Exercício de Organização Escapular de Forma Unilateral

  • O paciente permanecerá na mesma posição do exercício anterior, porém a barra torre estará somente com uma mola presa em cima.
  • O paciente deverá segurar a barra somente com uma mão e o outro braço estará estendido ao lado do corpo.
  • Serão realizados os movimentos de protração e retração escapular.
  • Quando realizar a protração escapular, a cabeça deverá rodar para o lado oposto da mão que está segurando a barra, no momento da retração a cabeça retornará para a linha média.
  • Esse exercício irá promover a organização de escápulas, auxiliando no alinhamento de ombros e também no alongamento da região cervical.

Relaxamento da Região Cervical com Auxílio do Columpio

  • Caso você trabalhe com o Pilates aéreo, poderá utilizar o columpio para promover o relaxamento da região cervical, aliviando tensões que possam existir nessa região.
  • O paciente deverá permanecer em decúbito dorsal no MAT, com a cabeça apoiada no columpio, o qual deverá estar cerca de 10 cm acima do solo.
  • O profissional em ortostase irá segurar o columpio com as duas mãos e realizará movimentos de elevação e depressão do columpio, de maneira leve e em pequena amplitude.
  • Nessa mesma posição no columpio só que sem a ajuda do profissional, o paciente também poderá realizar movimentos com a ponta do nariz, como por exemplo, círculos.
  • Dessa forma estará realizando movimentos curtos os quais auxiliaram no relaxamento da região cervical.

Um dos cuidados a serem tomados durante a prática do Método Pilates é a realização de flexões cervicais de forma exageradas, pois essas poderão provocar aumento da dor da Disfunção Temporomandibular.

Concluindo…

O Método Pilates promove o alívio da sintomatologia de pacientes portadores de Disfunção Temporomandibular, pois promove a liberação de tensões, reequilibra musculaturas, corrige alterações posturais, proporciona uma melhora da qualidade de vida do paciente e previne o aparecimento de novos sintomas.

Porém, é muito importante que o profissional lembre o paciente de hábitos que devem ser evitados, como por exemplo, dormir com a mão em baixo do travesseiro, e também o hábito de segurar o telefone apoiando entre a cabeça e pescoço.

Existem vários hábitos incorretos que os pacientes fazem, e esses devem ser evitados, para que o quadro de sintomas melhore. Também é muito importante que além do Método Pilates, o paciente tenha atendimento com demais profissionais que possam auxiliar no tratamento da disfunção.

Referências
  • AYUB, E.; GLASHEEN-WRAY, M.; KRAUS, S. Head posture: case study of the effects on rest position of mandible. Orthop Sports Phys Ther. V.5, p.179, 1984.
  • BRICOT, B. Posturologia. São Paulo: Ícone, 1999.
  • FELÍCIO, C.M. Fonoaudiologia aplicada a casos odontológicos: motricidade oral e audiologia. São Paulo: Pancast; 1999
  • FERREIRA, A.C; FERNANDES, J; LARANJO, L; BERNARDO, L.M; SILVA, A. A Systematic Review of the Effects of Pilates Method of Exercise in Healthy People. Arch Phys Med Rehabil. V. 92, p. 2071 – 2081, 2011.
  • FREIRE, E. C. C.; REIS, H. N. Correlação entre o sintoma do zumbido e desordem temporomandibular. Revista do Serviço ATM. V. 4, n. 1, p. 78-81, 2004.
  • GOLDEN, W.W. Physical therapy: general implications for the treatment of temporomandibular joint problems. Basal Facts. V.4, n.2, p.47-49, 1980.
  • GRESHAM ,H; SMITHELLS, P.A. Cervical and mandibular posture. Dental Rec. V 74, p. 261 -264, 1954.
  • MOLINA, O. F. Disfunção da ATM. In: MOLINA, O. F. Fisiopatologia craniomandibular: oclusão e ATM. 2º ed. São Paulo: Pancast, 1995. cap. 5, p. 183-230.
  • MUNHOZ, W.C. Avaliação global da postura ortostática de indivíduos portadores de distúrbios internos da articulação temporomandibular: aplicabilidade de métodos clínicos, fotográficos e radiográficos. 2001. Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo.
  • OKENSON, J.P. Etiologia dos Distúrbios Funcionais do Sistema Mastigatório. In: Fundamentos de Oclusão e Desordens Temporo-Mandibulares. 2ºed. São Paulo: Arte Médicas, 1992.
  • OKESON, J. P. Tratamento das desordens temporomandibulares e oclusão. 4º ed. São Paulo: Artes médicas, 2000.
  • OLIVEIRA, A.S; BERMUDEZ, C.C; SOUZA, R.A; SOUZA, C.M.F; DIAS, E.M; CASTRO, C.E.S, BERZIN, F. Impacto da dor na vida de portadores de disfunção temporomandibular. J Appl Oral Sci. V. 11, n. 2, p. 138 – 143, 2003.
  • PASSERO, P.L.; WYMAN, B.S.; BELL, J.W.; HIRSCHEY, S.A.; SCHLOSSER, W.S. Temporomandibular joint dysfunction syndrome: a clinical report. Phys ther. V.65, n.8, aug., 1985.
  • PEREIRA, K.N.F; ANDRADE, L.L.S; PORTAL, T.F. Sinais e sintomas de pacientes com disfunção temporomandibular. Rev CEFAC. V. 7, n. 2, p. 221 – 228, 2005.
  • QUINTO, C.A. Classificação e tratamento das disfunções temporomandibulares: qual o papel do fonoaudiólogo no tratamento dessas disfunções? Rev CEFAC. V. 2, n. 2, p. 15 – 22. 2000.
  • RAMÍREZ, L. M.; BALLESTEROS, L. E.; SANDOVAL, G. P. Otological symptoms among patients with temporomandibular joint disorders. Revista Médica de Chile. V. 135, n. 12, p. 1582-1590, 2007.
  • REGO FARIAS, A.C; RESTANI ALVES, V.C; GANDELMAN, H. Estudo da relação entre a disfunção da Articulação Temporomandibular e as alterações posturais. Ver Odontol UNICID. V. 13, n. 2, p. 125 – 133, 2001.
  • ROCABADO, M. Physical therapy and dentistry: an overview. J Craniomandib Pract. V.1, n.1, p.46, 1983
  • TOMMASI, A.F. Distúrbios da Articulação Temporomandibular. In: Diagnóstico em Patologia Bucal. 2ºed. Curitiba: Pancast editorial; 1997. p. 597-636.

Written by Jessica Marques da Silva

Jessica Marques da Silva

Fisioterapeuta com especialização acadêmica em Método Pilates. Cursos complementares de MAT Pilates e Acessórios, Pilates Aéreo, Pilates Avançado, Pilates Clínico, além de diversos artigos científicos publicados em periódicos.

4 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *