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Transtorno do Espectro Autista: Benefícios do Método Pilates!

Transtorno do Espectro Autista: Benefícios do Método Pilates!
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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição clínica, classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento. Ele é caracterizado por um prejuízo persistente na comunicação social recíproca, na interação social, padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.

Seu aparecimento se dá nos primeiros anos da infância, e em geral, os déficits decorrentes deste transtorno se manifestam antes da entrada da criança na escola.

O processo de diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é fundamentalmente clínico, feito através de observação direta do comportamento e de uma entrevista com os pais ou responsáveis. Por isso a intervenção precoce é a melhor solução para o progresso da criança diagnosticada com o transtorno.

O trabalho intenso com os sintomas comportamentais precoces do autismo permite que a criança e toda sua família se beneficiem.

Como realizar o Tratamento?

Nesse sentido o tratamento realizado com as crianças com Transtorno do Espectro Autista, são basicamente por meio da reabilitação, através de uma equipe multiprofissional sendo essas as áreas de:

  • Psicoterapia
  • Terapia Ocupacional
  • Fisioterapia
  • Fonoaudiologia
  • Musicoterapia
  • Entre Outros

Faz-se necessário também um suporte às famílias destas crianças, que vivem um constante stress diante dos esforços pela busca do desenvolvimento intelectual, afetivo e social.

O enfoque das terapias utilizadas no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista é a melhora das habilidades sociais, funcionais e a facilitação das atividades de vida diária (AVDs), porém pode haver alguns benefícios adicionais complementares como a utilização do Método Pilates, o qual pode trazer benefícios interessantes e surpreendentes.

Pilates denominava seu método de Contrologia ou Arte do Controle, que é a capacidade que o ser humano tem de se mover com conhecimento e domínio do próprio físico, apresentando uma completa coordenação do corpo, mente e espírito.

Tudo isso utilizando princípios específicos para promover a integração entre os pacientes de Transtorno do Espectro Autista, que são a concentração, centro de força (power house), fluidez, precisão, respiração e controle dos movimentos.

Os benefícios que o Pilates pode proporcionar para crianças com Transtorno do Espectro Autista, são a melhora de diversos aspectos como:

  • Educação Postural
  • Desenvolvimento Muscular Uniforme
  • Desenvolvimento da Capacidade e Qualidade Motora: Força, Resistência e Flexibilidade
  • Capacidade de Coordenação: Ritmo, Orientação e Equilíbrio
  • Psicomotricidade
  • Concentração
  • Interação Social e Trabalho Coletivo

Além disso, a prática do Método Pilates pode desempenhar um papel positivo na saúde emocional e estabelecer valiosas conexões entre o corpo e mente. Antes de iniciar as atividades do método, deve-se realizar uma avaliação criteriosa constituída de:

  1. Avaliação Postural
  2. Testes de Psicomotricidade
  3. Teste de Compreensão
  4. Testes de Expressão Oral
  5. Entrevista com os Pais

Exercícios de Pilates para Crianças com Transtorno do Espectro Autista

1) Relaxamento e Familiarização

  • Com a criança relaxada deitada em decúbito dorsal (barriga pra cima).
  • O instrutor deverá utilizar uma bolinha de massagem para estimular o contato com a criança.
  • Fazendo uma leve pressão em algumas partes do corpo ao mesmo tempo que verbalmente descreve o movimento: “ a bolinha está passando pelo seu joelho” ,” a bolinha está passando pelo seu pé “.

Objetivo: Familiarizar a criança com o toque e comando verbal do instrutor e melhorar o reconhecimento das partes do corpo.

2) Spine Stretch Forward (adaptado com auxílio da bola)

  • Com a criança sentada, coluna ereta, pernas estendidas e abduzidas na altura do quadril.
  • O instrutor deve se posicionar em frente na mesma posição, encostando a planta do pé na planta do pé da criança.
  • A bola deve estar no meio das pernas da criança e as mãos posicionadas em cima.
  • Orientar a criança a fazer uma flexão de tronco, enrolando a coluna no formato de um “c” e levando a bola para frente em direção ao instrutor.

Objetivo: Mobilização das vértebras, alongamento dos isquiostibiais, melhora da postura e interação com o instrutor, beneficiado o relacionamento e aprendizado.

3) The Saw (Serrote)

  • A criança deve ficar sentada com a coluna ereta e a pelve neutra, as pernas estendidas e abduzidas, com o pé em dorsiflexão, braços alongados na altura do ombro e as palmas das mãos para frente.
  • O instrutor deve orientar a criança a rodar o tronco para frente em direção ao pé oposto e em seguida pedir que a criança realize uma flexão de tronco, tocando com a mão a lateral do pé e posteriormente retornar a posição inicial.
  • O movimento deve ser realizado em ambos os lados.

Objetivo: Aumentar a flexibilidade dos adutores e isquiostibiais, melhorar a força da musculatura extensora da coluna e desenvolver o controle da ativação dos músculos oblíquos do abdômen e estimular o controle de direção.

4) The Hundred (Cem)

  • Com a criança em decúbito dorsal (barriga pra cima), coluna alinhada, braços ao longo do corpo, palma das mãos voltadas pra baixo, pés em flexão plantar (pés de bailarina).
  • Oriente a mesma a elevar as pernas estendidas e em seguida elevar a cabeça e o troco até chegar a base da escápula, com os braços alongados e elevados do chão.
  • Deve-se realizar movimentos pra baixo e para cima de forma curta e rápida.
  • A ideia final é realizar 10 movimentos de 10 oscilações (para baixo e para cima).

Objetivo: Fortalecimento abdominal, aquecimento dinâmico, estimular a força, precisão e coordenação.

5) One Leg Circle

  • Com a criança em decúbito dorsal (barriga pra cima), a cabeça deve estar alinhada, ombros relaxados e braços ao longo do corpo.
  • Oriente a criança a manter a perna estendida em direção ao teto, com o quadril a 90 graus e em seguida iniciar movimentos circulares com a perna em dois sentidos, inicialmente para fora e depois círculos no sentido contrário para dentro.
  • Em ambos os lados.

Objetivo: Trabalhar a mobilidade coxo-femural, fortalecimento da musculatura abdominal e flexora do quadril e proporcionar a criança um treino de controle de direção e incentivo a concentração.

6) Rolling like a Ball

  • Com a criança sentada, pés em flexão plantar (pés de bailarina) e fora do colchonete, pernas flexionadas em direção ao peito, coluna flexionada (formato de “C”) com o olhar em direção aos joelhos.
  • As mãos devem estar na lateral das pernas ou atrás dos joelhos.
  • O corpo deve parecer uma bola.
  • Oriente a criança ao inspirar, realizar o movimento de rolar para trás, até a coluna torácica superior (não há movimento cervical).
  • Ao expirar manter a ação dos abdominais e a curva “C” da coluna (mantendo a mesma distância entre as pernas e o tronco, as pernas não devem se mover, o movimento não tem impulso) e em seguida rolar para frente até chegar à posição inicial, sem apoiar os pés no chão, como se fosse um balanço (indo e vindo).
  • A coluna deve manter a flexão em forma de “c” durante todo o movimento.

Objetivo: Melhorar a estabilidade do tronco, relaxar a musculatura lombar, fortalecer a musculatura abdominal, estimular o controle da força, ritmo, equilíbrio e concentração.

7) Swan (Cisne)

  • Posicione a criança deitada em decúbito ventral (barriga pra baixo), pernas estendidas em rotação lateral, braços curvados na altura dos ombros.
  • Orientar a mesma a iniciar o movimento, esticando os braços, realizando uma extensão uniforme da coluna com a cabeça em direção ao teto.
  • Deve evitar a hiperextensão da coluna cervical.

Objetivo: Ganhar mobilidade da coluna em flexo-extensão, fortalecer a musculatura paravertebral, alongar a musculatura abdominal e flexora do quadril, estimular a concentração.

8) Treino de Equilíbrio no Bosu

  • Posicione a criança em pé sobre o bosu, com a coluna neutra, corpo alinhado, braços estendidos e abduzidos na altura dos ombros.
  • Oriente a mesma a girar o tronco para um lado e depois para o outro, mantendo a posição dos braços.

Objetivo: Trabalho de propriocepção, equilíbrio, controle de direção e sentido do movimento.

9) Relaxamento Final (com auxílio da bola)

  • Com a criança de joelhos, mãos apoiadas na bola a sua frente, oriente a mesma a sentar sobre os calcanhares ao mesmo tempo que rola a bola anteriormente.
  • Os braços deve permanecer estendidos e a coluna alinhada.

Objetivo: Alongamento da cadeia muscular posterior e relaxamento.

Durante os exercícios, o instrutor deve permanecer próximo a criança com Transtorno do Espectro Autista, principalmente durante os exercícios de treino de equilíbrio. Deve também sempre manter um contato visual, olhando para os olhos da mesma.

Ao mostrar os objetos que vão ser utilizados na aula, deve sempre colocá-los diante da criança, visando o estímulo da percepção visual. O instrutor deve usar um tom de voz sereno, assim como também os gestos devem ser suaves.

Lembrando que toda forma de comunicação deve ser objetiva e de fácil compreensão. Os exercícios devem ser adaptados quando necessário, respeitando o estágio de desenvolvimento de cada criança.

Os pais ou responsáveis podem acompanhar as aulas, até que a criança tenha mais confiança e se familiarizem com o instrutor.

Concluindo…

É necessário estar consciente para utilizar outros canais na busca da comunicação com a criança com Transtorno do Espectro Autista não somente através de forma oral, mas também por meio de outros caminhos.

Dessa forma a prática do Método Pilates seria útil para encorajar a criança a interagir, transformado movimentos repetitivos em estímulo para interação, melhora da atenção, foco, autocontrole e autoconhecimento.

Tudo isso, além de estimular a concentração e o equilíbrio mente e corpo.

 

Referência Bibliográficas
  • ALVES, M. M. C. LISBOA, D. O. LISBOA, D. O. Autismo e Inclusão Escolar. IV Colóquio Internacional Educação e Contemporaneidade. Laranjeiras, Sergipe. 2010.
  • BORGES, J. Princípios básicos do método Pilates. Módulo, 2004.
  • GINKER, R. R. Autismo um mundo obscuro e conturbado. São Paulo: Larousse, 2010.
  • MONTE, L.  C. P. PINTO, A. A. Família e autismo: Psicodinâmica familiar diante do Transtorno e Desenvolvimento Global na Infância.2015.
  • RODRÍGUEZ, E. M. Tiene el Pilates beneficios para las personas con autismo?. 2015. Disponível em: https://www.cimformacion.com/blog/deportiva/tiene-el-pilates-beneficios-para-las-personas-con-autismo/.
  • Pilates y autismo. Memorial descritivo final. Fundación Orange, Fundación Pilates. 2010.
  • SILVA, C.C R. D. Música um auxílio no desenvolvimento e aprendizagem de crianças com perturbação do espectro do autismo.2012.

Written by Návyla Farias

Návyla Farias

Fisioterapeuta, Pós Graduada em Saúde do Idoso e em Fisioterapia Traumato-Ortopédica, com Formação em Pilates Clínico, MAT Pilates, Pilates Kids, Pilates para Gestantes, Pilates nas Patologias da Coluna Vertebral, Treinamento Funcional, Atividade Física e Envelhecimento, Terapia Manual, Terapias Corporais Relaxante e Bandagem Neuromuscular Funcional.

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