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Como ativar cada tipo de fibra muscular em uma aula completa

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O que seria uma aula completa?

Ao meu ver, primeiro é uma aula que tenha início, meio e fim.

Pois é, precisamos de um treino que modere fases diferentes. Apesar do princípio fluidez, podemos ter exercícios vigorosos, o que não significa que o aluno execute o Pilates de forma rápida mas sim, com potência.

Dá mesma forma teremos movimentos suaves, isto é, PRECISOS. Dessa forma conseguiremos ativar diferentes tipos da fibra muscular e, dinamizar a aula e torná-la “completa”.

Então vamos começar relembrando a fisiologia e identificando os tipos de fibras que temos e as que mais são necessárias para cada aluno/paciente.

Assim será fácil perceber quando, e porque a cada estimulo será um complemento positivo!

 

Fibra Muscular do Tipo I

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As fibras do tipo I, ou lentas oxidativas, possuem cor vermelho-escuro, devido à grande vascularização e alto conteúdo de mioglobina e citocromos.

Esta fibra muscular é especialmente rica em mitocôndrias, além de ser de diâmetro um pouco menor. Penso nelas como um moranguinho, pequeno, vermelho e cheio de oxigênio – e olha que maravilha – são elas que permitem a manutenção de uma boa postura, pois possuem prolongada resistência para contrações suaves.

Sendo assim estão muito presentes em músculos como os multifidos, abdominais, e dorse-flexores.

Pois é, desde a nossa infância que durante o dia a dia precisamos nos locomover, permanecer em equilíbrio e alcançar alvos, os músculos utilizados nessas funções necessitam de fibras resistentes.

Um fato importante é que esse tipo de fibra muscular utiliza os ácidos graxos livres obtidos da gordura subcutânea como principal fonte de energia. Então estamos falando que para gastar mais gordura corporal precisamos utilizar mais a fibra muscular do tipo I.

Resumindo..

Através de exercícios suaves e contínuos estimulando principalmente a fibra muscular do tipo I podemos melhorar as atividades de vida diária e utilizar os depósitos de gordura corpórea.

Esse tipo de exercício pode ser muito positivo para idosos, pessoas acima do peso, pessoas que querem melhorar a postura, recuperação pós lesão etc etc etc..

E você concorda comigo que o Pilates estimula bastante o uso dessas fibras, certo? E a fibra muscular do tipo 2? Será que utilizamos no Pilates? Será que vale a pena?

Este tipo de fibra muscular são intensamente utilizadas nos clássicos de Joseph, basta seguir e valorizar os princípios como o da da fluidez e do centro de força. Quanto mais consciente for a capacidade de contração do seu aluno, melhor.

Para treinar esse tipo de fibra muscular podemos utilizar exercícios de equilíbrio, apoio uni-podal e as bases instáveis serão nossas aliadas.

Fibra Muscular do Tipo II

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As fibras tipo II, ou fibras brancas, são as de maior diâmetro, com predomínio no metabolismo energético anaeróbico e podem ser subdivididas em 3 grupos.

Nos músculos que são constituídos por este tipo de fibra muscular, a velocidade de contração, a velocidade de condução na membrana e a tensão máxima são maiores do que nas fibras do tipo I, porem sua resistência é menor.

Estas fibras são usadas para contrações rápidas, que exijam disparo, força mais vigorosa e tenham curta duração. E o grande Pulo! Esse tipo de contração acelera nosso sistema cardiorrespiratório e gera descargas hormonais.

Hum.. Isso é bom.. E para quem?

Para mulheres na menopausa, para pessoas com depressão, diabéticos ou mesmo para quem quer melhorar o condicionamento físico. Além disso, o treinamento desse tipo de fibra muscular melhora a resposta de endireitamento postural para mudanças bruscas de posição.

Voilá!!!

Essas branquelas podem prevenir as tão temidas quedas em idosos e melhorar performances em movimentos que exijam agilidade.

Durante uma aula de Pilates

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Uma excelente forma de acordar essa fibra muscular gradalhona (Tipo II) e desenvolver os seus atributos é utilizar a placa de salto. A jump board tem um repertorio bem variado e garante bastante animação para aula!

Existem inúmeras possibilidades. A placa pode ser uma excelente estratégia, e digo estratégia em diversos segmentos pois aqui podemos incluir a satisfação do cliente, a otimização de uma prática completa e a qualidade do atendimento/tratamento.

Além de deixar as aulas mais divertidas, uma das vantagens da Jump Board é que pode tornar as aulas muito mais desafiadores e aumentar o nível dos seus alunos. O acessório é acoplado ao Reformer e contém inúmeros benefícios. Vou citar alguns aqui:

    • Melhora da resistência muscular
    • Melhora da resistência cardiovascular
    • Melhora da coordenação motora
    • Melhora da força

Ainda sobre a Jump Board, ela tem inúmeras variações, pode ser usada para os braços, as pernas e para o abdômen e ela é importante principalmente para pacientes e alunos que tenham dificuldades em equilíbrio, melhorando assim sua condição física. É uma ótima opção para alunos idosos que por conta da idade, já não se sustentam tão bem quanto antes, havendo assim um problema de equilíbrio.

Diferenças entre as Fibras Musculares

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Após elencar todas características da fibra muscular tipo 1 e da fibra muscular tipo 2, achei interessante apontar as diferenças entre elas. Então aqui vou citar algumas diferenças entre as fibras de contração rápida e as fibras de contração lenta:

  • Fibras de contração rápida são 2x maiores que fibras de contração lenta, por isso a potência máxima de contração que ela pode ser alcançada continua sendo 2x maior do que as fibras de contração lentas.
  • Fibras de contração rápida são fibras organizadas para potência e velocidade que necessitam de potência elevada.
  • Fibras de contração lenta são fibras organizadas para resistência, para gerar energia aeróbica.
  • Fibras de contração lenta possuem mais mitocôndrias, e também mioglobinas que vão se combinar com o oxigênio na fibra, aumentando a difusão do mesmo.
  • Fibras de contração lenta permitem uma força de contração prolongado por muitos minutos ou horas.

Como podemos perceber, é muito importante trabalhar as fibras musculares no Pilates, e isso requer que o instrutor tenha planejado uma aula completa para o seu aluno!

É muito importante que essa aula seja estabelecida em diferentes níveis para que assim todas as fibras musculares sejam ativadas, para um melhor aproveitamento da aula de Pilates.

Uma aula com diferentes níveis de intensidade promove mais satisfação e resultados fundamentais. Aprimore! Salte e faça seus alunos pularem… de alegria!

Written by Luma Coelho

Luma Coelho

Fisioterapeuta, Neurocientista da reabilitação física formada pela IBMR Laureate International Universities, Instrutora de Pilates e Proprietária da LC Studio Pilates & Wellness.
Iniciou o trabalho com Pilates desde 2009. Possui formação de Pilates, Pilates aéreo, workshops com diversas escolas e mestres internacionais e iniciação do AcroYoga. Desenvolve estudos sobre a estimulação sensorial aliada ao Pilates para populações especificas.

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2 Comentários

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  1. Ótima explanação do assunto! Este Blog é excelente, parabéns aos profissionais que o alimenta.

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