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Disfunção Sacroilíaca: como identificar através do Método Pilates

Disfunção-Sacroilíaca---CAPA

Engana-se quem pensa que os únicos causadores de dor na região lombar são problemas na coluna. A causa da dor pode estar um pouco mais abaixo – na articulação que causa a disfunção sacroilíaca.

A sacroilíaca é uma articulação estável que se encontra entre o sacro e o ílio, com uma amplitude de movimento bastante reduzida, ajudando na estabilização da pelve e na distribuição do peso corporal sendo unida por ligamentos bem fortes.

Riddle 2002 define Disfunção da Articulação Sacroilíaca (DASI) como dor na ou em torno da articulação devido à falta de alinhamento ou alterações biomecânicas. Estudos recentes mostraram que 13 a 30% das pessoas portadoras de dor lombar apresentam DASI.

Essa disfunção sacroilíaca pode gerar dor tanto na região lombar como na região posterior do quadril, irradiando muitas vezes para a lateral do quadril e virilha. Geralmente é confundida com hérnia de disco ou algum acometimento da articulação coxofemoral.

Também são queixas comuns dor ao ficar muito tempo sentado podendo ser agravados pela inclinação, sentar, levantar, movimentos rápidos, de força, virar-se na cama, dificuldade de se levantar da posição sentada, e também pode ser queixa comum durante a gestação.

Pode ser bilateral, mas em sua grande maioria ocorre apenas de um dos lados, com o lado direito o mais acometido. O diagnóstico se torna difícil pela pouca mobilidade da articulação e pela causa da dor ser, em sua maioria, de origem biomecânica.

Anatomia da Articulação Disfunção-Sacroilíaca

Apesar de pequeno, cerca de 2 graus, o movimento na articulação onde ocorre a disfunção sacroilíaca existe e precisa ocorrer de forma funcional. Ela realiza uma inclinação anterior chamada nutação, e uma inclinação posterior chamada contranutação.

As suas superfícies articulares permanecem planas até a idade adulta, porém com o passar do tempo começam a sofrer desgaste e diminuição do espaço intraarticular, acentuando o atrito e diminuindo a mobilidade. Sua inervação é proveniente de L4 e L5 e justamente por isso pode explicar a dificuldade de diagnóstico diferencial.

As suas estruturas ligamentares, localizam-se posteriormente e anteriormente, contribuindo também para a sua estabilidade.

As conexões a partir dos ligamentos da articulação sacroilíaca se misturam com o ligamento iliolombar, a mesma inserção para os músculos quadrado lombar e ilíaco. Estes dois músculos servem como estabilizadores para esta articulação.

Se ocorre um desequilíbrio muscular entre estes dois (ilíaco e quadrado lombar), a estabilidade dinâmica para a articulação sacroilíaca é alterada.

Muito frequentemente, isto resulta em uma inclinação anterior da pelve, o que gera dor. Este quadro é frequentemente referido como “síndrome cruzada inferior” e foi identificada pelo tcheco Vladimir Janda conforme vemos na imagem abaixo.

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A fraqueza dos Abdominais e Glúteos, associada ao excesso de tensão em Flexores de Quadril e Extensores de Tronco se cruzam na altura da articulação sacroilíaca, gerando um desequilíbrio de forças que caracterizam a síndrome descrita acima.

Esses músculos são velhos conhecidos do Pilates e justamente por isso nosso método pode ajudar e muito a minimizar os desequilíbrios e recuperar a função dessa articulação e devolver qualidade de vida a quem o pratica.

Testes Específicos

Seguem abaixo alguns testes simples e de fácil aplicação que ajudam a identificar a disfunção sacroilíaca.

Teste de Patrick Disfunção-Sacroilíaca-3

Um teste positivo produz dor nas costas, nádegas, ou na virilha.

Teste de Gaenslen 

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Essa manobra gera estresse nas duas articulações ao mesmo tempo, uma em flexão e outra em extensão. A dor é um sinal positivo.

Além desses testes também podemos avaliar a dor pela pressão diretamente na articulação com o paciente em decúbito ventral ou na posição sentada.

Como o Pilates pode ajudar na Disfunção Sacroilíaca

Uma vez identificada a disfunção sacroilíaca e avaliadas as musculaturas em termos de força e flexibilidade, devemos trabalhar com foco no reequilíbrio das musculaturas da região do Power House.

Através de um fortalecimento de abdome, glúteo máximo e médio e de um ganho de flexibilidade em flexores de quadril e músculos da cadeira posterior conseguiremos atingir um ponto de equilíbrio saudável para a pelve. Devemos estar atentos a simetria entre os dois lados.

Seguem algumas sugestões de exercícios para auxiliar nesse tratamento.

1) One Leg Stretch
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Esse exercício clássico de MAT promove dissociação e alongamento de membros inferiores além de fortalecimento de abdome.

2) Dissociação de Cintura com Magic Circle
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Além de promover a dissociação de cintura pélvica e escapular, promove ativação e fortalecimento de abdome, principalmente os oblíquos. Por ser realizado com o Magic Circle também promove ativação de glúteo.

3) Double Straight Leg Stretch com Magic Circle
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Outro clássico de MAT Pilates que promove fortalecimento abdominal, associado ao Magic Circle para ativação dos abdutores.

4) Ponte com Overball
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A ponte deve ser realizada com articulação de coluna para favorecer o processo de conscientização do aluno sobre o posicionamento das vértebras, além de promover ativação dos glúteos. A overball entre os joelhos ajuda a manutenção dos membros inferiores na posição correta.

5) Swimming Adaptado
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A extensão unilateral de membro inferior favorece a ativação de glúteos e permite corrigir assimetrias, pois trabalha os dois lados separadamente.

6) Spine Stretch
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Mais um exercício de MAT Pilates excelente para promover mobilização de coluna associada ao alongamento da cadeia posterior.

7) Front Splits
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Promovem alongamento de flexores de quadril no Reformer.

8) Monkey no Reformer
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Esse exercício promove alongamento de cadeia posterior.

9) Alongamento de Cadeia Posterior no Reformer com ArabesqueDisfunção-Sacroilíaca-9

Mais um exercício que facilita o alongamento de cadeia posterior. Pode ser realizado bilateralmente ou unilateralmente para corrigir assimetrias entre os dois membros.

 

Referências Bibliográficas
  • Freburger JK, Riddle DL. Using published evidence to guide the examination of the sacroiliac joint region. Phys Ther. 2001
  • Ribeiro S, Schmit AP, Wurf PD. Disfunção sacroilíaca. Act. Ortop. Bras. 11(9), abr/jun,118-125 2003
  • ATLIHAN, D. et al. Anatomy of the anterior sacroiliac joint with reference to lumbosacral nerves. Clin Orthop. v.376, p. 236-241.2000.
  • DREYFUSS, P. et al. Positive sacroiliac screening tests in asymptomatic adults. Spine.v. 19, p. 1138-1143.1994.
  • LEE, D. A cintura pélvicauma abordagem para o exame e o tratamento da região lombar, pélvica e do quadril. São Paulo: Manole, 2001.

Written by Mariana Ferraz

Mariana Ferraz

Fisioterapeuta graduada pela UNESA 2005. Formação completa no Método Pilates. Instrutora de Pilates atuante e coordenadora técnica do Studio Simetria Pilates em Niteroi/ RJ.
@mariana__ferraz / www.simetriapilatesstudio.com

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9 Comentários

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  1. Que achado maravilhoso este site e este texto em específico. Tenho inflamação na sacro ilíaca e essas informações são muito preciosas porque também prático pilates.
    Parabéns pelo texto e agradeço o compartilhamento de boa informação =)

  2. Quem tem artrodese na L4 L5 S1 pode fazer esses exercicios no pilates? Pq além da artrodese eu tenho sacroileite.

    • Oi Edi você deve avaliar dentro da mobilidade que possui na região lombar se esses exercícios poderão ser executados em sua totalidade ou se será necessário modificá-los para sua condição. Mas acredito que eles possam te beneficiar assim como outros do método. Continue praticando!

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