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Estima-se que um terço da população mundial sofre de algum distúrbio do sono. Frequentemente em nosso dia a dia, durante os atendimentos, ouvimos queixas dos alunos relacionadas a esse problema: “hoje estou cansado, pois não dormi muito bem à noite”, “perdi o sono durante a madrugada”, “acordei várias vezes no decorrer da noite”.

Essas queixas podem estar relacionadas a vários distúrbios como insônia, bruxismo, sonambulismo, narcolepsia, síndrome das pernas inquietas e apneia do sono, provocadas por uma desordem central (tronco cerebral) ou obstrutiva.

Na matéria de hoje falaremos sobre esse último e como o Método Pilates para Apneia Obstrutiva do Sono pode ser um ótimo aliado. Vamos lá?

O que é a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)?

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é assim denominada devido à obstrução parcial ou total das vias aéreas durante o sono que gera limitação do fluxo aéreo.

Isso causa uma interrupção da respiração, que pode durar cerca de 20 segundos. Após essa parada, o paciente acorda emitindo roncos barulhentos, sendo este sintoma que, na maior parte dos casos, o leva a procurar um tratamento.

Isso se repete por várias vezes durante a noite, causando fragmentação do sono e sua consequente perda ou redução da função reparadora.

Anatomia do sistema respiratório

Antes de continuarmos, vamos relembrar um pouco da anatomia do sistema respiratório? Dessa forma, a compreensão sobre a doença será mais fácil.

O sistema respiratório é composto por fossas nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos, alvéolos e pulmões, sendo dividido em porção condutora e porção respiratória, da seguinte forma:

  • Porção condutora (conduz o ar para dentro dos pulmões): fossas nasais, faringe,laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais;
  • Porção respiratória (onde ocorre a troca gasosa): bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e alvéolos.

As fossas nasais, laringe e faringe constituem as vias aéreas superiores. Já as vias aéreas inferiores são formadas pela traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos.

Fisiopatologia

As vias aéreas superiores (VAS) são responsáveis pela fala, ventilação e deglutição de alimentos.

São compostas por músculos e partes moles e possuem a capacidade de colapsar, sendo este mecanismo fundamental para as ações de fala e deglutição no período de vigília. Porém, quando este mesmo colapso ocorre durante o sono, surge a apneia obstrutiva do sono.

O colapso de vias aéreas está relacionado a fatores anatômicos e fisiológicos, como podemos ver:

  • Fatores que facilitam o colapso: pressão negativa exercida pelo diafragma durante a respiração, força gerada pelos tecidos sobre as VAS, posição supina adotada pelo paciente para dormir, pois a língua e estruturas do palato se movem posteriormente neste posicionamento, aumento de tecido gorduroso, aumento de tonsilas ou adenoides;
  • Fatores que abrem as VAS: a contração do músculo genioglosso (responsável pela dilatação da faringe) e a tração longitudinal por mudanças no volume pulmonar.

Fatores de risco

  • Obesidade;
  • Sexo;
  • Raça;
  • Estrutura craniofacial;
  • Obstrução nasal;
  • Tabagismo e etilismo.

Alguns destes fatores estão relacionados com os hábitos de vida do paciente e durante o tratamento é necessário incentivá-lo a adotar medidas saudáveis para obtenção da melhora do quadro clínico.

E como podemos fazer isso? Vamos usar como exemplo um indivíduo que faz tratamento da AOS com CPAP, é obeso e sedentário. Ao iniciar o tratamento de Pilates para apneia obstrutiva do sono, nós podemos associá-lo com atividades aeróbicas para ajudar na perda de peso.

Ademais, devemos recomendar ao paciente que faça um acompanhamento nutricional para manter uma dieta adequada à sua condição clínica. Através da multidisciplinaridade, conseguiremos resultados mais rápidos e eficazes.

Quais os sintomas e de que forma a AOS pode afetar a vida do paciente?

A patologia apresenta sintomas que se dividem em noturnos e diurnos, como vemos a seguir:

  • Noturnos: roncos, agitação durante o sono, sufocação, engasgamento, excesso de salivação ou boca seca, transpiração excessiva e nictúria. Além disso, pessoas próximas ao paciente relatam vários episódios de apneia durante a noite.
  • Diurnos: sonolência excessiva, sensação de boca e garganta seca no período da manhã, cefaleias matinais, fadiga, desordens neurocognitivas, depressão, redução da concentração, diminuição da libido, irritabilidade e piora na qualidade de vida. Todos os sintomas diurnos estão relacionados à fragmentação do sono.

Além disso, a doença pode associar-se à comorbidades do aparelho cardiovascular bem como hipertensão arterial sistêmica, hipertensão pulmonar, diabetes, síndrome metabólica, maior índice de acidentes de trabalho e distúrbios psicossociais.

Como diagnosticar a patologia?

A busca por um diagnóstico ocorre, principalmente, em decorrência aos relatos de sono agitado por parte do paciente e/ou do cônjuge.

A princípio é feito uma anamnese para entender sobre seus hábitos, sintomatologia, dentre outros questionamentos. Após, é realizado um exame de polissonografia, que consiste no monitoramento do mesmo enquanto dorme, no qual são avaliados a oxigenação sanguínea, frequência cardíaca, movimentos do tórax e registrado a passagem de ar pela boca e nariz.

Imagem Disponível em https://www.cpaps.com.br/blog/polissonografia-tudo-sobre-o-exame-sono/

Tratamentos da Apneia Obstrutiva do Sono

O tratamento é feito utilizando-se, na maioria dos casos, a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP). Essa técnica de ventilação não é invasiva e sua aplicação é feita através de máscara nasal ou facial durante o sono, o que proporciona menor trabalho respiratório, mais oxigenação e evita o colabamento das vias aéreas.

Porém, nem todos os pacientes se adaptam a esse tipo de intervenção, que muitas vezes não é indicado para formas mais leves da apneia obstrutiva do sono. A partir disso, são buscadas formas alternativas de tratamento tais como o exercício físico.

Efeitos fisiológicos do exercício físico na AOS

Vários estudos comprovam que o exercício físico tem influência positiva sobre os distúrbios do sono. Dentre os efeitos fisiológicos da atividade física na apneia obstrutiva do sono podemos citar:

  • Aumento na dilatação de vias aéreas superiores, através da maior ativação da musculatura dilatadora (músculo genioglosso);
  • Redução do acúmulo de líquido na região cervical durante o sono, diminuindo a compressão sobre a laringe;
  • Melhora na qualidade do sono, através do aumento do ciclo de ondas lentas e redução da fase do ciclo REM, o que traz maior descanso para o paciente.
  • Diminuição do peso corpóreo e gordura abdominal;
  • Aumento do efeito anti-inflamatório sistêmico através da redução da gordura corporal;

Através disso, o método Pilates para apneia obstrutiva do sono vem sendo utilizado como recurso terapêutico para pacientes e tem apresentado resultados significativos na evolução do quadro geral da patologia.

Existe comprovação de que o Pilates para apneia obstrutiva do sono traz ganhos para o paciente?

No estudo de Ropke (2017) foram avaliados os efeitos de um programa de exercícios solo de Pilates para apneia obstrutiva de sono e para a qualidade de vida dos pacientes em uso de CPAP. Os resultados demonstraram:

  • Aumento na qualidade de vida e melhora no padrão do sono;
  • Aumento no nível de atividade física realizada pelos pacientes, induzindo mudança nos hábitos de vida;
  • Redução da sonolência diurna;
  • Elevação no nível da capacidade funcional;
  • Melhora no estado geral da saúde, aspectos emocionais e sociais.

Exercícios de Pilates para Apneia Obstrutiva do Sono

  1. Warm Up
  2. Bridging
  3. The Hundreds
  4. The Roll Up
  5. The One Leg Circle
  6. Close Leg Rocker
  7. Single Straight Leg Stretch
  8. Double Leg Stretch
  9. Spine Stretch Forward
  10. Single Leg Kick
  11. Side Kicks
  12. Side Kick Circles
  13. Resting Position (Stretch and Relaxation)
  14. Curling
  15. Cool down

Conclusão

Como vimos, o Pilates para apneia obstrutiva do sono é um método bastante eficaz no tratamento, trazendo evolução significativa na qualidade de vida dos pacientes.

Devemos levar em consideração o fato de que o Pilates trabalha o controle e reeducação da musculatura respiratória durante os exercícios, o que contribui para uma melhora na função de todo o sistema respiratório.

É importante que durante a sessão, nós fiquemos atentos à execução do exercício pelo aluno, incentivando a respiração correta para que os resultados sejam mais eficazes no tratamento.

 

 

Referências

Silva GA, Sander HH, Eckeli AL, Fernandes RMF, Coelho EB, Nobre F. CONCEITOS BÁSICOS SOBRE SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO. São Paulo: Rev Bras Hipertens, v. 16, n. 3, 2009.

Andrade, FMD, Pedrosa, RP. O PAPEL DO EXERCÍCIO FÍSICO NA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO. Recife (PE) Brasil.: J Bras Pneumol, v. 42, n. 6, 2016. P. 457-464.

Duarte RLM, Silva RZM, Silveira FJM. FISIOPATOLOGIA DA APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO. Rio de Janeiro, RJ: Pulmão Rj, v. 19, n. 3, 2010. P. 68-72.

Pereira, Adão. SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO: Fisiopatologia, Epidemiologia, Consequências, Diagnóstico e Tratamento. Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto: Arquivos de Medicina, v. 21, n. 5, 2007. P. 159-73.

Röpke, LM. AVALIAÇÃO DO EFEITO DE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIOS DO MÉTODO PILATES NA QUALIDADE DO SONO E NA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES COM SAOS, EM USO ADEQUADO DE CPAP. Botucatu: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Medicina, 2017.