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Diferenças entre o Pilates Clássico e o Contemporâneo

Trabalho com Pilates Clássico há quase 20 anos, sendo assim, não conhecia profundamente o Pilates Contemporâneo, então antes de escrever e apontar diferenças resolvi me preparar! Estive em vários estúdios experimentando e entrevistando alguns profissionais para conhecer um pouco mais deste trabalho.

Em meus estudos e pesquisas já li várias definições do que é o Método Pilates Clássico, mas em especial a escrita por Shari Berkowitz (experiente profissional de Pilates americana) é a que me trouxe maior clareza.

Nesse texto você vai encontrar uma reflexão sobre as diferenças entre essas duas vertentes do método Pilates, o clássico e o contemporâneo.

Abordagem do Pilates Clássico e do Contemporâneo

Pilates-clássico-7

Segundo Shari Berkowitz, o Método Clássico  é definido basicamente como:

“Um método que trabalha com os exercícios que Joseph Pilates utilizava na mesma ordem para o reformer e o mat, e com a mesma finalidade.”

Os exercícios de Pilates Clássico abrangem apenas os que foram realmente criados ou aprovados pelo o Sr. Pilates e um professor de Pilates Clássico ensina apenas estes exercícios.

Quando faz outros que não são Pilates, afirma claramente: “Este não é um exercício de Pilates“ e explica o motivo da diferente abordagem. Um professor de Pilates Clássico pode criar uma modificação para auxiliar/treinar um aluno para futuramente ser capaz de fazer a versão ideal do exercício, mas nunca diz que este é um exercício criado pelo Sr. Pilates.

No Pilates Contemporâneo, muitas escolas usam os exercícios de Joseph, porém utilizam muitas adaptações, até quando não há necessidade. Acredito que muitos cursos só ensinem as adaptações, pois as professoras não conheciam os exercícios sem elas.

Mesma ordem

O professor de Pilates Clássico ensina na ordem específica de exercícios no Reformer e Mat. Ele pode omitir exercícios para trazer a sessão para o nível do aluno.

Por que isso? Com a ordem desenvolvida pelo Sr. Pilates é realizado o aquecimento e resfriamento adequados ao corpo. Sua ordem fortalece e alonga o tronco, braços e pernas em todos os planos de movimento. Seu fim é um desafio para os alunos, com a progressão adequada, tanto a favor como contra a gravidade: deitado, sentado, ajoelhado e em pé.

O Pilates Contemporâneo não segue a ordem da sequência criada por J. Pilates (nem no  Reformer e nem no Mat). Eles seguem um estilo próprio.

Com a mesma finalidade de Joseph Pilatesjoseph-pilates

O Método Clássico tem como objetivo um treinamento completo de corpo e mente, para estimular os alunos a alcançarem o seu potencial máximo. Temos que considerar o indivíduo e adaptar o treinamento para necessidades específicas de cada aluno.

Em uma pessoa relativamente normal e saudável deve ser testado: vigor, força, flexibilidade e estabilidade. Para aqueles que têm condições especiais também haverá um desafio, mas é levada em conta a condição da pessoa e até onde o desafio pode chegar. Existem opções.

Em alguns estúdios Contemporâneos o objetivo é outro, onde os profissionais são fisioterapeutas e fizeram cursos de Pilates específicos para suas áreas, com uma visão totalmente voltada para a reabilitação, focando somente a área do corpo que tem alguma dor, a aula é devagar e geralmente sem desafios.

Outra diferença que podemos observar na linha Clássica é que sempre visa movimentar a parte do corpo que está saudável e sem dor e poupar totalmente a parte lesionada, que receberá benefícios do exercício através da circulação sanguínea.

O professor do Método Clássico, mesmo sendo fisioterapeuta tem esta visão e se o aluno/paciente precisar de algo específico para a sua lesão ele não o fará dentro do estúdio, mas sim, com outra técnica mais apropriada.  Na visão Clássica o Método NÃO trata lesões em fase aguda, nunca!

Outras diferenças

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Equipamentos

O profissional de Pilates Clássico trabalha apenas com os aparelhos e acessórios criados por Joseph e dentro do possível, equipamentos com formato e medidas originais (geralmente são bem mais caros).

O profissional de Pilates Contemporâneo, além dos equipamentos criados por Pilates, mas, em um formato mais moderno, usufruem de outros acessórios modernos como: bolas de diversos tamanhos, discos de equilíbrio, rolos, etc.

Estrutura da aula

Na linha Clássica, o corpo é sempre trabalhado como um todo, de forma integrada e o foco sempre no Power House. A estrutura da aula é basicamente dividida em 4 partes:

A) Reformer

B) Mat

C) Necessidades especiais – escolhe 1 ou 2 aparelhos (Cadillac, Small Barrel, Ladder Barrel, High Chair, Wunda Chair, Arm Chair,Spine Corrector, etc) focando as necessidades principais do aluno.

D) Finalização – geralmente é um exercício em pé e que trás algum tipo de desafio (Cadillac, Pedipole, Magic Circle,Wall, etc).

Também é importante salientar, que Professor Clássico não demonstra o exercício, ele conduz a aula através do comando verbal.

As aulas com aparelhos geralmente são individuais ou em duplas.*

As aulas com aparelhos geralmente são individuais ou em duplas. A parte A e B (reformer e mat), geralmente ocupam 35 minutos da aula, a parte C  é feita em 15 minutos e a finalização em 5 minutos.

Nas Aulas Contemporâneas que fiz sempre o trabalho era segmentado, a professora falava “vamos trabalhar MMSS”, “agora, vamos aos MMII” e assim por diante. A estrutura de algumas aulas era a seguinte:

  • Aquecimento
  • MMII
  • Abdominais
  • MMSS
  • Relaxamento (em um estúdio recebi até uma massagem!).

A aula é geralmente para 3 ou 4* pessoas, no formato de um circuito, onde é feito um ou dois exercícios em cada aparelho e vai trocando de equipamento até o final da aula. Muitas vezes os exercícios de mat são excluídos.

Na maioria das vezes a professora demonstrou o exercício para explicá-lo com maior exatidão.

*Para estúdios com um equipamento de cada tipo.

Sistemas

Depois da morte de Joseph, sua esposa Clara junto com Romana criou o Sistemas para determinar quais exercícios são:

  • De nível Iniciante (ações fundamentais)
  • Intermediário (fisicamente acessível e bastante difícil para a maioria dos clientes)
  • Avançado (verdadeiramente desafiador até mesmo para os clientes mais fortes)
  • Super avançado (um desafio extra para atletas de elite e profissionais de Pilates, somente eles irão realizá-los).

Estes sistemas foram desenvolvidos para ajudar os aprendizes e os novos professores a saberem o que fazer e o que não fazer com o aluno. Os professores clássicos seguem estes sistemas, os estúdios contemporâneos não seguem.

Finalizando…

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Não podemos dizer que existe somente uma forma de ensinar, dizer que isto ou aquilo é errado, ou que um trabalho seja melhor que o outro. Porém podemos afirmar que existe uma diferença entre as linhas de trabalho, e que falta identidade para diferenciarmos de forma mais pontual o que é o Método Pilates e o que foi inspirado (desenvolvido, atualizado, modernizado e talvez até melhorado!) a partir do trabalho desenvolvido por Joseph.

Como profissional que acredita no Método Pilates Clássico, gostaria de finalizar este artigo com a resposta para esta pergunta que centenas de vezes já me foi feita:

Por que limitar-se às criações do Sr. Pilates?

“Porque acreditamos que fazer todo o caminho do Sr. Pilates realmente esculpe o corpo a mente e conduz ao equilíbrio. Os exercícios do Sr. Pilates são bastante simples, estimulantes e “profundos” suficientes para mergulhar toda uma vida. E nós somos guiados por esta certeza. ” Shari Berkowitz.

E você, profissional de Pilates Contemporâneo, qual a certeza que te guia no seu trabalho?

35 Comentários

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  1. Na minha humilde opinião, eu acho que Joseph foi um gênio e que dificilmente teremos novamente alguém como ele, entretanto, não acredito que 100% do seu trabalho foi tão perfeito a ponto de não poder ser aprimorado.
    As ciências do movimento evoluem. E como evoluem! Se pararmos pra pensar em toda a evolução da medicina do esporte, das pesquisas biomecanicas, das descobertas a respeito do movimento dos últimos 30 anos, eu não posso encobrir os meus olhos para isso.
    Poderia dar inúmeros exemplos, mas quero falar um que pra mim é “clássico” rs: The Hundred.
    Sendo bem sincera, não acho que ser o exercício mais adequado para iniciar o trabalho com o aluno – seja ele saudavel ou patológico.
    Sendo patológico sou totalmente contra. Sendo saudável sou parcialmente contra começar com o “aquecimento” do The Hundred.
    O Hundred, por mais que se inicie em uma posição com menor sobrecarga, temos muitos outros movimentos que são mais adequados do ponto de vista biomecânico e cinesiologico para se iniciar a atividade física.
    Tenho a certeza que quando Joseph trabalhava o Hundred ele tinha um propósito claro e bem definido para a época dele, que creio não ser os mesmos propósitos de hoje.
    Imagino ele treinando soldados, boxeadores, bailarinas ou pessoas de nyc que na época andavam muito e com certeza chegavam aquecidas ao seu studio.
    É um tempo, um público diferente do que temos hoje.
    Se eu faço Hundred? Eu faço, mas nem sempre. Não me sinto OBRIGADA a fazer a sequência.
    Se eu faço uma sequência de Mat? Faço sim, mas nem sempre.
    Outro exemplo é o rollover. Eu não vou com os pés até o chão. Primeiro porque pessoalmente acredito que a FUNÇÃO é alcançada sem a amplitude máxima e segundo porque um dos maiores problemas da ÉPOCA ATUAL são as CERVICALGIAS, grande parte causada pelo celular e computadores e querendo ou não querendo, há sobrecarga na região, por mais que se posicione o aluno.
    É outro exemplo claro da diferença da época para hoje: temos muitos exercícios(e até acessório, certo?) para boxeadores que exigem do pescoço. Movimentos estes que não são funcionais para os dias atuais.
    Então, eu vou fazer o roll over? Vou, mas nem sempre. E quando faço, não faço completo. Se isso é não fazer Pilates, então não estou fazendo Pilates.
    The Saw é um movimento que eu evito fazer nos alunos com Hernia Discal. Evito, as vezes faço.
    Mesmo o paciente num quadro estabilizado de dor e tendo o Pilates mais como prevenção, eu o evito. O paciente/aluno está saudável, mas eu evito por ser um dos principais mecanismos da Hernia.
    Volto a falar: eu faço, mas nem sempre na sequência. Eu faço, mas nem sempre por completo.
    “Ah, mas então isso não é Pilates. Você está se aproveitando do nome Pilates para fazer alguma variação dele”
    Será isso mesmo pessoal?
    Veja bem, Joseph foi único e sua inteligência ultrapassou o século, mas eu não posso ignorar as mudanças do mundo “moderno” que são diferentes da época de Joseph bem como não posso ignorar aquilo que a ciência tem me informado.
    Daqui há 50 anos continuaremos a fazer EXATAMENTE tudo que Joseph ensinou sem nenhuma mudança?
    Mudar é deixar de ser fiel ao método? É deixar de ser clássico?
    Daqui 50 anos os hábitos da sociedade não mudarão? As descobertas da ciência não irão nos contestar aquilo que fazemos?
    Diga-me uma única ciência faz exatamente as mesmas coisas de 50 anos atrás sem mudanças?
    Procedimentos cirúrgicos, treinamento de atletas, reabilitação física, treinamento funcional, treino cardiorrespiratorio?
    As terapias manuais milenares evoluíram nos últimos 50 anos. Até o yoga ganhou vertentes.
    Será que Joseph foi tão gênio assim a ponto de 100% de tudo que ele fez ser a VERDADE MÁXIMA ABSOLUTA QUE PRECISO FAZER 100% INCOTESTAVELMENTE?
    Fica a reflexão.

    • Ludmila concordo vc, melhor definição que já li sobre esse assunto! Vamos estudar, evoluir e com certeza usar os ensinamentos de Joseph como base para sempre.

    • Olá Ludmila, creio que talvez seu conhecimento em Pilates Clássico não seja tão profundo. Eu defendi uma dissertação sobre o Método, meu orientador é prof doutor em anatomia, e conseguimos comprovar a eficiência da série de solo criada por Joseph Pilates em toda a sua amplitude. O ponto mais alto da questão é que as inovações são muito bem vindas, só que tem que ser diferenciadas e nomeadas devidamente por seus criadores e não passar uma imagem incorreta para a população dizendo que é Pilates se não é. Só pode ser Pilates o que foi criado por ele, e isso devia ser melhor esclarecido as pessoas. Outra coisa é que grandes pessoas da nossa história viveram em séculos passados como Einstein etc.. e nem por isso menos inteligentes do que nós…certo? Mais uma informação é que somente hoje a medicina esta utilizando algumas ideias que Joseph Pilates pregou em sua época, por exemplo, eu ja tive várias entorses e tendinites e sempre fui engessada, imobilizada… hoje em dia tem sido observado que o movimento cura…. ou também a fisioterapia respiratória tem utilizado a movimentação de todo o corpo para trabalhar com um problema específico do pulmão, isso antes não era aceito….

      • Olá Cecilia, tudo bem?
        Você poderia disponibilizar seu artigo para que eu possa ler?
        Fiquei curiosa. Obrigada!

      • Bom dia Cecília! Você poderia por gentileza compartilhar comigo o seu estudo? Tenho muito interesse em ler sua dissertação!

    • Boa tarde !! Estou lendo sobre o assunto para me decidir qual curso devo fazer e gostaria de saber de vc e da Adraiana . Qual dos 2 métodos vcs indicam ??
      Trabalho como fisioterapeuta, com foco em Neuro
      Qual das 2 me dariam uma base melhor para utilizar com esse perfil de paciente e onde vcs cursaram, Vcs Indicam???

      • Olá Karen, desculpe a demora em responder!
        Fiz duas formações , ambas clássicas e vejo o Pilates como um método de condicionamento corporal, que auxilia no bem estar, na manutenção da saúde e prevenção.
        Ao meu ver, Pilates NÃO é tratamento e não substitui a fisioterapia! O Método entra depois do tratamento e tem o objetivo de manter o que se adquiriu com o tratamento e evitar (ou amenizar) crises. Você tem que ter isso bem claro! O Pilates pode ajudar a melhorar a mobilidade, fortalecimento, flexibilidade e principalmente desequilíbrios e compensações. Mas no caso do seu trabalho, acredito que sempre vai andar lado a lado com a fisioterapia!
        Eu sempre irei indicar os cursos Clássicos, pois acredito 100% nele. Entre em contato comigo através do e-mail :
        adriana@pilatesadrianatrotta.com.br ou pelo facebook “Adriana Trotta” e poderemos falar sobre cursos.
        Um abraço!

    • Comentário perfeito.
      The Saw é contra indicado para hérnia.
      Agora olho que os instrutores clássicos experimentados também sabem a hora de evitar determinados exercícios.
      Na minha humilde opinião o melhor é fazer a formação clássica e, posteriormente, a contemporânea.
      Com isso o conhecimento será mais eficaz.

    • Muito bacana sua reflexão, quando iniciei com o método pilates fiquei na dúvida se não seria uma modinha e que logo teria outra atividade física que a substituiria, mas hoje vejo que o método veio pra ficar, pelos resultados que tenho com meu alunos, pela procura por um exercício que não é monótono e assim vai, mas tudo isso se deve aos diversos modos de se fazer àqueles exercícios clássicos que Joseph nos proporcionou com sua incrível sabedoria, ou seja, aprimorar, diversificar e até mesmo modificar alguns exercícios se faz necessário para os alunos que temos com as demandas dos dias atuais. Acho que cada indivíduo é único e é pensando assim que teremos exercícios individualizados para cada um de forma específica!!! A biomecânica é o que me fundamentaliza, independente de ser um movimento clássico ou contemporâneo, mas a essência continua sendo Joseph pilates com seu foco no Power hoje e nos demais princípios!!!

  2. Ludmila, a sua colocação foi a mais perfeita que já li sobre o assunto! nada contras aos profissionais do clássico, mas eu tb sempre me perguntei sobre tudo isso.

  3. Pilates original, clássico, contemporâneo… tudo isso pra mim, soa mais como reserva de mercado e marketing do que ideologia propriamente dita.

    Pq falo isso? Pq todos tem prós e contras. Todos tem limitações e pontos a favor que se COMPLEMENTAM. Então, uma pessoa levantar uma bandeira de um destes como sendo o “verdadeiro” método Pilates, pra mim ou a pessoa é realmente limitada intelectualmente ou ela faz reserva de mercado.

    Por exemplo: Joseph Pilates mesmo passou comandos específicos e diferentes para Romana, Lolita, Ron, Kathy… Tanto que cada um acabou disseminando o “seu” método Pilates.

    A própria Romana mesmo criou exercícios e uma metodologia. Então, se levarmos ao pé da letra, nem mesmo que vem da “linhagem”da Romana pratica o ORIGINAL DE FATO, aquele criado por Joseph.

    Bom, pensando em tudo isso, pq nós ainda batemos no peito e falamos EU sou de fulano ou eu sou de ciclano? Eu sou “clássico”. Eu sou “original”.

    Não quero generalizar tudo, mas quero que as pessoas pensem no cliente, no indivíduo, na pessoa e não fiquem preso em se ele é classico, modificado, original, etc…

    Acho que a Adriana escreveu muito bem este artigo e parece ter uma mente aberta, o que geralmente é meio raro para os profissionais do classico, que na sua maioria cegam os olhos para qualquer questionamento e seguem a risca 100% do que foi aprendido por Romana.

    Eu acho perigoso todo radicalismo, pq na maioria das vezes nos cega. Concordo que Joseph foi um autodidata e estava a frente do tempo dele, mas com certeza seu método tem lacunas, falhas, pontos a melhorar, adaptações a serem feitas.

    e estas melhorias diminuem o trabalho de Joseph? De jeito nenhum!!! Qto mais os anos passam, mais vemos o quanto ele foi acima da media.

    Eu acho é que deveríamos nos unir em prol do Pilates, mas sem vestir camisetas de classico, contemporaneio e original. minha opiniao. obrigado.

    • Jefferson, gostei muito do seu comentário! Peço licença para pontuar algumas de suas citações.

      1) Lá no início, não existia essas nomenclaturas. Se você perguntasse para a Romana se ela trabalhava com o Método Clássico, ela respondia: “trabalho com Pilates!” Mais tarde ela adotou a palavra “Authentic” para definir o seu trabalho, porque começaram a aparecer coisas muito diferentes com o mesmo nome. Eu Adriana, uso o termo Clássico pelo mesmo motivo. Não é ideologia, mas a necessidade de mostrar que não é tudo a mesma coisa.

      2) Joseph aplicava seu método de forma individual, e você está certo quando diz que a Romana aprendeu de um jeito, Kathy de outro, Ron de outro, etc, mas a essência era a mesma! A maioria dos Elders desenvolveram a sua forma de ensinar Pilates de acordo com suas experiências pessoais, e alguns deles desde o inicio já misturavam com outras técnicas. Outros adequaram a suas necessidades, como Kathy Grant que dava aula em uma universidade americana, onde tinha poucos aparelhos e muita gente para ensinar, a solução foi usar a sequencia de mat e circuito com os equipamentos (por pura falta de opção). Hoje a aula em circuito é praticada na maioria dos estúdios.

      Enfim, Romana foi a que mais manteve a integridade do trabalho de Joseph, ninguém pode negar isso! Na minha opinião ela não criou uma metodologia, ela apenas organizou o trabalho de Joseph para poder formatar um curso e ensinar outros professores.

      3) Concordo plenamente com você: não podemos ser cegos radicais! Não existe perfeição, e sim, muitas coisas foram ajustadas e acredito que muitas outros ajustes ainda ocorrerão!Joseph Pilates foi realmente um Visionário, mas não podemos nos esquecer que ele era um ser humano!!

      Muito obrigada pela sua participação!

  4. Ludmila, primeiramente obrigada pelo seu rico comentário. Entendo o maneira como vc se expressou, pois como disse o Jeferson, quem trabalha com a linha classica geralmente tende a ser muito radical. Mas não é o meu caso!!
    J. Pilates não acertou em tudo que disse e fez (ele era um ser humano!), mas digamos que para a seu tempo e pela falta de referências da época ele fez muito.
    Trabalhar com o clássico não significa fazer exatamente 100% o que ele fazia, mas seguir o que é considerado adequado até hoje, depois de estudos e avanços tecnológicos, e sim, os exercícios, a sequência e os objetivos são atuais e funcionam! Logicamente, temos que adaptar o método para a nossa realidade atual e neste ponto posso dizer que faço exatamente como você, se precisar tirar algum exercício, eu tiro. Se precisar adaptar, eu adapto. Se precisar mudar algo na sequência eu mudo, e Joseph Pilates fazia isto também!!!? Mas, assim como você eu sei o porque estou fazendo tudo isso . Eu não mudo um exercício sem necessidade, e principalmente, eu conheço o exercício sem a adaptação e pelo seu comentário você também conhece. É isso o que eu quis dizer nos 2 parágrafos que seguem o subtítulo “Com a mesma finalidade de Joseph Pilates” .
    Depois de quase 20 anos trabalhando com o clássico eu posso afirmar que funciona! Mas de forma alguma quis dizer que é o unico trabalho que funciona!! A questão é: tem muitos trabalhos completamente diferentes sendo chamado de Pilates (não melhor ou pior, simplesmente diferente!) e a confusão está formada. Existem trabalhos maravilhosos inspirados na Contrologia que seguiram por outros caminhos e que não apresentam mais suas características. Falta identidade para estes trabalhos, e minha opinião é: deveriam ter outro nome.
    É isso!
    O meu objetivo ao escrever este artigo foi colocar uma forma de identificar o Método Clássico, pois a ideia de que fazemos 100% o que Joseph Pilates fazia é totalmente equivocada!

    Obrigada pela participação!

  5. Oi Adriana, tudo bem? Nunca fiz a formação com o Pilates chamado “clássico”, mas olha só que confusão… eu acho que sou professora de clássico, heheh, pois se os professores clássicos não fazem 100% que Joseph fez e fazem até mesmo alterações e adaptações, tiram exercício, qual a diferença de fato para o contemporâneo? Por conta propria eu fiz workshops e até conferencias classicas e lá eu vi algo muito rígido, diferente do que você está falando agora (estou até surpresa)…. está causando uma confusão na minha cabeça..rss. Já estou me achando clássica também…

    • Olá Marcela! Vou tentar esclarecer um pouco esta confusão!

      A Linha Clássica é a que mais se aproxima do trabalho original desenvolvido por Joseph. Acredito que ninguém mais faz 100% o que Joseph fazia!

      Esclarecendo um ponto muito importante: adaptações, variações e exclusão de exercícios (em alguns momentos) fazem parte da metodologia clássica, pois Joseph Pilates fazia exatamente isso! Não é uma prática exclusiva contemporânea, muito pelo contrário. Ele (JOseph) aplicava os exercícios especificamente para a necessidade de cada aluno. Por isso ele criou tantos exercícios! E dentro dos exercícios criados ele adaptava (facilitava) para alunos com alguma restrição ou aqueles que eram iniciantes; como também criava variações para aumentar o grau de dificuldade dos mesmos exercícios para alunos mais avançados ou atletas. Aqui está um ponto importante: conhecer profundamente um conteúdo e saber como aplicá-lo de acordo com as necessidades individuais de cada aluno.
      Resumindo:
      1) O Prof. Clássico conhece todo o repertório de Joseph Pilates (básico, intermediário e avançado) e aplica as variações e adaptações SOMENTE QUANDO SÃO NECESSÁRIAS. O que eu percebi nas aulas contemporâneas que fiz, foi que a maioria dos exercícios dados eram as adaptações sendo que o profissional não tinha a minima ideia disso, ou melhor, não conhecia o exercício original!

      2) O Prof. Clássico, não sente necessidade de criar novos exercícios, se ele der algum movimento que não faz parte do repertório ele diz claramente para o seu aluno: “Isto não é Pilates, mas estou utilizando agora porque…..”. Não preciso dizer que em algumas escolas estimulam os futuros professores a “inventar” coisas novas. Há tanto o que aprender… ao meu ver, não sobra muito espaço para inventar. Há não ser que não tenha aprendido tudo! Os cursos de formação clássica tem uma carga horária alta (fiz 2 formações e ambas com 600h de estágios, fora os módulos), existe a necessidade de praticar (e muito) tudo que se aprende, sentir na pele as mudanças que o método pode fazer no corpo. Isso não dá para ser feito em 1 ou 2 finais de semana! Não dá para aprender tudo na teoria, porque colocar tudo na prática é outra história, é só aí que você realmente aprende. Por isso eu não acredito em profissionais somente teóricos, o conhecimento para ser realmente concretizado em um profissional deve ser fixado nas duas formas de prática:
      1) fazendo aulas e treinando o seu corpo
      2) dando aulas e treinando diferentes pessoas/corpos

      A rigidez dos profissionais clássicos vem do desejo de manter a integridade do método, que está sendo misturado, mal interpretado, perdendo sua essência e características e hoje vemos muitas atividades completamente diferentes sendo chamadas pelo mesmo nome. A maioria sente indignação e não quer nem ver o que está sendo feito por outras escolas, é bem mais fácil falar “isso não é Pilates, e ponto!” Embora eu concorde em alguns pontos com meus colegas, eu respeito o trabalho de qualidade desenvolvido por algumas escolas contemporâneas.

      Espero ter esclarecido suas dúvidas! Se tiver mais alguma estou a disposição!

      Um grande abraço e obrigada pela participação!

    • Concordo com você Thais, o tempo passou e precisamos readequar, mas podemos fazer isso com os exercícios do próprio Pilates, sem perder os objetivos, a essência e a riqueza do método.
      Obrigada por participar!

  6. É uma pergunta que nunca teremos resposta, mas eu acredito que Joseph não estaria chateado ou incomodado com mudanças ou evoluções.
    Claro que existem coisas nitidamente bizarras e esdrúxulas, não estou falando destas…
    Eu não sou um super estudioso da vida de Joseph, mas o pouco que sei é que ele evoluiu e modificou a própria contrologia. Exercícios que sofreram modificações ao longo do tempo. Exercícios novos que foram “criados” por Joseph…
    O próprio Reformer que na primeira patente nem tinha molas… O Cadillac então… Quanta diferença do primeiro “rascunho” do Joseph…
    Não sei…. Ele era um cara que respirava inovação. Respirava novos conhecimentos. Respirava estar à frente do seu tempo…
    Eu acredito que ele estaria orgulhoso de ambos os lados – clássico e contemporâneo.
    Até porque os exercícios são somente uma parte da contrologia… Acho que ele estaria feliz…

  7. Adorei ler essas postagens, adoro movimento e atualmente estou com vontade de fazer um curso clássico mas tenho um pouco de receio quanto a rigidez. Curto muito as variações e acho que os alunos só tem a ganhar com as adaptações

    • Olá Adriana! Fico feliz por seu interesse na linha clássica. Espero que o artigo tenha reforçado seu interesse.
      Quanto as variações e adaptações, realmente elas são muito importantes, porém, mais importante ainda é saber quando usá-las e se realmente elas são necessárias.
      Realmente as escolas clássicas são mais rígidas, mas tudo tem um por que, uma lógica e a ciência está ai, para dar o seu aval. Depois que nos aprofundamos nos conhecimentos entendemos esta necessidade.
      Um abraço e obrigada pela participação!

  8. Adriana, eu fiz meu curso de pilates clássico (primeiro módulo) no começo do ano e eu aprendi que a única vertente de Pilates realmente fiel veio de uma Elder de Joseph Pilates chamada Romana, que já morreu. No mês passado eu participei de um workshop de Pilates para gestante, que tinha muitas adaptações dos exercícios originais que eu aprendi. Eu gostei muito e tem me ajudado com as gestantes. Eu aprendi uns 50 exercícios, mas destes acho que uns 30 foram adaptados da forma original – gostei muito e sinceramente concordo com as adaptações. Eu devo falar para minhas alunas que elas não estão fazendo Pilates quando eu adapto um movimento ou faço ele incompleto? O que você acha que eu deveria fazer? Não quero ter a sensação de estar enganando-as, mas ao mesmo tempo sei que isso está fazendo tão bem para elas.

    • Prezada Roberta, obrigada pela participação!

      Tenho algumas considerações, espero ajudá-la!

      1) O Pilates Clássico usa adaptações, Joseph Pilates usava e nós temos que adaptar de acordo com a necessidade do nosso cliente/aluno, sem perder o objetivo do exercício. Mas é muito importante que saibamos os exercícios ideais, para poder alcançá-los quando o aluno tiver condições, como uma gestante depois do parto, quando voltar a sua forma. Ou saber que um aluno nunca vai chegar ao ideal de um determinado exercício, como por exemplo, um aluno que tem uma hérnia de disco importante não deve fazer uma grande extensão de coluna, pois Poderá desencadear uma crise. Neste caso vc vai sempre usar uma amplitude menor ou uma adaptação.

      2) Não tem problema nenhum você utilizar adaptações ou exercícios diferentes dos clássicos, mas ao meu ver, vc deve dizer “este exercício não faz parte do repertório de Pilates, mas estou usando ele porque…!” Explique porque está usando. É assim que eu faço!

      3) O mais importante é vc atender da melhor forma possível o seu aluno. Nós temos muitas opções dentro da linha classica, que vc irá conhecer até o final do seu curso e depois em Educações Continuadas, workshops, etc. É importante saber: há muito o que estudar!
      Uma dica: Entre na página “Pilates por Adriana Trotta” tem um vídeo com depoimento e exercícios adaptados para uma aluna gestante.

      Boa sorte!

  9. Muito proveitosa a discussão.
    Sou Fisio, e fiz a formação em Pilates por compreender que, o movimento humano é a chave para tudo. E vi no método, uma ferramenta terapêutica.
    Não me denomino Clássico ou Contemporâneo. Acho uma certa perda de tempo entrar no mérito. Mas de qualquer forma, é importante fazermos evoluir em prol do que queremos abranger.
    Concordo com a colocação de cada e, agregaria mais uma questão: lidamos com pessoas, muitas vezes, com alguma disfunção. Daí minha preocupação com pessoas que, ditamente do Clássico, ao ma ter a sequência original, mesmo adaptado, teria a mesma abrangência?!?!
    No meu estúdio, procuro manter as sequências originais, mas sou Fisio e trabalho o método de acordo com os objetivos que meus pacientes querem alcançar. Como disse acima, é uma ferramenta terapêutica… excelentes por sinal.
    Qdo vejo que posso evoluir com a sequência original, não penso duas vezes.
    Pra mim, o equilíbrio físico e mental, através do método, é o principal foco que Joseph deixou pela contrologia.
    E evoluir o método, através dos conceitos e estudos, é totalmente fundamental. É totalmente permissível, coerente e necessário.
    A questão de tudo é fazer marketing negativo…usar do nome “Pilates” pra fazer um monte de acrobacia que o distorcem.

  10. Várias observacoes ja foram apontadas muito bem tanto nos comentários quanto nas respostas. Mas uma questão complicada ja de cara é usar a classificação Pilates Clássico e Pilates Contemporâneo. O clássico ok porque existe um grupo de pessoas que assim o denominou, e reafirmam a definição do termo, mas contemporâneo como uma entidade monolítica é algo impossível de nomear! Pelo que você escreveu Adriana, vejo que você também acha que não tem um so Pilates fora o Clássico, parece que sua questão e incomodo é que você acha que alguns trabalhos que se entitulam Pilates nao o são. Mas talvez para tal deveria-se fazer uma observação das formacoes que existem e ver que existem muitas abordagens que mantém os princípios, exercícios e ordenacoes do pilates e que não são clássico e nem iguais entre si. Esse binarismo nao funciona! Dizer q se não é clássico é contemporâneo é um reducionismo que acaba soando mais como reserva de mercado mesmo como disse Jeferson, por mais que nem tenha sido sua intenção…

    • Olá Mara! Um pouco tardia a minha resposta, mas acredito que é sempre válida!
      Pelo pouco que conheci do chamado “Pilates Contemporâneo”, é exatamente o que você falou: realmente não é algo único como acontece no clássico, onde seguimos uma metodologia que é a mesma em qualquer lugar ou em qualquer escola. O que vi nos estúdios contemporâneos que conheci foram trabalhos, conceitos e metodologias muito diferenciadas. Mas é esse o ponto que eu gostaria de chegar: falta identidade nesses trabalhos tão diferentes.
      No inicio tudo era simplesmente chamado de Pilates! Nos últimos anos o pessoal que trabalhava com o lado mais tradicional criou essa denominação “Clássica” para se auto-definir.
      Concordo plenamente com você: todo o resto não dá para ser colocado no mesmo cesto!
      Você concorda comigo que falta identidade própria em trabalhos que sejam diferentes? Como podemos chamar tantas coisas diferentes pelo mesmo nome? Foi exatamente isso que aconteceu com o termo “Pilates” e agora está acontecendo com “Pilates Contemporâneo”! Qual seria a solução para esta questão?

      Muito obrigada pelo seu comentário!
      Um forte abraço!

  11. Conheci várias formas de se trabalhar Pilates. Experimentei e estudei as duas vertentes, que na verdade são diversas. O Clássico é sempre o mesmo, mas o modificado se ramifica de forma infinita. A cada dia, após dez anos de caminhada, ainda me deparo com um novo Pilates desses modificados. Alguns são até bons, outros uma aberração. Mas todos incompletos em relação ao trabalho do Sr. Pilates.
    Modificam o MÉTODO a toda hora:
    Por ignorância, seja de objetivo do exercício, seja de repertório.
    Por achar que basta ter um curso de fisioterapia ou educação física que está mais apto e atualizado que o próprio criador do MÉTODO, ignorando os cinqüenta anos de experiência dedicados à criação.
    A minha opinião:
    Se quer “evoluir” comprove cientificamente sua mudança e depois dê outro nome ao seu método.

    • Melhor comentario que já li a respeito. Concordo!
      Classico, moderno… o foco é o paciente! Se você, como fisioterapeuta, vê que exercício x ou y vai ser bom ou ruim para o seu paciente. E, sabe distinguir isso…. o objetivo do seu tratamento foi realizado com sucesso!

  12. Adriana, Ludmila e Jeferson, vocês iniciaram uma ótima discussão sobre o assunto!!!
    Concordo com a opinião dos 3, somos adaptáveis mas sem perder os princípios do Pilates!!
    Adorei!

  13. Discussão enriquecedora!
    Excelente poder me deparar com opiniões tão diversas e tão respeitosas. Agrega conhecimento e ensina a lidar com as diferenças.
    Obrigada à autora e aos colegas!

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