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Pilates e o lúdico: uma aventura para as crianças e um desafio para os instrutores

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Pilates e o lúdico: uma aventura para as crianças e um desafio para os instrutores
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Frequentemente somos surpreendidos com a pergunta: crianças podem praticar o Método Pilates? Este é um questionamento pertinente e ainda envolto de muitas incógnitas. Vamos trabalhar então numa perspectiva do princípio do Método, e neste texto falaremos da concentração e da respiração.

É importante ressaltar que crianças têm particularidades anatômicas e fisiológicas diferentes das de um adulto; resistência e quantidade de exercícios devem ser utilizados com cautela. Por essa razão, uma avaliação criteriosa da criança, bem como a interação do instrutor com a família, é fundamental para obter resultados satisfatórios.

A atenção das crianças é limitada e influenciada diretamente pela idade e o interesse. Sendo assim, uma sessão de Pilates para uma criança deve ter entre seus objetivos trabalhar o lúdico. Os exercícios do Método devem ser estruturados de acordo com a idade, patologia, índice de concentração e entendimento dos comandos. Na segunda infância, por exemplo, entre os 6 e 10 anos, há uma maturação progressiva da região pré-frontal, o que permite planejar e até mesmo associar dois ou mais movimentos (Andrade et al, 2004). Esta é, inclusive, uma boa justificativa por esta faixa etária ser a mais frequente entre ingressantes mirins do Método.

A sessão de Pilates deve ser sim utilizada, mas de forma complementar ao tratamento. Podemos finalizar uma sessão de Fisioterapia convencional com alguns exercícios do Método e os acessórios vão representar a ludicidade.  Por que não utilizar bolas de diferentes cores e tamanhos ou com adesivos dos personagens favoritos? Ou o chão e as paredes do estúdio voltado para as crianças lembrando ambientes que eles assistem nos filmes do momento? A música também pode fazer parte da sessão. Reconhecer a preferência musical da criança e utilizar durante o atendimento pode melhorar o vínculo, a cumplicidade e assiduidade ao tratamento proposto.

Criatividade e cautela são palavras de ordem para explorar o lúdico infantil e aplicar os benefícios do Pilates de forma correta ao público.

Na respiração, podemos usar um artefato simples. Quem sabe ter o super-herói predileto em cima do abdome, fazendo com que se construa o entendimento de que respirar mantendo a contração da “Power House” é extremamente importante para manter o personagem imóvel, sem fazê-lo cair. Ou que a expiração correta possa levar o estúdio ficar repleto de bolhas de sabão que só possam ser estouradas com um movimento preciso de­­­ “One Leg Circle”.

Mas vale sempre ressaltar que trabalhar com criança é uma conquista, envolve empatia e paixão pelos pequenos, e que mesmo assim não é tarefa fácil. Podemos agregar também os exercícios para melhorar a respiração, a postura, manter a flexibilidade. Se conseguirmos esses resultados durante a infância de forma prazerosa podemos ter futuros adolescente ativos, colocando o sedentarismo de lado e fortalecendo o Método Pilates.

A tríade, avaliação, relação com a família e o lúdico são os pilares para o sucesso do Pilates para crianças. Essas relações nos garantem os ensinamentos de Joseph Pilates – realizar os exercícios com o mínimo de esforço e o máximo de prazer.

REFERENCIA
  • Andrade, A., Luft C. B., Rolim, M.K.S.B. O desenvolvimento motor, a maturação das áreas corticais e a atenção na aprendizagem motora. Revista Digital – Buenos Aires – Año 10 – N° 78 – Noviembre de 2004.

Jaqueline Basso Stivanin
Fisioterapeuta (CREFITO 139.300-F)
Docente dos Cursos Espaço Vida Pilates
Doutoranda em Pediatria e Saúde da Criança

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