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Não é novidade para nós instrutores e nem para as gestantes, de que muitas mudanças ocorrem no corpo da mulher, principalmente, na musculatura do Assoalho Pélvico durante a gestação

Como o nome o próprio nome já diz, o assoalho pélvico é um conjunto de músculos, ligamentos e tecidos que possui a função de sustentar os órgãos pélvicos e abdominais e também, o bebê durante a gravidez. 

Entre as inúmeras dúvidas que aparecem para a mulher após a descoberta da gestação, uma das principais é em relação ao tipo de parto que ela terá – o que também está ligado à musculatura pélvica.

Por isso, nesse artigo falaremos um pouco sobre como o Método Pilates pode ajudar a mulher a lidar com as mudanças no corpo para ter um parto mais tranquilo e a importância em trabalhar o assoalho pélvico durante a gestação. Vamos lá?

Conhecendo a Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP)

O assoalho pélvico é formado por músculos, ligamentos e fáscias e tem como principal função a sustentação dos órgãos internos como útero e bexiga. 

Além disso, também é responsável pela ação esfincteriana da vagina e reto, e ainda pela passagem do bebê no parto. 

A cavidade pélvica é revestida inferiormente pelo assoalho pélvico, cuja função é sustentar os órgãos pélvicos e abdominais. Além disso, ela é limitada anteriormente pelo arco púbico, posteriormente pelo cóccix e lateralmente pelos ramos e ísquios púbicos e pelos ligamentos sacrotuberosos, que são existentes entre as tuberosidades isquiáticas e margens laterais do sacro e do cóccix. 

O revestimento posterior e lateral da cavidade pélvica se dá pelos músculos: obturador interno e piriforme. 

Também é composto por estruturas de sustentação:

  • Diafragma pélvico: músculo elevador do ânus;
  • Fáscias pélvicas: ligamento pubo-vesical, redondo do útero, ligamento cervical transverso e uterossacro;
  • Diafragma urogenital: músculo transverso, isquiocavernoso e bulbocavernoso. 

Os músculos que compõem o assoalho pélvico (AP), podem ser divididos de acordo com a camada em que se encontram, superficial ou profunda:

Camada Superficial:

  • Bulbocavernoso;
  • Isquiocavernosos;
  • Transversos (superficial e profundo);
  • Esfíncter anal externo.

Camada Profunda:

  • Pubovisceral (pubovagina, puboperineal, puboanal);
  • Puborretal;
  • Iliococcígeo;
  • Isquiococcígeo.

Quais as mudanças na Musculatura do Assoalho Pélvico durante a gestação?

Durante a gestação, a mulher sofre inúmeras modificações em seu corpo que afetam todos os sistemas. A seguir, vamos ver alguns dos principais sistemas afetados e algumas de suas modificações.

Sistema musculoesquelético

Ocorre o deslocamento do centro de gravidade do corpo devido ao crescimento do útero e aumento das mamas. Para compensar, há uma modificação na postura da gestante, na qual o corpo projeta-se para trás, criando uma lordose. 

Outra modificação desse sistema, é o afrouxamento dos ligamentos que acontece devido às ações hormonais. 

Sistema genital

O sistema genital passa por modificações que permanecem durante toda a gestação e que estão associadas a outros sistemas com o início da gravidez. 

Uma das principais é a amenorreia, mas também há outros como: hiperpigmentação da aréola primária, mastalgia, entre outras. 

O aumento da frequência urinária se dá devido ao crescimento do útero que acaba comprimindo a bexiga e consequentemente diminuindo a capacidade vesical. 

Há muitas outras alterações, mas o que podemos afirmar é que durante esse processo, há uma sobrecarga aumentada na musculatura do assoalho pélvico durante a gestação e isso porque além de sustentar o peso dos órgãos pélvicos, agora há o peso do bebê somado a placenta e ao líquido amniótico. 

Então, a MAP é uma peça fundamental todo o tempo, pois além de ter a função de sustentar o bebê, ela precisa ter uma elasticidade para a expulsão dele na hora do parto, caso seja feito o parto normal (via vaginal).

Relação da MAP com o parto normal

Em estudos, foi observado uma relação entre o parto normal e incontinência urinária e isso devido a uma possível disfunção do assoalho pélvico. Com isso, podemos entender a importância de uma avaliação correta da musculatura do assoalho pélvico quando uma gestante procura atendimento fisioterapêutico.

Além da incontinência urinária, a disfunção da MAP pode ocasionar outros distúrbios como prolapsos genitais e disfunções sexuais. 

Entre as causas de lesão dessa musculatura, estão o tipo de parto e a sobrecarga que o peso do bebê proporciona em cima da musculatura. 

Portanto, fortalecendo os músculos do assoalho pélvico durante a gestação, o útero apresenta maior apoio, evitando que os ligamentos e fáscias fiquem sobrecarregados e diminuindo o risco de prolapso genital. 

Como trabalhar a musculatura do Assoalho Pélvico durante a gestação?

A primeira coisa a se fazer é explicar para a paciente como é uma contração dessa musculatura feita de forma correta, pois só assim o tratamento será efetivo.

Como o assoalho pélvico é composto por vários músculos, e entre eles o músculo elevador do ânus, um comando simples e fácil para que sua aluna consiga realizar a contração é pedir para que ela contraia a musculatura do ânus. 

Através desse comando, é uma forma fácil pois ela conseguirá sentir durante a contração e consequentemente, toda a MAP se contrai ao mesmo tempo. 

É muito importante que a paciente consiga respirar profundamente durante os exercícios e mantendo a contração da musculatura. Não deixe que ela trave a respiração, para que não haja a possibilidade da musculatura abdominal estar contraída ao invés da MAP. 

Existem alguns acessórios que podem ajudar na percepção da contração da musculatura como os cones vaginais, que além de auxiliar na percepção da musculatura, é um grande aliado no fortalecimento dela.

E também o Ben Wa, bolinhas que ajudam na identificação da musculatura e na dissociação dos movimentos de contração abdominal e dos músculos do assoalho pélvico.

Além desses há outros recursos como:

  • Sistema de Biofeedback;
  • Eletroterapia;
  • Massagem perineal: essa deve ser realizada com certa frequência, no período correto e de forma correta, a fim de aumentar elasticidade para auxílio da passagem do bebê pela vagina;
  • Pilates;
  • Epi-no.

A importância do Pilates durante a gestação

Como dito anteriormente, o Pilates é um recurso que pode ser utilizado pelas gestantes principalmente para o alívio de dores e como preparatório para um parto normal. 

No Pilates, os exercícios são adaptados para cada trimestre e de acordo com a condição física de cada mulher, respeitando assim a individualidade de cada uma em um momento tão importante. 

A prática do Pilates durante a gestação trabalha:

  • Fortalecimento e estabilização da musculatura do tronco;
  • Ativação da musculatura abdominal, AP, transverso abdominal, oblíquos internos e retos abdominais.

Sabendo disso, alguns benefícios que esse Método traz para as gestantes são:

  • Melhora da postura;
  • Redução das dores no corpo;
  • Melhora respiração;
  • Melhora condicionamento físico;
  • Maior oxigenação para o bebê;
  • Auxilia no momento do parto.

Entretanto, apesar de múltiplos benefícios, há casos em que a prática do Pilates pode ser uma contraindicação (relativa ou absoluta), tais como: 

  • Placenta prévia;
  • Pré-eclâmpsia;
  • Infecção aguda;
  • Descolamento de placenta;
  • Diabetes gestacional;

Exercícios de Pilates para gestantes

1.Exercício de mobilidade pélvica

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Sentada sobre a bola suíça, com os membros superiores à frente, inspire lentamente realizando uma anteversão da pelve e expire realizando retroversão dela. 

2. Fortalecimento de Membros superiores

Sentada sobre a bola suíça, segurando uma Fitball em cada mão e com os membros superiores à frente do corpo, inspire realizando uma extensão horizontal e expire retornando à posição inicial.  

3. The cat

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A gestante fica em 4 apoios no solo, ela deve inspirar e expirar curvando a coluna para cima e retornando à posição normal. Esse exercício é ótimo para o alívio de dores nas costas e também é conhecido como “exercício do gato arrepiado”.

Nessa mesma posição podemos fazer um outro exercício, a gestante deverá inspirar lentamente e elevar um membro superior e o membro inferior contralateral, ao expirar, retorna a posição inicial. 

 

4. Front Splits no Reformer

Para realizar esse exercício, a aluna fica em pé, com os joelhos ligeiramente flexionados e encosta um pé no apoio de ombro e segura na barra de pés. 

Empurre o carrinho para trás, realizando a extensão de quadril e joelho e retorne à posição inicial. 

Esse exercício irá proporcionar um alongamento da parte anterior do membro inferior e fortalecimento do glúteo máximo. 

 

5. Ponte

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Nesse exercício, a paciente mantém os braços apoiados no solo e realiza uma elevação pélvica, depois retornando à posição inicial. 

Nele há ativação da musculatura glútea e abdominal.

6. Agachamento:

Para realizar o agachamento, apoie a bola suíça na parede e a gestante apoia sua coluna lombar na bola. 

Mantendo os pés um pouco separados, ela realiza um agachamento e retorna a posição inicial.

 

Lembre-se de verificar se a aluna gestante está confortável durante a realização de qualquer exercícios!