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Pilates no Tratamento da Doença de Osgood-Schlatter

Pilates no Tratamento da Doença de Osgood-Schlatter
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Para quem trabalha com crianças e adolescentes, a doença de Osgood-Schlatter pode ser recorrente nos Studios de Pilates. Foi descrita primeiramente em 1903, quando Osgood (EUA) e Schlatter (Alemanha) descreveram, isoladamente, “lesões do tubérculo tibial ocorrendo na adolescência”.

Consiste em uma doença osteomuscular comumente observada em adolescentes. Está desordem é mais frequente em indivíduos do sexo masculino, em uma proporção de 3:1, provavelmente em decorrência de sua maior massa corporal, força muscular e prática de atividades físicas, especialmente o futebol.

A Doença de Osgood-Schlatter (também conhecida como Síndrome da tração do tubérculo tibial apofisárias ou apofisite da tuberosidade tibial anterior) é uma irritação da cartilagem de crescimento pelo tracionamento excessivo do tendão patelar na sobre a tuberosidade tibial anterior (TAT).

O joelho é formado pela porção distal do fêmur, proximal da tíbia, fíbula e pela patela. O tendão patelar tem origem no polo inferior da patela e se insere na tuberosidade anterior da tíbia. Nesta região da tíbia há uma placa de crescimento.

A Doença de Osgood-Schlatter é um aumento doloroso da fase de crescimento da tuberosidade anterior da tíbia.

Quais os Sinais e Sintomas da Doença de Osgood-Schlatter?

A manifestação clínica mais relatada é a dor no joelho, localizada na inserção do tendão patelar na tuberosidade anterior da tíbia, que pode ser intensificada durante a prática de atividade física repetitiva. O trauma direto sobre a região aumenta a dor, que é aliviada pelo repouso.

A condição é geralmente auto-limitante e é causada pelo estresse no tendão patelar que liga o músculos quadríceps na parte da frente da coxa para a tuberosidade tibial anterior, que ocorre na fase de ”estirão de crescimento” do adolescente.

O estresse repetitivo da contração do quadríceps é transmitida através do tendão patelar para a tuberosidade da tíbia imaturo.

Isso pode causar micro-fraturas por avulsão (arrancamento) associado a um processo inflamatório do tendão, levando ao crescimento ósseo em excesso na tuberosidade e produzindo uma protuberância visível que pode ser muito doloroso quando tocado e atividades, tais como ajoelhar.

Tipicamente, a síndrome desenvolve-se lentamente com períodos de melhoria e piora alternantes e sem trauma ou outra causa aparente. No entanto, em alguns casos até 50% dos pacientes relatam uma história de trauma (contusão) desencadeando os sintomas.

Apesar de pouco descrita na literatura, nota-se que a grande maioria destes adolescentes possui encurtamento (alongamento ruim) da musculatura posterior da coxa e perda de força do músculo quadríceps (anterior da coxa).

Como é feito o Diagnóstico da Doença de Osgood-Schlatter?

A anamnese se inicia pela história clínica. Após, será feito o exame completo do joelho afetado.

A palpação da tuberosidade provoca dor e o exame radiográfico demonstra um aumento da tuberosidade que muitas vezes está fragmentada. Ele ajuda a excluir outras causas de dor.

Quando encaminhado pelo ortopedista ou fisioterapeuta para nós, instrutores de Pilates, devemos solicitar que tragam o exame de imagem, para que possamos avaliar a situação, e a partir daí elaborar uma periodização de treinamento, incluindo principalmente exercícios de alongamento e fortalecimento muscular.

De que forma é feita o Tratamento?

O tratamento da Doença de Osgood-Schlatter inicia com repouso, e atividades que não possam gerar dor na criança/adolescente. É indicada a aplicação de gelo, até 3x ao dia.

Se a dor for intensa, o médico pode receitar analgésicos ou anti-inflamatórios para controle da dor.

O fisioterapeuta pode entrar com o recurso das bandagens elásticas sub-patelares, para diminuir a tração do tendão patelar sobre sua inserção na tíbia.

E o método Pilates entra como atividade de reabilitação, com programas de alongamento e condicionamento de força. O objetivo da reabilitação é o controle da dor relatada pela criança/adolescente, e o retorno aos esportes já anteriormente praticados.

A maioria dos sintomas desaparecerá completamente quando a criança completa o surto de crescimento da adolescência, por volta dos 14 anos na menina e 16 anos no menino. Em muitos casos, a proeminência aumentada da tuberosidade anterior da tíbia permanece para a vida adulta.

Quais os principais musculaturas que necessitam de alongamento?

  • Isquiostibiais
  • Tríceps Sural
  • Quadríceps Femoral

Para o fortalecimento muscular, recomenda-se também trabalhar com exercícios isométricos, como:

Exercícios para Reabilitação da Doença de Osgood-Schlatter

1) Bridge

Mobilizar a coluna e fortalecer os extensores do quadril e joelho.

2) Afundo

Esse exercício tem por objetivo fortalecer os extensores do quadril e joelhos, adutores ou flexores do ombro e alongar os flexores do quadril e extensores do joelho.

3) Agachamento sobre Bosu

Este exercício tem por objetivo fortalecer os extensores do quadril e joelhos, trabalhando a propriocepção e o equilíbrio.

4) Stretches Front

Alongar os músculos isquiotibiais, mobilizar coluna vertebral e quadril e estimular a boa postura.

5) Leg Series Supine – Bicycle

Fortalecer os músculos quadríceps femoral, isquiotibiais, sartório, grácil, gastrocnêmicos e glúteo máximo. Trabalhar mobilidade de quadril, joelhos e tornozelos e estimular a contração do power house.

6) Leg Series – One Leg Quadríceps

Fortalecer os músculos do quadríceps femoral, trabalhar estabilidade de coluna vertebral e estimular controle da respiração.

Concluindo…

Existem centenas de exercícios do método Pilates que podem e devem ser trabalhados com seu paciente/aluno que é portador da síndrome. Devemos sempre seguir uma periodização, diminuir a dor, alongar e fortalecer.

Os principais exercícios devem incluir o alongamento dos músculos isquiostibiais, tríceps sural e quadríceps femoral. Lembre-se sempre de trabalhar com a musculatura agonista e antagonista.

Para um melhor tratamento e melhor resultado, prescreva para seu paciente exercícios de alongamento e isometria que ele possa realizar em casa.

Evite sobrecargas articulares e grandes pesos sobre as articulações. Crianças e adolescentes necessitam de aulas dinâmicas, pois tendem a perder a concentração muito fácil, e acabam por realizar o exercício de forma não correta, acarretando em piora do quadro clínico. Mantenha-se atento e em constante mudança!

Written by Édina Boettcher

Édina Boettcher

Educadora Física. Pós-graduada em Biomecânica do Movimento Humano. Certificação completa em Pilates: Solo, Bola e Aparelhos. Formação em Pilates nos Desvios Posturais, nas Patologias da Coluna, Reabilitação da Coluna através do Método TFT, Hérnia Discal Cervical, e Pilates aplicado a Hérnia Discal. Nova Petrópolis/RS. Brasil

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