Junte-se a mais de 200.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

A Condromalácia Patelar está associada a uma perda progressivas da cartilagem, que pode, inclusive, gerar incapacidade funcional. Por esse motivo, essa patologia tem uma importância particular, destacando-se de outras causas de dor anterior dos joelhos. É muito comum a utilização do Método Pilates para Condromalácia Patelar, já que é formado por exercícios com baixo impacto, contribuindo para a reabilitação sem agravar o problema.

Embora tenha sido sugerida uma grande variedade de fatores que contribuem para a formação da Condromalácia Patelar, incluindo trauma, predisposição anatômica, desalinhamento femoropatelar e uso excessivo, a real etiologia dessa patologia ainda não foi totalmente esclarecida. Algumas linhas acreditam que seja idiopática e que também pode ser dividida em aguda ou crônica, de acordo com o fator causal.

A patologia caracterizada como aguda, é decorrente de instabilidades, traumas diretos e fraturas. Quando crônica, poderia estar associada a qualquer condição que interfira nos movimentos patelofemorais normais. Entenda melhor sobre como utilizar o Pilates para Condromalácia Patelar, continue a leitura!

Estabilizadores dinâmicos da patela

A articulação patelofemoral apresenta estruturas ao seu redor que contribuem para a estabilização da patela dentro da articulação. Dentre essas estruturas destacamos os músculos estabilizadores da patela, também chamados de estabilizadores dinâmicos (devido ao fato de contraírem e relaxarem constantemente) que desempenham importante função articular. 

Todos os quatro músculos componentes do quadríceps (reto femoral, vasto intermédio, vasto medial e vasto lateral) formam o grupo de estabilizadores ativos da patela. Particularmente, as porções inferiores dos músculos vasto medial e vasto lateral, respectivamente o vasto medial oblíquo e o vasto lateral oblíquo, que formam pequenos grupos musculares com uma orientação oblíqua distinta de suas fibras, geram forças ativas, que seguram a patela nas direções medial e lateral, respectivamente.      

Desequilíbrios das forças na articulação patelofemoral

Para que haja uma estabilização eficiente, os grupamentos musculares devem estar fortalecidos e flexíveis de forma equilibrada, para que não haja excessos nem déficits de contração que possa transferir forças inadequadas à patela, gerando distúrbios mecânicos.

O desequilíbrio das forças na articulação patelofemoral pode ser resultado de uma combinação de variáveis na geometria óssea, função ativa e passiva dos tecidos moles, restrições e demandas funcionais. Como resultado, temos tensões desfavoráveis e diminuição da força muscular, excedendo o limite fisiológico dos tecidos e podendo resultar em dano à cartilagem, alterações degenerativas, excesso de tensão nas estruturas ligamentares, falha mecânica e desvios posturais da patela. 

Por que utilizar o Método Pilates para Condromalácia Patelar?

Vamos listar 7 motivos que fazem do Método Pilates um grande aliado no tratamento da Condromalácia Patelar. 

Exercícios fundamentados no Método Pilates para Condromalácia Patelar:

1. Não apresentam impacto

Primeiro motivo! Apesar de não podermos generalizar, dependendo do grau da Condromalácia Patelar, os pacientes (principalmente aqueles com maiores graus de dano à cartilagem), se beneficiam de exercícios que não promovam impactos. O impacto gerado em uma cartilagem danificada pode gerar dor, incapacidade e mais dano à articulação.

2. Trabalham o corpo de forma global

De acordo com a teoria da individualidade biológica, cada indivíduo apresenta alterações mecânicas e dinâmicas que são únicas e inerentes a ele. O Método Pilates consegue treinar diversos grupamentos musculares, em diversas posturas e diversos níveis de exigência. Portanto, após a avaliação cinético-funcional, o profissional de Pilates poderá planejar com um leque imenso de opções, a melhor conduta e os melhores exercícios para aquele momento, podendo variar após cada avaliação.

3. Trabalham o core

Trabalhando ou não de forma isolada, o grupamento do core é bastante enfatizado durante dos movimentos do Método Pilates. Um grupamento core bem trabalhado e forte é importante para que todo o mecanismo dos membros inferiores trabalhe de forma mais harmônica. 

4. Trabalham a musculatura dos pés

O Método Pilates prioriza o treinamento com os pés descalços. Vemos com frequência, através das fotos, Joseph Pilates executando os movimentos com os pés descalços. Com as adaptações, nossos pacientes frequentemente treinam com as meias adaptadas para o método. Entretanto, mesmo com o uso das meias, conseguimos trabalhar a musculatura dos pés durante os exercícios, tanto durante as posturas com os “pés em ponta”, quanto nos apoios e quando o aluno permanece em posição ortostática. 

A descarga de peso com os pés descalços é diferente de quando calçados, dando ao paciente informações proprioceptivas importantes para a mecânica da marcha e postura. 

5. Trabalham a flexibilidade

Os estudos fundamentam muito o tratamento da Condromalácia Patelar no fortalecimento do grupo quadríceps, principalmente o vasto medial. Estão corretos! Entretanto, devemos lembrar que “por trás” de um músculo existe o antagonista dele! Não devemos nos esquecer de trabalhar os grupos musculares como um todo, tanto no fortalecimento quanto na flexibilidade. Além de trabalhar o grupo antagonista de acordo com a necessidade apresentada pelo paciente. 

6. Trabalham o controle dos movimentos

Um bom trabalho de controle do movimento é extremamente importante para a conscientização corporal do paciente. Dessa forma, ele conseguirá realizar os exercícios e as atividades físicas de forma correta. E movimentos realizados corretamente são essenciais para o bom funcionamento dos joelhos.   

7. Trabalham a postura

Para encerrar, porém não menos importante, o trabalho postural gerado pelo Método Pilates é importante para que o paciente apresente diminuição da sobrecarga articular dos joelhos, maior controle dos movimentos e uma melhor mecânica de deambulação e realização das atividades de vida diária. Lembrem-se por exemplo que a anteversão pélvica e a anteversão do colo do fêmur, por exemplo, podem gerar aumento do ângulo Q, que comprometeria de forma global o alinhamento patelar. 

Conclusão

Apesar do paciente com Condromalácia Patelar poder realizar vários métodos de exercício físico (é importante a realização da avaliação cinético-funcional para considerar qual melhor método para aquele paciente, naquele momento), o Método Pilates se destaca por inúmeros motivos. Apenas listei alguns deles aqui!

Seja qual método escolher, pense sempre no seu paciente em primeiro lugar. Qual método ele irá se adaptar melhor e respeite a individualidade biológica dele. Trace planos de tratamento globais, pois apesar da dor nos joelhos, seu paciente não é apenas um joelho.

Referências

Özdemir e Kavak 2019
Bastos 2017
Hall 2016
Elias & White, 2004
Cosgarea et al. 2002
Hvid e Andersen 1982