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Como o Pilates ajuda no tratamento do Câncer de Próstata

O câncer de próstata é o sexto tipo mais comum no mundo em número de casos novos. Além de ser o terceiro tipo mais comum entre homens europeus, americanos e de algumas partes da África.

No Brasil, como em outros países do mundo, o perfil de morbimortalidade tem se alterado nas últimas décadas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no país os idosos são a principal faixa etária atingida. O segundo tipo mais comum é em homens jovens.

Estima-se que ocorra 61.200 casos novos referente a esta doença somente este ano no Brasil.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer nos Estados Unidos, 72% a 95% dos pacientes acometidos pela doença que recebem tratamento, apresentam aumento nos níveis de fadiga.

Isso resulta em uma diminuição significativa na capacidade funcional, levando-os a uma perda muito grande da saúde, o que acarreta na diminuição da qualidade de vida e a ausência no trabalho um ou mais dias por mês.

A alteração do metabolismo desses pacientes pode leva-los a sofrer de depressão e diminuição no apetite. Fatores esses que levam os pacientes a iniciarem um ciclo vicioso de perda de massa muscular, diminuição nos níveis de atividade física, resultando em um estado de fraqueza generalizada.

A prática de atividade física como, por exemplo, o Método Pilates, produz alterações metabólicas e morfofuncionais crônicas que podem torná-la uma opção importante no tratamento e no processo de recuperação.

Quer saber mais sobre como o Pilates pode ajudar? Continue lendo!

O Câncer de próstataCâncer de Próstata (4)

Para saber como o Pilates pode ajudar, primeiramente vou explicar de maneira sucinta o que é o Câncer de próstata.

Começando pelos estágios da doença, o estágio inicial geralmente não apresenta sintomas. O único sinal clínico que pode ser percebido, ao exame de toque retal, é a presença de nódulo ou endurecimento da glândula.

Algumas pessoas apresentam sintomas obstrutivos, devido ao aumento do tamanho da próstata após os 40 anos. E cerca de 25% daqueles com retenção urinária podem ser acometidos pela doença.

A idade é um dos fatores mais associados incidência da doença, considerado raro quando antes dos 50 anos. Tendo como maior risco o fato de não apresentar sintomas em sua fase inicial, justamente quando as chances de cura são maiores.

A etiologia da doença ainda é desconhecida, sabendo-se que o progredir da idade e a presença de testosterona no sangue representam os fatores de risco mais importantes para seu desenvolvimento.

Fatores de riscoCâncer-de-Próstata-6

O tipo de alimentação também pode interferir nos riscos do surgimento do nódulo. Por exemplo: dietas ricas em fibras, selênio, vitamina (A, D C e E), derivados da soja e licopeno podem diminuir o risco de aparecimento dessa doença.

Já as dietas ricas em gordura animal estão associadas ao aumento das taxas de androgênio e estrogênio. E podem se relacionar com o aumento dos tumores de próstata, ao contrário da gordura vegetal e dos frutos do mar.

Alguns fatores associados ao consumo excessivo de álcool, tabagismo e até mesmo a vasectomia, podem aumentar as chances de desenvolvimento da doença.

Estudos embasados em levantamentos clínicos e epidemiológicos demonstram que fatores como: a idade avançada, a raça, hormônios, genética e o ambiente desempenham um papel relevante no desenvolvimento ou mostrando ainda que em pessoas negras a doença é mais frequente e agressiva (de Paiva, 2010).

O risco de um homem desenvolver neoplasia maligna da próstata é de aproximadamente 30%. O risco de que o tumor se torne clínico é de 10%, e a possibilidade de óbito é de 3%.

Os fatores genéticos têm particular importância. Pois, o risco de um homem com histórico familiar desenvolver câncer de próstata é duas vezes maior naqueles que têm pelo menos um familiar direto, pai ou irmão, acometido pela neoplasia. Quando houver dois ou três parentes de primeiro grau a possibilidade aumenta para cinco vezes, respectivamente.

Tipos de tratamento para o Câncer de PróstataCâncer-de-Próstata-(1)

O tipo de tratamento, determinado pelo médico, depende do estágio da doença e do grau histológico.

Se o câncer for localizado, pode-se optar pela prostatectomia radical, ao qual a sobrevida em dez anos pode atingir 90%, sendo equivalente à da população normal. Nos casos metastáticos, o tratamento é paliativo e o prognóstico bem mais reservado.

A hormonioterapia e a radioterapia reduzem o câncer, mas ele geralmente reaparece em alguns anos, verificando-se também o risco de impotência com estes tratamentos.

A patologia localizada é tratada primariamente com cirurgia, radioterapia ou combinação de ambas. Com taxa de sobrevida de 15 anos em 90% dos casos. Pode ser feito também um tratamento com administração de hormônios.

Portanto considera-se a individualidade de cada paciente para se escolher um método de tratamento. Levando-se em conta a idade dos mesmos, o estado do tumor, o grau histopatológico, o tamanho da próstata, a expectativa de vida, os seus anseios e os recursos técnicos disponíveis.

Prevenção Câncer de Próstata (3)

A melhor forma de diminuir a incidência e mortalidade é a prevenção. Porém a forma mais indicada pelos médicos de prevenção é o exame de toque retal.

Recomendado uma vez por ano aos homens com idade acima de 50 anos e para as pessoas que apresentam maiores riscos a doença. Por exemplos homens de pele negra, obesos e pacientes com histórico familiar a idade é acima dos 45 anos.

Por se tratar de região genital, de uma parte do corpo considerada “reservada”, existem muitos preconceitos e tabus, transmitidos de geração em geração.

Os homens expressam vergonha na hora de se referir ao exame de toque retal. Portanto poucas pessoas fazem o exame preventivo e conseguem detectar a doença no estagio inicial.

Visto que o exame faz se necessário para a detecção do nódulo por ser comum, na maioria dos casos, não aparecer sintomas no início da doença.

Importância de atividade física no tratamentoCâncer-de-Próstata-5

A atividade física relacionada à saúde pode diminuir os riscos dos indivíduos adoecerem. Existem evidências bastante significativas da influência da atividade física no aumento da eficiência do sistema imunológico, o que pode reduzir a incidência de alguns tipos de câncer.

A adoção de estilo de vida ativo fisicamente irá proporcionar mudança de comportamento destes indivíduos.

Um dos efeitos colaterais durante o tratamento é a redução da qualidade de vida, sendo a fadiga um dos sintomas mais comuns. O que interfere significativamente no sistema nervoso central impondo desafios que diminui a capacidade de realizar cuidados pessoais, trabalho e lazer acarretando na diminuição da qualidade de vida. Quando a fadiga persiste o individuo não dá continuidade a pratica de atividade física.

A atividade física pode ser uma terapia complementar, pois oferece muitos benefícios e poucos efeitos colaterais. Vários estudos com pessoas acometidas pela doença mostram que homens fisicamente ativos têm qualidade de vida significativamente maior e menos fadiga em comparação com os menos ativos.

O exercício é uma forma de tratamento de baixo custo quando comparado ao tratamento farmacológico e/ou de radiação e tem um aspecto social muito importante.

Infelizmente, a proporção de pessoas com essa doença que praticam exercícios é muito reduzida. E isto é um tanto surpreendente, porque muitas pessoas acometidas pela doença expressam algum interesse em ser mais ativo, pois, acreditam que o exercício irá proporcionar uma variedade de benefícios, alívio dos sintomas.

Benefícios da atividade física

O estudo de Stacey mostrou que a atividade física vigorosa, antes e depois do diagnóstico, realizada 3 horas por semana pode melhorar a sobrevivência de pessoas com câncer de próstata.

Os exercícios de resistência reduzem a fadiga, melhoram a qualidade de vida. Além de melhorar a aptidão muscular em homens com essa doença que recebem a terapia da privação do andrógeno. O exercício pode ser um componente importante de cuidados para esses pacientes (Segal, 2003).

Nos homens acometidos pela doença tratados com a terapia de privação de androgênio, o exercício físico adequadamente prescrito. É seguro e pode melhorar aptidão cardiorrespiratória, o desemprenho das atividades funcionais, massa corporal magra, fadiga e uma série de efeitos adversos induzidas pelo tratamento (Gardner, 2013).

A atividade física diminui efetivamente muitos dos efeitos secundários da terapia de privação de andrógeno, como depressão e fadiga e deve ser recomendada para sobreviventes de câncer de próstata como uma terapia alternativa.

Como o Pilates pode ajudar? Câncer de Próstata (2)

Pilates é um método de condicionamento físico criado pelo alemão Joseph Pilates. Que visa o fortalecimento da musculatura do corpo através dos músculos do Power House com foco em manter o corpo forte e saudável com flexibilidade e equilíbrio muscular.

Benefícios do Método Pilates

Dentre inúmeros benefícios proporcionados pelo método podemos destacar:

  • Melhora da postura
  • Flexibilidade
  • Coordenação
  • Prevenção de lesões
  • Aumento da disposição
  • Fortalecimento muscular
  • Bem-estar físico e mental
  • Equilíbrio
  • Auxilia na reabilitação física
  • Melhora nas atividades de vida diárias
  • Melhora resistência
  • Auxilia na capacidade cardiovascular e respiratória
  • Diminui o percentual de gordura
  • Melhora dores musculares
  • Alivia a fadiga

O Pilates pode auxiliar no tratamento de pessoas acometidas pelo câncer de próstata por melhorar o sistema imunológico, que é significativamente afetado pelo tratamento.

Fortalecer a musculatura do corpo e melhorar as atividades funcionais reduzindo a fadiga e os níveis de depressão, que ocorre nos tratamentos de radiação e farmacológicos.

Melhorando a qualidade de vida e diminuindo os efeitos causados pelo tratamento através do bem-estar proporcionado pela atividade física.

Estudos mostram a melhora da qualidade de vida através de treinamento de força é eficaz para reduzir fadiga entre os sobreviventes do câncer de próstata (Panel, 2010).

Concluindo…Cancer-de-prostata

A atividade física, bem como o Método Pilates atenua efetivamente muitos dos efeitos secundários da terapia de privação de andrógeno.

Como depressão, fadiga, diminuição da massa magra, das atividades funcionais e da qualidade de vida e deve ser recomendada para sobreviventes de câncer de próstata como uma terapia alternativa independentemente da fase da doença.

É necessário o acompanhamento constante de profissionais devidamente capacitados, sendo a condição mais ideal, a presença de uma equipe multidisciplinar, principalmente quando se refere a indivíduos hospitalizados e acamados.

 

Referências Bibliográficas

De Paiva, Elenir Pereira, Maria Catarina Salvador da Motta, and Rosane Harter Griep. “Conhecimentos, atitudes e práticas acerca da detecção do câncer de próstata.” Acta paul enferm 23.1 (2010): 88-93.
“Effects of exercise on treatment-related adverse effects for patients with prostate cancer receiving androgen-deprivation therapy: a systematic review.” Journal of Clinical Oncology (2013): JCO-2013.
Gaskin, Cadeyrn J., et al. “Fitness outcomes from a randomised controlled trial of exercise training for men with prostate cancer: the ENGAGE study.” Journal of Cancer Survivorship (2016): 1-9.
INCA- Instituto Nacional do Câncer.
Panel, Expert. “American College of Sports Medicine roundtable on exercise guidelines for cancer survivors.” J ACSM (2010): 1409-1426.
Parsons, J. Kellogg. “Prostate cancer and the therapeutic benefits of structured exercise.” Journal of Clinical Oncology 32.4 (2014): 271-272.
Pitanga, Francisco José Gondim. “Epidemiologia, atividade física e saúde.” Revista Brasileira de (2002).
Segal, Roanne J., et al. “Resistance exercise in men receiving androgen deprivation therapy for prostate cancer.” Journal of clinical oncology 21.9 (2003): 1653-1659.
Stacey A. Kenfield, Meir J. Stampfer, Edward Giovannuci, June M. Chan, From the Harvard School of Public Health; Brigham and Women’s Hospital and Harvard Medical School, Boston, MA; and University of California, San Francisco, San Francisco, CA.

Written by Júlia Ribeiro

Júlia Ribeiro

Especialista em método Pilates: prescrição da atividade física e saúde pela Universidade Gama Filho (2012)
Formada em educação física pela Univap (2009), formação completa de Pilates pela Espaço Vida Pilates (2010), capacitação em treinamento físico funcional pela Bpro (2015). Há 6 anos atua com Pilates em Jacareí -SP. Facebook Júlia Ribeiro. Instagram @studiopilatesjuliaribeiro. Email juliaribeirop@yahoo.com.br.

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