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Saiba tudo sobre a Importância do Pilates na Adolescência

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência é o período estabelecido entre a fase infantil e adulta, podendo ser caracterizada também com base em aspectos sexuais secundários. É a passagem de um estado de dependência para o de autonomia, estabelecido entre os 10 anos e 19 anos.

Na prática, a adolescência vai muito além desses conceitos. É uma das fases de mudanças mais complexas da vida. Momento de mudança da juventude para vida adulta, com grandes transformações físicas, mentais e biopsicossociais.

A Postura do AdolescentePilates-na-Adolescência---MAT

Na adolescência, as relações anatômicas e estruturais não estão completamente consolidadas e as atitudes do jovem em relação a boa e má postura ainda podem ser modificadas.

É nessa fase da vida que ocorre o crescimento ósseo acelerado (pico de crescimento) em que a coluna vertebral se desenvolve com maior rapidez, provocando, algumas vezes, um crescimento desigual das vértebras ou um desenvolvimento desequilibrado da musculatura dorsal, e devido à musculatura não acompanhar o crescimento, a coluna passa a desencadear desigualdades e compensações que podem promover as mudanças posturais.

Dentre as deformidades mais comuns que esses jovens estão sujeitos, a mais é a escoliose, acompanhada ou não de aumento ou diminuição da lordose cervical e lombar e aumento ou diminuição da cifose dorsal.

A escoliose é caracterizada como um desvio lateral da coluna e nos casos mais graves, faz-se necessário o uso de colete ou até cirurgia. Quando esse desvio é detectado no início, o trabalho fisioterapêutico – assim como o Pilates na adolescência – ajuda a melhorar o padrão da curva ou a estabilizá-la.

Alguns sinais são úteis para perceber se o adolescente possui desvio na coluna, são eles: um ombro mais alto do que o outro, o ângulo da cintura mais fechado que o do outro lado, elevações nas costas ao inclinar o tronco à frente ou roupas desalinhadas.

Alguns fatores estão relacionados ao surgimento de desvios posturais no adolescente, como por exemplo, o uso de calçado inadequado e a forma incorreta de sentar. A postura sentada é muito prejudicial para a coluna devido à pressão exercida nesta parte do corpo, sendo bem maior de quando estamos em pé, podendo ser melhorado com o Pilates na adolescência.

Entre os adolescentes, a situação piora, pois eles costumam adotar posturas totalmente equivocadas, principalmente quando estão em frente aos computadores e dispositivos móveis.

O uso incorreto de mochilas também um é um fator agravante, pois neste período escolar pode acarretar uma piora da postura gerando lesões e possivelmente deformidades e assimetrias.

Por quê o jovem deve praticar Pilates na Adolescência?Pilates-na-Adolescência-2

O adolescente passa muitas horas do dia sentado na escola, em frente à televisão, videogame, computador e principalmente mantém-se curvado a maior parte do tempo diante de dispositivos móveis como celulares e tablets.

Aliado a isso, o sedentarismo e a circulação deficitária contribuem para uma má postura e surgimento de dores na coluna e nos membros inferiores.

Os estímulos promovidos pela prática do Método Pilates na Adolescência ocorrem através do alongamento das cadeias musculares encurtadas e pelo trabalho de fortalecimento global. Quando um adolescente recebe estímulos corporais com objetivo de boa postura, ele evolui com equilíbrio.

O intenso trabalho de condicionamento muscular esquelético (força, flexibilidade e resistência), estabilidade do centro do corpo (enfatizando a cintura pélvica e escapular), o alinhamento corporal e a respiração nesta fase de crescimento e desenvolvimento corporal é uma ótima prática.

Todo esse trabalho realizado no Pilates na Adolescência tem ótimos benefícios pois tratam-se de estímulos que adaptam de uma forma ativa o corpo a uma boa postura.

Integrando o aluno no Pilates: como se sentir confortável?Pilates-na-Adolescência---bolas

Os profissionais de saúde têm indicado a modalidade de Pilates na adolescência, mas atualmente estamos sendo surpreendidos com jovens bem informados. Vale ressaltar que parte deles já procura os espaços de prática sabendo dos benefícios que o Pilates proporcionará e escolhem a modalidade sem influência dos pais.

Por outro lado, acreditamos que a divulgação por parte de artistas e celebridades teens possa também ter alguma influência nessa escolha, mas nem sempre é assim.

É válido ressaltar que grande parte dos adolescentes não tem a consciência dos hábitos errados a que estão sujeitos e frequentemente se retraem quando o assunto é atividade física e mudança de estilo de vida.

A imposição de uma prática que exigirá muitas coisas do adolescente ao mesmo tempo leva o mesmo a se sentir na “obrigação” de cumprir os comandos de um instrutor, o que gera desânimo e desprazer. Mas como fugir dessa vertente, já que o Pilates na adolescência exige que haja completa integração e coordenação do corpo e da mente?

O principal fator inimigo da vida de qualquer instrutor de Pilates inicia-se pela falta de concentração do aluno sob seus cuidados. É imperativo que haja acima de tudo concentração para que se possa ver/ouvir, entender/compreender e por último realizar o exercício corretamente.

Com o adolescente, embora possa parecer uma tarefa difícil atrair toda a sua atenção para a aula em questão, é possível desde que haja um “jogo de cintura” por parte do instrutor. E isso requer muita um pouco de paciência e criatividade.

A atuação do Pilates na adolescência vai além do ajuste postural e muscular. Devemos pensar no adolescente como um conjunto de aspectos psicológicos e somáticos que ora se separam, ora se expressam simultaneamente. A postura do adolescente costuma falar muito sobre sua personalidade e peculiaridades.

Posturas protraídas (ombros anteriorizados), acompanhadas de fechamentos das costelas e hipercifoses, por exemplo, podem indicar uma timidez inerente e dificuldade de interação social, enquanto uma postura demasiadamente retraída e hiperlordótica são comuns em adolescentes mais ativos e desinibidos.

Se o instrutor conseguir identificar o perfil do adolescente torna-se mais fácil abordá-lo, aumentando as chances de fazer o aluno se identificar com o mesmo e com o Método.

Seguem algumas dicas:

  • Mostrar os benefícios do Pilates na adolescência para a melhora da postura desse aluno já é um bom começo.
  • Seja referência para o adolescente. Mostre e explique o porquê de cada exercício e quais os benefícios para o mesmo.
  • Procure entender um pouco mais sobre o universo “teen, quais os gostos do seu cliente, quem sabe uma rápida conversa sobre o seu seriado favorito não ajude a “quebrar o gelo”. O conhecimento por algum gosto peculiar pode ajudar na hora de montar um protocolo de aulas. Por exemplo, se seu aluno gosta de balé, tente trazer um repertório que lembre essa prática e vice-versa. Do mesmo modo, alguma atividade esportiva, que possa ser trabalhada no Pilates de forma “funcional” é bastante interessante.
  • Lance desafios que o encorajem e faça-o “trilhar” o caminho até chegar ao objetivo. Além de melhorar na auto-estima, os desafios possibilitam que o jovem sinta um domínio maior sobre seu corpo, vivencie melhoras físicas e, psicologicamente, permite maior afirmação perante o meio social.
  • Pilates x rotina de exercícios: o adolescente gosta das transformações e isso pode revolucionar positivamente a fase que está vivendo, incorporando confiança à sua capacidade física, portanto lance mão de exercícios que não caiam na rotina e explore a mais variada gama de exercícios dentro do Pilates. Isso ajuda a tirar aquela imagem de “obrigação diária” que o adolescente costuma ter do Pilates.
  • Não seja como Joseph! Isto é, não seja inflexível, veja e analise quais as preferências do aluno, tanto em relação aos exercícios como aparelhos e equipamentos, e com qual deles seu aluno se identifica mais. Até mesmo a trilha sonora do gosto dele do ambiente influencia no conforto, mas nada que venha atrapalhar sua concentração.
  • Opte por exercícios que trabalhem de forma global e simetricamente. Como esta é uma fase que necessita de intenso trabalho de estabilização, é importante que sejam realizados exercícios que envolvam simetria, ativação conjunta de paravertebrais e cinturas, para promover o alinhamento postural.
  • Participação dos pais: é importante que haja uma conscientização para que o trabalho com o Pilates seja equilibrado e eficaz. Nem muita exigência, nem pouca. Para os pais demasiadamente preocupados com o desempenho do aluno, mostre que a confiança no instrutor também é a base e que os resultados virão com o tempo.

Essas foram algumas dicas de como venho conseguindo conquistar a confiança de meus alunos adolescentes e isso vem contribuindo bastante no resultado do tratamento.

No Pilates na adolescência, como o trabalho é individual, um bom relacionamento entre instrutor e cliente resulta num treino específico com o devido estímulo e desafios além da avaliação periódica, pois a evolução ocorre de maneira muito rápida.

Concluindo…Concluindo-Pilates-na-Adolescência

É importante que o instrutor esteja ciente do seu papel e dos procedimentos que devem ser seguidos para o bom andamento do trabalho.

Dentre os benefícios dos Pilates na adolescência destacam-se o desenvolvimento da consciência corporal, equilíbrio e boa postura, maior concentração e controle, redução do estresse físico e mental, desenvolvimento da coordenação motora, aumento do bem estar e energia, melhor rendimento em atividades escolares, e combate indireto à obesidade, através da promoção de alívio às tensões e ansiedade.

Quando o adolescente começa a adquirir vícios posturais, e esses não são corrigidos, eles poderão conduzir a uma série de alterações e o emprego de uma boa postura na adolescência possibilitará consequentemente bons padrões posturais na vida adulta.

Written by Ana Paula Sousa

Ana Paula Sousa

Fisioterapeuta, Pós-graduada em Disfunções Biomecânicas e Posturais da Coluna. Possui formação em RPG, Quiropraxia, Osteopatia, Terapia Manual, Estabilização Segmentar Vertebral. É professora/treinadora do Grupo Voll Pilates e atua na área de Reabilitação da Coluna há 4 anos em Teresina-PI.

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