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Desenvolvendo uma aula de Pilates para idosos para melhorar sua rotina

Acredito que trabalhar a funcionalidade do aluno  no Pilates para idosos seja de extrema importância. Porém do que se trata esta tal funcionalidade que tanto ouvimos falar?

A Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), (sistema de classificação inserido na Família de Classificações Internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS)), foi criada com o objetivo de modificar a classificação da saúde, tirando do centro a doença, mas pensando no ser como um todo.

A funcionalidade está relacionada às condições de saúde de uma pessoa, levando em conta a capacidade que esta tem ou não de realizar atividades em sua vida diária, suas limitações e sua participação social no meio em que vive.

Se torna importante compreender esta dimensão devido ao processo de transição da estrutura etária brasileira e do rápido envelhecimento da população, processo este que estamos vivendo.

Sendo assim, nesse texto ver como você pode desafiar seu aluno idosos trabalhando a funcionalidade e contribuir para a melhora da sua rotina. Confira.

A terceira idade no BrasilPilates para idosos 1 (5)

Esta transição da estrutura etária brasileira é decorrente da redução da fecundidade, a partir da década de 1960, por conta de diversos fatores, como a inserção feminina no mercado de trabalho, métodos contraceptivos e planejamento familiar.

Esta mudança ocorre em todo o mundo, mas no Brasil está progredindo em velocidade surpreendente, sem que estivéssemos preparados sócio-economicante para isto. (Wong e Carvalho, 2006).

A proporção de idosos não apenas vem aumentando, como também, estes têm vivido cada vez mais. Para se ter uma noção em números, no Censo realizado no Brasil em 2010, idosos com 90 anos ou mais representavam cerca de 400 mil habitantes.

O processo de envelhecimentoPilates para idosos 1 (1)

O processo de envelhecimento apresenta um grande impacto em nossa realidade já que os idosos, sobretudo os muito idosos (com mais de 80 anos), apresentam mais frequentemente doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, osteoporose, dentre outras.

Essas doenças acabam contribuindo para a redução em sua independência, autonomia, e capacidade de auto cuidar-se. Estas dimensões podem ser avaliadas de diversas formas, desde a partir da utilização de questionários validados, à simples observação das dificuldades de realizar atividades simples do dia a dia, como nas trocas de decúbitos, tomar banho sozinho, alimentar-se, vestir-se e caminhar sem auxílio.

Não nos cabe, entretanto, ver o envelhecimento como algo patológico. E sim, como um processo fisiológico, progressivo, irreversível e heterogêneo pelo qual todos aqueles que se mantêm vivos passarão. Estamos acostumados a enxergar o envelhecimento como a senilidade. Quando o idoso se torna dependente, tem limitações em sua autonomia e na capacidade de auto-gestão de sua própria vida.

Cada pessoa viverá este processo de forma diferente. Envelhecer de forma ativa está relacionado ao bem-estar subjetivo, boas condições de saúde, interação social e boa funcionalidade: isto é senescência.

Tal padrão deveria ser o natural, pois faz parte do nosso processo biológico. O idoso que envelhece de maneira ativa, tem mais chances de manter sua autonomia e a sua independência. Além de ser levando em conta a manutenção das funções que o nosso papel como instrutor de Pilates ganha importância.  Principalmente na prevenção!

Benefícios do Pilates para idosos

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  • O Método devido às suas peculiaridades e por levar em conta as necessidades específicas de cada cliente, favorece diversos fatores. Entre eles:
  • ganho de força muscular
  • flexibilidade
  • mobilidade
  • redução de dores
  • proporciona estímulo à melhora do equilíbrio e da propriocepção.

Além disso, o Método Pilates é considerado uma atividade física de baixo impacto cardiovascular, mas com benefício importante para manutenção e melhora do condicionamento físico.

Há uma grande procura por parte dessa população específica, inclusive pelo fato de o Pilates ser muito indicado por médicos. Isso porque, eles consideram uma alterativa segura e benéfica para os idosos. Tendo em vista seus diversos benefícios em relação aos componentes da aptidão física como força, flexibilidade, equilíbrio.

Sem dúvidas, se você é instrutor de Pilates, possui alguns alunos idosos, as vezes eles são até mesmo a maioria do público no estúdio….

Agora te pergunto: quando planeja a sua aula, você tem pensado em função? Você se questiona se aqueles exercícios que propõe, irão facilitar ou auxiliar o seu cliente no seu dia a dia? Se ele conseguirá andar com mais segurança, sem risco de quedas, na rua ou no shopping, ou subir e descer escadas sem sentir-se tão cansado ao final? Se conseguirá realizar suas atividades cotidianas ou laborais que exijam força e motricidade de membros superiores, ou simplesmente, carregar as suas compras ou os seus netos pequenos no colo?

Vamos pensar nisto! Nosso papel é impactar de forma positiva no processo de prevenção de incapacidades dos seus alunos idosos.

É hora de pensar em qualidade de vida, em não realizar os nossos planos de aula de forma meramente mecânica sem visar um objetivo final e global.

Precisamos pensar também em saúde, em prevenir novas lesões e conter degenerações e não apenas dar aula com foco em reabilitar as lesões presentes.

O desafio para o idoso

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O que eu te desafio hoje, instrutor, é a se questionar!

Será mesmo que colocar o idoso deitado durante a aula inteira no Reformer para realizar um Foot Work, um Tendon Stretch e um Pelvic Curl é a melhor alternativa?

É essa a receita que tem utilizado para seus clientes da terceira idade?

Não que não se possam realizar estes exercícios. Porém não existiriam outras possibilidades de desafiá-los dentro das suas condições específicas? Reflita, quem realmente fica deitado o dia inteiro, a não ser que esta seja a sua única opção?

Temos um método que traz inúmeras possibilidades de exercícios, movimentos multiarticulares e complexos com muitas variações.

As quais associadas aos princípios de respiração, Power House, concentração, controle, coordenação e fluidez durante a execução, podem contribuir com a manutenção da função em nossos clientes.

E ainda mais! Para o ganho de novas habilidades motoras, melhora da imagem corporal e realização de diferentes atividades que de início pareciam não ser mais possíveis.

Pequenas alterações nas aulas já proporcionam uma valiosa mudança. Como, por exemplo, mudar as posições durante a aula.

Sair da postura de sentado para de pé, da postura de pé para deitado, deitar e levantar-se do chão. Ensinando-o a sentar-se e levantar-se sem utilizar as mãos para ajudar, utilizando a força muscular dos membros inferiores.

Fazer o idoso simplesmente precisar se deslocar durante o estúdio para mudar de equipamento. Aproveitando estes momentos para orientar o idoso em suas transferências, que são reflexo da realidade cotidiana.

Leve em consideração que ele irá deitar em sua cama e levantar-se, que usará o vaso sanitário, ou simplesmente precisará manter-se de pé para tomar seu banho ou lavar sua louça e inclua movimentos similares durante à aula para realizar a manutenção dessas atividades de vida diária.

Como posso desafiar meu aluno?

Pequenas iniciativas como estas citadas no parágrafo anterior, já contribuem para a manutenção e prevenção das perdas de capacidade que podem ocorrer com o envelhecimento.

Pensemos que simplesmente colocar o idoso de pé, já temos um impacto de carga axial aos músculos e ossos, desafio à propriocepção e ao equilíbrio. Então vamos trabalhar de pé!

Vamos utilizar mais os Standing Leg, Squats, Foward Lunge, o fortalecimento de membros superiores com o Arm Springs em ortostase ou sedestação.

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Vamos desafiar este idoso, com as devidas precauções tomadas, a realizar um Side Splits, ao invés de simplesmente trabalhar o glúteo médio isoladamente em posições de decúbito.

E se não for possível desafiar tanto? Ao menos que mantenhamos o nosso cliente no seu máximo de capacidade funcional. Sempre tentando mantê-lo o mínimo possível na passividade, buscando ampliar a sua atividade funcional.

Pensemos em alinhamento axial em ortostase e em sedestação. Em coluna neutra mesmo quando sentado ou de pé. Pensar em extensão de coluna, além do Swam prep. Em desafios ao tronco e ao Power House, em posições mais funcionais para estes clientes, do que simplesmente deitado.

Em mobilidade de tornozelo e quadril, os quais são fundamentais para as estratégias de equilíbrio e locomoção, prevenindo quedas, dependência e a incapacidade.

Concluindo…

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Experimente adotar pequenas mudanças em sua dinâmica de aula. Experimente desafiar o idoso a desempenhar a sua funcionalidade ao máximo. Estar ativo e participativo, a observar as pequenas melhoras no seu desempenho.

Observe as suas limitações e faça delas não um empecilho, mas um objetivo a ser alcançado em conjunto.

O nosso trabalho ganha outra dimensão quando pensamos na realidade daqueles que se beneficiam dele. Em todo o bem e todas as mudanças positivas que podemos proporcionar.

Temos a oportunidade, de como instrutores de Pilates, pregarmos a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida, bem do jeito que Joseph defende em seus dois livros, pois é onde mais impactamos na vida dos nossos clientes.

Outra consideração importante que trago para a nossa reflexão e para finalizar. A discussão é a de construção de uma rede social.

Além do papel na atividade física, algo que não temos como negar é que os alunos acabam construindo amizades no Pilates que vão muito além do estúdio. E isto é ótimo!

Principalmente se pensarmos nos idosos. Por exemplo, muitos deles acabam ficando muito isolados em suas casas e rotinas. Sendo que muitos também moram sozinhos, ou já perderam seus companheiros. Ir ao Pilates e trocar experiências com outras pessoas, já é uma grande mudança que os ajuda a sair deste isolamento e ampliar suas possibilidades.

Written by Carolina Lima

Carolina Lima

Fisioterapeuta graduada pela Universidade do Estado da Bahia. Formação completa no Método Pilates. Atualmente atuando como instrutora de Pilates.

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