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Por dentro do Power House: tudo o que você precisa saber!

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Centramento, Centro, Core, Casa de força, powerhouse são algumas das várias nomenclaturas utilizadas comumente para denominar um dos seis princípios do método Pilates. O powerhouse junto à respiração são os princípios mais presentes nas aulas e são considerados a essência do Método.

Para os alunos/pacientes existe a dificuldade em associar conscientemente a respiração à ativação do powerhouse, ao mesmo tempo que precisam ter atenção aos demais princípios. Dessa forma o powerhouse se torna o grande centro da aula.

O fato é que o powerhouse se bem ativado poderá nos garantir segurança e eficácia no tratamento de diversas patologias, assim como respalda grande parte dos benefícios do método. Mas você já se perguntou se centro ou centramento e powerhouse são a mesma coisa? Qual a importância da ativação do powerhouse? Por que esse princípio é fundamental para a prática do Método Pilates?

Essas perguntas podem parecer triviais, no entanto, ter a clareza de alguns conceitos e perspectiva anatômica de toda essa teoria nos garantirá segurança nos resultados obtidos durante um programa de reabilitação ou treinamento através do Método Pilates.

Centro, centramento ou Power House?

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Centro ou centramento não devem ser confundidos conceitualmente com o powerhouse.

Centro ou centramento deve ser compreendido como o centro de gravidade do corpo, ou seja, é o ponto onde as partículas de massa corporal estão distribuídas igualmente ao seu redor, normalmente, em um indivíduo de altura média, é encontrado na região da segunda vertebra sacral, porém há uma variação de acordo com o tamanho e a posição em que se encontra a pessoa.

Qual a relevância prática disso?

Isso incidirá no tempo de resposta do aprendizado motor do aluno. Aqueles que conseguirem perceber o seu centro de gravidade poderão desenvolver habilidades dentro do método Pilates mais rápido.

No entanto, o powerhouse, é um conceito desenvolvido por Joseph Pilates para designar um grupo de músculos que acionados promoverão fortalecimento da região central do corpo, estabilização distal e da coluna.

Desse modo, não podemos confundir powerhouse com centro/centramento, caso contrário, estaremos levando os nossos alunos/pacientes à uma experiência incompleta da prática do Método Pilates.

Logo abaixo iremos ver detalhadamente todos os músculos da Casa de Força.

Músculo Reto do Abdômen

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O músculo Reto do Abdômen é um poderoso flexor da coluna, sendo o mais superficial entre os músculos abdominais. Além disso, estabiliza a posição da pelve sobre a cabeça do fêmur, pode realizar o movimento de retroversão pélvica e é auxiliar na respiração.

Origina-se na nas cartilagens costais da quinta, sexta e sétima vértebras e insere-se na crista do púbis e sínfise púbica. Sua inervação é dada pelos nervos: intercostais (T5 – T11), subcostal (T12), ílio-hipogastrico (T12 – L1) e ilioinguinal (L1).

Músculo Oblíquo Externo do Abdômen

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O músculo Oblíquo Externo do Abdômen é responsável pela flexão, rotação e flexão lateral da coluna. Além disso, permite com os outro músculos planos do abdômen o aumento da pressão intra-abdominal, em particular durante o parto, micção e defecação.

No caso de contração bilateral, sua parte superior pode estreitar a abertura inferior do tórax favorecendo a expiração. Origina-se lateralmente nas oito costelas inferiores, direciona-se para baixo e medialmente, inserindo –se na crista ilíaca e através da aponeurose abdominal, na linha Alba.

A direção das fibras musculares em ambos os lados tem o formato de um “V”. Sua inervação é dada pelos nervos: intercostais (T5 – T11), subcostal (T12), ílio-hipogástrico (T12 – L1) e ilioinguinal (L1).

Músculo Oblíquo Interno do Abdômen

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O músculo Oblíquo Interno do Abdômen é responsável pela, flexão, flexão lateral e rotação da coluna. Além disso, também é um dos músculos capazes de aumentar a pressão interna na cavidade abdominal. No caso de contração bilateral, sua parte superior pode estreitar a abertura inferior do tórax favorecendo a expiração.

Origina-se a partir do ligamento inguinal, crista ilíaca e aponeurose toracolombar, direciona-se para cima e medialmente, inserindo-se nas três últimas costelas e, através da aponeurose abdominal, na linha Alba.

A direção de suas fibras tem o formato de um “V” invertido. Sua inervação é dada pelos nervos: intercostais (T5 – T11), subcostal (T12), ílio-hipogastrico (T12 – L1) e ilioinguinal (L1).

Músculo Transverso do Abdômen

 

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O Músculo transverso do abdômen é circunferencial e está localizado profundamente. O Transverso do Abdômen é assim denominado por suas fibras estarem dispostas horizontalmente, sendo o principal responsável pelo aumento da pressão intra-abdominal auxiliando na respiração, sustentação das vísceras e na estabilização da coluna.

Origina-se nas inserções na fáscia tóraco-lombar, na bainha do reto do abdome, no diafragma, na crista ilíaca e nas seis superfícies costais inferiores e inseri-se na linha Alba.

Sua inervação é composta do sétimo ao décimo segundo nervo intercostal, nervos ílio-hipogástrico e ilioinguinal.

Músculo Quadrado Lombar

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Também conhecido como quadrado do lombo contrai-se fortemente no lado do membro inferior em movimento e auxilia o músculo glúteo mínimo, do lado membro inferior de apoio, a impedir o abaixamento da pelve do lado que está em movimento.

Além disso, é ativado durante a flexão lateral da coluna.. Origina-se a partir da crista ilíaca e insere-se na sétima costela e nos processos transversos das quatro primeiras vértebras lombares. Inervado pelo décimo segundo nervo torácico e o primeiro nervo lombar.

Músculo Multífido do Lombo

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É um músculo poderoso que visualmente parece ocupar quase toda a lordose lombar. Quando contraído bilateralmente sua principal função é estender a coluna vertebral.

Origina-se nos processos mamilares das vértebras lombares, sacro (face posterior até S4), Ligamento sacroilíaco posterior e crista ilíaca. Insere-se no processo espinhoso da vértebra lombar e da vértebra torácica inferior. É inervado pelos ramos posteriores dos nervos espinhais de L1 a S1.

Diafragma

 

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O diafragma é um músculo estriado esquelético que separa a cavidade abdominal da torácica e é o principal responsável pela respiração nos seres humanos. Está presente em todos os mamíferos e em algumas aves.

Nos humanos, este músculo está localizado junto às vértebras lombares, às costelas inferiores e ao esterno e, liga-se à estas estruturas através de tendões periféricos.

Feixes musculares irradiam dos ligamentos periféricos que correm para se unirem no centro tendíneo. Embora os feixes musculares formem uma lâmina contínua, este músculo divide-se em três partes:

  • Parte esternal: fixada na parte posterior do processo xifóide presente no esterno
  • Parte costal: os feixes ligam-se às cartilagens costais inferiores e às costelas correspondentes
  • Parte lombar: liga-se a três vértebras lombares superiores

Durante o processo de inspiração, este se contrai e ao distender-se irá diminuir a pressão intratorácica e comprimir as vísceras abdominais. Deste modo, o ar tende a entrar nos pulmões e auxilia na circulação sanguínea na veia cava inferior.

Quando há o relaxamento deste músculo, o ar presente nos pulmões é expulso. Como seus movimentos fazem pressão no trato gastrointestinal, ele tem um papel importante no processo de digestão dos alimentos.

Músculos do Assoalho Pélvico

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Os músculos do assoalho pélvico são um grupo de músculos de controle voluntário em forma de rede, que se localizam na porção inferior da cavidade abdominal e tem a função de sustentar os órgãos internos. Os MAP originam-se no osso púbico e nas paredes laterais do osso ilíaco e se dirigem para o cóccix.

Estes músculos desenvolvem um papel importante no correto funcionamento da uretra e reto, agindo como esfíncteres (válvulas de fechamento) e circundam, nas mulheres, a vagina. Quando ocorre algum problema relacionado à função da bexiga ou do reto (através de vazamentos involuntários) os músculos do assoalho pélvico tornam-se o foco das atenções.

Glúteos

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Poderoso grupo muscular responsável principalmente pela estabilização do quadril. Dividi-se em três musculaturas:

Glúteo Máximo

Se origina na linha do Iliaco na parte posterior, sacro e cóccix e no ligamento sacrotuberoso. Sua inserção é no trato íleotibial do músculo tensor da fáscia lata e tuberosidade glútea do fêmur.

O Nervo glúteo inferior é responsável por sua inervação e quando acionado realiza os movimentos de extensão e rotação externa do quadril.

Glúteo Médio

Tem origem na face externa do Íleo entre a Crista Ilíaca, linha glútea posterior e anterior. Sua inserção é no Trocanter maior e sua inervação é dada pelo Nervo glúteo superior (L4-S1). As ações do glúteo médio são: abdução do quadril.

Glúteo Mínimo

Origina-se entre a linha glútea anterior e inferior e se insere no trocânter maior do fêmur, sua inervação é dada pelo Nervo Glúteo Superior (L4 – S1) e ao contrair-se realiza os movimentos de rotação interna do quadril.

Written by Rafael Marinho

Rafael Marinho

Fisioterapeuta formado pela Faculdade Santa Terezinha - CEST
Pós Graduação em Docência, Acumpuntura e Osteopatia. Formação em Pilates pela A&M e aperfeiçoamento no método com Alice Becker e Lolita San Miguel. Membro do Sindicato dos Fisioterapeutas do Maranhão.

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