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Como dar aula de Pilates: minhas experiências no Studio

Oi, galerinha! Hoje estou aqui para abordar um assunto que, pelo que pude notar, é uma dúvida frequente de muitos instrutores: como dar aula de Pilates?

Bom, vou falar sobre a minha experiência, ok?! A resposta é: depende!

A aula de Pilates tem que compreender uma mescla de alongamento e fortalecimento, com consciência corporal e sempre lembrando de itens indispensáveis: respiração, mobilização de coluna e articulações, fluidez, precisão, contrologia e contração do CORE. Mas não existe uma receita de bolo!!

Neste texto você vai encontrar:

  • Primeiro de tudo: faça uma boa Avaliação em seu aluno!

Quer saber como dar aula de Pilates corretamente? Então continue lendo esse texto que vou te explicar tudo! 😊

Primeiro de tudo: faça uma boa Avaliação em seu aluno!

É necessário avaliar o aluno aula a aula, perceber se está mais agitado ou mais tranquilo, notar quais são as compensações posturais que apresenta naquele dia ou se está muito estressado.

É preciso também conhecer a personalidade do seu aluno, se ele gosta mais de fazer força ou de alongar – não que você vá fazer apenas o que ele gosta, mas direcionando a aula é mais fácil de conquistá-lo.

Realizar uma anamnese para saber se ele tem algum problema de saúde concomitantemente com a avaliação postural, que deve ser algo dinâmico do dia-a-dia no Studio.

Eu gosto dessas anamneses práticas que o próprio aluno pode responder sozinho, algo objetivo, para não perder muito tempo, sabe?

Algo que ele consiga responder enquanto você administra aula para outro aluno ou que você possa ir respondendo a seu lado, mas sendo dinâmico, prático e rápido para dar tempo de uma “aula teste” depois.

Algo muito legal de ter na anamnese é uma meta: o que o aluno espera alcançar com as aulas de Pilates? Sabendo isso você conseguirá saber como dar aula de Pilates direcionada, tornando-a mais interessante e estimulante!

Com essa anamnese em mãos você já saberá como dar aula de Pilates guiada daquele aluno, pois cada pessoa é única. E isso é muiiiiitooo importante!! De nada adianta montar uma aula igual para todos!!

Cada aluno precisa ter a sua aula específica, voltada para o seu caso e tendo muita atenção para os exercícios que são contraindicados para algumas patologias que este possa apresentar, como hérnias de disco, problemas cardíacos, osteoporose, próteses etc.

Portanto, como dar aula de Pilates depende de:

  • De como o aluno se apresenta naquele dia;
  • Das compensações posturais consolidadas e momentâneas;
  • Das conclusões da anamnese previamente realizada.

Como dar aula de Pilates: Dia a dia no meu studio

Ficou confuso? Calma, vou dar alguns exemplos práticos do meu dia-a-dia para facilitar a compreensão!

1º Caso

Um dos meus alunos adora fortalecimento, principalmente de membros superiores. Ele não gosta de alongar e por mais que eu tente, tem dias que ele não faz exercícios de mobilização com alongamento, então preciso usar a criatividade.

Com ele faço uso de exercícios para alongar e fortalecer simultaneamente e se der para mobilizar a coluna, melhor ainda!

Então, nunca é uma prancha estática e isométrica, ao invés disso ele fica em pé no solo e vai mobilizando a coluna até colocar as mãos no chão e então vai caminhando com as mãos e deixando os pés parados, fazendo extensão de quadril, até chegar no ângulo correto da prancha.

Nesse momento peço uma série de flexões de membros superiores que vão de 3 a 5 repetições.

Em seguida volta caminhando com as mãos e flexionando o quadril até as mãos encontrarem os pés, mobiliza coluna novamente para ficar em pé, como iniciou o exercício. E repete esse movimento cerca de 7 a 10 vezes.

Percebe como é possível mudar um exercício completamente? Ele adora fazer isso e assim eu consigo com que ele mobilize coluna e alongue musculatura posterior, que, no caso dele, é a mais encurtada.

2º Caso

Em outro caso, uma das minhas alunas recebe muita cobrança diária no trabalho e, muitas vezes, chega a aula estressada precisando extravasar e esquecer.

Quando ela chega assim, eu deixo os alongamentos para o final e começo com exercícios de força, que tenham isometria de um dos membros, junto com movimento do outro membro, para exercitar também a concentração.

Administro exercícios que exijam equilíbrio para manter o foco e coloco alguns exercícios aéreos, porque ela já é aluna avançada e não tem nenhuma patologia limitante.

Dessa forma ela sai motivada e esquece dos problemas lá fora!

3º Caso

No caso de alunos idosos, eu procuro direcionar a aula mais ainda, pois eles geralmente têm alguma limitação, que pode ser advinda de uma patologia ou da própria senescência.

Um dos meus alunos tem 95 anos e já sofreu alguns infartos, tem prótese de joelho esquerdo e uma degeneração de ambos os lados do quadril.

E, para melhorar, ele tem retificação de coluna lombar com hiperlordose de coluna cervical e hipercifose de coluna torácica.

Como vocês já sabem, não são todos os exercícios que posso pedir para ele fazer e, além disso, ele é agitado inviabilizando uma aula parada.

Ficou difícil? Calma que tem solução!!

Nesse caso, começo com alongamentos e mobilização de coluna – mas não é sempre que ele consegue mobilizar a coluna logo no início da aula, então preciso estar atenta a isso para aquecer o corpo dele e voltar com as mobilizações no meio ou no final da aula.

Quando eu vejo que ele chegou já muito “duro”, eu dou uma bolinha de tênis para ele e peço que ele vá pisando nela para soltar a coluna (uso a reflexologia podal a meu favor).

Enquanto ele faz isso eu vou colocando os outros alunos nos aparelhos e passando seus exercícios – geralmente tenho 3 alunos na sala por aula.

Para este meu aluno idoso, eu consigo fazer um circuito dentro do Studio, colocando obstáculos simulando atividades comuns do dia-a-dia dele para que os vença. A aula fica mais dinâmica e eu consigo trabalhar tudo o que ele precisa!

Esse circuito arrumo da seguinte forma, com os seguintes itens:

  • Bosu para ele subir e descer com apoio assim treinamos o equilíbrio;
  • A caixa do reformer para ele subir e descer para simular um degrau;
  • Um puff e o reformer para que sente e levante, assim treinamos esse movimento em diferentes alturas;
  • As bolas com peso no chão para que desvie.

Vou evoluindo esse percurso, com peso nos tornozelos ou nas mãos, ou pedindo que feche os olhos para executar algum dos movimentos e me mantenho sempre perto dele para evitar quedas.

Cada um de meus alunos tem suas metas e seus objetivos diários, mensais e anuais e procuro trabalhar de forma globalizada, pois noto uma evolução mais rápida trabalhando dessa maneira.

Procuro variar também os exercícios a cada aula, para que não sintam que estão fazendo sempre a mesma coisa.

Planeje sempre!

Algumas pessoas gostam de preparar as aulas antes. Eu fiz muito isso no começo, quando ainda estava insegura e tinha medo de não lembrar de exercícios no meio da aula. Me ajudou muito!

No entanto, é preciso estar atento, pois às vezes você prepara uma aula direcionada para alongamentos e o aluno chega tão agitado que não consegue ficar parado.

Ou, você faz uma aula com mais fortalecimento e o aluno acabou de voltar de uma viagem cansativa.

É preciso sempre ter um plano B! Por isso mencionei no início que é preciso fazer uma mescla de diferentes tipos de exercícios. Programe-se, mas permita-se mudar o planejamento!

Para tornar mais prático, aí vão algumas dicas rápidas:

Dica 1

Defina objetivos para a sua aula; coloque pelo menos 4 objetivos para serem trabalhados naquela aula e faça isso para todos os alunos, assim é mais fácil de atingir as metas de cada aluno e as suas para aquela aula.

Dica 2

Lembre-se de verificar frequentemente se o aluno está contraindo corretamente o CORE. Muitos alunos esquecem de contraí-lo, principalmente os iniciantes, pois é muita coisa ao mesmo tempo!

Como nós já sabemos, a contração do CORE é a base do método Pilates, de onde advém todos os movimentos o que a torna primordial até para a execução dos exercícios mais simples. Antes de iniciar qualquer movimento necessitamos que ele contraia o CORE adequadamente.

Dica 3

Evite tirar o foco do aluno da execução dos exercícios com conversas paralelas. Claro que ninguém é um robô e não podemos pedir que as pessoas não conversem.

As conversas entre professor e aluno são um meio importante de criar um vínculo, mas tente não dispersá-lo demais. A concentração é um dos nossos princípios e deve ser preservada ao máximo!

Dica 4

Outro fator que não devemos esquecer é a respiração. Ela pode tanto ajudar quanto dificultar a realização do exercício proposto e você precisa definir se para aquele aluno, naquele momento é necessário escolher a melhor opção.

Às vezes é importante colocar a respiração como uma aliada para deixar o aluno mais focado no exercício, colocando-a de uma forma que ele tenha que pensar apenas no que está fazendo, esquecendo-se do que está acontecendo ao redor ou mesmo de seus problemas pessoais.

Quando o exercício é novo ou exige coordenação motora, é mais aconselhável que a respiração não seja um opositor para que o aluno consiga desempenhar da melhor maneira.

Dica 5

Os exercícios precisam ser sempre efetuados com fluidez e precisão. Caso você perceba que o aluno está compensando os movimentos, ou que ele não consegue fazê-lo com precisão é legal dar uma olhada.

Se tem como facilitar esse movimento de alguma forma colocando alguma mola ou diminuindo a carga da mola que você já colocou.

Mesmo que o aluno esteja num grau avançado e o exercício proposto seja mais simples do que ele tem capacidade de realizar, às vezes ele não está em sua plena condição física naquele dia.

É melhor ter um exercício bem executado com menos carga, do que ter muita carga e uma compensação articular/muscular que pode provocar uma lesão.

Dica 6

Antes do término da aula, separe alguns minutos para o relaxamento do seu aluno. Você pode fazer massagem com rolinho, com bolinha de tênis ou até mesmo com as mãos. Algo simples e rápido, só para liberar a musculatura da coluna. Essa dica é valiosa porque além de tudo, conquista o aluno!

Mantenha-se atualizado!

Uma coisa que indico, não só para quem está começando, é fazer cursos de atualização com vários profissionais diferentes! Tem aqueles que são especialistas em coluna, ou em ATM, ou que são especialistas em aulas em aparelhos específicos.

Isso abre a mente e sempre aprendemos algo novo, diferente e nos motiva a dar aulas cada vez melhores! Nesse quesito, os Congressos de Pilates são excelentes, pois nos permitem assistir a várias aulas, com diferentes profissionais em um curto período de tempo.

É preciso investir tempo, ter disposição de aprender e se dedicar. Eu, por exemplo, sou a maníaca da revista! Tenho várias e sempre aprendo algo novo com elas!

Gosto de acompanhar blogs, de assistir vídeos dos meus profissionais preferidos, dentre eles o Sandro Alves e a Silvia Gomes são os que mais acompanho, pois admiro muito o trabalho deles.

Nunca se canse de pesquisar e aprender afinal conhecimento é a única coisa que ninguém pode tirar de nós.

Assista um vídeo de um novo exercício e tente fazer em alguém momento que esteja mais tranquilo; pratique o método que aplica nos alunos, veja se você gosta da sua aula, se mudaria alguma coisa.

Se possível, tente ensinar alguém próximo como marido, namorado, mãe etc, mesmo que sejam exercícios mais básicos, ou apenas exercícios de solo que você consiga passar na sala da sua casa. Peça a eles um feedback sincero, mas esteja preparado para ouvir o que eles vão lhe dizer!

Concluindo…

Quando dizem que a gente aprende com a prática, esta é a mais pura verdade!! Estamos sempre estudando, aprendendo algo novo, mas se não soubermos colocar em prática, de nada vale as horas de dedicação na teoria.

 Portanto, estude, se dedique, pratique o método que você aplica, busque se atualizar com outros profissionais e troque experiências!! Busque sempre melhorar e use todos os recursos a seu favor!

Caso ainda tenha ficado alguma dúvida de como dar aula de Pilates, deixe nos comentários!!

Uma boa semana a todos e vamos que vamos!

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