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Hoje vamos abordar uma patologia que de modo geral, compromete a vida de milhares de pessoas e incapacita muitas outras, no Brasil e no mundo. E ainda, mostrar como o Pilates para Disfunções Neurológicas pode ser um ótimo aliado ao tratamento desses pacientes.

Vale lembrar que disfunção nos remete ao funcionamento anormal, prejudicado, ou uma anomalia de um organismo ou órgão.

As disfunções neurológicas podem gerar alterações motoras irreversíveis, temporárias ou permanentes, com os mais variados tipos de sequelas. 

Contudo, atualmente, existem muitos métodos para reabilitação neurológica dos diferentes tipos e subtipos de patologias. 

Para iniciar, que tal relembrarmos alguns detalhes importantes para melhor compreensão das disfunções neurológicas? Vamos lá!

Sistema Nervoso

O sistema nervoso, é anatomicamente dividido em sistema nervoso central (formado pelo encéfalo e medula espinal) e sistema nervoso periférico (formado pelo encéfalo, nervos, espinha e gânglios)

Já a divisão fisiológica do sistema nervoso, apresenta-se em duas partes, voluntário e autônomo.

O sistema autônomo está dividido em duas partes: sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático (SNS, SNPS). Porém, as funções desses dois sistemas são opostas. Um controla a ação do outro em relação aos órgãos, através das substâncias adrenalina e acetilcolina.

O sistema nervoso autônomo garante a homeostase, que por sua vez, modera e regula o interior do corpo humano. Além disso, este sistema responde pelas funções estruturais do organismo. 

O sistema nervoso voluntário possui uma parte central que é representada pelo córtex e uma parte periférica representada por nervos. 

Sistema nervoso autônomo simpático

É constituído por fibras (amielinizadas), que tem como princípio a medula, e os gânglios (mielinizadas), que tem como início os axônios.

As fibras liberam a acetilcolina, produzindo o princípio do impulso nervoso.

Sistema nervoso autônomo parassimpático. 

É constituído pelo mesencéfalo, mielencéfalo e medula sacral, tem fibras extensas realizando o contato de dois neurônios que por eles passam os impulsos nervosos e sua substância é a acetilcolina. 

Curiosidade: o mielencéfalo é um termo de embriologia para a estrutura do sistema nervoso central embrionário, parte do rombencéfalo, que se desenvolve formando a medula oblonga. Durante o desenvolvimento fetal, divisões que dão origem ao rombencéfalo começam a ficar visíveis após 28 dias de concepção.

As subdivisões mais específicas, metencéfalo e mielencéfalo, vão tomando forma a 7 semanas após a concepção. Diferenciação de forma definitiva na medula oblongata pode ser observado em torno da 20ª semanas de gestação.

O mielencéfalo conecta o encéfalo com a medula espinhal, por isso danos e má-formação nessa área costumam ser rapidamente fatais.

Pilates para Disfunções Neurológicas

O  Método Pilates busca a reeducação do movimento, com o objetivo de introduzir consciência ao movimento, e atualmente é  chamado pela área da saúde como ‘’um exercício pensante’’.

Pilates estimula a circulação, melhora o condicionamento físico, flexibilidade, alongamento, alinhamento postural, consciência corporal e a coordenação motora (é possível trabalhar a coordenação fina e grossa, com a introdução de acessórios e tipos variados de movimentos a serem executados).

Notoriamente esses benefícios do Pilates para Disfunções Neurológicas ajudam a melhorar o quadro do paciente e também na prevenção de lesões, proporcionando um alívio de dores crônicas.

Segundo Joseph Pilates, os benefícios do Método Pilates só dependem da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios.

Torna-se indispensável que nós, profissionais que utilizamos o Método Pilates, tenhamos amplo conhecimento da técnica e da patologia em questão.

O Pilates tem como vantagens a melhora dos níveis de consciência corporal e a coordenação motora.

Os exercícios de Pilates são, na sua maioria, realizados na posição deitada, o que reduz qualquer impacto nas articulações de sustentação do corpo na posição ortostática e apresenta muitas variações de exercícios. Por isso pode ser realizado por indivíduos com desordens neurológicas.

O Pilates para Disfunções Neurológicas bem conduzido por um profissional competente, é de fato nula a possibilidade de lesões ou dores musculares. E pode ser uma forma eficiente para o fisioterapeuta na reabilitação, quando executado de acordo com os seus princípios.

7 Exercícios de Pilates para Disfunções Neurológicas

Gostamos bastante dos exercícios solo de Pilates para Disfunções Neurológicas durante o tratamento das patologias dos nossos alunos.

Principalmente no início, por uma questão de prevenção de quedas, pois lembremos sempre, que existe um déficit de equilíbrio e em muitos casos alterações psicológicas já se instalaram. 

De acordo com andamento de cada atendimento, podemos dar sequência na evolução, acompanhando as limitações de cada paciente. 

1. Matwork

2. Roll Up

Fortalecer abdominais, alongar cadeia posterior e mobilizar a coluna.

3. Saw

Trabalho rotadores de tronco e isquiotibiais.

4. Equilíbrio sentado com a bola

Para potencializar, utilize um tapete emborrachado, com textura diferenciada, para trabalhar também a propriocepção dos pés. 

Importante, muito importante mesmo, é ficar junto com seu paciente, auxiliando em cada movimento até que o movimento seja executado o mais próximo do fisiológico, com leveza e fluidez. 

Quando essa etapa progride, pode-se introduzir a respiração adequada do Pilates, contração do esfíncter e na sequência fortalecimento de assoalho pélvico, controle postural, alinhamento cervical, controle dos MMSS e MMII. 

Se o paciente desde o início tiver condições de executar todos os princípios do Pilates, aproveite e faça. Porém, tudo depende da condição geral do paciente. Não existe receita pronta! Cada pessoa é única, jamais esqueça disso! Sabemos que essas frases parecem bordão, mas é a mais pura realidade.

 5. Forward Push Through 

Exercício muito utilizado no Pilates para Disfunções Neurológicas, por trabalhar isquiotibiais, tríceps sural e mobilizar a coluna. 

Realiza-se uma variação, elevando os braços para o alto também, com objetivo de melhorar a mobilidade escapular, que em paciente com sequelas de AVE é um dos problemas mais comuns. 

Em muitos casos é necessário realizar uma mobilização passiva dessa região, antes de qualquer tentativa de exercício.

É de extrema importância que nós, instrutores de Pilates, sempre demos orientações de posicionamento de membro superior e inferior. 

6. Mermaid

Alonga cadeia lateral e melhora o controle dos ombros. Nem sempre o paciente com AVE e outras disfunções conseguirá realizar. Muitas vezes quando ao tentar levar o braço oposto em direção a barra torre, sinta-se ‘travado’’.

7. Cat no Cadillac 

Descarga de peso, equilíbrio e fortalecimento. 

Muito útil e benéfico para desordens neurológicas, introduzir texturas (tapete emborrachado, existe de várias texturas diferentes), para apoio das mãos e pés, melhora propriocepção, que nesse tipo de desordem existe uma forte tendência a ficar diminuída ou exacerbada em alguns casos.

Como montar uma aula de Pilates para Disfunções Neurológicas? 

Em primeiro lugar, como já mencionamos anteriormente, não existe uma receita pronta. Cada aula necessita ser pensada. 

É extremamente importante para garantirá o sucesso da  reabilitação, a anamnese. Afinal, a avaliação é a base e início de todo tratamento. 

Então vamos lá! Abaixo listamos algumas dicas para te auxiliar na hora de preparar uma aula de Pilates para Disfunções Neurológicas.

  • Avaliação

Observar desalinhamentos, força muscular, o que foi preservado e o que está comprometido. Conversa olho no olho, exames recentes, medicamentos de uso contínuo, patologias associadas, feridas, traumas visíveis ou não, converse com a família, analise cada indivíduo como ÚNICO que é, e somos.

  • Identificar qual o objetivo primário da pessoa

Muitos dizem de forma generalizada: “quero melhorar”. Todavia, isso é geral demais, é importante saber o que pode melhorar e deixar  isso bem claro para a pessoa.

  • Bom senso e ética profissional

Pacientes com disfunções neurológicas já enfrentam muitas dificuldades. O que essa pessoa não precisa é de um profissional que o deixe com um psicológico pior do que ele já está. Claro que existem pessoas que nada abala a sua fé, mas são raras quando se trata de disfunção neurológica. 

  • Determinar o nível de controle motor, força, estabilidade, flexibilidade, habilidade, equilíbrio e tolerância para certas posições

Analisar quais as preferências do paciente e principalmente, entender que trata-se de um ser humano. Em determinados momentos será aquele turbilhão de sentimentos e confusões. Já tivemos paciente que no meio de um exercício desabou chorar, o que fizemos? Acalentamos, óbvio ! Abraço acalma a alma e em  momentos assim, palavras são desnecessárias.

  • Planejar e colocar no papel quais exercícios irá utilizar

Preferimos dividi-los por aparelhos e grupos musculares que serão trabalhados. Forma prática para não fadigar a musculatura do aluno e também, saber onde e quando progredir.  

  • Conhecimento da patologia do seu paciente

Combinações medicamentosas pode afetar diretamente o rendimento, de forma alguma devemos interferir no tratamento medicamentoso, mas, saber qual a ação e o que pode causar ao paciente é importante. 

Isso pode auxiliá-lo numa conduta mais vigorosa ou menos vigorosa, por exemplo. Pode ser que em alguns casos, o ganho de força muscular não aconteça, mesmo realizando um trabalho para essa finalidade, e isso poderá ser causado por medicamentos que o paciente toma diariamente.  

Conclusão

O Método Pilates é um programa completo de condicionamento físico e mental numa ampla esfera de exercícios potenciais.

O Pilates para Disfunções Neurológicas pode ser utilizado com o intuito de: alcançar ganhos de força muscular, controle neuromuscular, potência e resistência muscular e também, favorecer o funcionamento muscular equilibrado de toda cadeia cinética.

A eficiência do sistema neural e muscular permite que os agonistas, antagonistas, estabilizadores e sinergistas atuem de forma sinérgica na direção de gerar e diminuir forças, assim como estabilizar a cadeia cinética em todos os três planos de movimento.

O Método Pilates para pacientes com sequelas motoras apresenta resultados e melhoras significativas no equilíbrio, marcha e força muscular quando executado de maneira correta, segura e eficiente.

Recordando que os pacientes que apresentam sequelas neurológicas, a evolução terapêutica é em longo prazo. 


























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