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Pelve: Por que é o ponto fraco das mulheres?

Pelve: Por que é o ponto fraco das mulheres?
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A pelve é formada pela junção dos ossos: ilíaco, ísquio, púbis, sacro e cóccix. Este complexo pélvico tem como funções:

  1. Suportar o peso da parte superior quando sentado e em pé;
  2. Transferir o peso do tronco às extremidades;
  3. E proteger os órgãos como bexiga, útero, vagina, pênis e próstata.

Os ossos ilíaco, ísquio e púbis se unem para formam a fossa do acetábulo, que se articula com a cabeça do fêmur, conhecida como art. do quadril ou coxofemoral. A art. do quadril é do tipo sinovial (composta de cápsula articular, membrana sinovial, cavidade sinovial e líquido sinovial).

A sacroilíaca (ASI) é formada pelos ossos ilíaco e sacro, esta articulação é do tipo fibrosa e de pouca mobilidade. A ASI realiza inclinação anterior chamada nutação e inclinação posterior chamada contranutação.

Além da estabilidade estática proporcionada pelos ligamentos, estudos mostram que a estabilidade da ASI é aumentada pela atividade muscular, principalmente pelos músculos do assoalho pélvico, transverso do abdome (TrA), oblíquo interno e multífidos.

Estes músculos são ativados em todos os exercícios do Pilates quando realizados corretamente.

A sínfise púbica compreende as bordas do osso púbico e no centro apresenta fibrocartilagem. Esta art. tem um pequeno grau de movimento durante a rotação (em torno de 2mm), e pode sofrer lesão degenerativa ou aguda.

Em gestantes é frequente a disfunção pubiana, pelo aumento do hormônio relaxina, este promove também o afrouxamento da sínfise púbica, e a queixa geralmente é de dor local, ou irradiada para as virilhas e pernas.

A pelve apresenta vários ligamentos que participam da estabilidade estática. Dentre eles se destacam os ligamentos: sacroilíaco, íliolombar, sacroespinal, sacrotuberal, íliofemoral.

Os músculos que envolvem a pelve, destacam-se:

  • Psoas Maior e Ilíaco (Forma o Músculo Iliopsoas)
  • Piriforme
  • Quadrado Femoral
  • Obturador Interno e Externo
  • Gêmeo Superior e Inferior
  • Glúteo Máximo, Médio e Mínimo
  • Além dos Músculos do Assoalho Pélvico – Principalmente Levantador do Ânus e Coccígeo

Diferenças entre a Pelve Feminina e Masculina

Existem diferenças mecânicas entre a pelve masculina e feminina.

No homem a pelve é mais estreita e o forame triangular é profundo. Já a pelve feminina é mais larga e rasa, devido à própria função reprodutora, apresenta o forame obturador mais arredondado.

Por esta razão, a pelve mais larga deixam as mulheres mais propensas às lesões deste complexo.

Dentre as patologias mais encontradas nos estúdios de Pilates, as mais frequentes do complexo da pelve da mulher serão listadas abaixo, assim como o Pilates pode melhorar os sintomas dolorosos.

Tendinopatia do Glúteo Médio e Mínimo

Os glúteos médio e mínimo são os principais estabilizadores lombo-pélvicos e estão localizados na região lateral do quadril (com origem na crista ilíaca e inserção no trocânter maior do fêmur). Estes músculos tem a ação de abdução e rotação interna do quadril.

A tendinite é caracterizada pelo quadro agudo de inflamação muscular com os clássicos sinais flogísticos:

  • Dor
  • Edema
  • Rubor
  • Calor
  • Perda da Função

Contudo, quando o paciente procura por tratamento desta patologia, o processo inflamatório já evoluiu para a degeneração, com a perda de colágeno e microrrupturas tendíneas.

O termo correto então é tendinose ou tendipatia do glúteo médio e mínimo. Pode ocorrer simultâneo com a bursite trocantérica. As causas da tendinopatia podem ser:

  • Excesso de treinamento cíclico como correr e pedalar; e
  • Rápida progressão dos treinos sem acompanhamento profissional adequado.

Mesmo atletas apresentam alta incidência de fraqueza dos glúteos médio e mínimo, e esta deficiência funcional altera as forças no quadril e sobrecarrega as articulações adjacentes como coluna lombar e joelho.

O Pilates apresenta boa resposta no tratamento na tendinopatia do glúteo médio e mínimo, e o tempo de tratamento costuma ser a curto ou médio prazo (3-12 meses).

No método, os exercícios priorizam a estabilidade da pelve, a contração destes músculos enfraquecidos e, os fisioterapeutas podem ainda utilizar recursos analgésicos e de terapia manual para a melhora do quadro doloroso.

Bursite Trocantérica

A bursite trocantérica é uma patologia que acomete a bursa ou bolsa de conteúdo gelatinoso. Ela está localizada na região proximal do fêmur, lateralmente no quadril e logo acima do trocânter maior.

No quadril também é frequente a bursite no ílipsoas.

O sinal mais comum de bursite é a dor localizada depois de longos períodos deitado de lado sobre o quadril afetado, excesso de tempo sentado e ao subir e descer escadas.

Para confirmar o diagnóstico, geralmente o médico realiza testes clínicos, solicita ultrassom ou ressonância magnética do quadril.

As causas da bursite trocantérica podem ser:

  • Excesso de treino ou rápida progressão:
  • Encurtamento do trato íliotibial:
  • Osteatrose no joelho ou da art. sacroilíaca e
  • Diferença de membros inferiores.

O Pilates é indicado no tratamento da bursite trocantérica, nele os exercícios priorizam a ativação do powerhouse/core que aumentam a estabilidade no complexo lombo-pélvico.

No método os exercícios são realizados na amplitude de movimento livre de dor e a progressão depende do quadro clínico de cada paciente. Os benefícios do Pilates são vistos após 3 meses de prática orientada por profissional qualificado.

Impacto Femoroacetabular (IFA)

O impacto femoroacetabular (IFA) acontece na art. do quadril, esta lesão é causada pela incongruência articular da cabeça do fêmur com o acetábulo, aumentando as zonas de atrito na articulação e os movimentos ficam “truncados”, dolorosos com presença de claudicação (mancar).

As causas do IFA podem ser alteração de crescimento da placa epifisária, excesso de esportes profissionais na infância e na adolescência, aumento abrupto das demandas físicas associadas a repetidos movimentos de flexão, permanecer sentado por longo período de tempo, além de sequelas de fraturas do colo do fêmur e coxa vara.

No IFA são contra indicados exercícios na amplitude de máxima congruência articular como flexão, abdução e rotação externa de quadril. Estes movimentos aumentam a pressão intra-articular e reproduzem a dor.

Em consequência, há lesão labral e artrose precoce. Por isso o paciente deve procurar tratamento o mais rápido possível para evitar a progressão da patologia.

Tipos de IFA

  • CAM: Quando a saliência é do colo do fêmur, este primariamente lesiona a cartilagem acetabular pois a parte protusa penetra no acetábulo e lesiona o labrum.
  • PINCER: Quando a disfunção é proveniente do acetábulo.
  • MISTA: Coexistência de alterações no acetábulo e no fêmur.

O Pilates é um recurso não cirúrgico e não invasivo no tratamento e prevenção do IFA, os exercícios quando prescritos corretamente diminuem o impacto articular e a força de cisalhamento do quadril.

O fortalecimento muscular é focado nos músculos que envolvem a pelve e abdome, através do reequilíbrio muscular e exercícios de propriocepção.

Síndrome do Piriforme

O músculo piriforme está localizado na porção posterior da pelve, logo abaixo do glúteo máximo. Normalmente o nervo isquiático (antigamente conhecido com ciático) passa acima deste músculo.

Acontece que em alguns indivíduos, o nervo isquiático passa entre o ventre muscular ou abaixo deste, o que nos casos de encurtamento do músculo piriforme, causa dor por pinçamento do nervo encarcerado. Acomete 6 vezes mais mulheres do que homens e a disfunção acomete a população geral como atletas.

O principal sintoma de quem sofre com a síndrome do piriforme é a dor localizada na região glútea, que pode irradiar para a posterior da coxa, no trajeto do nervo isquiático, patologia conhecida como ciatalgia.

Observa-se também fraqueza do glúteo máximo nos pacientes com síndrome do piriforme.

Os exercícios do Pilates através do reequilíbrio muscular, ajustes posturais e alongamentos do músculo piriforme devem fazer parte do tratamento, contudo o alongamento do piriforme não deve ser realizado na fase aguda da disfunção e sendo respeitado o limite da dor do paciente.

Exercícios de Pilates para Estabilidade Lombo-Pélvica

Abaixo listamos 10 exercícios de Pilates com e sem acessórios indicados para manter a estabilidade lombo-pélvica.

Através do treinamento muscular resistido estes exercícios não só são indicados para as patologias acima, como também na prevenção destas. Cabe ressaltar que a avaliação e a prescrição adequada dependem da experiência e da capacidade técnica do profissional da saúde envolvido no quadro do paciente.

1) Estabilização Pélvica

Em decúbito lateral (de lado) com o braço debaixo apoiada no solo e as pernas (quadris e joelhos) em flexão (calcanhares alinhados com os ísquios), realizar a abertura (abdução) do quadril afastando o tornozelo e joelho da perna de baixo.

Variação: Realizar a flexão e extensão do quadril de cima, mantendo a coluna estática e o joelho flexionado a aproximadamente 90 graus. Este exercício é contraindicado quando reproduzir dor na bursa (bolsa) trocantérica.

2) Superman

Em 4 apoios com a coluna neutra com a faixa elástica abaixo do joelho e ao redor do pé oposto, realizar a extensão de quadril e joelho simultâneo com a elevação do braço oposto. A coluna deve permanecer estável e imóvel. Para facilitar o exercício pode apenas elevar a perna que está com a faixa elástica.

3) Bridge com Faixa Elástica

Em decúbito dorsal (supino), com a faixa elástica sob as mãos e sobre a pelve, realizar a ponte com a resistência da faixa. Os dedos devem estar totalmente apoiados no solo para maior ativação dos braços. Para facilitar, pode segurar a faixa nas mãos.

4) Concha

Em decúbito lateral (de lado) com a mini band acima dos joelhos, realizar a rotação externa de quadril (afastando o joelho de cima), deixando os pés unidos.

Variação: Em caso de bursite, permanecer na prancha lateral e realizar o mesmo exercício acima, e ao término descer com controle.

5) Side Body com Disco de Equilíbrio

Em decúbito lateral (de lado) com o disco de equilíbrio sob a cintura, uma mão na nuca, realizar a inclinação de tronco simultâneo com a abdução de quadril (abertura da perna) levando a mão em direção à perna.

6) Bridge com Slide

Em decúbito dorsal (supinado) com o slide sob os pés, realizar a subida na ponte, mantendo a pelve estável flexionar e estender os joelhos simultâneos. Também pode ser feito alternando membros inferiores.

7) One Leg Up and Down

Em decúbito dorsal (supino) com os membros inferiores em extensão, com a faixa elástica nas mãos e ao redor de um pé, realizar a subida e descida da perna (flexão e extensão de quadril).

Variação: Pode realizar círculos com a perna para dentro e fora (leg circles).

8) Single Straigh Leg Stretch

Em decúbito dorsal (supinado), segurando o magic circle nas mãos e os membros inferiores apoiados no magic circle, descer uma perna em direção ao solo sem deixar a coluna lombar se mover.

Variação: Elevar o tronco caso não tenha queixa de desconforto ou dor na cervical.

9) Afundo

Em pé, com uma perna à frente da outra e a mini ball sob o joelho da perna de trás, realizar a subida e descida curta no afundo sem perder o contato total com a mini ball.

10) Foam Roller

Este exercício tem como objetivo liberar o trato iliotibial que geralmente está em com pontos de tensão muscular (trigger points). Em decúbito lateral com o rolo sob o trato íliotibial, realizar o deslizamento supero-inferior associando com a respiração.

Bom treino!

Written by Érika Batista

Érika Batista

Érika Barroso Batista é Mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Fisioterapia traumato-ortopédica
Professora dos cursos do VOLL Pilates e proprietária do FisioStudio Pilates & Treinamento Funcional.

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