Junte-se a mais de 200.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

*Este conteúdo é científico e pode ser utilizado para pesquisas*

Observamos que nos dias atuais os problemas posturaiscrescem consideravelmente e são as queixas mais comuns em Studios de Pilates. 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 80% da população tem ou terá em algum momento da vida, alguma queixa de quadro doloroso em coluna lombar. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 5,4 milhões de brasileiros sofrem de hérnia de disco.

Isso ocorre, pois as exigências da vida moderna e da alta produtividade induzem os indivíduos a permanecerem por muito tempo em uma mesma posição aumentando a carga e a pressão sobre a coluna vertebral, levando, em consequência, ao desequilíbrio musculoesquelético. 

Os exercícios para Hérnia Discal Lombar são mais aceitos como fator importante no tratamento de pacientes do que o repouso prolongado. Porém, é necessário que o profissional saiba definir quais as atividades são seguras durante o processo de regeneração e reabilitação. 

Por isso, é extremamente necessário não somente o conhecimento da biomecânica e da cinesiopatologia, mas também das precauções que devem ser tomadas para que os movimentos realizados não sejam destrutivos e sim benéficos.

Relembraremos neste artigo uma série de aspectos importantes quando se fala em exercícios para Hérnia Discal Lombar, entre eles: 

  • A anatomia da coluna vertebral;
  • O que é uma hérnia de disco (quais os tipos existentes, sinais e sintomas);
  • O mecanismo de desenvolvimento da hérnia de disco;
  • Como o Método Pilates pode auxiliar no processo de reabilitação;
  • Principais exercícios para Hérnia Discal Lombar indicados e contra-indicados.

Devemos nos atentarmos sempre a uma questão muito importante: cada indivíduo apresenta suas particularidades e, portanto, devemos considerar que apesar de algumas regras e exceções serem gerais, não podemos tratar nosso paciente como apenas mais um. 

Na experiência clínica, experimentamos o contato com diferentes biótipos, diferentes limiares de dor, diferentes sintomas e principalmente diferentes histórias de vida, o que influencia diretamente nos resultados e no êxito que buscamos alcançar em um processo de reabilitação. 

Os fatores psicológicos da patologia são de extrema importância, seja ela qual patologia for. Consideremos então, que acima de tudo, apesar do grau de incapacidade e / ou limitação apresentado (s), o incentivo e a abordagem positiva são muito bem vindos. 

Anatomia da coluna vertebral

A coluna vertebral se estende desde a base do crânio até a extremidade caudal do tronco. É constituída de 33 ou 34 vértebras superpostas e intercaladas por discos intervertebrais. 

As vértebras sacrais soldam-se entre si, constituindo um único osso, o sacro, assim como as coccígeas, que formam o cóccix.

Divide-se a coluna vertebral em:

  • Cervical: 7 vértebras;
  • Torácica: 12 vértebras;
  • Lombar: 5 vértebras;
  • Sacral: 5 vértebras;
  • Coccígea: 4 a 5 vértebras.

A coluna lombar

Podemos diferenciar as vértebras lombares das demais por não possuírem forame no processo transverso e fóveas costais no corpo vertebral. 

Possuem um processo transverso alongado podendo ser chamado de processo costal e seu corpo vertebral é grande e largo. Seus processos espinhosos são posicionados posterior e inferiormente.

O que é Hérnia de Disco Lombar?

A palavra hérnia significa projeção ou saída através de uma fissura ou orifício, de uma estrutura contida.

O disco intervertebral é a estrutura cartilaginosa que fica entre uma vértebra e outra da coluna vertebral. Ele é composto de uma parte central, chamada núcleo pulposo (massa gelatinosa contida nas camadas mais internas do anel fibroso e na coluna lombar, se encontra localizado mais perto da borda posterior, em exceção às demais vértebras) e de uma parte periférica (externa) composta de tecido cartilaginoso chamado anel fibroso (feita de densas camadas de fibras colágenas e de fibrocartilagem) e de uma parte superior e inferior chamado placa terminal.

A placa terminal fica entre o disco e a vértebra supra e subjacente, superior e inferiormente.

Portanto, a hérnia de disco é a saída do líquido pulposo através de uma fissura do seu anel fibroso, transpondo a placa neural. Caso haja a degeneração destas estruturas, os líquidos poderão migrar para os corpos vertebrais. 

O início deste processo é chamado de Modic tipo I. Alguns autores afirmam que este processo inflamatório e degenerativo na placa terminal pode causar dores na coluna vertebral.

Etapas da hérnias de disco lombar

Disco intacto

O disco intervertebral tem como função principal a absorção de impacto, bem como permitir movimentos em diferentes eixos de rotação. O disco intervertebral possui a capacidade de absorção de carga e movimentação em diferentes eixos de rotação.

Abaulamento discal

Etapa inicial da patologia. O disco intervertebral começa a apresentar sintomas de envelhecimento e suas fibras (anel fibroso) apresentam fissuras do disco intervertebral em forma de arco. 

Podemos utilizar uma câmara de pneu velha como exemplo, que perde a capacidade de manter sua forma natural e formam-se bolhas.

Protrusão discal

Nessa etapa, o abaulamento do disco encontra-se mais proeminente, podendo atingir nervos, medula e saco dural. A doença está em uma fase mais avançada, normalmente acompanhada de início de degeneração discal, podendo gerar dor discogênica.

Sequestro ou Fragmento

A hérnia de disco consiste em uma extrusão do disco vertebral, normalmente contendo o núcleo pulposo do disco intervertebral envolvido pelo anel fibroso já em estágio avançado de degeneração. 

As estruturas nervosas estão comprometidas pelo estreitamento dos canais por onde passam os nervos (estenose), medula ou saco dural (canal medular). Essa é a etapa mais rara da patologia e consiste na ruptura total da parte herniada do disco intervertebral. O fragmento pode comprometer as estruturas nervosas, dependendo de sua localização.

Sintomas

Os sintomas vão depender da fase em que se encontra a herniação. Os mais comuns são incômodo, peso, queimação, dor, fisgada e até mesmo dores irradiadas para pernas e pés, em casos de estenose do canal vertebral ou em que o conteúdo herniado esteja tocando o saco dural ou atingindo algum nervo. 

Quando associada a alguma patologia degenerativa ou inflamatória, pode levar o indivíduo a quadros dolorosos mais graves, travamentos e até a incapacidade de bipedestação ocasionados pela falta de força muscular e sintomas neurológicos. O paciente pode também sentir formigamentos e dormência nos membros e pode apresentar incontinência urinária.

Causas 

Seja devido aos fatores já citados de exigências da vida moderna, seja por fatores genéticos, traumas ou doenças autoimunes, o fato é que a lombalgia é de longe a queixa mais encontrada nos studios de Pilates. 

Considerando que grande parte da carga imposta à coluna vertebral se dissipa ao nível de L4-L5 e L5-S1 (região de transição entre um segmento móvel que é a lombar e um segmento fixo que é a sacral) e que neste segmento o núcleo pulposo do disco intervertebral se encontra posteriorizado com relação ao eixo central, além de ser um segmento que possibilita movimentos nos planos sagital, frontal e transverso, qualquer desequilíbrio entre a força e a flexibilidade dos músculos que possuem alguma influência sobre a coluna vertebral, pode fazer com que ela não suporte as cargas oriundas tanto dos membros inferiores, quanto da gravidade, somadas aos fatores já citados, levando ao desenvolvimento de alguma lesão, em especial, as hérnias discais.

Um fator importante a ser ressaltado é a ação do músculo transverso do abdome durante a manobra de Valsalva. Durante esta manobra, acontece a contração do músculo transverso e dos oblíquos interno e externo do abdome, sendo ativados para aumentar a pressão intra-abdominal (PIA). 

Tal aumento é capaz de empurrar esses músculos, aumentando sua relação comprimento – tensão e a força estabilizadora da aponeurose tóraco–lombar, bem como assistindo na diminuição da carga imposta sobre a coluna vertebral.   

Durante a manobra de ”escavar a barriga” também ocorre a contração involuntária do músculo transverso do abdome e do oblíquo interno. Portanto, é bom relembrarmos, que o aumento da PIA pode causar um aumento da pressão arterial, pois, o sistema nervoso simpático entende que necessita aumentar os batimentos cardíacos para suprir a falta de oxigênio no cérebro. 

Tenhamos muita atenção para estas manobras. Evite a manobra de Valsalva, dando preferência à manobra de escavar a barriga, possibilitando assim o fortalecimento do transverso do abdome sem causar, portanto, qualquer dano ao nosso aluno. 

Formas de tratamento para a Hérnia Discal Lombar

Contamos hoje com os tratamentos medicamentosos, não medicamentosos e cirurgia.

Os medicamentos mais comuns utilizados são os analgésicos e anti-inflamatórios, podendo-se considerar também, o uso de relaxantes musculares e medicamentos opióides (drogas que atuam no sistema nervoso para aliviar a dor e seu uso indevido e contínuo pode levar à dependência física). Em caso de dores crônicas, alguns medicamentos antidepressivos e anticonvulsivantes também são comumente receitados para o tratamento.

A terapia não medicamentosa, conta com o auxílio da fisioterapia (englobando a cinesioterapia, a eletrotermofototerapia, a hidroterapia, o RPG e o Pilates, sendo considerado hoje, o tratamento de maior abrangência), da acupuntura, da naturologia, da homeopatia, entre outros.

Quando o tratamento conservador não se mostra eficaz e estando todas as outras alternativas de tratamento tanto medicamentoso, quanto não medicamentoso, esgotadas, em casos graves e de difícil controle, e que não há remissão dos sintomas de dor e compressão de raiz nervosa, é considerada a hipótese de cirurgia de discectomia. 

Mas, atenção, essa será a última hipótese terapêutica a ser adotada e é dependente de múltiplos fatores, tais como os encontrados nos exames pré-operatórios.

 Como o Método Pilates pode auxiliar no tratamento?

A hérnia de disco, por vários fatores associados, já citados, se tornou uma patologia comum entre os brasileiros, atingindo grande parte da população. Por essa razão é muito importante que seja dada a devida atenção e tratamento, evitando que evolua para uma situação mais grave e que chegue a necessitar de cirurgia.

Os exercícios para Hérnia Discal Lombar do Método Pilates são capaz de proporcionar aos seus praticantes:

  • Melhora do condicionamento físico e mental;
  • Diminuição do estresse;
  • Alívio de tensões;
  • Profundo conhecimento do próprio corpo e seus limites;
  • Melhora do equilíbrio, da postura, da força e da resistência muscular;
  • Melhora da coordenação motora, da estabilidade articular, da flexibilidade e mobilidade das articulações (inclusive vertebrais).

O conjunto de exercícios do Método se destaca por dar foco ao fortalecimento do centro do corpo, a musculatura abdominal, lombar, da região pélvica  e propulsores como a musculatura glútea. 

Sabidamente, esses grupos musculares têm poder estabilizador e podem beneficiar os demais movimentos pretendidos e executados, fazendo assim com que todo o corpo seja trabalhado de forma pensada e integral.

Através dos exercícios para Hérnia Discal Lombar, como já foi dito, podemos alcançar o fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna vertebral e em especial, da coluna lombar. 

Esse fortalecimento ocorre através do fortalecimento do transverso do abdome e multífidos, por exemplo, controlando o movimento de translação e cisalhamento das vértebras e protegendo essencialmente os componentes que envolvem a unidade vertebral, mas, sem que para isso seja perdida a mobilidade da mesma. 

Assim, devemos ter sempre em vista, durante o planejamento, programação e execução das aulas de Pilates, que o ganho/preservação da mobilidade é de grande importância para que não haja rigidez e perda da função. 

A região lombar exerce papel fundamental na rotação da coluna vertebral. Movimentos rotacionais são de grande importância para execução das AVD’s (atividades de vida diária) do indivíduo. Sem ela, estamos sujeitos à execução de tarefas em bloco e a modificação total da biomecânica dos movimentos pretendidos.

Por isso, torna-se de suma importância que nós, profissionais do Pilates, saibamos dar a atenção necessária aos grupos musculares responsáveis pela estabilização local da coluna vertebral. Porém, não menos importante, é a estabilização global, que deve ser realizada através do treino dos músculos abdominais. 

Estes são responsáveis por movimentos mais amplos de flexão e extensão da coluna vertebral e são capazes de distribuir a carga imposta a ela, evitando e prevenindo lesões locais.

Devemos manter esse pensamento focado durante a prática do Método Pilates e assim alcançarmos o tão desejado controle do centro de força, do power house, mas, lembrando sempre da importância da mobilidade de cada segmento.

Principais exercícios para Hérnia Discal Lombar

 Alguns exercícios para Hérnia Discal Lombar que podem ser executados, tendo em vista a estabilização e mobilidade da coluna lombar, são: 

1. The Hundred

2. Single Leg Circle (círculos com uma perna)

3. Single Leg Stretch (alongar uma perna)

4. Double Leg Stretch (alongar as duas pernas)

exercicios-para-hernia-discal-lombar-4-Double-Leg-Stretch

5. Single Straight Leg Stretch (alongar uma perna estendida)

6. Double Straight Leg Stretch (alongar as duas pernas estendidas)

exercicios-para-hernia-discal-lombar-6-Double-Straight-Leg-Stretch

7. Swan Dive (mergulho do cisne) – apenas em seu primeiro nível de execução

exercicios-para-hernia-discal-lombar-7-Swan-Dive

8. Single Leg Kicks (chute com uma perna)

exercicios-para-hernia-discal-lombar-8-Single-Leg-Kicks

9. Double Leg Kicks (chute com as duas pernas)

exercicios-para-hernia-discal-lombar-12-Swimming

10. Bicycle – apenas em seu primeiro nível de execução

11. Shoulder Bridge 

12. Swimming

Importante: Preste especial atenção na progressão! 

Primeiro opte por exercícios isométricos. Após progrida para modificações desses exercícios que não utilizem a massa de membros inferiores como sobrecarga. 

Só após um bom período de adaptação e aprendizado do controle da coluna lombar é que se deve realizar exercícios de maior amplitude de flexão de coluna e que utilizem movimentos de flexão e extensão do quadril tendo os joelhos estendidos..

Estejamos sempre atentos à capacidade executiva apresentada por cada indivíduo, dando início sempre pelo exercício mais simples e buscando a perfeição antes de evoluir para o próximo e mais complexo. 

Busquemos sempre o acionamento correto da musculatura postural, de crescimento axial e do centro de força (powerhouse), para que dessa forma consigamos manter a mobilidade sem impor grande carga à coluna lombar.  

Todos os exercícios para Hérnia Discal Lombar podem ser modificados e alterados para que sejam adaptados a cada necessidade apresentada pelo seu aluno, podendo utilizar de equipamentos e acessórios que auxiliem ou dificultem sua execução, impondo-lhe diferentes graus de desenvolvimento executivo.

Cuidados e restrições com os exercícios para Hérnia Discal Lombar  

Devemos ter em mente que as hérnias de disco lombares, na grande maioria dos casos, acontecem póstero ou póstero-lateral da coluna vertebral, sendo assim, são contraindicados, em primeiro momento, os exercícios que são capazes de aumentar a pressão sobre os discos no sentido posterior. 

Por exemplo, nos movimentos de flexão e rotação da coluna como acontece nos exercícios The Roll Up, The Roll Over, Spine Twist e The Saw, até que seu paciente obtenha consciência corporal para conquistar uma coluna neutra, o crescimento axial e a correta ativação do “powerhouse”, para que aí então assim seja feita uma evolução natural e com cautela dos exercícios para Hérnia Discal Lombar propostos.

Esse conceito deve ser mantido em foco, porém, as contraindicações são temporárias. Como foi dito anteriormente, é de suma importância que não transformemos nossos alunos em blocos rígidos, incapazes de exercer movimentos simples que exijam qualquer grau de rotação e flexão de tronco. 

Estes devem ser inseridos no programa de forma cautelosa e criteriosa, mas não podem deixar de fazer parte do plano de tratamento, uma vez que é nosso objetivo reabilitar a biomecânica do movimento.

Devemos nos atentar também, à mobilidade do quadril, uma vez que seus movimentos influenciam diretamente na biomecânica do segmento vertebral mais próximo ou a ser tratado. 

Tenhamos atenção ao músculo Psoas Maior, pois este caso esteja encurtado, pode aumentar a carga compressiva e as forças de atrito anteriores nas vértebras lombares. 

Lembremos sempre de olhar para nosso aluno de forma global, identificando suas necessidades e carências físicas. 

Conclusão

Após termos relembramos neste artigo a anatomia da coluna vertebral, em especial da coluna lombar, a fisiopatologia da hérnia de disco e seus mecanismos de desenvolvimento, as formas de tratamento desta patologia e principalmente, sobre a ação e os efeitos que o Método Pilates exerce durante um programa de reabilitação, podemos concluir, que dentre os principais métodos de tratamento das patologias da coluna vertebral, o Pilates propõe um programa completo que satisfaz todas as necessidades biomecânicas apresentadas pela cinesiopatologia em questão.

Muito embora a fisioterapia convencional proporciona tratamento eficazes, após a alta clínica o paciente necessita continuar dando manutenção aos ganhos alcançados durante o tratamento e estes podem ser supridos também com exercícios para Hérnia Discal Lombar do Pilates.

Portanto, concluímos que, o Pilates pode ser utilizado tanto como método de escolha terapêutica, como método de manutenção clínica. Em ambos os casos, é capaz de conferir a diminuição do quadro álgico, o aumento da estabilidade e da mobilidade à coluna vertebral, melhora da funcionalidade e qualidade de vida do indivíduo.