Posted in:

Porque realizar Avaliação nos Aparelhos de Pilates em meus alunos?

É muito comum recebermos em nosso studio uma diversidade de pessoas que apresentam algum tipo de patologia. Assim, se não realizarmos uma boa Avaliação nos Aparelhos de Pilates, não teremos êxito em nossos tratamentos.

Ninguém vive estático a todo momento: nós realizamos movimentos em todas as nossas atividades de vida diária. E, na avaliação, não poderia ser diferente.

Em nossa formação acadêmica, aprendemos a avaliar nossos alunos de forma estática, muitos se corrigiam quando estavam sendo observados. Dessa forma, a avaliação não era fiel ao estado da patologia.

Como realizar uma ótima Pré-avaliação

A primeira coisa que as pessoas fazem quando são observadas em posição estática é corrigir a postura, escondendo, às vezes, uma compensação importante. O avaliador, por vezes, não consegue entender com eficácia o motivo real pelo qual aquela pessoa está ali.

Já em uma avaliação dinâmica – e no caso do Método Pilates realizando os exercícios nos aparelhos -, o avaliador observará a execução de cada movimento do seu aluno. Assim, fica mais difícil para aluno, esconder as compensações nos movimentos, as suas fraquezas, a sua mobilidade e a sua flexibilidade.

Se o avaliador pode lançar mão desse recurso, porque não usá-lo para ter uma Avaliação nos Aparelhos de Pilates mais rica e um tratamento muito mais eficaz?

Primeiros passos

O instrutor deve atentar-se às queixas principais dos alunos, relacionar essas queixas com as patologias que já existem e traçar a partir daí sua aula, tratando o corpo como um todo.

Uma boa Avaliação nos Aparelhos de Pilates é sinal de sucesso e existe uma grande falha por muitos instrutores quanto a isso. Nunca devemos nos prender a apenas um sintoma, devemos sempre estar atualizados nas patologias, anatomia e biomecânica.

Existe uma série de estudos científicos publicados constantemente, e estar atento às mudanças também é fundamental.

A primeira aula do aluno deve ser pensada de acordo com a sua principal queixa. Por exemplo, se ele relatar dor ou desconforto na região lombar escolho, dentre todos os exercícios do repertorio de Pilates, os que trabalham a região lombar e musculatura estabilizadora – tanto força, quanto flexibilidade e mobilidade.

Exercícios de Avaliação nos Aparelhos de Pilates

Spine Streches no Cadilac

Um bom exercício é o Spine Streches sentado no Cadillac: além de ser de fácil execução para uma aula avaliativa, conseguimos ver no movimento vários segmentos do corpo trabalhando. Falando sobre o movimento Spine Streches ainda, vou analisá-lo em detalhes.

  1. Postura do aluno: quando meu aluno é cobrado a ficar sentado sobre os ísquios ele não tem apoio de coluna torácica e a tendência, quando há fraqueza, é “desmontar” a postura fisiológica da coluna torácica, inclinando-a para frente e ficando em posição cifótica ou porque as vezes já tenha uma postura cifótica instalada.
  2. Execução do movimento: ao executar o movimento, conseguimos observar a mobilidade da coluna torácica e cintura escapular (é muito comum movimento em bloco dessa região).
  3. Observar o movimento da coluna lombar na volta para a posição inicial: o aluno tem que manter a lombar encaixada fisiologicamente sem aumentar a lordose.
  4. Alongamento de isquiotibiais: como o exercício recruta essa musculatura, conseguimos enxergar se ele tem bom alongamento sem perder o alinhamento na posição.

É comum em alunos com dor lombar relatar desconforto em flexão ou extensão do tronco (devemos evitar os movimentos se já estiver o diagnostico da patologia com contraindicação absoluta).

Front Splits no Reformer

O segundo exemplo de exercício é o Front Splits no Reformer, nele conseguimos avaliar a Síndrome da Cadeia Cruzada – ainda falando de lombar.

  • Posição do aluno: hiperlordose (possível causa de dor lombar) tem abdômen protuso, encurtamento de quadríceps, assim como no psoas e no quadrado lombar (nesses casos pode haver fraqueza desses músculos) e fraqueza de alongamento nos glúteos e abdominais.

Ou seja, tudo está desalinhado e desequilibrado. Existe uma grande dificuldade desse aluno manter-se alinhado até mesmo na posição inicial do exercício, sem gerar compensações de postura.

  • Execução do movimento: como vou trabalhar tanto na fraqueza de alongamento quanto de encurtamento, devo atentar-me a lordose do meu aluno.

Quanto mais ele empurrar o carrinho do Reformer para trás, mais ela irá aumentar a lordose. Devo observar também a rotação de quadril (outra compensação significativa e comum nesse exercício), uma vez que a tendência é rodar para descer.

Uma forma de averiguar o movimento – para quem não consegue ver a rotação -, se for mínima, é segurar com as 2 mãos o quadril do aluno e verificar se ele exerce força a contra elas. A amplitude de movimento também vai sofrer alteração, quanto menos ele compensar, menos ele vai empurrar o Reformer.

Roll Up

O terceiro exemplo é o Roll Up. Esse movimento de solo recruta muito os músculos do abdômen e, para quem tem hiperlordose, requer maior consciência corporal.

Isso porque é necessário deixar a coluna lombar apoiada no MAT, além de que o abdômen estará enfraquecido e provavelmente o aluno não conseguirá executar o movimento sem usar impulso para alcançar os pés.

Também conseguimos observar a mobilidade da coluna torácica e cintura escapular mobilizando em “C” e alongamento dos isquiotibiais. Podemos ou não pedir para nosso aluno chegar a fadiga muscular para traçarmos a quantidade de repetições para ser executada na aula não avaliativa.

Concluindo…

Quando se trata de patologia, todo cuidado deve ser tomado – indiferente de qual seja -, mesmo na aula de Avaliação nos Aparelhos de Pilates.

Se nesse primeiro momento meu aluno sentir dor patológica por realizar movimento indevido, provavelmente ele não voltará ao studio porque irá associar a aula com a dor e não com a cura. Existem alguns exercícios chave para teste de força, mobilidade e flexibilidade e podemos usá-los – quase sempre  sem contra indicações.

Muito se ouve falar sobre o método Pilates e seus benefícios! Nós como instrutores devemos nos atentar as necessidades dos nossos alunos. Devemos ser coerentes nas montagens das aulas assim como na Avaliação nos Aparelhos de Pilates, que é o sucesso do tratamento.

Quando recebemos um aluno em nosso studio devemos lançar mão de tudo aquilo que sabemos, assim é possível trazer bem estar aliviando dores e desconfortos gerados pelas compensações e patologias.

Written by Paula Roberto

Paula Roberto

Fisioterapeuta, especialista em saúde da mulher e instrutora do Método Pilates. Instrutora dos Cursos de Pilates pela VOLL Pilates Group.

1 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *