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Muito se fala sobre o déficit de equilíbrio postural em populações especiais, idosos, gestantes, pessoas com comprometimento neurológico que, consequentemente, necessitam de uma atenção maior. Porém não podemos esquecer, pessoas que não se enquadram nesses perfis populacionais também precisam trabalhar o equilíbrio, e com todos os benefícios do Pilates, o Método se torna uma ótima opção de tratamento.

Neste texto vamos dar dicas para suas aulas e explicar porque o Método Pilates exerce tanta influência no equilíbrio postural.

A falta de Equilíbrio Postural

A falta de equilíbrio interfere significativamente na qualidade de vida, e vários fatores intrínsecos ou extrínsecos podem influenciar nessa debilidade. Vejamos:

  • Intrínsecos: o sistema motor, sensorial e cognitivo, estão diretamente relacionados com o desenvolvimento, melhora e/ou piora do equilíbrio;
  • Extrínsecos: a força gravitacional e as mudanças na base de suporte (acessórios) agem diretamente na resposta que um indivíduo gera frente a uma instabilidade.

Outro fator importante relacionado a manutenção do equilíbrio e que podemos citar aqui é o controle postural: a capacidade que o corpo tem de poder reagir frente a um desequilíbrio.

Esse controle se deve, além de nossas vivências, a como nosso sistema motor irá responder à questão imposta. E não só isso, para que as respostas motoras aconteçam, o sistema motor depende dos estímulos sensoriais disponíveis, provenientes dos sistemas somatossensorial, vestibular e/ou visual.

Muitas pessoas relacionam a questão “equilíbrio” somente com o cerebelo e gânglios basais. Ele é sim extremamente importante e  tem a função de sequenciar as atividades motoras e fazer, rapidamente, os ajustes necessários, entre um movimento e outro, além de auxiliar no controle de grupos musculares agonistas e antagonistas.

Mas devemos lembrar que quem controla todos esses acontecimentos é o córtex motor. O cerebelo, por exemplo, não é capaz de iniciar sozinho uma resposta motora ou de ajuste motor. Para isso, precisa agir em junção com outros sistemas que controlam a função motora para que consigamos, quando recebermos um estímulo, fornecer uma resposta desejada.

A atenção é um processo cognitivo, usado para selecionar o que iremos ou não responder, ou seja, desprezar o que não é interessante e focar no que é necessário naquele momento. A atenção é importante para elaborarmos estratégias antecipatórias frente a uma instabilidade e manter o equilíbrio.

Estamos em constante desequilíbrio, seja durante a marcha, na realização de algum movimento ou mesmo parado em alguma posição. Deslocamos nosso centro de massa para quase o limite da base de suporte que nos encontramos, para realizar os mais diversos movimentos.

Equilíbrio Postural X Pilates

A melhora do equilíbrio está relacionada também, com nossas vivências que, frente a um estímulo, consegue realizar ajustes antecipatórios evitando quedas e fazendo com que o indivíduo consiga se manter estável em determinada posição.

A estabilidade é a capacidade de manter o centro de massa dentro do limite de estabilidade sem mudar a base de suporte.

O equilíbrio é algo treinável e o conceito Pilates, juntamente com todos os seus princípios nos ajuda nesse processo.

Você pode se perguntar “mas como posso fazer isso?” ou ainda “como facilitar ou dificultar uma atividade que trabalhe equilíbrio?”.

Relacionamos nove dicas que podem auxiliar na tomada de decisão quando o assunto é melhorar o equilíbrio, são eles:

Base de suporte do corpo

Quando falamos em base de suporte nos referimos à base em que estamos apoiados, seja deitado, sentado ou em pé.

Além disso, constantemente, precisamos manter nosso centro de gravidade dentro dessa base de suporte, o que pode parecer fácil num primeiro momento é uma tarefa muito complexa para todo o corpo.

Quando estamos deitados em decúbito dorsal, apresentamos nossa maior base de suporte. Realizar exercícios nessa posição são mais fáceis e exigem menos da capacidade muscular, pois estamos sobre uma base mais extensa.

Exemplo: Pensemos no exercício footwork realizado no Reformer, em decúbito dorsal (fig.1).

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Fig 1 – Footwork Toes

Pensando no equilíbrio para realização desse exercício, não teremos grandes problemas ou dificuldades. Lembre-se: estamos falando de equilíbrio e base de suporte.

Porém, se realizarmos o exercício na Chair (fig 2), sentado sobre ela, com os pés nos pedais, teremos um desafio maior para mantermos o controle do corpo em uma base de suporte menor, que seriam os ísquios.

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Fig 2 – Footwork double leg pumps

E, se realizarmos, o mesmo exercício, em pé, de frente para Chair (fig. 3), com um pé no pedal e outro no solo, será ainda mais desafiador para o aluno.

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Fig 3 – Footwork one leg pump front

Lembrando:

É importante sempre lembrar dos pés! Quando estamos em posição bípede (mas não só nela), são eles que recebem as informações sensoriais para que consigamos realizar as tarefas nessa posição.

Exercícios direcionados a eles são importantes para preparar os pés para as demais atividades, prevenindo lesões e fortalecendo toda a musculatura.

As bolinhas, com texturas e densidades diferentes, são benéficas para realizar uma auto liberação da fáscia plantar.

acessórios-pilates

Respectivamente: bolinhas com espinhos, bolinha de tênis, bolinha de golfe.

Controle e Equilíbrio Postural

Um bom controle postural resulta de um bom alinhamento através de um trabalho muscular eficaz. O Pilates, com seus princípios e exercícios, auxilia na melhora do alinhamento corporal e, consequentemente, nesse controle.

Tronco

Se mantivermos o controle do tronco, dentro de uma base de suporte qualquer, não significa que temos um ótimo controle. Além disso, precisamos conseguir nos mover em todos os planos de movimento e direções e sermos funcionais em todos eles.

E ainda não só nos mover, mas irmos até o limite da estabilidade e conseguir voltar para o meio, ou seja, devemos conseguir ir para a assimetria e voltar para a simetria.

Os músculos estabilizadores, trabalhados nas aulas de Pilates, auxiliam nessa função. Buscando estabilidade de centro para funcionalidade em extremidades, minimizando risco de lesões e compensações.

Cabeça

Tanto a cabeça como o pescoço são regiões extremamente importantes na manutenção do equilíbrio. As informações proprioceptivas provenientes dos receptores articulares do pescoço dão informações importantes para o restante do corpo o mantê-lo.

Por exemplo, quando a cabeça inclina, o pescoço realiza tal inclinação e o sistema vestibular detecta o desequilíbrio e, juntamente, com todos os sistemas relacionados a esse controle, fazem os ajustes necessários para a manutenção do equilíbrio.

Olhos

As imagens captadas pelos olhos parecem ser as mais importantes informações relacionadas ao equilíbrio. Enquanto a qualidade da informação visual não sofre distorções, o equilíbrio permanece constante.

Porém, quando essa informação se altera, seja pelo movimento da imagem ou por alguma alteração na visão, a manutenção do equilíbrio se torna mais difícil.

Sendo assim, podemos dizer que para facilitar um trabalho de equilíbrio qualquer, podemos desenhar um ponto e pedir que o aluno/paciente realize determinado exercício.

Para dificultar, podemos solicitar que realize uma tarefa acompanhando uma imagem que se move ou simplesmente executar a atividade fechando os olhos.

Atenção

A atenção é um processo cognitivo. Quando treinamos o equilíbrio, precisamos de atenção direcionada à tarefa.

Três fatores são essenciais: fisiológico, motivacional e concentração. Quanto mais difícil for para o aluno/paciente focalizar a fonte de estímulo, maior será o grau de solicitação e atuação, exigindo mais atenção e concentração para realizar a tarefa.

Dê um bom motivo para o aluno realizar determinado exercício e o deixe se concentrar durante a execução.

Feedbacks na medida

Fazendo uma ponte com o ponto acima, não é porque o paciente precisa se concentrar, que não podemos dar informações para que ele consiga realizar da melhor forma a tarefa proposta.

Porém, essas informações precisam ser claras, precisas e diretas, para que ele não perca o foco no que está fazendo.

O aluno precisa entender o comando e ser capaz de fazer os ajustes necessários. Evite muitas informações ao mesmo tempo e deixe os feedbacks positivos para quando ele terminar a realização do exercício.

Acessórios – base de suporte externa

Hoje em dia dispomos de muitos recursos para trabalhar a questão do “equilíbrio”. Os acessórios podem e devem ser utilizados em diversas posturas, não só na posição bípede, mas em decúbito dorsal, em quatro apoios, ajoelhado, sentado e assim por diante.

Tudo irá depender de como pretende desafiar seu paciente e se ele está preparado para isso.

Veja alguns exemplos de acessórios:

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Cuidados especiais para o Equilíbrio Postural

Grupos especiais, como gestantes e idosos, precisam trabalhar muito o equilíbrio, mas com cuidado, pois os exercícios relacionados devem ser aplicados com cautela.

Não adianta darmos um agachamento com os pés no bosu para um aluno e ele não conseguir nem se manter em pé.

Nesse caso, o ideal é aplicar, primeiramente, a manutenção do equilíbrio em cima do bosu, e, quando o paciente conseguir manter-se nessa posição, começar a exigir mais, como o agachamento.

Conclusão

Vimos o quanto é importante aliar os benefícios do Pilates com as técnicas e exercícios para uma melhora do equilíbrio postural.

É fundamental integrar as informações sensoriais recebidas externa ou internamente, a fim de conseguir avaliar a posição do nosso corpo e do movimento no espaço, pois através dessas informações é possível determinar os limites de estabilidade que nosso corpo apresenta.

Também é essencial elaborar respostas quando perdemos nosso limite de estabilidade, além de fortalecer e gerar força, nos diversos sistemas, para controlar a posição do corpo.

E lembrando que é sempre recomendável incrementar a atividade, com diferentes acessórios e desafios. Lembre-se que os aprendizados se dão por meio de experiências prévias.

Agora é sua vez, adapte suas aulas para alunos que necessitam dessa atenção especial ao equilíbrio.

Tem alguma dica ou experiência? Conte para gente nos comentários!

 

Referências Bibliográficas

MANN, Luana; KLEINPAUL, Julio Francisco; MOTA, Carlos Boli; SANTOS, Saray Giovana dos. Equilíbrio Corporal e exercícios Físicos: uma revisão sistemática. Motriz, Rio Claro, v.15 n.3 p.713-722, jul/set 2009.

BANCKOFF, Antonia Dalla Pria; BEKEDORF, Rafael. Bases Neurofisiológicas do equilíbrio corporal. Efdesporte / Revista digital, Buenos Aires, Ano 11, n.106, março de 2007. Disponível em http://www.efdeportes.com/efd106/bases-neurofisiologicas-do-equilibrio-corporal.htm

BANKOFF, A.D.P.; CAMPELO, T.S.; CIOL, P.; ZAMAI, C.A. Postura e equilíbrio corporal: um estudo das relações existentes. Movimento & percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v.7, n. 10, jan/jun. 2007

MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia Funcional. Ed Atheneu, RJ, 2004.

MASSEY, Paul. Pilates – Uma abordagem anatômica. Ed Manole, SP, 2012.