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Pilates para Osteoporose: Como o Método Pilates Pode Auxiliar no Tratamento

Pilates para Osteoporose

Sabemos que a osteoporose é uma condição advinda de um processo comum de envelhecimento. Mas, como profissionais, também sabemos que é possível utilizar o Pilates para Osteoporose e minimizar estes danos.

É o que vamos ver mais afundo neste post.

Antes de nos aprofundarmos no Método Pilates para Osteoporose, vamos relembrar alguns pontos básicos sobre a patologia e nosso corpo:

Pilates para Osteoporose: antes de mais nada…

O osso é uma estrutura formada por tecido conjuntivo, também conhecido como tecido ósseo.

Uma de suas funções é fazer a reserva de minerais, principalmente do cálcio e fósforo, que são encontrados na matriz mineral, precisando estar os dois unidos para deixar o osso com característica dura.

A estrutura óssea constantemente é formada e reabsorvida pela ação de renovação celular dos osteoblastos.

Essas são células responsáveis por fazer a mineralização do osso e sintetizar a parte orgânica como o colágeno tipo I.

Sendo assim, com a junção do cálcio, fósforo e colágeno, o osso passa a ganhar mais resistência.

Quando esse processo acontece essa formação é chamada de osteócito.

Já os osteoclastos atuam na remodelação do osso que ocorre quando ele cresce ou em condições que facilita a reabsorção óssea como por exemplo na osteoporose.

Os hábitos de vida da sociedade moderna acabaram levando ao aumento no casos de osteoporose. A maioria só descobre quando tem uma queda e consequentemente fratura.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se um número aproximado de 10 milhões de habitantes com a doença.

Muitas pessoas morrem devido consequências das fraturas, em outros casos elas prejudicam a sua independência e qualidade de vida.

Embora saibamos que a osteoporose faz parte do processo de envelhecimento, acredita-se que também é possível prevenir ou minimizar as incidências.

No Brasil existem alguns programas que estimulam a prevenção desde a infância através da adoção de hábitos saudáveis de vida, orientação de dieta adequada e exercício.

O que é a Osteoporose?

A osteoporose é uma patologia osteometabólica conhecida como uma doença silenciosa. Ela não apresenta sintomas e nem dói, só é descoberta quando realizado o exame de densitometria óssea.

O exame funciona através da absorção de prótons emitidos por uma fonte radioativa atravessa o osso e consegue determinar a densidade do mesmo.

Outros pacientes descobrem o problema quando ocorre alguma fratura, sendo a ocorrência mais comum no punho, coluna e colo do fêmur.

É caracterizada por diminuição da massa óssea e desorganização da arquitetura do tecido ósseo, que leva a um aumento da fragilidade.

É considerada um grande problema de saúde pública.

Classificação da osteoporose

A incidência maior nos quadros de osteoporose é nas mulheres após menopausa.

Alguns fatores de risco são a influência genética, dieta inadequada de cálcio, consumo exagerado de cafeína, tabagismo e sedentarismo.

Pode ser classificada em dois tipos:

Primária (tipo I)

Aqui entram os casos de osteoporose pós menopausa (nas mulheres).

Eles acontecem porque os ossos são influenciados pelo estrogênio, um hormônio feminino, que tem como uma das funções manter o equilíbrio entre o ganho de massa óssea e perda.

Na menopausa, os níveis de estrogênio diminuem bruscamente, levando à doença.

Secundária (tipo II)

Senil, causada pela perda de massa óssea decorrente do processo de envelhecimento (podendo ocorrer tanto em mulheres como em homens), sendo classificado para esse grupo a maioria dos casos.

Outras causas

A osteoporose também pode ocorrer devido a utilização de medicamentos como:

  • Corticoides;
  • Anticonvulsionantes;
  • Quantidades excessivas de hormônio da tireoide ou patologias associadas (doenças crônicas, endocrinopatias);

Esses casos podem ser responsáveis pelo aparecimento do quadro em pessoas mais jovens.

Fatores de risco na osteoporose

  • Idade avançada;
  • Sexo feminino;
  • Etnia branca;
  • Hereditariedade;
  • Sedentarismo;
  • Tabagismo ou etilismo;
  • Baixa estatura ou baixo peso;
  • Uso prolongado de medicamentos (corticoide, anticoagulante, anticonvulsivante);
  • Baixa ingestão de cálcio e vitamina D;
  • Baixa exposição ao sol;
  • Níveis reduzidos de estrogênio;
  • Doenças de base (como por exemplo as doenças endócrinas, artrite reumatoide).

Quadro Clínico

No início a osteoporose não apresenta sinais e sintomas.

Geralmente, os sinais aparecem com a evolução da perda de massa óssea e em fases avançadas os sintomas que podem surgir.

Porém esses sintomas não são determinantes.

Entre eles estão:

1. Deformidades e alterações posturais

Alguns pacientes apresentam ombros caídos e presença de postura curvada (hipercifose) que com a progressão leva as costelas se projetarem para baixo se aproximando da bacia.

Como consequência surge a dor.

Em quadros avançados, encontramos a inclinação anterior da bacia e um alongamento exagerado dos músculos posteriores dos membros inferiores (MMII) e contractura dos flexores do quadril, levando a dor articular e limitação da marcha.

2. Dificuldade em alcançar os armários mais altos

3. Abdômen mais proeminente

4. Dor nas costas

Essas dores podem aparecer nos segmentos da dorsal e lombar, que agravam nos movimentos mais bruscos.

Consideramos essa dor grave quando é causada por ma vértebra fraturada ou colapsada que comprime um nervo.

5. Fraturas

Esse é considerado como o fator principal de consequência e manifestação da doença.

As fraturas são mais comuns nas vértebras (dorsal e lombar), punhos, quadris (colo do fémur) e outros ossos.

Prevenção da osteoporose

  • É importante que o paciente tenha atenção na dieta que deve ser balanceada, com quantidades adequadas de cálcio e vitamina D.
  • Evitar o uso de bebidas alcoólicas ou fumar
  • Se for indicado pelo médico usar a reposição hormonal.
  • Anualmente deve ser feito a densitometria óssea, principalmente se tiver mais de 50 anos.
  • Praticar exercício física regularmente para melhorar o índice de massa óssea, equilíbrio, força, coordenação, prevenir quedas e chances de fraturas.

Segue algumas dicas para orientar o paciente a prevenir as quedas:

  • Usar calçado antiderrapante e sem saltos altos;
  • Evitar andar em casa só com meias, principalmente em chão escorregadio;
  • Evitar locais mal iluminados e pavimentos molhados ou derrapantes;
  • Evitar o uso de tapetes em casa;
  • Levantar-se e deitar-se devagar, por forma a evitar ter tonturas e provocar a queda

Quais tipos de tratamentos são utilizados para a Osteoporose?

Os objetivos gerais dos tratamentos está em aliviar a dor, contribuir para a qualidade de vida, diminuir a hipótese de progressão da doença, prevenir quedas e consequentes fraturas.

Tratamento com Medicamentoso

Medicamentos que estimulem o aumento da massa óssea e nos quadros álgicos o uso de analgésico.

Nutrição

Alimentação saudável e rica em Cálcio e Vitamina D ou se necessário a complementação através de suplementos.

Cálcio: Ajuda a fortalecer os ossos.

Vitamina D: Contribui para absorção do cálcio no organismo, através da regulação do metabolismo ósseo.

Tratamento Fisioterapêutico

  • Analgesia e relaxamento muscular
  • Prevenção de deformidades
  • Manter amplitude e funcionalidade geral
  • Correção postural
  • Treino de equilíbrio e coordenação
  • Alongamento muscular
  • Exercício aeróbico de baixo impacto
  • Hidroterapia
  • Fortalecimento muscular global
  • Manter um estilo de vida saudável.

Teste de auto-avaliação

Esse teste não é usado para diagnóstico, porém usado para orientação de nós, profissionais.

Durante a avaliação de um paciente nas aulas de Pilates para Osteoporose, converse com ele e obtenha as respostas para as seguintes perguntas:

  1. Sua dieta é pobre em Cálcio?
  2. Tem alguém na sua família com osteoporose?
  3. Você é diabético (a)?
  4. Você tem ou já tratou Artrite Reumatóide?
  5. Você tem mais de 50 anos?
  6. Você teve menopausa antes do tempo ou por procedimento cirúrgico?
  7. Você é sedentário (a)?
  8. Você bebe bebidas alcoólicas ou fuma em excesso?
  9. Você usa corticóides, hormônios para tireóide ou quimioterapia?
  10. Você é muito magro (a) e sua pele é muito clara?

Obs: Quanto mais respostas “SIM” maior o risco para ocorrência de osteoporose no paciente.

Pilates no tratamento da osteoporose

O método Pilates para osteoporose traz grandes benefícios.

O primeiro motivo está em  trabalhar o corpo como um todo, focando nos músculos de forma a estimular o ganho de força muscular.

Podemos fazer tudo isso com a utilização de exercícios resistidos com diversos tipos de cargas (peso do próprio corpo, bola, ação da gravidade e molas dos aparelhos).

Alongamentos também são bem vindos, pois diminuem encurtamentos e tensões que muitas vezes favorecem as alterações posturais, e com os exercícios o objetivo está em contribuir no reequilíbrio muscular.

O ensinamento e a estimulação do alongamento axial que favorece a promoção quanto a redução do risco de microfraturas, porque assim diminui a compressão na vértebra.

Os músculos oferecem um papel importante nos ossos devido as forças mecânicas que são impostas pelos músculos no tecido ósseo.

Outros benefícios do Pilates para Osteoporose

  • Promover relaxamento muscular
  • Manter e/ou ganhar amplitude de movimento contribuindo na melhora da rigidez articular e prevenindo deformidades.
  • Ganhar e/ou aumentar flexibilidade auxiliando na fluidez dos exercícios
  • Proporcionar reequilíbrio muscular da musculatura estabilizadora e dos músculos agonistas e antagonistas que vai contribuir para melhora da postura.
  • Prevenir lesões
  • Evitar padrões de movimentos incorretos
  • Melhorar nutrição e oxigenação dos músculos
  • Diminuir ansiedade ajudando a mente a relaxar reduzindo o estresse e nervosismo, consequentemente diminuir as tensões.

Exercícios de Pilates Para a Osteoporose

É importante intensificar exercícios de reforço abdominal.

Mas lembrando: sem flexão e/ou rotação e enfatizando a coluna neutra.

Exercícios de sobrepeso com descarga de peso em MMII são interessantes, para que assim favoreça uma melhor absorção óssea.

Também podemos realizar a extensão da coluna.  Alguns estudos mostraram que esse posicionamento, além de diminuir a hipercifose torácica, diminui o risco de fraturas na vértebras e melhora da densidade óssea e equilíbrio.

O exercício é considerado um ótimo complemento para o tratamento e sua prática segura deve ser realizada com acompanhamento profissional.

Exercícios de Pilates para Osteoporose: Solo

  • The side leg séries
  • Single leg circles

Exercícios de Pilates para Osteoporose: Reformer

  • Foot work (Série)
  • Hundred com variação, sem elevação da cabeça
  • The abdominal séries, sem elevação da cabeça

Alguns exercícios de Pilates para Osteoporose NÃO RECOMENDADOS:

Spine Stretch foward e Rotation

Segundo Sherri Betz ele sugere mais alguns exercícios indicados e contra indicados.

Alguns exercícios de Pilates para Osteoporose RECOMENDADOS:

  • Hundred (com a cabeça apoiada);
  • Swan;
  • Extensão do tronco em prono,;
  • Single leg Kick;
  • Double Leg Kick;
  • Sholder Bridge;
  • Side Kick;
  • Leg Pull Front;
  • Leg Pull Back;
  • Dead Bug;
  • Psoas Stretches;
  • Prone Hip Lift (Ponte);
  • Push Up (modificado);
  • Prone Spine Extension no trapézio;
  • Knees Straight;
  • Pump one Leg entre outros.

Alguns exercícios de Pilates para Osteoporose CONTRA INDICADOS:

  • Repertório de solo:
    • Hundred, Roll Up;
    • Roll Over;
    • Rolling Back;
    • Rolling Like a Ball;
    • Scissors;
    • Spine Stretch;
    • Rocker With Open Leg Rocker;
    • Corkscrew;
    • Criscross;
    • Saw;
    • Neck Pull;
    • Bicycle;
    • Spine Twist;
    • Jack-Knife;
    • Teaser;
    • Boomerang;
    • Seal;
    • Crab;
    • Rocking;
    • Control Balance;
  • Nos equipamentos:
    • Exercícios que fazem a flexão, flexão lateral e/ou rotação exemplo (Mermaid, Monkey, Roll Down, Standing Roll Down, The cat entre outros.

Restrição de Exercícios para pacientes com Osteoporose

Muitos estudos mostram a eficácia do exercício físico para o ganho de massa óssea.

Porém, existem algumas controvérsias quanto a modalidade, intensidade e frequência que são indicadas ao paciente com osteoporose.

É aconselhado evitar exercícios de grande impacto priorizando caminhada, Pilates, musculação e hidroterapia.

O uso de duas ou mais modalidades diferentes ajuda a atingir melhores resultados e/ou não piora do quadro.

Nos pacientes com osteopenia (ligeira diminuição de massa óssea) flexão, flexão lateral e/ou rotação da coluna podem ser realizados com cautela.

Já na osteoporose recomenda-se evitar esses movimentos, devido a pressão exercida nos corpos vertebrais anteriores que pode causar como consequência uma fratura por compressão.

Conclusão

Faz-se necessário um trabalho de conscientização e interiorização de princípios para que a população adquira hábitos saudáveis.

“O jovem de hoje é o idoso de amanhã”, ou seja como cuidamos na infância vai influenciar no futuro, tanto o que se come, como o que se faz.

É necessário estimular e sermos exemplos na promoção e prevenção da saúde, orientando o paciente a estar atento(a) e buscar acompanhamento médico para seu problema.

Quanto às atividades que estão sendo realizadas, na minha experiência a maioria dos pacientes não as procuram por ter osteoporose ou relatam ter a patologia.

Frequentemente esse diagnóstico está associado a outras patologias.

Isso faz de boa avaliação algo essencial para identificar os principais problemas, descobrir as restrições, traçar um objetivo terapêutico e tratamento eficaz.

É importante realçar que o aluno precisa de indicação médica para também saber o grau da osteoporose e as atividades a serem realizadas sem risco.

Devemos orientar e mostrar os movimentos que são contra indicados e o posicionamento da coluna neutra.

Estudos recentes têm mostrado o avanço precoce da doença.

A população idosa é a mais acometida, porém hoje em dia já aparecem jovens que devido aos fatores de risco e uma vida sedentária apresentam a doença.

É necessário uma intervenção rápida quanto ao diagnóstico, sendo a intervenção precoce, melhor são os resultados.

Alguns casos clínicos acompanhados que fizeram um bom acompanhamento médico, nutricional auxiliando na mudança de hábito alimentar, fisioterapêutico, Pilates e realizaram alteração de hábitos incorretos obtiveram resultados eficazes.

Muitos conseguiram melhora da marcha, equilíbrio, força, flexibilidade, postura e prevenção do risco de quedas. Ou seja, houve redução de quedas relatadas e fraturas.

Gostou do artigo? Eu te convido a estudar mais a fundo o Pilates para Osteoporose e, sobre tudo, o Método Pilates aplicado à Idosos no geral.

Por isso, quero indicar aqui o Curso Completo de Pilates para Idosos do Grupo VOLL!

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