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Tudo sobre Anatomia do Quadril e como utilizar o Pilates na Reabilitação

Historicamente a prática do método Pilates proporciona muitos benefícios a seus praticantes. Entre eles os mais citados são a definição e o alongamento muscular, o realinhamento postural, associados a um condicionamento físico e mental.

Segundo Joseph Pilates tais benefícios só dependem da execução dos exercícios com fidelidade a seus princípios.

Além disso, hoje também é utilizado como recurso terapêutico por profissionais habilitados (fisioterapeutas) auxiliando na prevenção e reabilitação de diversas lesões e patologias, dentre elas as patologias do quadril.

Essa uma articulação comumente acometida por patologias que têm como fator causal alterações congênitas, a degeneração articular decorrente do uso excessivo da mesma e desequilíbrios musculares.

Além da degeneração relacionada à idade, o treinamento de alto rendimento e o aumento da prática de atividade física não orientada pode interferir na incidência de patologias do quadril em adultos jovens.

Que tal aprender mais sobre a Anatomia do Quadril? Continue lendo este texto!

Revisão da Anatomia do Quadril

O quadril é uma articulação esférica formada pela cabeça do fêmur e o acetábulo, osso do quadril. O acetábulo é formado pela união dos três ossos pélvicos, ilíaco, o ísquio e o púbis.

Essa articulação é recoberta por uma camada de cartilagem, que possibilita o movimento da articulação com pouco atrito, e envolto por uma capsula articular composta por fortes ligamentos.

E são eles: ligamento iliofemural, que refreia a extensão do quadril e também limita a rotação do fêmur em torno do seu eixo longitudinal; o ligamento pubofemural.

Que restringe a abdução do quadril bem como a extensão e a rotação lateral; ligamento isquiofemural, situado mais para trás que os demais, que limita a rotação medial do quadril.

Ligamento da cabeça do fêmur, sendo sua principal função conduzir vasos sanguíneos à cabeça do fêmur; e ligamento transverso do acetábulo, que são fortes fibras achatadas que cruzam a incisura acetabular.

Devido a essa anatomia do quadril, ele possui uma ótima coaptação, o que favorece sua estabilidade sendo considerada a articulação mais difícil de luxar no corpo humano, porém possui amplitudes de movimento limitadas quando comparada a outras articulações, como por exemplo, a articulação do ombro.

Na borda do acetábulo está situada uma cartilagem fibrosa, o labrum acetabular, que tem como função manter a pressão intra-articular e distribuir o líquido sinovial dentro da articulação.

Também existem pequenas bolsas, denominadas bursas, de material gelatinoso que são preenchidas por uma pequena quantidade de líquido sinovial e propiciam melhor deslizamento entre as estruturas articulares e a redução do impacto entre elas.

Toda essa estrutura está revestida por músculos responsáveis pela postura bípede, sendo essa uma das maiores importâncias da anatomia do quadril.

E são esses músculos, que associados aos músculos abdominais e paravertebrais que compõe o CORE (centro de força), que são solicitados durante todas as aulas de Pilates para manter a estabilidade durante a realização dos exercícios.

A articulação do quadril realiza movimentos de flexão, adução (relativa ou adução combinada), abdução, rotação interna (ou medial) e rotação externa.

E como é uma articulação com três graus de liberdade por realizar movimentos nos três eixos (sagital, longitudinal e horizontal) realiza a circundução, que nada mais é que a transição pelos três planos de movimento.

Os objetivos dos componentes dessa articulação são diminuir o impacto articular e aumentar a estabilidade do movimento, porém por diversos motivos eles podem perder total ou parcialmente a sua função alterando a biomecânica articular e consequentemente gerar uma patologia como a artrose de quadril.

Todos esses movimentos são realizados em amplitudes consideradas normais, variando de acordo com o alongamento e mobilidade de cada individuo, e podem ser aumentados com exercícios e treinamentos específicos realizados, por exemplo por bailarinos.

No entanto, movimentos compensatórios podem acontecer, e se não realizados de maneira adequada e com o desgaste gerado na superfície articular lesões podem ocorrer com o decorrer do tempo.

Principais Patologias que Acometem a Anatomia do Quadril

Podemos destacar algumas patologias que tem maior incidência no acometimento do quadril e são elas:

Síndrome do impacto femoro acetabular: Caracterizada por uma alteração no formato do osso do quadril devido a uma instabilidade articular ou a má formação durante a infância. 

O desequilíbrio muscular, assim como o encurtamento dos músculos posteriores da coxa, favorece o impacto da cabeça do fêmur no acetábulo diminuindo assim o espaço intra-articular.

Esse impacto pode ainda ser fator causal de outras lesões como a lesão de labrum acetabular  e artrose de quadril, as quais comentaremos adiante.

Lesão de Labrum Acetabular

Como citado anteriormente, o labrum é uma estrutura fibrocartilaginosa que reveste o acetábulo, região esta muito inervada e pouco vascularizada, responsável pela estabilidade e propriocepção articular, porém devido a sua pouca vascularização é uma região de difícil cicatrização.

Sua lesão normalmente é decorrente de uma anatomia do quadril congênita diferenciada ou a prática esportiva que exige muita rotação de quadril ou mudança abrupta de direção.

Artrose de quadril

É uma patologia caracterizada pela perda de mobilidade articular e muita dor devido à degeneração da cartilagem articular.

Pode ser decorrente de outras patologias como o impacto femoro acetabular, alterações congênitas do quadril, doenças inflamatórias e necrose avascular da cabeça do fêmur.

A dor é consequência dessa alteração devido à formação de osteófitos na superfície articular, ou mesmo a mudança de densidade óssea, o que gera maior contato entre as superfícies.

Tendinite dos glúteos

Nesse quadro o acometimento normalmente é dos tendões do glúteo médio e mínimo, que são auxiliam na estabilidade da pelve e do tronco, onde o glúteo médio tem a função de abdução e rotação externa do quadril e o glúteo mínimo faz a abdução e rotação medial do quadril. 

Geralmente é uma lesão degenerativa do tendão que leva a uma cronicidade da mesma. Entre os fatores causais estão esforço repetitivo, sobrecarga, fraqueza muscular, degeneração tendínea, e raramente traumas agudos.

Os sintomas incluem dor na lateral do quadril, dor ao caminhar e aos subir e descer escadas. A tendinite tornou-se mais frequente devido ao aumento do número de praticantes da corrida.

Não que a corrida seja a causa da tendinite, porém os diferentes comportamentos biomecânicos geram alterações no gesto esportivo que podem ocasionar a lesão.

Tendinite do ileopsoas

Caracterizada pela inflamação do tendão do músculo psoas, que tem origem na coluna lombar e se une ao ilíaco na pelve e se inserem no trocânter menor e fazem a flexão do quadril.

Essa inflamação é decorrente do desgaste do tendão devido ao uso excessivo da articulação. É uma lesão mais frequente em esportistas, como jogadores de futebol, e os sintomas são dor na região do quadril, dor profunda na região da virilha e rigidez articular.

Síndrome do Piriforme

Devido à proximidade do músculo piriforme ao nervo ciático, alterações musculares podem desencadear alterações que caracterizam a síndrome. As causas podem ser a contratura, o encarceramento ou a hipertrofia do piriforme.

A principal característica é a dor na região das nádegas, que pode irradiar até o joelho, decorrente a compressão do nervo ciático que anatomicamente passa entre os feixes do músculo.

Responsável pela rotação externa e auxiliar na abdução do quadril, o piriforme auxilia na estabilização da pelve quando tiramos um pé do chão para trocar a passada o que aumenta o risco de lesões por esmagamentos.

Atividades que podem favorecer a síndrome do piriforme são corridas em aclives, declives e terrenos irregulares, treinamento excessivo de glúteos e ciclistas que passam um longo período de tempo sentado e podem exigir uma rotação externa do quadril se não tiverem um gesto esportivo biomecanicamente adequado.

Bursite do quadril

A bursite consiste numa inflamação na área de atrito entre tendões e ossos do quadril onde existem as bursas (pequenas bolsas gelatinosas preenchidas por líquido sinovial).

Sua característica principal é a dor na lateral do quadril, que pode gerar desconforto durante a marcha e é decorrente do atrito excessivo entre as estruturas, fraqueza muscular, diminuição da flexibilidade e também pode ser ocasionada por traumas diretos no local.

Pubalgia

A sínfise púbica é uma região de junção dos ossos da pelve que sofre ação de forças de diversas direções por suportar e distribuir forças do compartimento superior do corpo.

Nessa mesma região estão situados a inserção dos músculos abdominais, adutores e músculos do assoalho pélvico. Essa característica favorece que alterações nessas forças ou desequilíbrios musculares gerem inflamação dessa articulação, que pode desencadear um processo degenerativo crônico.

A dor é decorrente dessa inflamação entre os ossos, cartilagens, ligamentos ou tendões que estão nessa região, e pode ser relatada desde a parte inferior do abdômen até a virilha.

Como podemos observar, as patologias do quadril apresentam sinais e sintomas comuns entre elas, como a dor na região do quadril, que pode ou não melhorar como o repouso, e a redução da mobilidade articular.

Sendo assim, faz-se necessário a avaliação completa e específica para o diagnóstico preciso da doença. Nela podemos identificar as alterações, dificuldades e dor gerados no indivíduo.

Exames de imagem, desde o raio-x até a ressonância magnética, são artifícios que podem ser utilizados para observar as condições das superfícies articulares e seus componentes.

E assim que o diagnóstico é fechado podemos iniciar a reabilitação, que pode incluir um período de tratamento medicamentoso, indicado por um médico, para redução de um processo inflamatório até o estágio final que é a adequação da biomecânica articular com exercícios específicos.

A Reabilitação do Quadril

A reabilitação visa o tratamento conservador dessas patologias, no entanto, alguns casos são irreversíveis e incapacitantes e levam a abordagem cirúrgica.

Como é o caso da artrose de quadril que pode ser tratada com técnicas de artroplastia, onde o acetábulo e a cabeça do fêmur podem ser substituídos por próteses.

Nesses casos a reabilitação normalmente se inicia antes do tratamento cirúrgico, a fim de melhorar as condições musculares para o processo de reabilitação pós-cirúrgico.

Onde cuidados devem ser tomados como o simples posicionamento adequado do membro operado para evitar luxações dos componentes da prótese, e o reestabelecimento das condições musculares.

Durante essa abordagem, diversas técnicas da fisioterapia são utilizadas e tem como objetivo diminuir/eliminar a dor com diferentes recursos dependendo do estágio de acometimento – agudo ou crônico.

Reequilibrar a musculatura com exercícios de força e resistência, reestabelecer a mobilidade e amplitude articulares com alongamentos e técnicas de mobilização.

Favorecer a propriocepção articular com treinos em diferentes superfícies, e o condicionamento físico através de exercícios aeróbicos de baixo impacto como a bicicleta estacionária e hidroterapia.

A fim de reestabelecer a função da articulação e consequentemente a atividade desenvolvida por ela, seja o simples fato de caminhar, ou o gesto esportivo.

Concluindo…

Sendo a articulação do quadril uma das maiores articulações do corpo, que proporciona o apoio para a estabilidade corporal, suporta uma forte carga e peso. É importante conhecer a anatomia do quadril.

Portanto, quaisquer alterações no quadril vão afetar de forma significativa não só o próprio quadril, como as articulações adjacentes devido a sua interdependência durante a execução dos movimentos, como o caminhar.

Dessa forma sua reabilitação deve ser realizada visando a qualidade de vida e retorno a atividades o mais precoce possível.

E conhecendo os objetivos que devem ser alcançados durante esse processo, o método Pilates pode ser uma ferramenta eficaz para o fisioterapeuta na reabilitação das lesões de quadril.

Apresentando benefícios variados, quando aplicado de acordo com seus princípios, apresentando poucas contra-indicações.

Sendo que a maioria delas não impede a aplicação do método, apenas exige algumas alterações e cuidados, enfatizando que o método seja individualizado, o que já faz parte da vivência dos instrutores do método.

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