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A dor lombar é vista hoje como um problema de saúde pública com importância clínica, econômica e social, afetando a população de modo geral. Sabe-se que pode acometer aproximadamente um em cada cinco adultos em algum momento de sua vida e que seu custo é alto, mesmo nas sociedades economicamente avançadas da atualidade. Exitem várias razões para alguém senti dor na lombar: lombalgia, síndrome do piriforme, ciático…

Porém, o que muitas pessoas não sabem é que nem sempre a dor lombar é causada apenas por hérnias de disco ou pelo nervo ciático (você já ouviu alguém falar “meu ciático está atacado?”).

Portanto, este texto abordará as informações mais importantes sobre a patologia chamada Síndrome do Piriforme, para que você entenda todos os detalhes importantes a serem observados quando o seu paciente apresentar estas queixas. 

O que é a síndrome do piriforme 

A Síndrome do Piriforme é causada pela compressão do nervo isquiático (ou ciático) pelo músculo Piriforme, quando o mesmo está tensionado. Esta patologia faz parte de um grupo chamado “dor glútea profunda” e, normalmente, as queixas mais apresentadas pelos pacientes são dor, queimação, dormência e/ou parestesia, sendo que estes sintomas podem ser sentidos na região lombar, glúteo ou coxa – geralmente unilateral.

Acredita-se que hoje, em torno de 5% dos casos de lombalgia, dor glútea ou irradiada na parte posterior do membro inferior pode estar associada com esta síndrome. Sabe-se também que afeta as mulheres numa proporção de 6:1 (o que pode ser explicado pelas diferenças biomecânicas da pelve masculina e feminina).

Nesta síndrome ocorrem os dois fatores mecânicos que, associados, dão origem à dor: a pressão e a tensão. A pressão gerada sobre a raiz nervosa pode ser causada por outras estruturas adjacentes, como um músculo tensionado (caso do Piriforme), onde ocorre uma irritação nervosa associada ao tensionamento do músculo.

Mesmo assim, esta patologia não costuma ser incapacitante, devido a presença da grande massa muscular participante. Porém, quando o nervo isquiático é comprometido, o indivíduo pode queixar-se de dor na região do glúteo, podendo descer para a porção lateral e/ou posterior da coxa e da perna e, por vezes, chegando até o pé (seguindo o trajeto do nervo ciático).

Os movimentos mais dolorosos são as rotações, principalmente quando a pessoa está sentada com as pernas cruzadas. Na maioria dos casos, a sensação de dor aparece quando a pessoa está sentada, pois, nesta posição, o peso repousa sobre o músculo piriforme.

Levando em consideração que a Síndrome do Piriforme apresenta sintomas semelhantes a problemas relacionados com hérnia de disco lombar, é importante entender a anatomia e as maneiras de diferenciar estas patologias para poder alcançar os resultados desejados com os pacientes/clientes do seu studio. 

Entenda a anatomia desta região 

O músculo piriforme é um músculo fino, dividido em três feixes, que se origina do Sacro a nível de S2 e S4 (único músculo que se origina diretamente sobre este osso), ficando sob os músculos glúteos e inserindo-se no trocanter maior do fêmur. Sua função é fazer rotação externa da coxa ou abdução, função estas realizadas com auxílio de outros cinco rotadores externos, localizados na parte profunda do quadril, sob os glúteos.

Nesta região passa o nervo isquiático, o qual é uma continuação do plexo sacral, e passa por meio da incisura isquiática maior, descendo profundamente pela região posterior da coxa.

Existem diversas variações anatômicas entre o músculo piriforme e o nervo isquiático, sendo as mais comuns: 

  • Normal: o nervo completo passa por baixo do músculo piriforme; 
  • Variação anormal: dentre as diversas variações, a mais comum apresenta o ramo fibular comum perfurando o músculo piriforme e o ramo tibial passar inferiormente ao músculo piriforme.

Devido a anatomia do quadril e a combinação de movimentos, fazemos uma compressão do nervo ciático.

Na imagem abaixo, nota-se que uma flexão de quadril, combinada com rotação interna e adução do mesmo, fará com que o piriforme comprima o nervo ciático, causando os sintomas. 

Como identificar a síndrome do piriforme 

Caso seu paciente/cliente chegue em seu consultório com sinais e sintomas na região lombar, glúteo ou coxa, evite iniciar a prática do Pilates antes de avaliá-lo.

Existem testes específicos para diferenciar as patologias, os principais são: 

Teste de Laségue: este teste provoca um alongamento neural provocativo sobre os ramos nervosos que formam o nervo ciático (L5, S1 e S2), os quais se encontram totalmente estirados em uma flexão de quadril aproximada de 70°. O paciente deve estar em decúbito dorsal, e o teste será positivo caso o mesmo refira dor intensa.

Porém, este teste serve para avaliar tanto a hérnia de disco, quanto a Síndrome do Piriforme. Portanto, é sempre importante realizar outros testes para complementar o diagnóstico.

Teste do piriforme: paciente em decúbito lateral, sobre o lado não acometido, bem próximo da ponta da maca, com quadril e joelho flexionados. O avaliador força a perna cruzada para baixo. O teste é positivo caso o mesmo sinta dor na região do piriforme.

Teste de Freiberg: paciente em decúbito ventral na maca, joelhos flexionados, fazer rotação interna de quadril. Se o paciente sentir dor, o teste é positivo.

Palpação do piriforme: seguindo a anatomia do músculo, pode-se palpar usando as mãos ou o cotovelo. Se durante a avaliação o paciente referir dor ou o avaliador sentir pontos de tensão ao longo do músculo, sabe-se que o músculo piriforme está comprometido.

Se necessário, ainda podem ser feitos exames de imagem como ressonância magnética ou tomografia, além de estudos de função nervosa para complementar o diagnóstico. 

Quais as principais causas da síndrome do piriforme 

Quando falamos em lesão, logo pensamos naquelas causadas pelo esporte ou alguma atividade física praticada. Porém, além destas citadas, existem lesões decorrentes de atividades do dia-a-dia ou de algum mau hábito postural.

Este é o caso da síndrome do piriforme!

Além das alterações anatômicas entre o músculo e o nervo isquiático, existem outras causas bem definidas que podem influenciar no aparecimento desta patologia.

Portanto, para ficar mais fácil de entender, separaremos as causas em:

Macrotraumas: podem ser causados por eventos traumáticos significativos como acidente de carro, queda, trauma direto na região das nádegas, cirurgia no organismo que provoque cicatrizes nesta área, entre outros. 

Microtraumas: lesões menores, porém repetitivas no local. Exercícios exagerados para glúteos, corridas em terrenos duros e irregulares, descarga de peso excessiva, subir escadas, atividades que exijam muito agachamento, calçados inapropriados e até forma errada de pisar no chão podem ocasionar a dor.

Podemos ainda citar a forma de caminhar conhecida como “dez para as duas”, quando existe uma rotação externa constante (deixando o piriforme tensionado o tempo inteiro).

Além disso, desequilíbrios musculares entre rotadores internos e externos, desequilíbrios da pelve e manter a posição sentada por muito tempo também são fatores a serem observados.

Não se esqueça de perguntar ao seu paciente (principalmente aos homens, pois eles geralmente fazem isso) se costumam carregar a carteira no bolso de trás, por vezes sentando sobre ela. Muitas pessoas não sabem, mas este hábito provoca neurites, causada por pressionamento do nervo ciático. 

Quais tipos de tratamento para a síndrome do piriforme? 

Inicialmente, deve-se encontrar a principal causa da dor e, se possível, interromper temporariamente a atividade (por exemplo: correr ou pedalar), para impedir que piore.

Se a dor for causada pelo fato de manter a postura “parada” por muito tempo – como ficar muito tempo sentado ou em pé – deve-se fazer pausas regulares para mudar de postura, caminhar e alongar. Aqui se inclui também o fato de ficar com as pernas cruzadas, hábito este que deve ser evitado ao máximo.

O paciente deve começar a fazer fisioterapia o mais breve possível. Sabe-se que o tratamento é muito eficaz, principalmente quando realizados desde o início do problema.

Se necessário, o indivíduo pode fazer uso de medicamentos anti-inflamatórios ou relaxante muscular, bem como incluir o uso de bolsas de calor (para relaxar o músculo) ou gelo (para controlar a dor e a inflamação depois da atividade física).

A liberação cirúrgica é raramente utilizada para tratar estes casos. Só será realizada após ter a certeza de que todos os métodos conservadores não foram eficazes no tratamento.

O que nem todas pessoas sabem é que o Método Pilates pode ser indicado para a prevenção e o tratamento desta síndrome, alcançando resultados ótimos com seus praticantes. 

Conclusão

A síndrome do piriforme pode ser muito dolorosa, portanto, é necessário que ocorra um diagnóstico bem trabalhado e um acompanhamento atencioso. Quando não tratado corretamente, a síndrome pode ser agravada, assim como qualquer outra doença ou patologia que não é tratada.

Explorar formas de tratamentos é interessante para o aluno, pois ele não ficará entediado ou, como acontece às vezes, com medo. Como profissionais de Pilates precisamos ser compreensivos e cuidadosos com nossos alunos. 

Você já tratou algum aluno com síndrome do piriforme? Nos conte como foi sua experiência nos comentários!