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Síndrome Tensional Cervical: O que é e qual o papel do Pilates!

Síndrome Tensional Cervical: O que é e qual o papel do Pilates!
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É muito comum ver pessoas estarem com a musculatura do trapézio superior tensa. Vários fatores levam a isso, como postura inadequada e a bipedestação. O fato de estarmos em pé em dois apoios faz com que a musculatura posterior do corpo esteja num estado de contração natural aumentado para promover o equilíbrio do mesmo.

A cervical é a região da coluna vertebral de maior mobilidade e assim está susceptível a maior risco de desordens funcionais. Quer saber mais? Continue lendo este texto!

O que é a Síndrome Tensional Cervical?

A Síndrome Dolorosa Miofacial (SDM) é uma afecção dolorosa do sistema locomotor que acomete os músculos esqueléticos. Caracteriza-se pela ocorrência de dor, presença de pontos gatilhos (PGs) nas bandas de tensão no  músculo afetado.

A Síndrome Tensional Cervical (STC) é decorrente dessa alteração orgânica e/ou funcional da região cervical, devido às atividades profissionais e diárias associadas ao trabalho repetitivo.

Assim como ao aumento da carga muscular estática e a ambiente de trabalho impróprio (BITTAR et al., 1998; GOUDY; McLEAN, 2006; JOHNSTON et al., 2008).

Segundo Brandt et al 26 2004, outros fatores como o tempo de utilização do computador e características psicossociais relacionadas ao ambiente de trabalho também são identificados como atenuantes de dor cervical segundo Johnston et al, 2008.

A Síndrome Tensional Cervical é o resultado da SDM na região cervical, especificamente nos músculos trapézios superiores.

Quais as causas da STC?

A posição inadequada da cabeça que muitas pessoas acabam adotando, principalmente em trabalhos com o computador. E hoje mais do que nunca, com o aumento do uso dos smartphones é ainda mais notável o uso do mesmo com uma postura inadequada da coluna.

A flexão de pescoço por períodos prolongados e a elevação dos ombros durante horas do dia gera compressão de tecidos moles, contratura muscular e consequentemente dor a médio e longo prazo.

Segundo alguns estudos como SJOGAARD; LUNDBERG et al., 2002; GOUDY e McLEAN, 2006, mostram que essa síndrome é caracterizada principalmente por dor na musculatura do trapézio descendente.

Com sinais clínicos de hipersensibilidade muscular, contratura muscular com presença de nódulos dolorosos, dor à palpação, aumento do tônus muscular, limitações de amplitude de movimento, pode apresentar dor de cabeça associada.

Estudos apontam que fatores psicossociais desfavoráveis criam uma carga mental associada às reações fisiológicas e/ou psicológicas.

Fisiologia da Síndrome Tensional Cervical

Fisiologicamente a Síndrome Tensional Cervical se explica porque o consumo energético encontra-se aumentado, sob condições de isquemia decorrente de compressão extrínseca dos capilares pela hipertonia muscular.

Além de estase venosa que resulta em menor aporte de nutrientes e desequilíbrio entre a demanda e a síntese de ATP.

Isso compromete a receptação ativa de Cálcio pela bomba do retículo sarcoplasmático, fenômeno necessário para o relaxamento muscular.

Consequentemente o músculo trapézio superior fica sempre tenso com um estresse sempre mantido e a desprogramação dessas informações são feitas de forma gradual com técnicas de terapia manual e exercícios específicos no método Pilates.

O Método Pilates na reabilitação da STC

O Pilates se apresenta nesse contexto como uma ótima atividade para melhora dos sintomas da Síndrome Tensional Cervical, devido a vários fatores, começando por seus princípios de concentração, controle, também chamado de Contrologia e a respiração.

Esses três princípios utilizados corretamente nas aulas de Pilates faz com que o aluno ou paciente tenha melhor desempenho mecânico dos movimentos, sem sobrecargas articulares e melhor consciência corporal, que é a sua postura no tempo e espaço.

Na maioria das vezes os movimentos cotidianos são feitos de forma rápida e involuntária sobrecarregando as articulações e tecidos moles.

Durante as aulas de Pilates o aluno deve deter um domínio dos movimentos de seu corpo, prestando a atenção em cada movimento, controlando os músculos e descomprimindo as articulações, algo que dificilmente é feito no dia a dia e para isso o praticante deve estar concentrado.

A Contrologia nos exercícios

A fisioterapeuta Janaína Cintas em seu livro Cadeias Musculares de Tronco descreve a Contrologia como a coordenação completa de corpo, mente e espírito.

Se adquirindo primeiro um controle completo sobre seu próprio corpo e então com a repetição correta de seus exercícios obtém-se de modo gradual e progressivo o ritmo e a coordenação que são naturais, próprios de todas as atividades inconscientes.

Uma frase do criador do método Pilates, Joseph Pilates diz o seguinte:

É estar concentrado e não distraído, é a mente que esculpe o corpo.

Como vimos, alguns estudos mostram que fatores psicossociais desfavoráveis interferem nas reações fisiológicas do corpo, esses fatores associados a uma estrutura propícia a desenvolver tensão muscular é o que impera para gerar a Síndrome Tensional Cervical.

O princípio da concentração e a respiração exigida no método Pilates permite que o praticante esteja numa perfeita conexão entre corpo e mente, melhorando o aporte sanguíneo de todos os tecidos e em especial do cérebro.

Assim também, quando se está concentrado no exercício que está realizando, se foge do comum nas atividades de vida diária e ou laborais onde quase sempre é feito movimentos de forma rápida e inconsciente com movimentos bruscos e que sobrecarregam as articulações.

Concluindo…

A concentração permite que se aumente o nível de consciência sobre os movimentos, levando o corpo a padrões corretos, alinhados, sem sobrecargas.

O Pilates dessa forma, age como uma atividade física que melhora a tensão muscular na região do músculo trapézio, melhorando o aporte sanguíneo do mesmo, corrigindo o posicionamento dos ombros em relação a cervical.

Aumentando a consciência corporal através de movimentos controlados e conscientes e esses então geralmente são incorporados no dia a dia do praticante da modalidade, o que reduz a dor.

 

Bibliografia
  • CINTAS, Janaína. Cadeias musculares de tronco: a evolução biomecânica das principais cadeias. São Paulo: Sarvier, 2016.
  • GOUDY, N., MCLEAN, L. Using myoelectric signal parameters to distinguish between computer workers with and without trapezius myalgia. Eur J Appl Physiol, v.97, p.196-209. 2006.
  • MOURA, Melissa Luiza. M865e Efeito neuromuscular das técnicas fisioterapêuticas bandagem funcional e corrente interferencial na síndrome tensional cervical / Melissa Luiza Moura. – Campinas, SP: [s.n], 2010.
  • SJOGAARD, G., LUNDBERG, U., KADEFORS, R. The role of muscle activity and mental load in the development of pain and degenerative processes at the muscle cell level during computer work. Eur J Appli Physiol, v.83, p.99-105. 2000.

Written by Gracielle Jesus Carneiro

Gracielle Jesus Carneiro

Fisioterapeuta graduada pela FAN (Faculdade Nobre de Feira de Santana) 2012. Formação completa no Método Pilates, além de extensão universitária de aprimoramento profissional em RPG, curso de curta duração em CORE 360 e Treinamento empreendedor Líder Coach. Atualmente atua nas áreas de ortopedia, neurologia, Pilates, RPG ambulatorial e domiciliar.

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