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Pilates contemporâneo: o outro lado da moeda

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Pilates contemporâneo: o outro lado da moeda
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O que é Pilates Contemporâneo? No que se difere de Pilates Clássico?

Em nosso artigo anterior, falamos sobre Pilates Clássico ou Pilates Tradicional. O outro lado dessa moeda é o Pilates contemporâneo. Há muitas interpretações sobre o que é Pilates Contemporâneo, e há várias razões pelas quais as pessoas acreditam que é um método melhor que o Pilates Clássico.

Independente da metodologia que você escolheu trabalhar suas aulas de Pilates, é importante saber o levantamento histórico do método desenvolvido por Joseph Pilates e a origem de todos esses termos e nomenclaturas. O que é Pilates contemporâneo? No que difere do Pilates Clássico? Qual, afinal, é o “melhor” para se trabalhar?

Continue acompanhando este artigo e vamos, conosco, responder essas perguntas.

Levantamento histórico: Pilates Clássico

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Há muitas definições para a palavra “clássico” e, como já dissemos no artigo anterior, assim como, por definição, clássico é algo impecável, tradicional e estabelecido há muito tempo – é também o Método Pilates. Todos os Elders, pode-se dizer, aprenderam o Pilates Clássico em sua essência, já que foram ensinados pelo próprio criador do método, Joseph Pilates. No entanto, seus próprios discípulos tem suas resguardas sobre o termo, uma vez que “Pilates Clássico” nada mais é que o Pilates em sua forma original – podendo, e sendo, adaptada por cada Elder e as gerações sequentes.

Há quem diga, em alguns argumentos, que o Pilates Clássico é perigoso e tem muitos exercícios contraindicados no currículo. Argumentos sustentam a ideia que as pessoas, atualmente, são menos ativas e precisam de um ponto de partida menos denso. Além disso, estudos foram feitos e, hoje, sabemos muito mais sobre o corpo que sabíamos quando Joseph Pilates estava vivo.

Todos esses argumentos são válidos. Mas será que estamos mudando e evoluindo o repertório do Pilates Clássico para realmente algo novo?

Pilates Clássico e Pilates Contemporâneo

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Afirmamos, acima, que mesmo os discípulos diretos de Joseph Pilates tinham suas modificações próprias sobre o chamado “Pilates Clássico”.

Como dissemos em nosso artigo anterior, nossa principal mentora era Romana Kryzanowska e nós fomos treinados em um estilo muito tradicional.

Mas mesmo Romana quebrou os exercícios tradicionais quando necessário. Ela modificou os exercícios de Pilates, e muito de seus clientes nunca foram capazes de fazer a versão “completa” ou versão “avançada” de determinados exercícios.

Romana nos ensinou a olhar para o corpo a nossa frente e adaptar os exercícios para suas capacidades, tendo em mente a versão final dos exercícios de Pilates. Ela dizia “conheça onde eles são orientados e guie-os para o que eles sabem fazer.”. Ela alterou exercícios avançados para padrões básicos de movimento, e ensinou o que o cliente era capaz de fazer. Seria isso a definição inicial de Pilates Contemporâneo? 

Romana não estava sozinha em ensinar desta maneira. Todos os Elders de Joseph Pilates modificaram e adaptaram e, sim, criaram exercícios para atender às necessidades de seus clientes. O próprio Joseph Pilates ensinou a eles este exemplo. Todos nós sabemos que Joseph Pilates criou o Método originalmente para homens nas forças armadas, mas não podemos esquecer que ele adaptou seus próprios exercícios. Por exemplo, quando ele trabalhou com pacientes no campo de internato na Ilha de Man durante a 1ª Guerra Mundial e trabalhou com Eve Gentry depois que ela passou por uma mastectomia dupla.

O que queremos te convidar a pensar aqui, é: Pilates Clássico é, realmente, o Método Pilates em sua forma “inalterada”? E, se não, então o que é, de fato, Pilates Contemporâneo?

Uma vez que até Joseph Pilates fez modificações em seu próprio método e adaptou para diferentes pacientes, Pilates Contemporâneo seria algo tão inovador (ou “desrespeitoso” ao método Clássico, como alguns alegam) assim?

+ Leia também: o Pilates em movimento – Original, contemporâneo ou científico?

Vamos continuar…

Evolução e ciência: o Pilates Contemporâneo

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Outra razão para instrutores mudarem os exercícios originais é devido à ciênciaSabemos mais sobre o corpo e sobre como nos movemos, e aprendemos comparado ao que sabíamos durante o tempo que Joseph Pilates criou o método. Uma das coisas interessantes é que a maior parte da ciência atual realmente afirma que os exercícios originais de Pilates são corretos e eficazes.

E a ciência continua a mudar, à medida que aprendemos mais, precisamos incorporar esse conhecimento em nosso trabalho.

No Brasil, cerca de 90% das escolas afirmam trabalhar com o que é chamado de Pilates Contemporâneo ou Pilates Moderno. Temos hoje cursos especializados apenas para Pilates para gestantes, por exemplo. Studios e empresas estão constantemente buscando aprimorar a técnica, com novos exercícios e inclusive novos aparelhos que seguem – sim – os princípios iniciais determinados por Joseph Pilates, mas que não faziam parte do repertório original.

Mas há a questão “onde está a linha que cruzamos do Pilates para um exercício completamente diferente?”. Quando buscamos novos exercícios, equipamentos, especializações – como saber se estamos aplicando, ainda, o Método Pilates em sua essência, ou se estamos nos distanciando e chamando de Pilates Contemporâneo (ou somente de Método Pilates) algo completamente diferente?

+ Leia também: o que é Pilates e o que não é Pilates?

Essa é uma preocupação real quanto as diferentes definições e interpretações do Pilates, e pode levar a confusão do público e tudo o que significa ser instrutor de Pilates. No momento não há nenhuma linha/descrição exata que nos diz “este lado é Pilates e esse lado é um método diferente”.

Pilates e suas variações nominais

Qual a diferença entre Pilates Clássico, Pilates Original, Pilates Moderno e Pilates Contemporâneo? O que significa, afinal, cada uma dessas variações nominais?

Acreditamos que as diferenças são, em sua maioria, criadas por instrutores e empresas, a fim de se destacar das demais concorrências. Todos nós sentimos necessidade de definir quem somos e o que estamos fazendo, não só instrutores de Pilates, mas seres humanos no geral.

Com as empresas, acontece a mesma coisa. Elas criam uma identidade para mostrar ao mundo que são diferentes da concorrência. Mas com todo esse marketing e necessidade de ser diferente, há o risco de perdermos nossa unidade como uma comunidade.

Concluindo…

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Joseph Pilates diferencia seus exercícios de pessoa para pessoa. Ele ensinou para o corpo a frente dele. Ensinou o que eles precisavam. Em nossa opinião, é o que devemos fazer. O que você rotula: Pilates contemporâneo, clássico, autêntico, original, tradicional, baseado na ciência, não é realmente importante. São ferramentas de marketing.

Chama atenção dos alunos a ideia de trabalhar com uma metodologia diferenciada do que existe atualmente no mercado – da mesma forma, chama atenção dos instrutores de Pilates a ideia de aprimorar ainda mais suas aulas de Pilates e profissão. Mas estas definições e nomenclaturas NÃO são a definição do que você ensina ou do que é o método Pilates.

Atenção: não estamos, em hipótese alguma, dizendo que é errado aprimorar. Estamos apenas dizendo que até mesmo Joseph Pilates adaptava os exercícios originais e que, portanto, talvez Pilates Original ou Pilates Contemporâneo sejam apenas Pilates. Apenas – embora sim, há uma linha tênue não muito especificada sobre até onde essas variações podem ser chamadas de Pilates.

Assim como na tentativa de definir Pilates Clássico, é tão difícil definir o Pilates Contemporâneo, e isso leva a mais perguntas do que respostas. Mas no final, nós sabemos a essência do Pilates, não importa como você o chama.

No final, Clássico e Contemporâneo são apenas dois lados diferentes de uma mesma moeda. Você não tem que escolher, só temos que perceber que nenhum deles é melhor – desde que você permaneça fiel aos princípios e filosofias do método Pilates.

Gostou deste artigo? Conte sua opinião para nós nos comentários.

Michael Fritzke e Ton Voogt

Michael e Ton são Mestres Professores de Pilates internacionalmente reconhecidos; apresentadores, educadores, consultores e inovadores. Juntos, eles desenvolveram e criaram o revolucionário TRIADBALL ™ (a primeira bola de seu tamanho criado especificamente para o método Pilates). Para mais informações sobre Michael e Ton e próximos eventos visite www.zenirgy.com

Written by Michael Fritzke e Ton Voogt

Michael Fritzke e Ton Voogt

Michael e Ton são Mestres Professores de Pilates internacionalmente reconhecidos; apresentadores, educadores, consultores e inovadores. Juntos, eles desenvolveram e criaram o revolucionário TRIADBALL ™ (a primeira bola de seu tamanho criado especificamente para o método Pilates). Para mais informações sobre Michael e Ton e próximos eventos visite www.zenirgy.com

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9 Comentários

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  1. Adorei a abordagem. No meu ponto de vista estas definições tratam-se de metodologias de trabalho, mas não técnicas diferentes. Olhando para o corpo que está a nossa frente, sempre teremos a resposta de como movê-lo de forma fluida e harmoniosa.
    Obrigada pelo texto!

  2. Texto muito
    Coerente, claro e explicativo para o que estamos vivendo com o Pilates no Brasil
    Hoje. Obrigada pela clareza e por partilharmos de um mesmo pensamento.

  3. Creó que Pilates, sólo es Pilates y por supuesto tradición para comprender.
    Desde el primer principio, “respiración” es adaptado, ya que cuando una persona no es capaz de expandir, ensanchar, alargar con sólo inhalar, (gesto natural), tod@s recurrimos a la tradición, queriendo enseñar desde la contrology a respirar.
    Lo que no debemos como instructores es quedarnos anclados en algo hermético como para que la falta de libertad nos límite, a enseñar o aprender.
    Pienso que el señor Pilates, estaría orgulloso si viese a tod@s los maestros, aprendices…facilitar su método, pero estaríamos nosotros igual de abiertos a recibir las críticas, o hasta seguro la retirada del mecardo de muchos de nosotros, porque tal vez no estuviésemos cualificados, así que honestamente, creó que también la contemporánea forma de facilitar Pilates, es otra adaptación en si misma, los tiempos, la educación, la vida laboral, es completamente diferente, también hoy.
    Si no hay lucha, hay conocimiento, enriquecimiento, el Sr Pilates, creó su método para la HUMANIDAD, esto si es más preocupante, las escuelas más potentes, las más caras del mercado, una auténtica vergüenza, seamos contemporáneos tradicionales, Y ayuden a crecer al método, el ya lo hizo…nutriendo con las diferentes formas, adaptense si son instructores a su cliente, a su vida, pero sobre todo sean honestos, estudiamos a partir de Pilates.
    Gracias y un abrazó

  4. Mas que texto maravilhoso!! Percebo muito forte uma certa “richa” entre clássico e contemporâneo, um sempre achando que é melhor do que o outro, quando na verdade somos todos uma “moeda só”. Obrigada pelo artigo extremamente esclarecedor.

  5. Gostei muito do texto, partilho da mesma opinião. O melhor método é aquele que é melhor para aquele aluno, seja clássico ou contemporâneo, seja a associação de técnicas.

  6. Gostei muito do texto, concordo com quase tudo que foi escrito, porém gostaria de fazer algumas colocações, pois a realidade no Brasil talvez seja diferente da realidade de vocês.

    Assim como vocês, também fiz minha formação com Romana Kryzanowska e também aprendi a ver cada pessoa como individuo, e sim, também uso adaptações e “quebro” os exercícios quando necessário. Mas conheço também os exercícios SEM a adaptação, na forma ideal que eles devem ser executados e com isso posso optar em evoluir o meu aluno até o ideal (se ele adquirir capacidade) ou não. E era assim que Romana fazia!

    O problema é que as adaptações passaram a ser os exercícios ideais e começaram a “adaptar as adaptações” e depois “adaptar a adaptação da adaptação” e assim por diante. Infelizmente muitos exercícios se perderam desta forma, e hoje vemos que a maioria dos cursos formam profissionais ensinando a “adaptação da adaptação da adaptação”.

    Vejo trabalhos maravilhosos, desenvolvidos por profissionais que trabalham com Pilates Contemporâneo, mas apesar de terem pontos diferentes do método original, conseguimos ver nas entrelinhas que a Contrologia está lá.

    Porém, vejo outros trabalhos com grande potencial, mas com características e objetivos totalmente diferentes do trabalho desenvolvido por Joseph. Neste caso, porque não desenvolvem uma identidade própria?

    E o pior, vejo também trabalhos que não tem nenhuma qualidade, somente pessoas inventado coisas totalmente malucas, junto com empresários querendo ganhar dinheiro usando um nome que é sinônimo de sucesso.

    Usar o nome de um método que o tempo e a ciência comprovaram que funciona, para denominar algo qualquer… é chamado de que? Marketing? Para mim, ignorância ou má fé!

  7. Acho que o que precisa mudar são as formações rápidas de fim de semana, elas não conseguem passar a essência do Método Pilates, com isso as invenções são de++++. Formada há 11 anos, com 800h de curso aonde 700h são prática,te digo que adaptar sim,essa é a nossa função, mas fugir do que aprendi ser Pilates não.

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