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O Pilates como aliado na Reabilitação Neurológica

Existem inúmeros processos de reabilitação neurológica para as patologias que atingem as diferentes faixas etárias, das mais variadas formas.

Algumas doenças geram alterações motoras irreversíveis, outras temporárias, mas independente da maneira que ela venha, como e em que época, sabemos que afeta não só a pessoa acometida com a patologia, como todo o ciclo de parentes e amigos ao seu redor.

O Método Pilates é fundamental para a reabilitação neurológica dos seus alunos que possuem esses sintomas e vem se mostrando cada vez mais benéfico para melhora desses inúmeros fatores.

E o que veremos agora é como utilizar Pilates, como ferramenta para tratar, prevenir ou melhorar a qualidade de vida desses acometidos e de todos os envolvidos com eles.

Antes de começar a tratar da reabilitação neurológica, acho importante relembrarmos cada uma das doenças.

Então, vamos lá?

Doenças NeurológicasREABILITACAO-NEUROLOGICA-3

Estatisticamente falando e para justificar a importância do tema que vamos abordar agora, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)1, 10% à 20%das crianças e adolescentes são acometidos por distúrbios do desenvolvimento e transtornos mentais a nível mundial.

Outra doença neurológica de grande impacto social é a Esclerose múltipla (EM). Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima-se que 35 mil brasileiros apresentem a doença2.

Não podemos esquecer da reabilitação neurológica das patologias mais comuns em uma faixa etária mais experiente. O acidente vascular cerebral (AVC) é a primeira causa de morte e incapacidade no Brasil3, além da Doença de Parkinson, que atinge 1% da população com mais de 65 anos4.

Todos esses dados foram citados para mostrar, que infelizmente, as doenças estão aí, e todas elas precisam de processos de reabilitação neurológica.

Algumas patologias são passiveis de prevenção, mas outras não são nem possíveis identificar sua etiologia, o que as torna mais decorrente.

Cada uma das doenças neurológicas tem seus padrões motores diferentes e também sintomas bem distintos.

Estamos abordando problemas neurológicos gerais e, como tais, muito comumente, em maior ou menor grau, as doenças apresentam alterações motoras e cognitivas como:

Fica muito difícil abordar todas as patologias neurológicas existentes, são muitas.

Farei uma breve análise das principais existentes e, em seguida, vamos pensar em como o Conceito Pilates pode ser de grande valia para melhorar, em diversos aspectos, a vida desses pacientes

Algo importante e que deve ser lembrado antes de começarmos a atender este tipo de população é que, o aluno ou paciente, independente da patologia, precisa ter o cognitivo preservado, para que tanto ele, quanto você, fisioterapeuta, consigam se fazer entender, se não, não vejo como a utilização do método possa ser uma opção.

Paralisia CerebralREABILITACAO-NEUROLOGICA-5

A encefalopatia crônica não progressiva da infância, também denominada de paralisia cerebral (PC), é uma lesão que ocorre no período pré, peri ou pós-natal, afetando o sistema nervoso central em processo de maturação, tanto estrutural quanto funcional5.

Em suma, acarreta problemas de tônus, de postura e movimentos voluntários que, dependendo da idade da criança, área acometida e da gravidade da lesão irá determinar o grau de comprometimento neuromotor6, que podem ser os mais variados possíveis.

Cabe aqui e nunca será demais citar, realizar uma avaliação para sabermos como iremos proceder com este paciente, isto independente se estamos falando de utilizar o Método Pilates ou não na reabilitação neurológica dele.

Além de todas as desordens neuromotoras que podem aparecer, a PC pode resultar em incapacidades, limitando o desempenho das atividade de vida diárias, tanto da criança quanto de toda família7.

A reabilitação neurológica da PC através do Método

Pensando globalmente nas alterações de postura, tônus e movimento que esta população possa vir a apresentar, os princípios do método assim como os benefícios já citados na literatura nos dão base para escolher o método como complemento ou opção de intervenção, visto que artigos que relacionem esta patologia ao método ainda são escassos na literatura atual.

Quando tratamos de crianças o lúdico deve ser incorporado em todas as atividades propostas, mesmo nos ensinamentos dos princípios do método, se não houver algo que desperte a atenção da criança de nada adiantará tentar incluir o método em sua linha de trabalho.

A concentração, a centralização, a fluidez, a respiração, a precisão e o controle irão, juntamente com todo o repertório que o método apresenta, nortear os exercícios propostos para este grupo.

Acidente Vascular Cerebral (AVC)REABILITACAO-NEUROLOGICA-6

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1992, o AVC é uma síndrome clínica caracterizada por sintomas ou sinais neurológicos focais e de rápida evolução, com duração de mais de 24 horas ou que levem à morte sem outra causa aparente que não a vascular.

O AVC é a origem mais simples de incapacidade neurológicae a primeira causa de morte dentre as doenças cardiovasculares.

Por esses motivos a síndrome causa muita preocupação nos pacientes, um dos fatores predisponentes deste processo é o sedentarismo, que pode muito bem ser combatido utilizando o Método Pilates de forma preventiva.

Tipos de AVC

O AVC pode acontecer decorrente de uma isquemia ou de uma hemorragia.

O tipo isquêmico é o mais comum e resulta em uma obstrução de uma das artérias cerebrais ou algumas de suas ramificações, interrompendo o fluxo sanguíneo para área irrigada por elas.

O AVC hemorrágico é menos comum, porém gera sequelas mais graves. Mesmo assim, o tipo de comprometimento irá depender da localização da lesão, da extensão da área afetada e da quantidade de fluxo sanguíneo colateral existente.

Mesmo sabendo desta variabilidade de sinais e sintomas que podem existir, podemos citar a hemiplegia ou hemiparesia como sequela motora mais impactante pós-AVC.

Não cansarei de dizer isto aqui, é por apresentarem tantas particularidades, que não podemos esquecer nunca de realizar uma avaliação nesse paciente.

É com base nela que iremos nortear nossa conduta, traçar objetivos e saber, posteriormente, se eles estão sendo alcançados.

A grosso modo, uma hemiparesia resultante de um AVC tem o início súbito e, em sua fase inicial apresenta-se de forma flácida, evoluindo normalmente, mas não exclusivamente e nem obrigatoriamente, para uma fase espástica.

A reabilitação neurológica do AVC através do Método PilatesREABILITACAO-NEUROLOGICA-10

Quando recebemos um paciente com disfunções motoras tão aparentes como a hemiplegia ou a hemiparesia, acabamos dando mais importância a este padrão patológico do que ao que o paciente realiza de maneira correta ou apresenta de qualidade motora.

Focar no paciente como um todo é de vital importância para que ele melhore funcionalmente e seja cada vez menos dependente nas atividades de vida diárias.

É exatamente o que o conceito Pilates propõe na reabilitação neurológica: trabalhar o indivíduo como um todo.

Os exercícios de Pilates facilitarão o estímulo ao correto posicionamento das articulações envolvidas, tentando quebrar o padrão aparente e facilitando a movimentação normal das articulações.

Mas não podemos pensar somente na questão motora de forma isolada. Esses pacientes apresentam, muitas vezes, distúrbios de atenção e concentração, de linguagem, alterações de sensibilidade.

Todos esses fatores irão influenciar diretamente na reabilitação neurológica e, assim como na elaboração e seleção das atividades do mesmo.

Antes que qualquer movimento ocorra precisamos dar ao paciente toda a estabilidade central.

Devemos também ensinar ao nosso paciente o princípio da centralização, para que os movimentos de membros superiores e inferiores aconteçam com qualidade e eficiência, minimizando o risco de possíveis lesões.

E não só isso, a musculatura do tronco trabalha diretamente na mecânica respiratória.

A paralisia de um lado do tórax causa a insuficiência respiratória levando a fadiga, sendo esse, o maior problema que acomete os pacientes hemiplégicos8. Dessa forma, cabe o ensinamento do princípio da respiração para auxiliar na melhora da capacidade pulmonar.

A pré-avaliação 

Sabemos, depois de realizar a avaliação, o que o paciente consegue, ou não fazer e também conseguimos identificar sua capacidade para ativar determinados músculos.

Importante salientar, que mesmo depois de muito tempo de lesão, vale acreditar na plasticidade neural e na estimulação de todas as musculaturas, a fim de melhorar toda capacidade neuromusculoesquelética deste indivíduo.

Quando pensamos no paciente hemiparético, existem várias abordagens distintas que podem ser aplicadas.

Facilitar os padrões normais de movimento e inibir padrões espásticos e estereotipados, como a teoria neuroevolutiva descreve9 é uma boa intervenção.

O Pilates surge para complementar esta abordagem, e incrementar às aulas conforme o fisioterapeuta acredite que seja melhor para a reabilitação neurológica do paciente em questão.

Doença de ParkinsonREABILITACAO-NEUROLOGICA-4

A Doença de Parkinson (DP) é uma patologia crônica, de caráter progressivo, lento e degenerativo10 do sistema extrapiramidal11, e caracterizada por produzir, principalmente, mas não exclusivamente, um conjunto de distúrbios motores.

É uma das doenças neurodegenerativas mais prevalentes do SNC8.

Vale destacar que para as manifestações clínicas geradas pela DP damos o nome de parkinsonismo ou síndrome parkinsoniana, e que algumas outras patologias podem apresentar o parkinsonismo como característica8.

Como manifestações básicas da DP, o parkinsonismo apresenta 4 distúrbios de movimento mais característicos:

  • Acinesia ou Bradicinesia
  • Rigidez
  • Tremor de repouso
  • Instabilidade postural

Estas são as principais, porém não os únicos sinais e sintomas.

Acinesia e bradicinesia

Cada uma se refere, respectivamente, a ausência e diminuição dos movimentos, ambas manifestações são bem características desta patologia8,10,12,13. Afeta os movimentos voluntários e os automáticos, tanto na iniciação quanto na execução dos mesmos12,14.

Rigidez muscular

Está presente nesses indivíduos e do tipo plástica12,14. A resistência a movimentação em uma articulação é regular aumentada13 em toda a amplitude de movimento10,12 e acomete principalmente a musculature flexora.

Tremor

Acontece por contrações alternadas de grupos musculares opostos10, acometendo mais extremidade em membros superiores do que inferiores10,12.

Instabilidade Postural

Ocorre em função da perda dos reflexos de readaptação postural12, fazendo com que o tronco, que fica levemente caído a frente do corpo, não consiga reajustar o movimento, para voltar a posição anatômica e ereta,  o que pode facilitar episódios de queda.

O padrão da marcha adotado pelo parkinsoniano é bem característico e vale a descrição em um parágrafo a parte.

Os passos são curtos, de baixa velocidade e ocorre um aumento da cadência8. Conforme a doença progride, os passos se tornam mais curtos e mais rápidos, a este padrão de deambulação damos o nome de festinação8,10,12, que pode ser para frente (propulsão) ou para trás (retropulsão), tentando sempre encontrar o centro de gravidade8.

Tanto a marcha, quanto a instabilidade postural, são principais fatores causadores de incapacidade em casa e no trabalho desses indivíduos8.

Novamente, com uma avaliação bem fundamentada e aplicada, fica mais fácil elaborar objetivos específicos para a reabilitação neurológica do nosso paciente.

Dentre as principais alterações que esses indivíduos apresentam, faremos uma abordagem pelo conceito Pilates a fim de entender como e porque realizar determinado tipo de exercício.

A reabilitação neurológica da DP através do MétodoREABILITACAO-NEUROLOGICA-11

O Pilates como um conceito de reeducação do movimento auxilia na melhora das alterações motoras e em vários sintomas colaterais provenientes da Doença de Parkinson.

Em suma, para esses indivíduos, precisamos aumentar a quantidade de movimento e sua amplitude, para melhorar a capacidade de expansão da caixa torácica, e facilitar as reações de equilíbrio que, por fim, resultam em uma melhora funcional8.

O Pilates, entre outros pormenores, proporciona um trabalho muscular resistido e alongamentos dinâmicos que realizados com os princípios15, desenvolvem tanto força, quanto melhoram a coordenação motora e o equilíbrio.

Todos esses benefícios são importantes para a reabilitação neurológica das pessoas com Doença de Parkinson.

O padrão respiratório aplicado no método, é importante para auxiliar o indivíduo na hora de realizar o exercício (atenção direcionada para atividade) quanto para melhorar a expansibilidade da caixa torácica e a rigidez diafragmática16, fator tão comprometido e de extrema importância nesses pacientes.

Os padrões de contração muscular e alongamento utilizados no método Pilates, como as contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas) e isométricas15,16, realizadas de maneira ampla e lenta auxiliam na reorganização do movimento do paciente com DP15.

Quando a amplitude de movimento é feita em sua totalidade, o exercício se torna essencial para evitar mudanças nas propriedades dos músculos8.

A instabilidade postural e os desequilíbrios presentes nessa população pode ser trabalhada através da estabilização dinâmica.

Para isso utilizamos os aparelhos de Pilates e a infinidade de acessórios que, nos atualmente, a técnica dispõe15. Estimular as reações de equilíbrio em todos os planos de movimento8 também são abordagens benéficas e essenciais.

O método não impede a evolução da Doença de Parkinson, mas propicia ao paciente as vantagens descritas e, por esse motivo, o Pilates é uma ótima opção de atividade, seja para tratamento quanto para a manutenção dos benefícios já adquiridos pela pratica.

Esclerose MúltiplaREABILITACAO-NEUROLOGICA-2

A Esclerose Múltipla (EM) é uma patologia neurológica crônica

, de caráter autoimune, mais comum em adulto jovens8.

A dificuldade em um prognóstico ocorre em função de seus sintomas serem tão imprevisíveis e as suas manifestações clínicas tão diferentes10, apesar de bem conhecidas17 .

É uma patologia demielinizante, que aparece mais frequentemente na substância branca periventricular, no nervo óptico, na medula porção cervical e no tronco cerebral10,17.

As manifestações clínicas são extremamente variáveis porque a desmielinização pode acontecer em uma infinidade de locais dentro do SNC.

A localização e o volume das lesões, assim como a sequencia de tempo que elas acontecem 18 determinarão o tipo, os sinais, e os sintomas da Esclerose Múltipla.

Podem ser descritos como sintomas comumente, recorrentes e/ou permanentes encontrados nessa patologia:

  • Fraqueza muscular
  • Cansaço
  • Parestesia
  • Espasticidade
  • Alterações visuais (como visão dupla18 e diminuição da acuidade visual10)
  • Instabilidade na marcha
  • Tremor (como resultado de doenças cerebelares)10,
  • Manifestações vesicais,

A patologia é caracterizada por surtos, que são déficits neurológicos agudos em partes não tão próximas dentro do SNC, alternados com períodos de remissão10.

O que define o tipo de Esclerose Múltipla que o paciente apresenta, é a sua forma se recuperar, ou não, de cada surto.

Essa informaçãose torna de extrema importância na hora de elaborarmos exercícios físicos para este tipo de paciente.

A reabilitação neurológica da EM através do Método

Pensando na questão da reabilitação neurológica, o paciente só procura ou é encaminhando a algum centro de tratamento ou relacionado a alguma atividade física especializada, quando a patologia já gerou danos irreversíveis ao SNC, gerando determinada incapacidade.

O paciente deve ter a consciência que suas restrições com relação as incapacidades já instaladas não serão sanadas, porém, o objetivo principal da reabilitação é POTENCIALIZAR as funções, atenuando a invalidez e beneficiando a funcionalidade8,10.

Antigamente a realização de qualquer tipo de atividade física era contraindicada para pacientes com Esclerose Múltipla, em função de que o mínimo aumento da temperatura corporal aumentar a fadiga8,19, um dos principais sintomas da patologia.

Esta conduta tem outra visibilidade nos dias de hoje.

O Pilates aparece como complemento de terapia que, quando bem aplicado, ajuda a combater os principais sintomas que acometem as pessoas com Esclerose Múltipla.

Quando elaboramos uma aula, seguimos algumas recomendações19,20:

  • Executar os exercícios em um ritmo moderado;
  • Obedecer alguns períodos de descanso;
  • Manter uma postura adequada durante as atividades.

E não só no Pilates, essas regras devem ser seguidas no cotidiano deste aluno.

Embora exercícios fortalecedores não alterem a condição neurológica, o fortalecimento compensatório de grupos musculares não comprometidos, prevenindo fraqueza secundária por desuso, e o fortalecimento de músculos agonistas para superar a espasticidade em grupos musculares antagonistas podem favorecer a função8.

O Pilates surge como método que condiciona o corpo e integra toda a função do mesmo com a mente16,21.

O ganho de controle muscular, força, equilíbrio e a consciência corporal decorrentes dessa integração, ampliam a capacidade de manter e melhorar os movimentos.

Além disso a sistematização dos exercícios associados os princípios possibilita uma maior integração do indivíduo no seu cotidiano. Por ser um trabalho global, procura corrigir a postura e realinhar a musculatura, melhorando a estabilidade corporal16,21.

 O diferencial do Método na reabilitação neurológicaREABILITACAO-NEUROLOGICA-9

O objetivo deste artigo não é menosprezar nenhuma outra técnica, ou mesmo compará-las para saber qual a melhor a ser aplicada em cada caso, isto é tarefa de cada profissional e é muito particular.

Quero apenas mostrar e contar um pouco da minha experiência com o Método Pilates e as patologias aqui citadas, além de tudo que a literatura nos mostra sobre os benefícios que podemos obter aplicando-o.

Por tempos o método tem se difundido e vem surgindo cada vez mais adeptos, tanto aplicando o Pilates quanto o praticando, e isso não é à toa.

Como já disse, os princípios relacionados com a mente e o corpo dão qualidade a realização dos exercícios propostos e, todos eles em conjunto, fazem do método algo confiável na hora da execução.

Casos Reais

Citarei agora dois casos de reabilitação neurológica atendidos por mim. O primeiro uma sequela de AVC, crônico, com mais de 16 anos de lesão.

O segundo caso é uma sequela de Meningite, aguda, recém-saída da unidade de terapia intensiva.

Primeiro Caso –  NelsonBENEFICIOS DO PILATES (6)

O primeiro caso de reabilitação neurológica que trouxe para vocês é do Nelson, um paciente com 70 anos de idade, que teve um acidente vascular cerebral 16 anos atrás.

Como faz muito tempo, Seu Nelson não sabe onde colocou seus exames, o que ele pode relatar, com segurança, é que teve um AVC hemorrágico, ficou 25 dias em coma induzido e um total de 90 dias de internação hospitalar. Segundo ele não houve também nenhum processo reabilitativo após sair do hospital.

Como sequela motora ele apresenta uma hemiparesia desproporcionada com predomínio braquial à esquerda.

Sua maior reclamação é em função da dificuldade em manter a memória recente e realizar atividade com a mão esquerda.

E foi por esse motivo que o paciente procurou um Studio de Pilates, como uma nova opção de tratamento.

Como Seu Nelson é um paciente crônico, com sequela motora já instalada a muito tempo, fica difícil pensar em plasticidade cerebral, mesmo sempre estimulando corretamente para que isto aconteça. Após uma minuciosa avaliação, traçamos os objetivos a serem alcançados com ele.

  • Minimizar os efeitos das alterações de tônus;
  • Manutenção da amplitude de movimento em articulações preservadas
  • Ganho de amplitude de movimento nas articulações necessitadas;
  • Melhora da consciência corporal;
  • Melhora do alinhamento corporal;
  • Facilitação nas torcas posturais;
  • Melhora do equilíbrio estático e dinâmico em pé;
  • Melhorar a função nas AVDs.

Relato

É sempre importante ter os relatos dos próprios aluno.

Seu Nelson se sente mais feliz e satisfeito cada vez que um desafio é sugerido, muito mais quando ele consegue alcançar o objetivo proposto durante as aulas.

Segundo Caso – Regina

Regina é uma farmacêutica de 56 anos que faz viagens à negócios e tem muita responsabilidade com seu trabalho.

Foi admitida no hospital em fevereiro deste ano, com o histórico de 1 semana de queda de estado geral, mialgia e astenia, seguida após 5 dias evolui com dor e dificuldade para engolir, seguido de perda de força em membro superior esquerdo, e de nucalgia, também houve perda de sustento cefálico e piora do déficit de deglutição.

Foi diagnosticada com Meningite pelo vírus do herpes zoster (CID 10. B02.1) e ficou 10 dias internada para tratamento.

Sete dias após alta hospitalar a paciente apresenta:

  • Marcha com latero pulsão para E;
  • Hemiparesia E;
  • Doa à palpação cervical à esquerda com rigidez muscular importante
  • E mais alguns sintomas referentes ao déficit de deglutição e reflexo neuseoso que não abordaremos neste caso.

Fui procurada para atender Regina em seu domicílio.

Para isto disponho de alguns recursos como bola suíça, rolo, tonning boll, bastão, disco de equilíbrio, fitness circle, entre outros.

Os objetivos foram traçados para atendê-la e sanar os sintomas apresentados por ela, descritos acima.

Ela é uma aluna que já praticava Pilates em um Studio, mas que estava sedentária.

O que cabe dizer é que ela já domina os princípios do método, mesmo não conseguindo, num primeiro momento incorporar todos em função da recente lesão.

Relato 

Segundo Regina, os exercícios básicos de estabilização e de fortalecimento contra a gravidade foram bem difíceis no início, mas com a aplicação do método o corpo foi ganhando força, consciência e segurança para conseguir, novamente realizar todas as atividades de vida diárias.

Uma observação que o médico dela fez é que levaria, em média, 6 meses para que ela alcançasse a amplitude completa de ombro em todos os planos de movimento e, realizando a aula, fielmente, 2x por semana, durante três meses, já conseguimos alcançar a amplitude completa, sem dores e sem lesões.

Concluindo…

REABILITACAO-NEUROLOGICA-7

Uma avaliação bem elaborada nos mostra os pontos forte e os limitantes de cada aluno, seja do estado do sistema motor ou todos pormenores relacionados a ele ou a outros fatores incapacitantes, para que com isso, possamos traçar metas funcionais reais para cada um.

Concentrar-se no processo de aprendizado ativo do deve ser sempre a conduta adotada.

O Método Pilates irá ajudar no fortalecimento global do indivíduo fazendo com que ele recupere ou mantenha o controle funcional em suas atividades diárias e laborais.

E não só isso, a aplicação dos princípios oriundos do Método pode ainda prevenir ou retardar o aparecimento de alteração no sistema neuromusculoesquelético, evitando possíveis disfunções.

E um detalhe importante, a estabilidade emocional e a motivação, são alguns dos fatores que interferem drasticamente tanto no aprendizado motor quanto no desempenho do mesmo, pois isso, incorporar nosso aluno a rotina de aula e fazer com que seja agradável e satisfatório é função primordial do profissional que aplicará a técnica.

O que podemos e devemos fazer, como profissionais da saúde, é dar nosso melhor em atender este grupo de pacientes, cada qual dentro de suas especificidades profissionais

Quer saber mais sobre a reabilitação neurológica com o Método, conhecer mais a fundo sua história, seus princípios, todo seu vasto repertório??  É só me procurar que eu conto mais!

 

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Written by Karla Seleme

Karla Seleme

Karla Vergaças Seleme é fisioterapeuta, graduada pela PUC-PR. Formação completa em pilates pela Espaço Vida Pilates e MAT e IR pela Pilates Studiofit ( STOTT Pilates). Especialista em Fisioterapia Neurofuncional, pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Possui formação pelo Conceito BoBath Adulto; Balance; iniciação em Kabat, treinamento suspenso, treinamento funcional. Professora de curdo de formação em pilates pela Espaço Vida Pilates

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