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Como estão seus conhecimentos sobre o complexo do ombro? Precisamos te avisar: entender perfeitamente como funciona esse conjunto de articulações te ajuda a realizar uma boa avaliação das lesões na região.

Por ser um conjunto articular extremamente complexo, acabamos trabalhando com patologias, lesões e desequilíbrios com frequência. 

Nesse artigo realizamos uma breve revisão sobre algumas importantes articulações musculaturas do complexo do ombro, dando ênfase à cintura escapular. 

Continue lendo para aprender tudo que você precisa saber sobre essa região!

Anatomia do complexo ombro

Conhecemos o ombro por ser uma das articulações mais complexas do corpo. Sendo assim, não é à toa que ele pode ser acometido por diferentes tipos de patologias visto sua grande instabilidade e mobilidade superior às demais articulações do corpo.

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Na rotina de trabalho encontramos sempre desafios envolvendo a reabilitação e prevenção de lesões no ombro. Dessa forma, para termos mais chances de sucesso e oferecermos um trabalho eficiente é importante conhecer sua anatomia.

Mesmo que você ache que isso é só matéria de faculdade, fique sabendo que algumas alterações anatômicas são importantes para identificar patologias e não podem passar despercebidas. 

O tipo de acrômio encontrado no ombro, por exemplo, é provavelmente um dos mais comuns causadores da síndrome do impacto

Por esse motivo nunca podemos deixar de revisar alguns conteúdos de anatomia e biomecânica. No caso do ombro estamos observando uma anatomia complexa e movimentos mais complexos ainda. 

Como o ombro é formado por  um complexo de articulações, isto é, existe mais de uma articulação que forma o ombro, existem diversos fatores que influenciarão no desenvolvimento de patologias e nas estratégias de intervenção.

Articulações do complexo do ombro

O público em geral vê o ombro como uma única articulação que vive dando problema. Nós, como profissionais do movimento, sabemos que ele é muito mais que isso. 

O complexo do ombro é composto por várias articulações que devem funcionar em sincronia para ter um movimento de qualidade. 

Neste texto vamos considerar o ombro e cintura escapular, bem como suas articulações formadoras, como o complexo do ombro.

Começaremos analisando cada uma delas para entender seu papel no movimento.

Articulação escapulotorácica

Consideramos a articulação escapulotorácica como uma falsa articulação ou articulação funcional. Ela não é composta por uma união de ossos, mas sim pela escápula e musculaturas relacionadas. Além de não existir uma união de ossos, ela também não apresenta ligações feitas por estruturas cartilaginosas.

Apesar de possuir poucas características típicas das articulações, os movimentos da escápula relacionada à coluna torácica são completamente interdependentes. A escápula deve deslizar sem impedimentos sobre a torácica para que o ombro tenha amplitude completa de movimento.

Para que isso aconteça, ela faz uso de diversas musculaturas. Caso exista algum encurtamento ou tensão, o deslizamento da escápula e todo o movimento do complexo do ombro serão prejudicados, podendo gerar pequenos impactos ou sobrecarregar estruturas tendíneas, por exemplo.

Além das musculaturas do complexo, outro fator tem forte influência no funcionamento da articulação escapulotorácica: as articulações acromioclavicular e esternoclavicular. 

Essas articulações fazem parte da cintura escapular e devem ser consideradas quando falamos no ombro. Isso porque qualquer movimento realizado pela escapulotorácica leva a um movimento em uma dessas articulações, sendo que o oposto também é verdadeiro.

Posições da escápula

A escápula possui uma posição “neutra” ou de descanso, na qual costuma ficar enquanto não existe movimento do complexo do ombro. Essa posição é na face posterior da caixa torácica, entre a segunda e sétima costela. 

Claro que existem pequenas diferenças anatômicas entre cada indivíduo que podem fazer essa posição mudar. E isso não representa uma característica patológica.

A escápula também possui uma rotação interna de 35º a 40º do plano coronário, com uma inclinação anterior de 10º a 20º. Ela também tem uma rotação vertical de 10º a 20º. Novamente, esses valores são uma referência já que cada indivíduo possui pequenas variações.

De qualquer maneira precisamos ficar atentos à posição da escápula durante nossa avaliação. Uma escápula mal posicionada geralmente é sinal de desequilíbrios musculares ou fraquezas.

Um bom exemplo é quando encontramos uma discinesia da escápula no nosso paciente, a famosa escápula alada. Nesses casos os movimentos e a posição da escápula ficam alterados por desequilíbrios musculares, envolvendo o músculo serrátil anterior e trapézio mais comumente, ou lesões que impedem a correta resposta neuromotora dos músculos estabilizadores do ombro.

Articulação acromioclavicular

Como mencionamos anteriormente, essa articulação é uma das grandes influenciadoras dos movimentos da escápula. Isso quer dizer que, quando encontramos uma escápula disfuncional é bastante provável que a acromioclavicular também compense.

A articulação acromioclavicular está na parte superior do ombro. É formada pela junção entre a lateral da clavícula e o processo acromial do ombro. Essa é uma articulação sinovial plana que realiza movimentos de deslizamento.

Por que ela tem uma influência tão forte nos movimentos da escapulotorácica? Bem, ela é um dos pontos que conecta a escápula com a clavícula e suspende a extremidade superior da escápula do tórax.

Assim, sem os movimentos da acromioclavicular, não conseguimos um movimento funcional da escápula. Podemos resumir as funções dessa articulação da seguinte maneira:

  • Permitir rotação da escápula sobre caixa torácica;
  • Permitir ajustes nos movimentos da escápula além do seu plano inicial de movimento. Ela auxilia a escápula a se adaptar às mudanças do tórax conforme os movimentos dos membros superiores aumentam de amplitude;
  • Permitir transmissão de forças para a extremidade superior da clavícula.

Formato da articulação acromioclavicular

As formas que essa articulação assume variam, especialmente devido a uma variação no formato do acrômio. Assim, a acromioclavicular pode ter variados níveis de contato entre suas estruturas e atrito. Os níveis de inclinação das estruturas articulares também variam de indivíduo para indivíduo.

Alguns autores descrevem três tipos de articulação que tem inclinação entre 16º e 36º. Quanto mais próximas as estruturas chegam de uma posição vertical, maior a probabilidade de sofrer de patologias causadas pelo impacto.

Ligamentos e cápsula articular

A articulação acromioclavicular está rodeada por quatro importantes ligamentos. Sua principal função é criar estabilidade e manter a clavícula em contato com o processo acromial da escápula.

Devido à proximidade desses ligamentos, é comum que uma lesão na articulação também leve à uma ruptura de alguns ligamentos. Assim, as estruturas articulares acabam separadas, gerando instabilidade na escápula e desequilíbrio em seus movimentos.

Além disso, a articulação também possui uma cápsula articular, tornando-a numa articulação de tipo sinovial. A cápsula encontrada na acromioclavicular possui o reforço de alguns ligamentos capsulares na parte superior e inferior. Eles ajudam a reforçar a cápsula e manter a integridade articular.

Essa articulação merece atenção redobrada por mais um motivo. Ela é o ponto de inserção de diversos músculos importantes para os membros superiores.

Articulação esternoclavicular

Essa articulação realiza a união entre a clavícula, o esterno e a cartilagem da primeira costela. Isso acontece na face medial da clavícula, que se junta à face clavicular do esterno. Ela também é influenciada e influencia os movimentos da escápula e da articulação acromioclavicular.

Preste muita atenção nas informações sobre a esternoclavicular porque ela é o principal ponto de conexão entre as estruturas do ombro e da caixa torácica.

A articulação esternoclavicular é pequena e com pouco ou nenhum suporte das musculaturas do complexo do ombro. Por isso seus ligamentos possuem um papel fundamental na estabilização articular. 

Ao todo são quatro ligamentos que atuam nessa região:

  • Ligamento esternoclavicular anterior;
  • Ligamento esternoclavicular posterior;
  • Ligamento interclavicular;
  • Ligamento costoclavicular.

Uma das principais características dos ligamentos encontrados na articulação esternoclavicular é sua força. Por isso existem até casos em que encontramos fraturas na clavícula devido a algum impacto sem deslocamento articular.

Também existe uma cápsula articular para auxiliar no suporte da articulação, porém ela depende dos ligamentos para essa função.

Articulação subdeltoidea

Alguns autores desconsideram essa articulação quando falamos em articulações do ombro. Isso porque ela também é uma articulação funcional, sem características comuns nas estruturas verdadeiras como junção por ligamentos.

Ela é uma junção da Bursa subdeltóidea, o arco coracoacromial e os tendões que formam o manguito rotador. Só de conter os tendões do manguito você já consegue perceber quando teremos a maioria dos problemas nessa região, certo?

Cuidado com a articulação subdeltoidea. Ela também tem forte poder de influenciar os movimentos da escápula e merece atenção durante sua avaliação.

Articulação escapuloumeral ou glenoumeral

Essa é uma articulação verdadeira do tipo de esfera. Ela é formada pela junção entre a cabeça esférica do úmero e da cavidade glenóide da escápula. Consideramos a maior e  mais importante articulação do complexo do ombro.

Ela pode facilmente apresentar alguns problemas que nós encontramos com frequência nos consultórios. Essa é a articulação mais instável e móvel de todo o complexo do ombro. 

Ou seja, sem uma boa sustentação muscular ela está sujeita a diversos tipos de lesões devido à pouca profundidade da cavidade glenóide, o que faz com que a cabeça do úmero fique bastante livre para se movimentar. Não só lesões, mas deslocamentos da escapuloumeral também são extremamente comuns.

Por ser extremamente móvel, obviamente a glenoumeral teria o maior número de movimentos em todo o ombro. Eles são:

  • Abdução: elevação do úmero na cavidade glenoumeral no plano frontal;
  • Flexão: movimento frontal e para cima do úmero no plano sagital;
  • Extensão: movimento para cima do úmero no plano sagital na direção do posterior do corpo;
  • Rotação interna: rotação do úmero na direção medial;
  • Rotação externa: rotação do úmero na direção lateral;
  • Abdução da escápula: elevação do úmero no plano escapular, que fica na metade dos planos coronário e sagital;
  • Flexão horizontal: movimento do úmero em direção medial quando o ombro estiver em flexão ou em abdução de 90 graus;
  • Extensão Horizontal: movimento do úmero em direção lateral quando o ombro estiver em flexão ou abdução de 90 graus.

Lembre-se, todos esses movimentos são possíveis por que o úmero é separado por um espaço considerável da cavidade glenóide. Essa cavidade também é rasa demais para limitar seus movimentos, justificando a instabilidade e mobilidade da articulação.

Por isso ela possui uma necessidade extrema de estruturas estabilizadoras que limitem seus movimentos. Essas estruturas são ligamentos, cartilagens e músculos.

Ligamentos da articulação escapuloumeral

Sua principal função é limitar os movimentos da articulação. Sem o seu suporte a escapuloumeral é móvel demais e sujeita a lesões, subluxações e até mesmo deslocar-se totalmente Existem três principais ligamentos que atuam na articulação:

  • Ligamento coracoumeral;
  • Ligamento glenoumeral;
  • Ligamento umeraltransverso.

Também existe o labrum glenoidal e a bursa subacromial que auxiliam nessa estabilização. 

O labrum glenoidal é uma estrutura de cartilagem que molda a articulação, auxiliando na manutenção dos movimentos do úmero.s

Já a bursa é uma bolsa preenchida com líquido sinovial que diminui o atrito entre as estruturas articulares. Essa também é uma das maiores bursas que encontramos no corpo. É comum encontrarmos a bursa inflamada gerando um quadro de dor aguda no paciente.

Lembre-se que os ligamentos sozinhos são incapazes de manter essa articulação estável. É aí que entram as musculaturas do complexo do ombro, é graças a ela que o manguito rotador consegue deslizar sem problemas sob o músculo deltóide. 

Elas também precisam estar fortalecidas e trabalhando de maneira funcional para evitar dores e lesões.

Músculos do complexo do ombro

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Encontramos no ombro musculaturas que, à primeira vista, parecem bastante curtas. E isso especialmente quando comparamos essas estruturas a outros músculos espalhados pelo corpo. Mas não se engane, elas são potentes e possuem a capacidade de realizar diversos movimentos.

Eles também auxiliam na estabilização do ombro e frequentemente estão entre os culpados de patologias e lesões no ombro. Esse é um grande desafio que encontramos no ombro: fortalecer os músculos a ponto de estabilizar as articulações e ajuda-los a manter a mobilidade.

A instabilidade e a falta de mobilidade são dois problemas extremamente comuns nos ombros que recebemos em Studios. Ao fortalecer exageradamente algumas musculaturas do ombro arriscamos perder a mobilidade desse ombro.

Examinaremos aqui algumas das musculaturas mais importantes que atuam nessa região.

Deltóide

Esse é um músculo grande e poderoso que atua na articulação do ombro. Ele é facilmente identificável já que está localizado na parte superior da articulação. Ele é inervado por um ramo do plexo braquial.

Podemos dividir o deltóide em três partes com origens distintas. Elas são:

  • Clavicular: a parte anterior do músculo deltóide, tem origem no terço ântero-lateral da clavícula e função de flexão e flexão horizontal do ombro;
  • Acromial: a parte medial do músculo, tem origem no acrômio e função de abdução e extensão horizontal do ombro;
  • Espinal: a parte posterior do músculo, com origem na espinha escapular e função de extensão horizontal do ombro.

Todas essas partes têm inserção no tubérculo deltóide, terço médio da região lateral do úmero.

Sua principal função é estabilizar a articulação escapuloumeral. Sua contração pode ser tanto sinergista quanto agonista, dependendo da posição o úmero.

Supra-espinhal

O supra espinhal é um dos músculos do manguito rotador. É comum encontrarmos lesões nesse músculo relacionados ao manguito devido ao seu posicionamento que o faz ficar sob o acrômio favorecendo o impacto quando realizados movimentos de grande amplitude.

Suas  origem é na fossa supra-espinal e sua inserção no tubérculo maior do úmero tendo como função a abdução do ombro.

Serrátil anterior

Esse é o músculo responsável pela ligação entre a escápula e a caixa torácica. Ele tem origem na na superfície das nove costelas superiores no lado do tórax e inserção na face anterior de toda a borda medial da escápula.

Devido a essa inserção na escápula percebemos que o serrátil anterior é um dos músculos responsáveis por regular os movimentos da escápula sendo responsável pela sua abdução e rotação superior. 

Olhando de forma global ele tem papel quando realizada a rotação interna, flexão horizontal, abdução e flexão do ombro. Por isso, ele está relacionado ao ritmo escapuloumeral, que discutiremos mais à frente no artigo. 

O músculo serrátil anterior é principalmente responsável por deslizar a escápula sobre a caixa torácica e fundamental para tratamento de disfunções como a escápula alada, que falamos anteriormente.

Quando pensamos de forma ainda mais abrangente, para trabalhar de maneira adequada e estabilizar o ombro, juntamente com a cintura escapular, o serrátil anterior precisa da ajuda dos oblíquos internos e externos por serem componentes da cadeia cruzada do tronco.

Trapézios

Os trapézios são divididos em trapézio ascendente, descendente e transverso. Eles são músculos superficiais cobrindo uma área que vai da cervical, passa pela escápula e se insere na altura da última costela. 

Mais detalhadamente origina-se na base do crânio, ligamento do pescoço, espinhas da C7 e todas as vértebras torácicas (T1-T12). A inserção é na clavícula distal, processo do acrômio e espinha da escápula. 

Devido às origens tão distantes, convergindo para um mesmo ponto de inserção, a orientação das fibras entre suas três porções confere ao trapézio funções até mesmo antagônicas. 

Por exemplo, o trapézio ascendente é responsável pela depressão e rotação superior da escápula, enquanto o trapézio descendente realiza a elevação e rotação superior. Dessa forma eles são sinergistas e antagônicos ao mesmo tempo. Esse exemplo mostra a complexidade que é intervir no complexo do ombro. Já o trapézio transverso realiza a abdução das escápulas.

Ao pensar em um programa de intervenção envolvendo os trapézios lembre-se de avaliar com cuidados os movimentos do ombro que contam com a participação desse músculo.

O trapézio, em especial o trapézio superior, fica tensionado em casos de lesão no ombro. Alguns confundem a tensão no trapézio com força, especialmente em indivíduos com o corpo mais condicionado. Porém, isso não é verdade.

A tensão precisa ser liberada para conseguirmos tratar a lesão ou patologia do ombro.

Peitoral menor

Percebemos que muitos profissionais esquecem da importância do peitoral menor para os movimentos do ombro. Realmente, se compararmos o peitoral menor com trapézio, deltóide ou serrátil anterior ele passa um pouco despercebido. 

Porém, ele é responsável pela abdução, depressão, e rotação inferior da escápula. Seu papel na rotação inferior está intimamente ligado à adução e a extensão do ombro. Além disso, por ser um abdutor da escápula e estar envolvido na flexão horizontal do ombro, quando tensionado esse músculo pode gerar protrusão e rotação interna do ombro.

Sem contar que, os movimentos realizados pelo serrátil anterior tendem a  diminuir o espaço articular o que pode contribuir para o desenvolvimento de patologias do ombro, como a síndrome do impacto.

Alguns fatores que deixam este músculo tão propenso a encurtamentos e compensações são:

  • Ombros em rotação interna por muito tempo;
  • Disfunções articulares, especialmente da glenoumeral;
  • Disfunções respiratórias.

Além disso, o peitoral menor está localizado junto de diversos outros músculos. O que quer dizer que se um aluno está com encurtamentos nesse músculo esse problema provavelmente estará gerando compensações e cadeia.

Note que a postura tem uma grande influência nessa musculatura. Em geral, pessoas sedentárias, que passam boa parte do dia sentadas em frente a uma tela, desenvolvem encurtamentos no peitoral menor. Você encontrará situações assim com muita frequência em seu Studio e em pacientes com dores no ombro.

Essa musculatura costuma estar desequilibrada quando os alunos apresentam movimentos alterados da escápula. Sua origem está nos processos transversos das vértebras cervicais superiores (C1-C4), com inserção na borda medial da escápula acima da espinha.

Rombóides

Os romboides estão localizados na parte medial do tórax sobre as primeiras costelas e entre as vértebras e a borda medial da escápula. Eles são divididos em duas partes, maior e menor.

Quando contraídas, essas musculaturas aproximam a escápula da coluna vertebral no plano frontal realizando a adução das escápulas. Além disso, devido à inclinação das suas fibras, também consegue realizar a rotação superior e a elevação dessas estruturas.

Ritmo escapuloumeral

Por ser um conjunto de articulações bastante complexo, o ombro precisa de musculaturas e articulações funcionando juntas. De acordo com a posição e amplitude de movimento do ombro as musculaturas e articulações em movimento mudam.

No caso da escápula não existe movimento até os 30º de abdução ou flexão do ombro, o movimento nessa amplitude acontece na articulação glenoumeral. Para que o movimento acima dessas amplitudes seja possível existe o ritmo escapuloumeral.

Ele é o movimento coordenado da articulação glenoumeral e da cintura escapular para garantir a grande amplitude de movimentos do ombro. 

Quando esse ritmo está alterado teremos uma alta possibilidade de desenvolver patologias, lesões e problemas na região do ombro.  

Manguito rotador

O manguito rotador é um conjunto de músculos e tendões responsáveis por estabilizar as articulações do ombro durante o movimento. 

O manguito rotador é o grupo de músculos com o papel principal de estabilizar a articulação glenoumeral. Devido a sua amplitude de movimento ela é extremamente instável.

Além disso, a cápsula articular da glenoumeral é rasa demais para manter a cabeça do úmero bem posicionada. Por isso, sem a ação do manguito, a articulação glenoumeral está sob risco de deslocamento constante.

O manguito rotador é formado por quatro músculos:

  • Supra-espinhal;
  • Infra-espinhal;
  • Redondo menor;
  • Subescapular.

Em muitos casos de lesões e patologias do ombro encontramos um manguito rotador enfraquecido. Como vimos, um manguito enfraquecido leva à instabilidade no complexo do ombro

Precisaremos trabalhar com o fortalecimento das musculaturas do manguito na maioria dos processos de reabilitação do ombro.

Estabilidade e mobilidade do ombro

O complexo do ombro vive em contradição: precisa de mobilidade o suficiente para se movimentar com qualidade e de estabilidade o suficiente para evitar lesões

Adivinhe, boa parte dos ombros que encontramos nos Studios tem uma dessas características exagerada ou em falta.

Você encontrará complexos do ombro sem mobilidade ou sem estabilidade com muita frequência. Se não fossem os estabilizadores dinâmicos do ombro as articulações, em especial a glenoumeral, teriam pouquíssima estabilidade. 

Portanto, um dos pontos centrais de qualquer reabilitação do ombro é o fortalecimento dos estabilizadores do ombro.

Avaliação do complexo do ombro

O aluno chega em seu Studio com dor no ombro, o primeiro passo para começar a tratá-la é uma boa avaliação. Agora que relembramos algumas características do complexo do ombro podemos aprender como realizar uma avaliação mais eficiente.

Começaremos analisando seu histórico clínico. Pergunte ao paciente sobre episódios anteriores de dor no ombro e lesões na região. Nesse momento você também deve descobrir quais os movimentos que mais causam dor no aluno, se existe alguma atividade específica que piora o quadro e há quanto tempo ele sente esse desconforto. 

O histórico clínico não é capaz de te dar um diagnóstico completo do corpo desse paciente, mas te dará uma direção para seguir no restante da avaliação.

Depois de passar pelo histórico clínico você está pronto para começar a avaliação física. Agora é o momento de avaliar o ombro em todos os planos de movimento, entendendo mais sobre suas limitações de movimento.

Os testes dinâmicos e estáticos são essenciais para determinar qual é o verdadeiro problema desse ombro. Analisaremos a força muscular das principais musculaturas estabilizadoras do ombro e também sua postura. A avaliação postural será um ponto importante para determinar tensões nas musculaturas do ombro e compensações relacionadas à coluna torácica.

Um detalhe: nunca avalie somente o ombro. Devemos entender todo o corpo e suas compensações. Você deverá descobrir outras queixas de dores e desconfortos do paciente, mesmo que pareçam não relacionadas. Avalie os movimentos de outras regiões e também a força das musculaturas de base do corpo.

Principais patologias do Complexo do Ombro

Patologias que acometem o complexo do ombro são muito comuns, com certeza já sentimos alguma dor nessa região, ou conhecemos alguém que tem ou já teve. 

Isso se dá devido a quantia de movimentos que realizamos com essa estrutura durante todas as nossas atividades de vida diária.

Existem várias patologias que acometem o ombro, dentre essas, podemos destacar algumas:

Bursite

O que é?

Corresponde a inflamação em uma estrutura presente nas articulações chamada Bursa, que tem a função de facilitar o deslizamento dos tendões. 

O que causa? Quais são as consequências?

A inflamação dessa estrutura vai gerar dor na região durante a palpação local ou movimentos de flexão e abdução do braço. Além disso, essa inflamação pode gerar um aumento da bursa, aumentando ainda mais a dor e limitação dos movimentos. 

Tendinites

O que é?

Corresponde a inflamação nos tendões, principalmente nos tendões dos músculos do manguito rotador e no tendão da cabeça longa do bíceps devido a quantidade de movimentos que realizamos e função que eles exercem. 

O que causa? Quais são as consequências?

Essa patologia tem como principal causa o movimento repetitivo em determinada estrutura.  

Pode ser bastante limitante devido a dor apresentada pelo paciente.

Síndrome do impacto 

O que é?

É a diminuição do espaço que há na articulação onde estão presentes os tecidos moles. 

O que causa? Quais são as consequências?

No complexo do ombro, podem haver alterações nas superfícies dos ossos que circundam a bursa e os tendões, sendo que essas alterações ocorrem principalmente no acrômio. 

Havendo isso, podem ocorrer atritos nas estruturas, gerando dor. Essa patologia causa dor principalmente durante a flexão e abdução de ombro, pois é como se as estruturas moles (bursa e tendões) ficassem sem espaço e fossem comprimidas durante o movimento. Geralmente ocorre bastante limitação na amplitude de movimento .

Lesões e rupturas no Manguito Rotador

O que é?

É a ruptura total ou parcial de um tendão.

O que causa? Quais as consequências?

Esse tipo de lesão ocorre devido a traumas, mas também pode ser decorrente de algum outro fator que leva a ruptura com o passar do tempo, por exemplo, enfraquecimento muscular. 

Se o músculo está fraco, pode ser que o tendão se rompa quando for solicitado para um trabalho que exija um pouco mais de força ou até mesmo durante um movimento brusco. 

Na prática clínica é comum encontrar pacientes que não relatam trauma e mesmo assim apresentam diagnóstico de ruptura parcial ou total de algum tendão, muitas vezes relatam apenas um movimento brusco. 

No caso de ruptura parcial, o paciente geralmente apresenta dor durante a movimentação, além de diminuição da amplitude de movimento, já na ruptura total, muitas vezes, o paciente não consegue realizar o movimento ou sustentar o membro.

Geralmente pacientes que apresentam ruptura total são encaminhados para procedimento cirúrgico, já quando há ruptura parcial, muitas vezes se opta pelo tratamento conservador. O tendão do músculo supra-espinhal geralmente é o mais acometido do manguito rotador.

Artrite e Artrose de ombro

O que é?

É o desgaste da cartilagem presente entre estruturas ósseas em uma articulação.

O que causa? Quais as consequências?

Ocorre quando há degeneração da cartilagem que é responsável por auxiliar a diminuição de impacto entre as estruturas ósseas. Ao “perder” essa cartilagem, o atrito entre as estruturas irá gerar inflamação (artrite). 

Essa condição está presente principalmente em idosos, porém existem casos de adultos jovens que já apresentam um início desta patologia. Causa grande limitação funcional devido a dor pois é como se o osso estivesse raspando no outro durante o movimento.

Capsulite Adesiva ou Ombro congelado 

O que é?

É uma patologia caracterizada por rigidez articular fibrosa, que impossibilita o livre movimento do membro, deixando-o “rígido”.

O que causa? Quais as consequências?

Caracterizado por rigidez articular fibrosa. Pode estar relacionada a períodos prolongados de desuso do membro (ex.: imobilização). 

Nessa patologia existe grande limitação funcional pois o ombro perde muito de sua amplitude de movimento, tanto passiva quanto ativa. Associado a isso, pode haver perda de força muscular devido a capacidade de movimento diminuída. 

Conclusão

Os ombros, juntamente com a cintura escapular, formam um conjunto articular bastante complexo, sendo propenso a desenvolver diversas formas de lesões e patologias. 

Quando o aluno nos procura para tratar seus problemas de ombro, ou escapulares, ele espera resultados rápidos para voltar a suas atividades diárias. 

E isso é algo impossível de oferecer sem entender muito bem o funcionamento e interação de todas as articulações do ombro e cintura escapular, bem como a ação dos diversos músculos envolvidos nos seus movimentos.

A partir do conhecimento sobre essa articulação conseguimos fazer uma avaliação completa e montar um tratamento eficiente. Está pronto para colocar em prática todo esse conhecimento?