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*Este conteúdo é científico e pode ser utilizado para pesquisas*

O Método Pilates é, desde sua criação, considerado um método para reabilitação. Joseph Pilates, devido à sua infância doentia (ele sofria de asma, raquitismo e febre reumática), dedicou sua vida para melhorar sua saúde física e força. 

Além de criar um programa de exercícios para melhorar sua própria saúde, Joseph utilizou seu programa, inicialmente chamado de Contrologia, para melhorar a condição física e mental e reabilitar os soldados durante a Primeira Guerra Mundial. A partir daí os princípios do método foram difundidos, atingindo o atual reconhecimento. 

Por este motivo, nós, instrutores de Pilates, devemos ter sempre em mente que podemos utilizar o Método não apenas no condicionamento físico, mas também para reabilitação de lesões de pacientes que chegam ao nosso Studio. 

Vale ressaltar sempre, a importância em realizar uma minuciosa avaliação para então definir os objetivos do tratamento e elaborar o programa de aulas ideal para as necessidades de cada um dos nossos alunos.

É comum recebermos no nosso Studio pacientes com o diagnóstico de Síndrome do Ombro Congelado, sendo de grande importância o conhecimento desta patologia e também, de como o Pilates pode ajudar no tratamento.

Sendo assim, nesta matéria vamos apresentar diversos exercícios para síndrome do ombro congelado e dicas para te auxiliar na elaboração de um programa de aulas específico para esta patologia. Vamos lá?

 Formas de tratamento da Síndrome do Ombro Congelado 

Os objetivos do tratamento são basicamente: aliviar a dor, recuperar as amplitudes de movimento e minimizar as limitações funcionais.

As medidas de tratamento conservador incluem  intervenções medicamentosas com anti-inflamatórios, analgésicos, corticóides ou, em alguns casos, infiltrações; e o tratamento fisioterapêutico, no qual se encaixa o Método Pilates

Dentro da fisioterapia há uma gama enorme de recursos para o tratamento, como: crioterapia, eletroterapia, cinesioterapia convencional (por meio de exercícios passivos, ativo assistidos e ativos), terapias manuais, liberação miofascial, massagem terapêutica, acupuntura e o Método Pilates.

Em alguns casos, pode ser realizado um procedimento médico chamado manipulação sob anestesia, que consiste na aplicação de uma anestesia local e mobilização manual do ombro, para soltar as aderências e diminuir a rigidez do ombro.

Mais de 90% dos pacientes melhoram com o tratamento conservador, porém, caso isso não ocorra, há também o tratamento cirúrgico, indicado em casos mais graves, que não respondem ao tratamento conservador e que têm pouca evolução na recuperação.

Como o Pilates pode ajudar no tratamento? 

Apesar de atingir apenas de 3% a 5% da população, não é difícil chegar um aluno com Síndrome do Ombro Congelado no seu Studio de Pilates. 

Como o Método promove bem-estar e saúde por meio de exercícios específicos com objetivo de restaurar as alterações cinesiológicas funcionais, podemos reabilitar através dos exercícios para síndrome do ombro congelado.

Mesmo na reabilitação devem ser sempre respeitados os princípios de respiração, concentração, centralização, controle, precisão e fluidez do Pilates, para uma melhor compreensão do corpo e um melhor alinhamento corporal.

Além disso, deve-se sempre enfatizar a ativação do powerhouse, responsável pela manutenção e estabilização do tronco, pela prevenção de desequilíbrios musculares desta região e pelo alinhamento biomecânico com menor gasto energético aos movimentos.

É de extrema importância o fisioterapeuta realizar uma avaliação minuciosa para investigar qual a fase que o paciente se encontra, quais os principais acometimentos articulares e quais as limitações funcionais.

Por meio da anamnese podemos investigar as atividades diárias comprometidas, pois esta é a principal queixa do paciente ao chegar ao Studio. Realizar a avaliação da escala da dor também ajuda bastante na elaboração do tratamento.

No exame físico a goniometria é muito importante para determinar a real perda da amplitude de movimento. Vamos relembrar os valores base para goniometria de ombro:

  • Flexão de ombro: 0° a 180°
  • Extensão de ombro: 180° a 0° (a volta da flexão)
  • Abdução de ombro: 0° a 180°
  • Adução de ombro: 180° a 0° (a volta da abdução)
  • Abdução horizontal: 0° a 90°
  • Adução horizontal: 0° a 40°
  • Rotação interna: 0° a 90°
  • Rotação externa: 0° a 90°

Testes de força e função muscular também devem ser aplicados, para avaliar os desequilíbrios musculares de deltoide, trapézio, romboide, levantador da escápula, supraespinhoso, infraespinhoso, redondo maior e menor, serrátil, peitoral maior e menor, grande dorsal, rotadores laterais e mediais do braço, bíceps e tríceps.

A partir daí o instrutor conseguirá elaborar um diagnóstico cinesiológico funcional, que irá determinar a prescrição adequada de exercícios para síndrome do ombro congelado em cada uma das fases da recuperação e, assim, elaborar as suas aulas de Pilates.

22 Exercícios para Síndrome do Ombro Congelado

Para um melhor entendimento, iremos separar os exercícios para síndrome do ombro congelado de acordo com as fases da patologia.

1ª fase dolorosa

A dor vai delinear esta fase do tratamento. Ele deve ser baseado em analgesia (crioterapia local, de 20 a 30 minutos, no mínimo 3 vezes por dia); mobilização leve de ombro e cintura escapular para manter as amplitudes de movimento; alongamentos leves de cintura escapular, ombro, coluna cervical e torácica, pois a dor gera uma carga de estresse muscular. 

Exercícios de Codman (exercícios pendulares) também são bastante indicados nessa fase. Lembrando-se que os exercícios para síndrome do ombro congelado devem ser realizados sempre no limite da dor do paciente.

Sugestões de exercícios:

1. Mobilidade de ombro

Posição inicial: aluno em decúbito dorsal, joelhos flexionados e membros superiores apoiados ao longo do corpo.

Movimento: instrutor deve realizar exercícios ativoassistidos de flexão, extensão, adução horizontal e abdução horizontal de ombro, retornando à posição inicial.

2. Torção

Posição inicial: aluno em decúbito lateral, membros superiores esticados a frente do corpo e membros inferiores flexionados em 90º.

Movimento: realizar ativamente movimentos de abdução e adução de ombro, girando o tronco para acompanhar o movimento, voltando à posição inicial.

 3. Rest position

Posição inicial: aluno sentado nos calcanhares, com as mãos apoiadas num rolo (ou bola).

Movimento: realizar flexão de tronco deslizando o rolo para frente, retornando à posição inicial.

 4. Bird dog

Posição inicial: aluno ajoelhado em 4 apoios.

Movimento: realizar a elevação de membro superior e membro inferior opostos, retornando à posição inicial. Inverta a posição do membro superior e membro inferior na próxima repetição.

 5. Pêndulo

Posição inicial: aluno com um membro superior apoiado em uma cadeira (ou no Barrel).

Movimento: realizar movimentos circulares, anteroposteriores e latero-laterais do outro membro superior. Pode-se utilizar um peso ou anilha, para fazer uma decoaptação da articulação do ombro, proporcionando alívio da dor e da pressão na articulação do ombro (exercícios de Codman, ou exercícios pendulares).

2ª fase de congelamento

A ênfase desta fase deve ser na restauração da amplitude de movimento. 

O instrutor pode inicialmente realizar técnicas de terapia manual (como pompage), liberação miofascial e exercícios passivos. 

A partir de então podem ser realizados alguns exercícios de Pilates de solo e nos aparelhos de Pilates, com resistência leve ou com o uso de elástico e do Magic Circle. 

Vale ressaltar que, devido à rigidez articular, os exercícios de fortalecimento devem ser incluídos lenta e progressivamente, de acordo com a resposta do paciente.

Sugestões de exercícios

6. Retração escapular

Posição inicial: aluno em pé (ou sentado), segurando o Magic Circle atrás do corpo e paralelo ao solo.

Movimento: fazer adução de escápula, pressionando o círculo, retornando à posição inicial.

7. Twist – variação

Posição inicial: aluno sentado, com os joelhos flexionados, segurando o Magic Circle em frente ao corpo, ombros em 90°.

Movimento: realizar a adução horizontal de ombro, pressionando o circulo, retornando à posição inicial. Pode-se fazer uma variação incluindo uma rotação de tronco durante o movimento (como na foto acima).

8. Prancha – variação

Posição inicial: aluno ajoelhado em 3 apoios, com um membro superior apoiado no chão, e outro membro superior apoiado no Magic Circle.

Movimento: fazer a extensão de cotovelo, pressionando o círculo, retornando à posição inicial.

9. Manguito rotador

Posição inicial: paciente em pé ou sentado, segurando a ponta de um elástico (preso em alguma base).

Movimento: realizar movimentos de rotação interna e externa de ombro, voltando à posição inicial.

10. Abdução

Posição inicial: paciente sentado (ou em pé), segurando um elástico na frente do corpo.

Movimento: realizar movimentos de elevação, adução e abdução de ombro, retornando à posição inicial.

 11. Tríceps

Posição inicial: aluno sentado (ou em pé), segurando um elástico atrás do corpo.

Movimento: realizar o movimento de extensão de cotovelo, separado ou concomitantemente, retornando à posição inicial.

12. Cat stretch

Posição inicial: paciente ajoelhado em 4 apoios.

Movimento: realizar a abdução de escápulas, curvando a coluna para cima, e voltando à posição inicial.

13. Mermaid 

Posição inicial: aluno sentado no Cadillac, um membro inferior flexionado à frente do corpo e outro atrás.

Movimento: realizar alongamento lateral do corpo, elevando o membro superior ao lado do corpo, voltando à posição inicial.

3ª fase de descongelamento

Com a diminuição da dor e da rigidez articular, os exercícios para síndrome do ombro congelado podem ser mais intensos. 

A resistência das molas deve ser selecionada de acordo com a resposta do paciente, com o objetivo de restaurar a força e o comprimento muscular da cintura escapular, ombro, coluna cervical e coluna torácica. 

Nesta fase também pode-se inserir exercícios de propriocepção e coordenação da musculatura acometida.

Sugestões de exercícios

14. Puxada

Posição inicial: aluno sentado no Cadillac, membros inferiores semiflexionados, coluna alinhada, segurando a barra fixa.

Movimento: realizar movimentos de flexão e extensão de ombros e cotovelos, trazendo a barra próxima ao corpo, retornando à posição inicial.

15. Sit up

Posição inicial: aluno em decúbito dorsal no Cadillac, joelhos flexionados e mãos apoiadas na barra fixa.

Movimento: realizar a flexão de ombros, elevando a barra e flexão de tronco, até sentar-se completamente. Retornar à posição inicial lentamente, articulando as vértebras.

16. The saw – variação

Posição inicial: paciente sentada no Cadilac, joelhos estendidos e pés apoiados, coluna alinhada e mãos na barra fixa.

Movimento: realizar movimento de rotação lateral de tronco, elevando e rodando lateralmente o outro membro superior, retornando à posição inicial.

17. Arms works

Posição inicial: paciente no Reformer, em decúbito dorsal, joelhos flexionados em 90° e membros superiores elevados e estendidos, segurando as alças.

Movimento: realizar movimentos de extensão e rotação interna e externa de ombros, retornando à posição inicial (arms up and down, arms circle).

18. Rowing back – variação

Posição inicial: paciente sentado no Reformer, joelhos estendidos, membros superiores em frente ao corpo, cotovelos estendidos, segurando as alças.

Movimento: realizar o movimento de extensão de ombros, flexionando o tronco, retornando à posição inicial.

19. Elevação frontal

Posição inicial: aluno sentado no Reformer, joelhos flexionados, membros superiores ao longo do corpo, cotovelos estendidos e segurando as alças.

Movimento: realizar a flexão e extensão de ombro, retornando à posição inicial.

20. Mermaid 

Posição inicial: paciente sentado de lado na Chair, um membro inferior flexionado e o outro abduzido com o pé apoiado no chão, e membros superiores ao longo do corpo.

Movimento: realizar a inclinação lateral de tronco, apoiando e pressionando uma das mãos no pedal, elevando lateralmente o outro membro superior.

21. Swan – variação

Posição inicial: aluno em decúbito ventral na Chair, membros superiores apoiados no pedal, cotovelos estendidos e membros inferiores no ar, com os joelhos estendidos.

Movimento: realizar o movimento de extensão e rotação de coluna, abduzindo o ombro lateralmente, retornando à posição inicial.

22. Prancha

Posição inicial: paciente ao lado da Chair, ajoelhado ou em posição de flexão de braço, um membro superior com mão apoiada em uma caixinha e cotovelo estendido, e outro membro superior com a mão apoiada no pedal e o cotovelo flexionado.

Movimento: realizar a extensão do cotovelo, pressionando o pedal para baixo, retornando à posição inicial.

É de extrema importância o instrutor ensinar alguns exercícios para síndrome do ombro congelado em que o paciente possa realizar em casa para acelerar o processo de recuperação. 

Porém, dependendo do acometimento da doença (bem como da demora para início do tratamento), infelizmente em alguns casos pode-se permanecer alguma pequena limitação na amplitude de movimento.

Restrições de exercícios para Síndrome do Ombro Congelado

Como na Síndrome do Ombro Congelado a dor e a restrição ao movimento são as maiores queixas, deve-se sempre respeitar o limite do paciente, evitando realizar exercícios de força na fase dolorosa e, independente da fase do tratamento, evitar sempre o impacto articular, razão pela qual os médicos estão indicando o Método Pilates para o tratamento.

Conclusão

A Síndrome do Ombro Congelado, também conhecida como Capsulite Adesiva, é uma condição dolorosa associada à perda severa de movimento no ombro, causada por um processo inflamatório da cápsula articular. 

Sua etiologia ainda é desconhecida, mas o tratamento, apesar de demorado, evolui bem e tem perspectiva de cura. 

Cada vez mais o Método Pilates vem sendo utilizado para a reabilitação de lesões e, a partir deste artigo, você já tem as diretrizes para o tratamento da síndrome do ombro congelado.  

Vale sempre ressaltar que o instrutor deve analisar as particularidades do aluno e adaptar os exercícios para síndrome do ombro congelado a fim de uma total recuperação. E também, que a participação ativa do paciente é essencial para restaurar sua qualidade de vida e retornar às suas atividades de vida diária.

Já recebeu no seu Studio e tratou pacientes com a Síndrome do Ombro Congelado? Conte-nos sua experiência!

 

 

Referências:

CARTUCHO; MOURA; SARMENTO. Capsulite Adesiva ou Ombro Congelado. 2013.

FILHO, A. Capsulite Adesiva. Revista Brasileira de Ortopedia. 2005.

GONÇALVES; SILVA. Intervenção Fisioterapêutica na Capsulite Adesiva. 2009.

NETTER, F. A. Atlas de Anatomia Humana. 2000.


























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