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Benefícios do Pilates para Alunos com Incontinência Urinária

Benefícios do Pilates para Alunos com Incontinência Urinária
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Ela pode demorar para aparecer, mas quando aparece incomoda muita gente, atinge mais as mulheres e repercute negativamente na vida do indivíduo. Já sabem de quem estamos falando? Estamos falando da Incontinência Urinária.

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, um problema que pode acometer homens e mulheres de todas as faixas etárias. Porém, é mais frequente na terceira idade, afetando cerca de 30% das mulheres idosas e 15% dos homens idosos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, essa condição atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, causando um impacto negativo na vida destes indivíduos. Entre os inconvenientes, a incontinência urinária é motivo de constrangimento social e acaba por gerar um declínio da qualidade de vida.

No entanto, é importante lembrar que ela pode ser evitada. Além disso, uma vez instalada os seus sintomas também podem ser amenizados. Entre as diversas formas de tratamento, a prática regular do Método Pilates pode ser uma alternativa para prevenção e tratamento.

Nesse texto vamos entender como o Pilates pode auxiliar no tratamento da incontinência urinária, vamos lá?

Entendendo a Incontinência Urinária

O ato de urinar e de prender a urina parece simples, mas para que isso ocorra dependemos não só do bom funcionamento do trato urinário.

Nesse caso, precisamos também que os músculos do assoalho pélvico, a parede abdominal e o diafragma estejam em boas condições. Os músculos do assoalho pélvico estão divididos em duas camadas sendo uma superficial e a outra profunda.

A camada superficial, mais conhecida como períneo envolve os órgãos genitais externos e o ânus. São formadas pelos músculos bulboesponjoso, isquicavernoso, transverso superficial, profundo do períneo, esfíncter uretral externo e esfíncter anal externo.

O períneo tem como função controlar o fluxo urinário, tornar possível o ato sexual e, além disso, é essencial durante o parto normal.

Já a camada mais profunda é constituída pelos músculos isquioscoccígeos e levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo e iliococcígeo) o conjunto desses músculos forma o diafragma pélvico, que é a base de sustentação dos órgãos internos.

A seguir vamos entender um pouquinho melhor como o processo de micção ocorre.

Vamos começar pela urina, ela é produzida pelos rins, e fluída pelos ureteres até chegar à bexiga, que é o seu reservatório. Da bexiga a urina passa pela uretra onde elimina aproximadamente 95% de água, a eliminação de água é necessária devida algumas substâncias tóxicas que estão dissolvidas no plasma.

Quando a urina chega à bexiga o músculo detrusor (musculatura lisa que reveste a parede da bexiga urinaria) relaxa para que este líquido possa ser mais bem acomodado.

O enchimento da bexiga é detectado através dos receptores de estiramento da bexiga e também pelo músculo esfíncter interno (músculo liso) que se contrai involuntariamente prevenindo o esvaziamento da bexiga.

Conforme a bexiga vai enchendo ocorre a excitação desses receptores e o músculo liso começa a enviar reflexos de contração. Estes reflexos são modulados por vias que vêm do encéfalo e permitem o controle voluntário que vem do esfíncter externo (músculo esquelético), permitindo a resistência de urinar.

Resumindo, antes que a micção comece o diafragma e os músculos da parede abdominal se contraem gerando uma pressão endoabdominal. Após os músculos pubococcígeos se relaxam e deslocam o colo da bexiga para baixo, esta descida estimula a contração do músculo detrusor.

Ao mesmo tempo, a contração das fibras longitudinais da uretra se encurta, abrindo o óstio interno da uretra, e então a urina é expelida da bexiga.

Quando o indivíduo apresenta algum distúrbio no sistema urinário ou nas estruturas do assoalho pélvico, parede abdominal ou diafragma, ele não consegue voluntariamente iniciar ou cessar a micção, e é isso que ocorre nos pacientes com incontinência urinaria.

Tipos de Incontinência

A incontinência pode ser repentina e temporária, existem vários tipos de incontinência, mas as quatro mais comuns são:

Incontinência de Esforço

Este tipo de incontinência é aquela em que o ocorre à perda involuntária de urina devida uma pressão intra-abdominal repentina e inesperada.

Isso pode acontecer em atividades de impacto, tarefas de esforço como levantar objetos pesados ou simplesmente ao tossir, rir ou espirrar.

Incontinência de Urgência

Esta incontinência é caracterizada pela hiperatividade do detrusor (músculo que contrai a bexiga), pois ocorre a vontade repentina de urinar, e muitas vezes faz com que o individuo não chegue a tempo no banheiro devido à incapacidade de controlar a liberação de urina.

Também é conhecida como bexiga hiperativa.

Incontinência de Excesso

Esse tipo de incontinência ocorre quando há acumulo de urina na bexiga, ocorrendo pequenos escapes durante o dia.

Isso acontece pela distensão da bexiga e a presença de alguma obstrução que impeça o individuo a esvaziar a bexiga totalmente.

Incontinência Mista

A incontinência mista apresenta características de dois tipos de incontinência citados acima (Mistura de Incontinência de Esforço/Urgência), ou seja, um esfíncter incompetente associado com a uma bexiga que contrai involuntariamente.

Causas da Incontinência Urinária

Vários mecanismos podem levar à incontinência urinária, às vezes mais de um mecanismo está associado, entre eles podemos citar:

  • Infecções urinárias ou vaginais.
  • Com a queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa, a bexiga se torna menos elástica provocando a micção involuntária.
  • Constipação intestinal.
  • O enfraquecimento natural de alguns músculos da região pélvica faz com que o individuo apresente déficit de contração do esfíncter eliminando a urina involuntariamente.
  • Efeitos colaterais de medicamentos.
  • Pós-parto ou qualquer cirurgia na genital também predispõem os indivíduos a ter incontinência devido as possíveis lesões da musculatura pélvica.
  • Obesidade;
  • Quadros pulmonares obstrutivos/ tosse crônica ambos geram pressão abdominal;
  • Obstrução da uretra em decorrência de hipertrofia ou tumores na próstata pode levar a incontinência devido à retenção de urina.
  • Comprometimentos dos nervos ou músculos da região pélvica podem ocorrer por danos neurológicos (Parkinson), lesões na medula espinal e pacientes com esclerose múltipla.

Sintomas da Incontinência Urinária

O sintoma inicial que caracteriza a incontinência urinaria é a perda de urina involuntariamente. Esta condição pode se tornar frequente e com maior intensidade, sendo incontrolável segurar a urina até chegar ao banheiro.

Porém, cada indivíduo incontinente apresenta a perda de urina de um modo diferente, de acordo com o tipo de incontinência.

Riscos para os Pacientes com Incontinência Urinária

A ocorrência da incontinência urinária pode gerar impacto negativo na vida de uma pessoa, em decorrência de:

  • Problemas de pele como a dermatite de contato, infecções e úlceras de pressão podem se desenvolver a partir do contato da pele e urina, sendo mais frequente em pacientes acamados.
  • A infecção do trato urinário é recorrente em pacientes com incontinência devido o uso diário de fraldas.
  • O risco de quedas é maior, principalmente nos idosos. Em casos de incontinência de urgência a pessoa corre para o banheiro, neste ato ela pode cair e consequentemente sofrer fraturas.
  • Pacientes incontinentes muitas vezes tem vergonha e acabam se isolando não só da sociedade, mas dos familiares também, pois eles têm medo de perder urina na frente de outras pessoas.
  • Essa limitação das atividades faz com que o indivíduo apresente condições de incapacidade, baixo desenvolvimento profissional, disfunção sexual, baixa autoestima, depressão e má qualidade de vida.

Nós, profissionais da saúde devemos alertar a população, mostrando que há recursos eficazes para amenizar os sintomas da incontinência urinária e promover assim uma vida ativa e confiante durante suas tarefas do dia a dia.

Formas de Tratamento da Incontinência Urinária

Antes de iniciar qualquer método terapêutico o indivíduo deve realizar uma avaliação com o seu Urologista. Dependendo do tipo e do grau de incontinência, podemos destacar as seguintes opções de tratamento:

  • Mudanças no Estilo de Vida

Mudanças simples podem fazer toda a diferença para quem sofre de incontinência urinária.

Uma alimentação saudável rica em fibras pode ajudar a evitar a constipação e assim diminuir a pressão abdominal. Uma dieta balanceada também ajuda na perda de peso e ameniza os sintomas da incontinência.

A ingestão de cafeína, sucos cítricos e bebidas alcoólicas devem ser evitados, são substancias irritantes que afetam a bexiga e podem agravar o quadro clínico do paciente.

A noite deve-se evitar a ingestão excessiva de água. Durante o dia pode aumentar o consumo de água para evitar problemas de constipação intestinal e cálculo renal.

Pacientes fumantes têm maior propensão à tosse e perda de urina, deste modo o indivíduo deve tentar excluir o tabaco da sua vida diária.

  • Cinesioterapia do Assoalho Pélvico

Exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico são muito importantes na reabilitação destes pacientes.

Os exercícios de Kegel são muito indicados, pois ajudam a restaurar o tônus muscular, prevenindo e reduzindo os problemas do pavimento pélvico. O paciente deve seguir os seguintes passos:

  1. Esvaziar a bexiga e depois tente segurar a urina para localizar o músculo puboccígeo.
  2. Agora que já sabe qual músculo que se deve contrair, mantenha a contração do mesmo e conte até 10, e relaxe por 15 segundos entre uma série e outra.

O exercício é repetido aproximadamente 10 vezes em uma série, podendo ser realizado varias vezes ao dia, até mesmo durante as tarefas do dia a dia.

Porém, não são todas as mulheres que tem facilidade para contrair os músculos corretos. Por este motivo, existem outros métodos que podem auxiliar na contração correta, como:

  • Cones Vaginais

A inserção de cones vaginais ajudam as mulheres de forma simples e prática de identificar a musculatura. A tonificação da musculatura do assoalho pélvico também pode ser associada com os princípios de biofeedback.

  • Estimulação elétrica

A eletroestimulação funciona através da inserção de eletrodos na vagina, sendo a paciente é estimulada por 20 a 30 minutos. Essa estimulação aumenta a contratilidade e tonificação muscular inibindo as contrações involuntárias do músculo detrusor.

  • Medicamentos

Os medicamentos têm como função relaxar a bexiga (diminuir a hiperatividade), aumentar seu tônus muscular ou fortalecer os esfíncteres.

Lembrando que somente o médico pode receitar qual o medicamento, a dosagem e a duração mais indicada para cada paciente.

  • Cirurgia

Se após seis meses de tratamento convencional e o paciente não obter melhora, a cirurgia pode ser realizada.

A mais conhecida é a Sling, que consiste na aplicação de tiras de tecido sintético ou de malha em torno da uretra, a fim de mantê-la fechada, e assim evitar o escape de urina ao tossir ou espirrar.

Outros procedimentos podem ser realizados como a suspensão do colo da bexiga, cirurgia de prolapso e esfíncter urinário artificial.

Além destes recursos temos o Método Pilates, que além de reabilitar o paciente, preveni o surgimento de outras doenças, trazendo inúmeros benefícios ao praticante. Curioso? A seguir vamos conhecer cada um deles.

Benefícios do Pilates na Incontinência Urinária

Muitas vezes o aluno ao chegar ao estúdio, e por constrangimento, não refere logo de início a perda de urina. Por isso é importante que os instrutores realizem uma avaliação antes de iniciar qualquer exercício.

Pois a partir daí o instrutor consegue conhecer melhor o seu aluno e assim poderá prescrever os exercícios adequados e com segurança, conforme a necessidade de cada um.

O Método Pilates  é a melhor opção de tratamento para esses pacientes, pois consiste em uma série de exercícios de baixo impacto que trabalham o corpo de forma harmoniosa, sempre levando em conta as restrições e limites de cada aluno.

Além disso, o Pilates traz inúmeros benefícios.

Durante as aulas de Pilates trabalhamos muito a ativação do Powerhouse, que inclui as musculaturas mais profundas como os da coluna, da região abdominal, do diafragma e assoalho pélvico.

Com a ativação constante dessas musculaturas proporcionará ao aluno a tonificação do períneo que é a base de sustentação da bexiga. Com músculos mais fortes o aluno apresenta maior controle da urina e menores são as chances de vir a ter a incontinência urinária e fecal.

Além de fortalecida, a região pélvica se torna mais flexível o que é muito importante na manutenção da postura correta, pois quando os músculos se encontram fracos e pouco flexíveis levam o individuo a adquirir uma postura inadequada, ocasionando instabilidade e dor lombar.

Os idosos e gestantes são os grupos mais propensos a ter incontinência urinária, por este motivo devem praticar de Pilates.

Com a prática de Pilates, além de o idoso obter maior controle da urina, ele adquire estabilidade corporal, consciência corporal e equilíbrio. Com isso, diminuem os riscos de quedas e limitações funcionais, aliviando as dores articulares e ajuda o idoso a realizar suas atividades de vida diária com mais confiança.

As gestantes podem iniciar o Pilates a partir do terceiro mês, os exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico facilitam o parto natural, e previnem eventuais episódios de perdas urinárias que podem ocorrer durante a gestação e no pós-parto.

Como vimos acima, a obesidade é outro fator de risco para incontinência urinária. Para quem está acima do peso a prática de Pilates pode ajudar aumentando o gasto energético diário.

A perda de peso diminui a pressão e o estresse sob a bexiga, evitando a ocorrência de vazamentos, melhorando também o condicionamento físico, promovendo o bem estar e o aumento da autoestima.

Além dos benefícios citados acima o Pilates proporciona aos seus praticantes: flexibilidade, relaxamento, coordenação, resistência, melhora da consciência corporal e percepção da região pélvica.

Para que esses resultados sejam alcançados é bom lembrar que o instrutor deve conscientizar seu aluno sobre a importância da contração e a respiração correta durante os movimentos. Ambos devem ser realizados em conjunto para obter bons resultados e evitar lesões durante a prática de Pilates.

A “Manobra de Valsava” (prender a respiração durante o exercício) deve ser eliminada já no início, pois esta ação aumenta a pressão abdominal, provocando assim maior sobrecarga sobre a bexiga, resultando na perda de urina.

Por este motivo, torna-se essencial que o Pilates seja monitorado por um instrutor capacitado, que pode ser um profissional de educação física ou um fisioterapeuta. Este profissional vai tratar adequadamente esta disfunção para assim, melhorar a qualidade de vida do seu aluno.

Restrições de Exercícios para Pacientes com Incontinência Urinária

Muitos pacientes com incontinência urinária abandonam a prática de atividades físicas devido à perda urina durante o exercício. Para que isso não ocorre no seu estúdio evite alguns exercícios que geram impacto na bexiga urinária, como:

  • Jump Double
  • Jump One Leg Side
  • Jump Jacknife
  • Jump Cross Crountry e outras variações que incluem saltos

Respeite os limites do seu aluno, se necessário dê uma pausa entre um exercício e outro, para ele possa ir ao banheiro.

Concluindo…

A incontinência urinária não é somente um problema médico, envolve outros fatores que afetam negativamente a vida do indivíduo, como o emocional, psicológico e social.

Por este motivo, aqueles que sofrem com a incontinência deixam de realizar atividades físicas pelo medo e constrangimento de vir a perder a urina em locais públicos.

Por esta razão, é muito importante alertar a população que as causas da incontinência podem ser tratadas com sucesso através do Método Pilates.

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