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Pilates na disfunção patelofemoral

Pilates na disfunção patelofemoral
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A articulação do joelho foi projetada para promover estabilidade e mobilidade. Em termos anatômicos e biomecânicos esta é uma articulação complexa pois, na flexão (até 135°) e na extensão (0 a -15°) da articulação femorotibial também ocorrem as rotações mediais e laterais.

A patela é um osso sesamóide e por estar localizada sob o tendão do quadríceps, sua porção posterior se articula com a porção anterior do fêmur, região conhecida como fossa ou sulco troclear. Suas funções são de aumentar a eficiência da extensão nos últimos 30 graus, diminuir o atrito do quadríceps no fêmur e proteger o joelho contra golpes anteriores. A superfície posterior da patela é coberta por cartilagem hialina e, apesar de ser a cartilagem mais espessa do corpo humana, não está isenta de lesões.

A estabilidade estática da patela é dada pelos componentes ósseos da fossa troclear limitada pelos côndilos medias e laterais, além dos ligamentos femoropatelares e patelotibiais, retináculos mediais e laterais e cápsula articular. A estabilidade dinâmica é dada principalmente pelo músculo quadríceps (reto femoral, vasto lateral, vasto medial e vasto intermédio).

A força de reação sobre a articulação patelofemoral nas atividades como subir e descer escada chega a 3.5 vezes o peso corporal e durante o agachamento pode chegar a 7 vezes o peso corporal.

Disfunção Patelofemoral

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A disfunção patelofemoral tem uma alta incidência nas clínicas de ortopedia, e estimasse que 25% dos diagnósticos ortopédicos são referentes a esta lesão, que acomete principalmente mulheres e atletas.  A disfunção patelofemoral é caracterizada pela degeneração da cartilagem patelar e pode evoluir para a osteoartrose. Suas causas podem ser:

  • Aumento do ângulo Q*
  • Alterações anatômicas como patela alta, baixa altura do côndilo lateral, fossa troclear rasa, alinhamento patelar defeituoso
  • Joelhos varos ou valgos
  • Hiperpronação do .

O método Pilates auxilia na melhora dos sintomas e aumenta a estabilidade articular da patelofemoral, o tratamento conservador tem efetividade de aproximadamente 80% e o tempo de melhora dos sintomas é de 2 a 6 meses após o tratamento adequado.

Os exercícios de Pilates atuam no reequilíbrio neuromuscular e não devem exacerbar a dor do aluno durante ou após sua prática. São indicados exercícios de alongamento da cadeia posterior como de glúteos máximo, piriforme, isquiotibiais e tríceps sural, fortalecimento de quadríceps, isquiotibiais, adutores e principalmente exercícios de estabilização lombopélvica com ênfase em glúteos médio, mínimo, piriforme, gêmeo superior, inferior e obturadores internos e externos, que têm ação de rotação externa e abdução dos quadris.

Estabilidade e Power House

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Evidências científicas comprovam que o fortalecimento do powerhouse/core aumenta a estabilidade lombopélvica e diminui a dor na disfunção patelofemoral. Yilmaz et al., (2015) avaliaram o efeito dos exercícios de estabilização postural (n=22) comparados com os exercícios de fortalecimento tradicional de quadríceps e adutores (n=20) na dor, qualidade de vida e função de pacientes com disfunção patelofemoral.

Os autores concluíram que os exercícios de estabilização lombopélvica com o fortalecimento dos músculos transverso do abdome, multífidos, assoalho pélvico e diafragma foram capazes de diminuir a dor, aumentar a função, a força e a flexibilidade muscular em 12 semanas de tratamento. Em 6 semanas a dor diminuiu em ambos os grupos, mas foi menor no grupo de estabilização postural.

Concluo com a frase de autoria de Joseph Pilates:

Seu corpo é seu maior bem, ele guarda e reflete sua alma. Cuide dele como se fosse uma pedra preciosa e nós o lapidaremos.

*Ângulo Q: Pode ser feito no RX ou aluno fica em pé com os pés e pelve em neutra e os membros inferiores alinhados, traça uma linha da espinha ilíaca ântero-superior até o ponto médio da patela. O quadríceps deve estar relaxado durante o teste. Outra linha é traçada da tuberosidade da tíbia até o ponto médio da patela. O ângulo formado pelo cruzamento dessas duas linhas é o ângulo Q. Normalmente o ângulo Q é de 13° nos homens e 18° nas mulheres, ângulos maiores que 18° são associados com a disfunção patelofemoral.

Written by Érika Batista

Érika Batista

Érika Barroso Batista é Mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Fisioterapia traumato-ortopédica
Professora dos cursos do VOLL Pilates e proprietária do FisioStudio Pilates & Treinamento Funcional.

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