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Transplante Pulmonar – Como o Método Pilates pode ajudar?

Transplante Pulmonar – Como o Método Pilates pode ajudar?
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Apesar de nosso país ainda ter muito a evoluir em questão de doação de órgãos, felizmente o número de transplantes vem aumentando e, com ele a necessidade de nos atualizarmos e sabermos atender a demanda do público que passa por esse procedimento.

Geralmente os pacientes portadores de alguma pneumopatia desenvolvem uma postura cifótica (na tentativa de aumentar o espaço intratorácico) e uma tensão na musculatura acessória da respiração, um padrão que persiste após o transplante.

Assim, o Pilates para pacientes de transplante pulmonar vem como aliado no realinhamento da postura e fortalecimento dos músculos estabilizadores, bem como relaxamento da musculatura tensionada, além de trabalhar o padrão respiratório e ajudar o novo pulmão (ou pulmões) a expandir.

Transplante Pulmonar

Várias patologias podem levar a um transplante pulmonar e é preciso que tenhamos conhecimento do funcionamento de algumas delas. Isso pois precisamos entender a vida prévia desse aluno e da sua luta até conseguir o transplante.

Uma delas é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. De acordo com MIGUEL, Armando (2007) a DPOC caracteriza-se por limitação ao fluxo aéreo que não é totalmente reversível, sendo geralmente progressiva e associada à uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à partículas ou gases nocivos.

Apesar do tratamento medicamentoso ser destinado ao órgão que é primariamente acometido, os pulmões, o impacto da terapia broncodilatadora e antiinflamatória sobre a capacidade de exercício pode ser modesto.

A perda de força muscular e a síndrome sarcopência (hipotrofia muscular) são fatores importantes para a redução da tolerância ao exercício em pacientes com DPOC. A etiologia dessa síndrome parece ser multifatorial, envolvendo:

  • Descondicionamento
  • Hipóxia Sistêmica e/ou Hipercapnia
  • Alterações induzidas pela Idade
  • Drogas
  • Depleção Nutricional

A perda progressiva de peso é um achado comum nesta doença, podendo ser identificada em até 50% dos pacientes, especialmente naqueles com predomínio de enfisema pulmonar. Nestes pacientes ocorre um desequilíbrio energético, causado por redução no consumo e aumento no gasto energético basal.

Comumente, a perda ponderal é acompanhada de redução da massa muscular esquelética (sarcopenia), provocada pela inflamação sistêmica.

Ela é caracterizada por alguns fatores, sendo eles:

  1. Pelos altos níveis de fator de necrose tumoral tipo alfa (TNF-alfa e interleucina 6 (IL-6), que estão envolvidos com a anorexia que estes pacientes apresentam.
  2. Pela hipóxia causando uma baixa oxigenação periférica com consequentes efeitos negativos sobre a estrutura e função muscular esquelética.
  3. Pela dispneia levando à diminuição na ingestão alimentar e inatividade física.
  4. Pela desnutrição levando à metabolização proteica como forma de obtenção de substrato energético.

A sarcopenia é um fator prognóstico negativo, independente do grau de obstrução, estando associada com o aumento da morbidade e mortalidade destes pacientes.

Fibrose Pulmonar

Pacientes com fibrose pulmonar, independentemente da sua causa, frequentemente sentem falta de ar ao praticar atividades físicas. Na verdade, muito comumente esse sintoma é que faz o paciente procurar o médico.

Devido à falta de ar os pacientes acabam se limitando a realização de atividades físicas em casa e no trabalho. Como consequência, a musculatura do corpo, em especial das pernas e braços, é menos utilizada e tende a atrofiar.

O surgimento de uma musculatura fraca contribui para uma piora ainda maior da capacidade de exercício dos pacientes. Na verdade, músculos dos membros mal condicionados limitam a capacidade de exercício dos pacientes e contribuem para piora da falta de ar.

Alguns estudos publicados na literatura já mostraram que a realização de exercícios pode ser positiva para pacientes com fibroses pulmonares.

O treinamento físico pode levar a um aumento da distância caminhada em testes padronizados, melhora da qualidade de vida e alguma redução da falta de ar. Infelizmente tais benefícios tendem a desaparecer, se os pacientes não mantiverem continuamente algum grau de atividade física a longo prazo.

Portanto, hoje está claro que o sedentarismo não é bom para pessoas sadias, nem para pacientes com doenças pulmonares!

É importante que os pacientes com fibrose pulmonar discutam a questão da realização de exercícios com os seus médicos. Ele é o profissional que conhece as condições clínicas do enfermo, incluindo a existência simultânea de possíveis doenças do coração. Desse modo, médico e paciente poderão chegar a uma estratégia possível e individualizada, em comum acordo.

Algumas possibilidades para manutenção da atividade física pelos doentes com fibrose pulmonar são listadas abaixo:

Programa Formal de Reabilitação Pulmonar

Entrar em um programa formal de reabilitação pulmonar é o primeiro passo.

Tais programas foram concebidos originalmente para pacientes com DPOC, mas acabam por incluir doentes com insuficiência respiratória crônica devido à causas diferentes. Geralmente acontecem em hospitais ou clínicas, após minuciosa avaliação médica e sob supervisão direta de fisioterapeutas e, eventualmente, educadores físicos.

Os programas de reabilitação pulmonar costumam envolver caminhada em esteira ou uso de bicicleta ergométrica, assim como exercícios para membros superiores. As sessões acontecem entre 2 ou 3 vezes por semana, geralmente ao longo de 12 semanas.

Depois disso podem ocorrem sessões de manutenção em menor frequência.

Na dependência da gravidade do paciente, talvez seja necessário o uso de oxigênio durante as atividades físicas. Essa é a melhor forma de treinamento físico para os pacientes com fibrose pulmonar.

No programa eles são orientados e continuamente supervisionados por profissionais habilitados para conseguir o máximo do tratamento, sem colocar em risco a saúde dos pacientes. Infelizmente, no Brasil ainda são poucos os centros de reabilitação pulmonar disponíveis.

Caminhadas

Para aqueles que não possuem acesso à centros de reabilitação formais, acreditamos que a realização de caminhadas diárias entre 20 e 30 minutos podem ser benéficas.

Pode-se começar com caminhadas de 20 minutos 3x por semana e, à medida que a tolerância ao exercício for melhorando, atingir a frequência diária. Nesse tipo de treinamento o grande limitante da intensidade da atividade física será a sensação de falta de ar.

É importante que o paciente caminhe sempre no seu próprio ritmo, respeitando suas limitações respiratórias e, eventualmente, as limitações provocadas por doenças reumáticas associadas.

As caminhadas devem ser feitas em terreno plano e não acidentado para minimizar o risco de quedas. Se o paciente já usa oxigênio, ou com o exercício exibe quedas da saturação de oxigênio abaixo de 90%, a atividade física deverá ser feita com uso simultâneo do gás.

Nessa situação, o uso de um dispositivo portátil de oxigenação pode ser útil, ou então poderá se lançar mão de uma esteira com o dispositivo de oxigênio não móvel ao lado. Em qualquer situação a saturação de oxigênio deverá se manter sempre acima de 89% durante qualquer atividade física.

Academias

Para pacientes com estágio da doença muito inicial pode ser aceitável atividades em academias, desde que o médico assistente não veja risco nessa estratégia.

Contudo, não recomendamos essa abordagem para pacientes que exibam doença claramente estabelecida com queixas de dispneia. Academias não estão estruturadas para atendimento de urgência em portadores de doenças graves.

Do mesmo modo, na grande maioria das vezes, educadores físicos e personal trainers não estão familiarizados com os procedimentos adequados para doenças incomuns e potencialmente graves como as fibroses pulmonares.

É importante que mesmo os pacientes intensamente dispneicos e com graves limitações de movimentação façam alguma atividade física em seu cotidiano.

Atividades simples como andar um pouco no quintal ou comprar um jornal na esquina são importantes para manter o condicionamento físico e melhorar aspectos psicológicos e do humor. Ficar o dia todo em frente à televisão ou computador é algo a ser energicamente combatido.

Pilates após Transplante Pulmonar

As aulas de Pilates para pacientes de transplante pulmonar podem ser iniciadas assim que houver liberação médica, o que acontece em média uns 3 meses pós TX. E devemos estar atentos às limitações de movimento devido à cicatrização: a incisão pode ser nas costas ou no peito.

É importante monitorar a saturação de oxigênio com um oxímetro nas primeiras aulas para dar mais confiança ao aluno que passou um tempo privado de respirar normalmente. Também deve-se evitar trabalhar em decúbito ventral até que o grampo da cirurgia localizado na altura do osso esterno tenha sido removido.

O transplante pulmonar pode ser uni ou bilateral dependendo da patologia de base do paciente, porém o tempo de recuperação costuma ser em média, o mesmo.

É importante saber que esse aluno fará uso de medicamentos imunossupressores para o resto da vida e que pode apresentar alguns efeitos colaterais. Um dos medicamentos é o corticóide.

Em função disso o aluno que passou por um transplante pulmonar pode apresentar uma dificuldade em ganhar massa muscular bem como uma fragilidade óssea (osteoporose), por isso a importância de atividade física como Pilates.

Logo nos primeiros meses pós TX é comum o aluno apresentar tremores de membros superiores, e uma dificuldade na motricidade fina. Isso também se deve aos imunossupressores mas com a adequação da dose ao longo dos meses deve melhorar.

Sugestão de Exercícios de Pilates para Transplante Pulmonar

1) Gato

2) Rolling Back no Cadillac

3) Spine Strech no Cadillac

4) Relaxamento na Bola – decúbito dorsal

5) Candelabro com Faixa Elástica em isometria

6) Extensão Horizontal de Ombros com Faixa Elástica

Concluindo…

É importante lembrar que após o transplante pulmonar o esperado é que a pessoa tenha uma vida mais normal possível e que seja encorajada a treinar dentro de suas capacidades para o momento.

O que quis pontuar falando um pouco dessas duas patologias é o funcionamento do pulmão antes da cirurgia. Ou seja, uma vida muito limitada, geralmente com uso de oxigênio 24h.

Após o TX o Pilates mostra-se como uma modalidade muito indicada para retomar o tônus, a postura e reaprender a respirar, além dos outros benefícios que a prática apresenta.

Written by Liège Gautério

Liège Gautério

Educadora Física, Bióloga, Fonoaudióloga, Psicopedagoga. Proprietária do L7 Centro de Treinamento em Porto Alegre-RS . Bailarina Clássica, Atleta de atletismo. Transplantada unilateral de pulmão há 6 anos. Bicampeã mundial na prova dos 100m rasos nos Jogos Mundiais para Transplantados ( edição de 2015 Argentina e 2017 Espanha).

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