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Pilates no tratamento de Prolapso Genital

Prolapso-Genital

O prolapso genital é um problema de saúde que muitas pessoas não sabem mas afeta milhões de mulheres no mundo todo. Segundo um artigo de revisão publicado na Revista Feminina, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), as informações epidemiológicas desse problema serem difíceis de obter, pois muitas mulheres ainda escondem ou aceitam achando que é consequência do envelhecimento ou do parto.

Além disso, segundo o mesmo artigo, é difícil estimar a real incidência do prolapso genital, podendo afetar intensamente a qualidade de vida das mulheres, causando impacto psicológico, social e financeiro.

Porém mesmo assim, a prevalência estimada é de 21,7% em mulheres de 18–83 anos, chegando a 30% nas mulheres entre 50 e 89 anos, além disso aos 80 anos, 11,1% das mulheres têm ou tiveram indicação cirúrgica para a correção do prolapso genital ou de incontinência urinária. E mais, segundo o Pelvic Support Study (POSST), em mulheres de 20–59 anos, a incidência de prolapso dobra a cada década.

No Brasil, infelizmente a incidência de prolapsos genitais é alta, em uma última pesquisa realizada em 2007 pelo Ministério da Saúde, 80.048 mulheres sofreram cirurgias para a correção de prolapsos.

E por ser um problema de saúde não muito comentado, os métodos de tratamento também não são muito cogitados. Sendo assim, nesse texto vamos apresentar como o método Pilates, com todos os benefícios que pode proporcionar, pode ajudar também no tratamento de prolapso genital! Confira.

O que é o prolapso genital?

Prolapso-Genital--(11)

A Sociedade Internacional de Continência (ICS) define prolapso genital com o descenso da parede vaginal anterior e/ou posterior, assim como do ápice da vagina (útero ou cúpula vaginal após histerectomia).

Ele é caracterizado pela descida de órgãos pélvicos, como o útero, mas também uretra, bexiga, intestino e reto. Esta disfunção é causada pela fraqueza dos músculos, fáscias e ligamentos que compõe o assoalho pélvico ou diafragma pélvico e compromete a qualidade de vida da mulher nas suas atividades profissionais, sociais, sexuais e psicológicas.

Estimasse que 60% das mulheres apresentem em alguma fase da vida o prolapso genital. Nas idosas acima de 70 anos, 20% apresentam a disfunção. Nos homens a incidência é bem menor, mas pode ocorrer o prolapso retal.

Prolapso Genital (1)

A fraqueza dos músculos do assoalho pélvico – principalmente o elevador do ânus e músculos coccígenos causam a sensação da bexiga empurrar o assoalho pélvico para baixo, que nos casos mais graves pode levar a eversão da bexiga (saída externa da bexiga pela vagina).

Os músculos do assoalho pélvico listados abaixo têm como função coordenar a pressão exercida dos órgãos, além de contrair e relaxar. Estes músculos são delimitados anteriormente pelo osso púbis, posteriormente ao cóccix e lateralmente pelas tuberosidades isquiáticas, didaticamente são divididos em:

  • Camada profunda: Divida em porção anterior sendo composta pelo músculo pubococcígeo que faz parte deste o elevador do ânus.
  • Camada intermediária: Músculo longitudinal do ânus.
  • Camada superficial: Diafragma urogenital.

Prolapso Genital (2)

Causas e tratamentos do prolapso genital

Prolapso Genital (2)

As causas do prolapso genital são múltiplas: gravidez/ gestação gemelar, partos naturais consecutivos, episiotomia, uso de fórceps, obesidade, alterações hormonais, doenças neurológicas, doenças musculoesqueléticas, genética, levantamento de peso em excesso e envelhecimento.

Infelizmente muitas idosas aceitam como condição normal ao envelhecimento e usam com frequência protetores diários, sem solucionar o problema. E os sintomas vão desde incontinência urinário e/ou fecal, retenção urinária ou constipação intestinal.

O prolapso genital é classificado pelo médico ginecologista nos graus I a IV, quanto maior o grau, maior o comprometimento e a disfunção do assoalho pélvico.

Dependendo da gravidade, idade, estado clínico do paciente e nos casos em que o tratamento conservador não teve efetividade, é indicado tratamento cirúrgico.

Um dos procedimentos atuais consiste na colocação de uma tela sintética (material de prolipropileno) recobrindo o assoalho pélvico, esta cirurgia diminui o risco de recidiva em até 60% quando comparada à cirurgia clássica de sutura do assoalho pélvico. A recidiva ocorre com maior frequência no primeiro ano após a cirurgia.

Como o método Pilates pode ajudar?

Prolapso Genital (1)

Que o Pilates pode contribuir com diversas patologias nós sabemos, mas a novidade é que ele é um excelente recurso de tratamento não cirúrgico para a reabilitação do assoalho pélvico e ajuda no tratamento do prolapso genital.

O fisioterapeuta capacitado deve focar no fortalecimento do assoalho pélvico durante os exercícios físicos, utilizando os princípios do método como a respiração e a centralização e, à medida que o paciente ganhar força e tônus muscular do assoalho pélvico pode progredir para o treino de transverso do abdome. A paciente também pode fazer uso de cones vaginais durante a aula de Pilates e evitar a manobra de Valsalva.

O estudo de Culligan et al., (2010) avaliou 62 mulheres com e sem disfunção do assoalho pélvico divididas em 2 grupos: G1 com Pilates e G2 com exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico, biofeedback e terapia manual, ambos grupos tiveram aumento da força muscular do assoalho pélvico.

Abaixo listamos cinco exercícios do Pilates que auxiliam no aumento da ativação do assoalho pélvico.

1) Leg extension

Prolapso-Genital--(4)

Em sedestação (sentado) sobre a fitball com as mãos apoiadas, realizar a extensão unilateral de joelho.

Pode progredir com a flexão do ombro oposto.

2) Arm extension

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Em quatro apoios segurando uma alça de mão com a coluna neutra, realizar a extensão de ombro.

Variação: elevar o membro inferior oposto a alça.

3) Horse com faixa elástica

Prolapso Genital (8)

Em sedestação sobre o barrel com os membros inferiores em extensão, realizar a extensão e adução de quadris simultâneos com a abdução de ombros.

Pode realizar em isometria de membros inferiores.

4) Bridge

Prolapso Genital (9)

Em decúbito dorsal com o antepé no pedal da chair baixo, realizar a elevação da pelve.

Pode ser feito com o pedal em cima ou até dissociado.

5) Coordination

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Em sedestação sobre a fitball com uma alça vindo de cima e outra de baixo do Cadillac, realizar a extensão de ombro simultâneo com a flexão de cotovelo do membro superior oposto.

Pode ser feito a flexão de ombro ao invés do cotovelo.

Para facilitar o exercício, realizar do lado externo do Cadillac.

Concluindo…

Prolapso Genital (3)

Com esse problema de saúde pouco conhecido é importante informas suas alunas o que o Método Pilates pode contribuir para o tratamento do prolapso genital.

E você já teve casos como esse? Tem alguma dica para acrescentar? Conte para gente nos comentários!

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Lima M.I.M, Lodi C.T.C, Lucena A.A, Guimarães M.V.M.B, Meira H.R.C, Lima L.M, Lima A.S. Prolapso genital: Revisão. FEMINA. Março/Abril 2012; vol 40, nº 2.
Culligan P.J, Scherer, J, Dyer, K. et al. Int Urogynecol J (2010) 21: 401. doi:10.1007/s00192-009-1046-z

Written by Érika Batista

Érika Batista

Érika Barroso Batista é Mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Fisioterapia traumato-ortopédica
Professora dos cursos do VOLL Pilates e proprietária do FisioStudio Pilates & Treinamento Funcional.

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1 Comentário

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  1. Gente… Eu sou aluna Voll, e adoro o sistema, MAS…
    Essa informação aqui é muito pretensiosa. Certamente pode haver casos de melhora da percepção funcional do paciente e sim, sabemos do fortalecimento que o pilates pode proporcionar ao AP mas observem que:
    – Não há comprovação cientifica dessa informação (pilates tratar prolapso)
    – A avaliação de assoalho pélvico dever feita com o critério. Tipo o que um fisioterapeuta pélvico/uroginecológico realiza durantes sua avaliação e reavaliações.
    – Quando o paciente chega com um prolapso maior que grau II a um Fisioterapeuta Pelvico/Uroginecologico, ele é tacitamente informado que a Fisioterapia será auxiliar (pois a partir daqui, indica-se o ttmto cirurgico) e isso em nenhum momento é descrito no artigo acima.
    Então gente… o Pilates é tudo de bom, mas um material como esse confunde, transmite informação errônea, e ainda é passível de ter chuvas de questionamentos e sofrer ridicularização. Daí fica feio pra classe de Pilates como um todo.
    Perdoem as palavras, mas vejo que rejeitar coisas assim também faz parte de defender o Método pilates.

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