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Existem exercícios de Pilates contraindicados para alunos acometidos com patologias na coluna?

O estilo de vida atual faz com que as pessoas se tornem menos ativas e quem sofre as consequências é a coluna vertebral. As dores na coluna estão entre as principais disfunções musculoesqueléticas que acometem as pessoas. Um problema de saúde pública muito comum na sociedade moderna, sendo considerado um dos principais motivos que levam à diminuição da capacidade funcional e, consequentemente, impacta na qualidade de vida. Não importa o gênero, a idade, os problemas na coluna são os problemas mais comuns do século XXI com seu pico entre 35-45 anos, pois é a fase de maior produtividade do ser humano, podendo agravar-se a partir dos 60 anos (fase associada ao processo de envelhecimento).

O problema da prevenção e tratamento das patologias da coluna é devido a sua etiologia ser multifatorial, somado ao fato de que muitas das suas causas encontram-se desconhecidas e a inexistência de uma fidedigna correlação entre os achados clínicos e os exames.

Graças ao avanço tecnológico com uma grande quantidade de informações disponíveis, é possível realizar um tratamento adequado para cada caso envolvendo uma equipe multiprofissional.

O Método Pilates, apesar de ser uma ótima ferramenta para trabalhar o corpo e a mente, unindo as relações musculares, possui exercícios do repertório Clássico e Contemporâneo que são relativamente contraindicados para alguns casos de disfunções da coluna e outros possuem uma contraindicação absoluta, pois podem piorar o quadro da lesão.

Ficou na dúvida sobre quais são os exercícios de Pilates contraindicados?

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Leia o texto e descubra as principais patologias da coluna vertebral e quais são os principais exercícios de Pilates CONTRAINDICADOS.

Anatomia e biomecânica da coluna vertebral

A coluna vertebral é composta por 33 vértebras que articulam entre si de acordo com suas funções e características anatômicas e dividem-se em cincos partes:

  • Cervical com sete vértebras;
  • Torácica com doze vértebras;
  • Lombar com cinco vértebras;
  • Sacral com cinco vértebras;
  • Coccígea com quatro vértebras.

Também é uma das estruturas mais importantes do corpo com funções como:

  • Apoio;
  • Base mecânica de movimento
  • Proteção da medula;
  • Ligação do sistema nervoso central com apendicular.

Lateralmente ela exibe curvaturas fisiológicas que aumentam a resistência da coluna à compressão axial. Estas curvaturas são basicamente quatro:

  • Cervical (côncava posteriormente)
  • Torácica (convexa posteriormente);
  • Lombar (côncava posteriormente);
  • Sacral (convexa posteriormente).

As vértebras possuem estruturas anatômicas gerais como: arco, abarcando o forame vertebral; lâminas; processos transversos, articulares e espinhosos, além de outras estruturas como os discos intervertebrais que possuem a principal função de sistema de amortecimento das cargas axiais; os ligamentos que unem as vértebras e os músculos do tronco anterior e posterior – todas estas estruturas atuando em conjunto para a movimentação biomecânica da coluna vertebral.

As vértebras lombares aumentam de tamanho da L1 a L5 para suportar as cargas progressivamente crescentes que lhe são impostas, sendo separadas por discos-intervertebrais compostos por água, colágeno e glicosaminoglicanos, que são envolvidos por um anel fibrocartilaginoso. Esses discos são de suma importância para a biomecânica da coluna, pois resistem às forças de compressão.

A coluna vertebral realiza movimentos em todos os planos anatômicos (sagital, coronal e transversal): flexão, extensão, flexão lateral e rotação.

A região lombossacra possui grande importância, pois é a partir da sua contração que ocorre o movimento do corpo humano. Os músculos da região lombossacral são divididos em músculos superficiais e profundos; anteriores, laterais e posteriores, além de músculos da região do quadril serem de grande importância na movimentação e equilíbrio desta região.

Principais patologias da coluna

1. Patologias do disco invertebral

Qualquer perda da integridade do disco devido a infecção, doença, herniação ou defeito da placa terminal torna-se um estímulo para alterações degenerativas.

A degeneração é caracterizada por alterações fibrosas progressivas no núcleo, perda de organização dos círculos do anel fibroso e perda das placas terminais cartilaginosas.

À medida que o núcleo torna-se fibrótico, ele perde a capacidade de absorver líquido, o conteúdo de água diminui e ocorre uma diminuição associada no tamanho do núcleo.  Prolapsos agudos do disco causados por um núcleo pulposo contra o anel ou extrusões do núcleo através do anel rompido ocorre com frequência em pessoas que estão na fase ativa.

Sinais e sintomas

  • Dor: surge devido à pressão da protrusão contra estruturas sensíveis a dor como ligamentos, dura-máter e vasos sanguíneos;
  • Sintomas e sinais neurológicos: ocorrem devido à pressão contra a medula espinhal ou raízes nervosas, como fraqueza motora, alterações sensoriais com dores irradiadas.

2. Patologias articulares

A osteoartrite, as degenerações articulares e a espondilose são comuns em casos de má postura, imobilização prolongada após lesão, trauma grave repetitivo ou alterações degenerativas no disco.

A osteoartrite é uma degeneração focal da cartilagem articular, com espessamento ósseo subcondral e proliferações osteocondrais marginais.

Apresenta-se com episódios recidivantes de dor, sinovite, derrame articular, rigidez e limitação progressiva do movimento.

É mais comum nas regiões cervical e lombar pois são as regiões mais móveis da coluna. Acomete mulheres entre os 45-50 anos e homens em torno dos 60 anos.

3. Dor lombar crônica inespecífica

A dor lombar crônica inespecífica é caracterizada pela dor com duração maior que 12 semanas e sem atribuição à uma etiologia/causa específica, representa 90% dos casos e muitas vezes está associada às lesões musculoesqueléticas, aos desequilíbrios na coluna lombar e à falta de estabilização dos músculos pélvicos. Estima-se que 80% a 90% das pessoas apresentam algum tipo de problema relacionado à coluna vertebral.

Os fatores de risco são:

Os sinais clínicos são dores em queimação que podem aparecer ao movimento ou em posturas por longos períodos (a posição sentada é a pior posição para desencadear os sintomas) e limitação funcional.

4. Espondilólise e espondilolistese 

Estas duas patologias envolvem mudanças na estrutura óssea (vértebras).

A espondilólise é uma alteração na descontinuidade óssea do segmento intervertebral em uma região chamada de lâmina, entre os processos articulares superiores e inferiores. A progressão da doença pode resultar na espondilolistese e estudos mostram que de 50 a 81% dos casos de espondilólise estão associados com espondilolistese.

A espondilolistese é caracterizada pelo escorregamento anterior de um corpo vertebral sobre a vértebra subjacente, ocorre com maior frequência nos níveis vertebrais de L4-L5 e L5-S1 predispondo a lombalgia, sobretudo em crianças e adolescentes. Pode ocorrer também na coluna cervical com menor frequência. Suas causas podem ser má formação vertebral, traumática (mais rara) e a forma mais comum é a degenerativa, acometendo principalmente mulheres (6:1) acima de 40-50 anos. Alguns estudos mostram que a incidência destas patologias está relacionada a idade, herança genética, gênero, raça e nível de atividade. Algumas atividades que requerem hiperextensão ou hiperflexão da coluna lombar aumentam o risco de espondilólise e espondilolistese. A espondilólise pode ser vista pelo RX oblíquo com o paciente de perfil (plano sagital), conhecida também como fratura do cachorro Scottish Terrier e, em alguns casos, é necessário realizar uma tomografia computadorizada.

Os sinais clínicos que o paciente com espondilolistese vivencia são dor lombar irradiada para membros inferiores e em casos mais graves com redução do canal medular; já os sinais são incontinência urinária e fecal, parestesia da região interna da coxa.

Exercícios de Pilates contraindicados para alunos patologias na coluna

1. Roll over

Exercício Clássico do Mat Pilates, excelente para fortalecer os músculos abdominais e mobilizar a coluna vertebral, porém CONTRAINDICADO para alunos com alterações e patologias na região cervical.

2. Jack Knife

Exercício que também faz parte do Mat 34, exige grande trabalho de força da faixa abdominal e glúteos, porém CONTRAINDICADO em condições patológicas da região cervical (hérnia de disco, osteófitos, osteoporose, espondilólise, espondilolistese)

3. Rocking Contemporâneo

Exercício contraindicado em casos de artrodese da coluna lombar, hérnias de disco e espondilolistese por causa da hiperextensão que o exercício proporciona.

4. Stretch front no Ladder Barrel

Há protocolos estabelecidos a partir da evidência clínica que orientam que, quando o aluno possui hérnia de disco lombar ou cervical e está na fase de dores irradiadas, não deve realizar alongamentos deste tipo.

5. Side Body Twist no Ladder Barrel

Contraindicado em caso de dor aguda devido à hérnia de disco lombar.

6. Rolling back:Down and Up no Cadillac

Para alunos com cirurgias de fixação da coluna, como a artrodese, é contraindicado, exceto se for totalmente supervisionado e mobilizando somente as áreas de não fixação.

7. Hanging pull Up no Cadillac

CONTRAINDICADO em casos de espondilolistese, artrodese e osteoporose da coluna vertebral.

8. Short Spine massage no Reformer

CONTRAINDICADO para alunos com dor ou lesão na região cervical e dores agudas na região lombar.

9. Circles no Reformer

CONTRAINDICADO para patologias da região lombossacra em fase aguda como artroses, hérnias de disco e abaulamentos.

10. Swan from Floor na Wunda Chair

CONTRAINDICADO em casos de espondilólises e espondilolisteses.

Conclusão

Mais importante que ser um instrutor do Método Pilates, é saber identificar através do raciocínio clínico, quais as melhores opções de exercícios de Pilates contraindicados e adequados quando se trata de reabilitação.

Temos uma poderosa ferramenta nas mãos, porém é importante lembrar que não existe um protocolo de exercícios do Método Pilates! Cada aluno é único e saber avaliar adequadamente, respeitando as contraindicações é a chave do sucesso para profissionais que trabalham com patologias da coluna.

 

 

Referências

FRANÇA, R. J.; BURKE, N. T.; CLARET, C. D.; MARQUES, P. A. Estabilização segmentar da coluna lombar nas lombalgias. Revisão bibliográfica e um programa de exercícios. São Paulo 2008. 200 – 2006 p. Estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ciências de Reabilitação do Fofito/FMUSP.

ISACOWITZ R, Clippinger K. Anatomia do Pilates. São Paulo: Manole; 2013

KAPANDJI, A.I. Fisiologia Articular, volume 3: tronco e coluna vertebral. São Paulo, Ed. Panamericana, 5ª edição, 2000.

KENDALL, F. P; McCREARY, E. K; PROVANCE, P.G. Músculos Provas e Funções: 4ª ed.São Paulo: Manole,2007.

MOORE, K.L; DALLEY,A.F. Anatomia Orientada para a Clínica: 4ª ed .Rio de Janeiro:Guanabara Googan,2010

JULIANO, R. de Arruda. A prática do Método Pilates: Solo, Bola e Equipamentos: 4ªed.Porto Alegre: Ideograf, 2019.