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O músculo Piriforme é um músculo estreito, plano, localizado na cintura pélvica e possui um formato semelhante a uma pêra. Sua origem está na face anterior do sacro, na cápsula da articulação sacroilíaca e no ligamento tuberal, seguindo em diagonal para inserir sobre o trocânter maior do fêmur.

A ação principal do músculo piriforme com o membro inferior estendido é a rotação externa do quadril, porém, se o quadril estiver a mais de 90° de flexão, este músculo passará a realizar a adução e rotação interna. Uma peculiaridade importante deste músculo é que apresenta contato anatômico com o nervo ciático, o qual, muitas vezes, chega a passar entre o ventre muscular.

A síndrome do piriforme é uma patologia muito comum em mulheres e pode ser tratada de diferentes formas. Continue lendo esta matéria para e saiba mais sobre a utilização e atuação do Pilates na Síndrome do Piriforme.

O que é a Síndrome do Piriforme?

Yorman, em 1928, realizou a primeira descrição do músculo piriforme como um dos fatores de causa da lombociatalgia. Já em 1947, Robinson descreveu as características e denominou como Síndrome do Piriforme a compressão do nervo ciático pelo músculo piriforme.

Atualmente, sabe-se que a Síndrome do Piriforme é uma doença musculoesquelética, que atinge principalmente as pessoas do sexo feminino.

É caracterizada pela forte dor na região glútea acompanhada, ou não, de irradiação para a região posterior da coxa, podendo também chegar aos pés. Alguns casos mais avançados podem vir acompanhados de fraqueza muscular ou déficits sensitivos em qualquer região abrangente do trajeto do nervo ciático. Normalmente os pacientes se referem a uma dor profunda na região glútea e formigamento que, muitas vezes, percorre todo o membro inferior.

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SAIBA MAIS

Estima-se ainda que 5% dos casos de lombalgia, dor glútea e dor irradiada para o membro inferior estão relacionados à Síndrome do Piriforme, o que faz com que os profissionais da área da saúde a considerem como uma importante disfunção ortopédica.

Como o próprio nome sugere, a Síndrome relaciona o músculo piriforme e o nervo ciático, devido a íntima ligação mecânica que possuem, a passagem do nervo, muito próximo ou até mesmo entre as fibras do ventre muscular do piriforme associada a alguma disfunção desse músculo, que gera um encarceramento do nervo, promove a sua irritação direta e possibilita o aparecimento da Síndrome.

Normalmente os pacientes relatam que há uma piora da dor durante caminhadas mais longas, corridas, movimentos de rotação externa do quadril, subidas ou descidas de escadas, movimentos de sentar e levantar ou qualquer atividade que envolva impacto na região lombo-pélvica. Permanecer sentado por um tempo prolongado, principalmente com o quadril em rotação lateral, também acarreta a piora do quadro devido ao encurtamento da musculatura e pressão constante na região associado a compressão do nervo ciático.

Além disso, é uma lesão comum em corredores. Devido a biomecânica da corrida, o piriforme é tensionado, pois os rotadores externos agem de forma excêntrica durante o gesto esportivo de alto impacto.

Quais as principais causas da Síndrome do Piriforme?

As causas da Síndrome do Piriforme ainda não são bem esclarecidas havendo muita controvérsia. Acredita-se em alguns fatores contribuintes, dentre eles:

  • A hipertrofia do músculo piriforme;
  • Trauma;
  • Excesso de exercícios;
  • Inflamação;
  • Espasmo muscular;
  • As alterações anatômicas do piriforme.

As variações anatômicas são fatores importantes e que devem ser levados em consideração, principalmente nos casos em que o nervo ciático atravessa entre as fibras do ventre muscular do piriforme pode ser mais facilmente pressionado e irritado, possibilitando o aparecimento do quadro álgico.

Tipos de tratamento para a Síndrome do Piriforme

Em alguns casos é indicada a liberação do piriforme através de cirurgia, porém, deve ser indicada com cautela e com a certeza de que a sintomatologia do paciente é decorrente exclusivamente da compressão gerada pelo piriforme.

Normalmente é indicado o tratamento conservador para reabilitação da síndrome.

Os métodos conservadores utilizados para o tratamento da Síndrome do Piriforme são muitos variados e podem ser:

  • Tratamentos medicamentosos;
  • Eletroterapia e cinesioterapia para alívio dos sintomas e relaxamento da musculatura;
  • Terapia Manual, utilizando recursos como as liberações musculares;
  • Osteopatia;
  • Manipulações ou mobilizações articulares;
  • Mobilização neural, usada para recuperar a elasticidade do sistema nervoso e melhorar o fluxo axoplasmático.

Também acredita-se que esses recursos manuais são grandes aliados na recuperação da ciatalgia, já que é possível corrigir as disfunções biomecânicas e diminuir as chances de recorrências.

Muitos profissionais utilizam os exercícios como aliados na reabilitação de seus pacientes, com destaque para o trabalho do Pilates na Síndrome do Piriforme, que visa devolver o controle da musculatura adoecida.

Atuação do Pilates na Síndrome do Piriforme

Os exercícios do Método Pilates são baseados em seis princípios:

  • Concentração;
  • Controle;
  • Contrologia;
  • Respiração;
  • Precisão;
  • Fluidez.

Todos estes fatores devem ser trabalhados durante a execução de todos os exercícios do Método e, dessa forma, possibilita promover a melhora da consciência corporal, do condicionamento físico, da flexibilidade, da força muscular, dentre outros inúmeros benefícios. Com todas as vantagens obtidas, o Pilates permite a recuperação das estruturas musculares, articulares e ligamentares.

O Pilates na Síndrome do Piriforme pode ser utilizado especialmente na fase aguda. O objetivo principal do tratamento da Síndrome com o Pilates é diminuir a contratura do músculo piriforme, portanto, o Pilates na Síndrome do Piriforme tem o foco em alongamentos para a região glútea, aumentando assim a flexibilidade da musculatura do quadril e possibilitando a descompressão do nervo ciático pelo músculo.

Com o piriforme na sua perfeita fisiologia o nervo ciático volta a deslizar, seja entre as fibras musculares ou bem próximo do músculo, e o quadro álgico tende a melhorar, dessa forma com aumento da flexibilidade o Pilates na Síndrome do Piriforme se torna um grande aliado.

Outro fator favorável do Pilates na Síndrome do Piriforme é que, durante os exercícios, o paciente passa a ativar o centro de força, o que contribui para que ocorra um equilíbrio das forças na coluna vertebral e na pelve, não sobrecarregando nenhuma estrutura.

Já em fase avançada, na qual a musculatura do piriforme não encontra-se mais contraturada, o nervo ciático não está mais sendo pressionado e o quadro álgico cessou, o Método pode auxiliar com exercícios de fortalecimento da região lombo-pélvica, para um retorno adequado às atividades.

Além da diminuição da contratura, gerando mais flexibilidade e estabilidade lombo-pélvica, o Pilates ainda promove a recuperação do controle muscular, sendo capaz de gerar não só melhora do quadro álgico, mas também interferir positivamente na qualidade de vida do aluno acometido pela Síndrome do Piriforme.

Exercícios

1. Alongamento de glúteo e piriforme – Barrel

Para realizar este exercício de Pilates na Síndrome do Piriforme, é importante utilizar o Barrel. Se necessário, para facilitar a execução deste exercício, é possível que o aluno suba em uma caixa.

Os objetivos são tanto o alongamento dos músculos glúteos e piriforme, quanto mobilização da articulação coxo-femoral e da coluna e também o equilíbrio e a coordenação

A posição inicial do aluno deve ser em pé, mantendo o alongamento axial em apoio unipodal para, na sequência, flexionar e realizar rotação externa do quadril e o apoiar sobre o Barrel. O tronco deve ser flexionado suavemente e os braços estendidos para frente.

Para finalizar, basta o aluno estender o tronco e retornar à posição inicial.

2. Alongamento de glúteos e piriforme – Reformer

Este exercício deve ser realizado no Reformer e com o aluno em decúbito dorsal, deixando um membro com o quadril e joelho estendidos, o pé apoiado na barra do aparelho e o outro membro com o maléolo lateral em contato com o joelho do membro apoiado, realizando uma rotação externa de quadril.

Em seguida, peça para o aluno realizar uma flexão de joelho do membro que está apoiado na barra de pés, alongando a região glútea.

Para encerrar o movimento, o aluno deve fazer a extensão do joelho que está apoiado no Reformer e retornar à posição inicial.

3. Monkey

Realizado no Cadillac, a posição inicial deste exercício para a Síndrome do Piriforme é em decúbito dorsal, com a região dos antepés apoiada na barra torre entre as mãos, que devem segurar a barra firmemente.

Para executá-lo, o aluno deve realizar a extensão dos joelhos e o enrolamento do tronco em direção a posição sentado, mantendo o olhar na direção dos joelhos.

A posição final é com os joelhos flexionados, desenrolando o tronco e deitando no divã, até retornar à posição inicial.

Este exercício de Pilates na Síndrome do Piriforme possui o objetivo de alongar os músculos da cadeia posterior, fortalecer a musculatura composta pelo Power House e mobilizar a coluna, o quadril, o joelho e o tornozelo, além de realizar mobilização neural.

4. Tower – Variação glúteo e piriforme

Também realizado no Cadillac, este exercício tem como objetivos o alongamento dos isquiotibiais, do glúteo e do piriforme e também a mobilização da articulação do quadril.

Para realizá-lo, o aluno deve estar em decúbito dorsal e, com o joelho estendido, apoiar um antepé na barra e cruzar a outra perna sobre o joelho da perna apoiada. Na sequência, é necessário realizar flexão do joelho que está estendido e apoiado na barra.

Antes de encerrar, peça para o aluno realizar a extensão do joelho que está apoiado na barra e retornar à posição inicial.

É possível potencializar o exercício cruzando a perna completamente sobre a perna que está apoiada na barra.

5. Alongamento de piriforme – Chair

O objetivo deste exercício de Pilates na Síndrome do Piriforme é o alongamento de toda a musculatura da região glútea e mobilização da coluna vertebral.

O aluno deve estar em pé, atrás da Chair e mantendo o alongamento axial. Em apoio unipodal, precisará colocar o membro contralateral em rotação externa na Chair e apoiar os membros superiores nos pedais.

Para executá-lo, é necessário empurrar os pedais, realizando flexão do tronco e mantendo o pé da perna apoiada em contato com o solo. No final do movimento, peça para que o aluno realize a extensão do tronco e retorne à posição inicial.

6. Alongamento de piriforme sentado – Chair

Nesta variação do alongamento de piriforme, o aluno precisa estar sentado na Chair, com o apoio unipodal no pedal e o maléolo lateral do membro contralateral no joelho do membro apoiado.

Sua execução se dá pela realização de flexão de quadril com ajuda das molas e, na posição final, a realização da extensão de quadril, até retornar à posição inicial.

7. Alongamento com a bola – Cadillac ou Solo

Este exercício pode ser realizado no Cadillac ou no Solo e tem como objetivos alongar a musculatura glútea e do piriforme e mobilizar o quadril.

Em decúbito dorsal, o aluno deve manter o pé apoiado sobre a bola, com o joelho estendido e o membro contralateral com o maléolo lateral tocando o joelho do membro apoiado .

Em seguida, peça que ele realize a flexão de quadril e de joelho, aproximando a bola da região glútea.

Ao final, é necessário realizar a extensão do membro, retornando à posição inicial.

8. Alongamento de região glútea com elástico

Este exercício pode ser realizado no Cadillac ou no Solo, de acordo com as necessidades do aluno ao realizar o Pilates na Síndrome do Piriforme e tem o objetivo de alongar a musculatura glútea e do piriforme.

Em decúbito dorsal, com um membro inferior e com o quadril fletido a 90º, joelho estendido e o outro membro com o maléolo lateral tocando o joelho do membro estendido, o aluno deve colocar a faixa elástica no pé e, com as mãos trazer o quadril em flexão, puxando a faixa na direção do peito.

Para chegar até a posição final, peça que o aluno afrouxe a faixa e retorne à posição inicial.

9. Alongamento de glúteo e piriforme associado ao agachamento

Para realizá-lo, o aluno deve estar em pé no Cadillac e manter o apoio unipodal e o alongamento axial, segurando a barra de mãos com os cotovelos estendidos, um membro

inferior com joelho estendido e o maléolo contralateral apoiado sobre o joelho do membro apoiado.

É necessário realizar o agachamento com cuidado para a linha do joelho não ultrapassar a linha do pé e, ao fim do movimento, realizar a extensão de joelho e retornar à posição inicial.

Esse exercício de Pilates na Síndrome de Piriforme possui objetivo de alongar a musculatura da região glútea, porém, como é associado ao agachamento, deve ser executado quando o quadro álgico não estiver tão intenso. Respeitando sempre o limite do paciente.

10. Sit Up

Também realizado no Cadillac e com o objetivo de desenvolver o controle, a força, a estabilidade e o alinhamento do tronco e do complexo lombo-pélvico, associado a mobilização dos quadris e coluna, este exercício deve ser iniciado em decúbito dorsal, com os quadris e os joelhos flexionados. O aluno deve segurar a barra torre com os cotovelos estendidos e realizar a flexão do tronco ao mesmo tempo que empurrar a barra para cima.

Para finalizar o movimento, peça que o aluno retorne à posição inicial.

Durante a execução do exercício, podem ser feitas variações realizando a flexo extensão de joelhos uni ou bilateral.

Restrições de exercícios

No quadro álgico agudo, onde há contratura e encurtamento da musculatura, estão restritos aqueles exercícios de fortalecimento, especialmente os da musculatura extensora e da rotação externa de quadril, pois causam muita dor ao paciente.

É importante lembrar que o aumento da dor profunda na área glútea durante qualquer exercício também é sinal de que não é o momento adequado para a realização daquele movimento. Portanto, é necessário que a evolução dos exercícios aconteça aos poucos de maneira gradativa e de acordo com a melhora dos sintomas.

Algumas restrições serão individualizadas de acordo com o estágio em que se encontra cada paciente, por isso, é necessário avaliar individualmente e prescrever, de forma personalizada, os exercícios de Pilates na Síndrome do Piriforme.

Cuidados a serem tomados com o Pilates na Síndrome do Piriforme

Sempre que um paciente com Síndrome do Piriforme for realizar o tratamento é primordial ter o cuidado de escolher exercícios que não aumentem a contratura da musculatura e que possibilitem focar em seu alongamento.

Outro sintoma que deve ser considerado é a presença de formigamento nos membros inferiores. Se acontecer, o exercício deverá ser alterado. Esse sintoma evidencia que o nervo ciático está sendo irritado com o movimento, sendo necessário diminuir a amplitude ou trocar o exercício, evitando assim a exacerbação dos sintomas. Nesse caso, é recomendada a realização de exercícios de mobilização neural para melhorar a complacência desse tecido.

Lembre-se que os exercícios de Pilates na Síndrome do Piriforme devem ser aplicados de acordo com a necessidade individual de cada aluno, sempre respeitando as suas limitações como condicionamento, força, faixa etária e outros aspectos.

Conclusão

A Síndrome do Piriforme é uma condição clínica que necessita de atenção, cuidado e de profissionais capacitados para o tratamento, já que pode chegar a ser incapacitante devido ao forte quadro álgico. Porém, é uma desordem musculoesquelética possível de ser curada com a realização de um plano de tratamento personalizado e direcionado às necessidades e limitações de cada paciente e sempre lembrando que o paciente não é apenas uma estrutura que está em tratamento e sim que o corpo humano é dividido apenas para a didática, para o estudo e que o paciente é um ser completo, único, por isso precisa ser tratado por inteiro.

Uma das melhores formas de tratar essa patologia é trabalhando com os exercícios de Pilates na Síndrome do Piriforme e, assim, desenvolver a qualidade de vida.