Junte-se a mais de 150.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

A prática do Método Pilates proporciona muitos benefícios a seus praticantes, entre eles a definição e o alongamento muscular, o realinhamento postural e um melhor condicionamento físico e mental. Segundo Joseph Pilates, tais benefícios só dependem da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios e isso não é diferente quando se trata do Pilates para a reabilitação do quadril.

O Pilates auxilia na prevenção e reabilitação de diversas lesões e patologias, dentre elas as patologias do quadril. Essa articulação é comumente acometida por patologias que têm como fator causal alterações congênitas, a degeneração articular devido seu uso excessivo e desequilíbrios musculares.

Além da degeneração relacionada à idade, o treinamento de alto rendimento e o aumento da prática de atividade física não orientada podem interferir na incidência de patologias do quadril em adultos jovens. Isso faz com que o Pilates seja um ótimo aliado. 

Continue lendo esta matéria e conheça os melhores exercícios de Pilates para a reabilitação do quadril!

O quadril

O quadril é uma articulação esférica formada pela cabeça do fêmur e o acetábulo. Já o acetábulo é formado pela união de três ossos pélvicos:

  • Ilíaco;
  • Ísquio;
  • Púbis.

Essa articulação é recoberta por uma camada de cartilagem, que possibilita o movimento da articulação com pouco atrito e também é envolta por uma cápsula articular composta pelos seguintes ligamentos:

__CONFIG_colors_palette __ {"active_palette": 0, "config": {"colors": {"62516": {"name": "Main Accent", "parent": - 1}}, "gradients": []}, " paletas ": [{" nome ":" Paleta padrão "," valor ": {" cores ": {" 62516 ": {" val ":" rgb (19, 114, 211) "," hsl ": {" h ": 210," s ": 0,83," l ": 0,45}}}," gradientes ": []}}]} __ CONFIG_colors_palette__
SAIBA MAIS
  • Ligamento iliofemoral: refreia a extensão do quadril e também limita a rotação do fêmur em torno do seu eixo longitudinal;
  • Ligamento pubofemoral: restringe a abdução do quadril, bem como a extensão e a rotação lateral;
  • Ligamento isquiofemoral: situado mais para trás que os demais, limita a rotação medial do quadril;
  • Ligamento da cabeça do fêmur: sua principal função é conduzir os vasos sanguíneos até a cabeça do fêmur;
  • Ligamento transverso do acetábulo: fortes fibras achatadas que cruzam a incisura acetabular.  Devido a essa anatomia possui uma ótima adaptação, o que favorece sua estabilidade, sendo considerada a articulação mais difícil de luxar no corpo humano. No entanto possui amplitudes de movimento limitadas quando comparada a outras articulações, como por exemplo, a articulação do ombro.

Na borda do acetábulo está situada uma cartilagem fibrosa e o labrum acetabular, que tem como função manter a pressão intra-articular e distribuir o líquido sinovial dentro da articulação. Também existem pequenas bolsas, denominadas bursas, de material gelatinoso que são preenchidas por uma pequena quantidade de líquido sinovial e propiciam um melhor deslizamento entre as estruturas articulares e a redução do impacto entre elas.

Toda essa estrutura está revestida por músculos responsáveis pela postura bípede, sendo essa uma das maiores importâncias da articulação do quadril. E são esses músculos que, associados aos músculos abdominais e paravertebrais, compõem o core (centro de força), que são solicitados durante as aulas de Pilates para manter a estabilidade durante a realização dos exercícios.

A articulação do quadril realiza movimentos de flexão, adução (relativa ou adução combinada), abdução, rotação interna (ou medial) e rotação externa. E como é uma articulação com três graus de liberdade por realizar movimentos nos três eixos (sagital, longitudinal e horizontal), realiza a circundução, que nada mais é que a transição pelos três planos de movimento.

Os objetivos dos componentes dessa articulação são diminuir o impacto articular e aumentar a estabilidade do movimento, porém, por diversos motivos, eles podem perder total ou parcialmente a sua função, alterando a biomecânica articular e, consequentemente, gerar uma patologia como a artrose do quadril.

Todos esses movimentos são realizados em amplitudes consideradas normais, variando de acordo com o alongamento e mobilidade de cada indivíduo e podem ser aumentados com exercícios e treinamentos específicos realizados, por exemplo, por bailarinos. No entanto, movimentos compensatórios podem acontecer e, se não realizados de maneira adequada e com o desgaste gerado na superfície articular, lesões podem ocorrer com o passar do tempo.

Principais patologias de quadril

Como poderemos observar, as patologias do quadril apresentam sinais e sintomas comuns entre elas, como a dor na região do quadril, que pode ou não melhorar como o repouso, e a redução da mobilidade articular.

Sendo assim, faz-se necessário a avaliação completa e específica para o diagnóstico preciso da doença, possibilitando identificar as alterações, dificuldades e dor gerados no indivíduo.

Exames de imagem, desde o raio-x até a ressonância magnética, são artifícios que podem ser utilizados para observar as condições das superfícies articulares e seus componentes e, assim que o diagnóstico é fechado, podemos iniciar a reabilitação, que pode incluir um período de tratamento medicamentoso, indicado por um médico, para redução de um processo inflamatório até o estágio final, que é a adequação da biomecânica articular com exercícios específicos, como por exemplo o Pilates para a reabilitação do quadril.

Algumas patologias têm maior incidência no acometimento do quadril e são elas:

Síndrome do impacto femoro acetabular

Caracterizada por uma alteração no formato do osso do quadril devido a uma instabilidade articular ou a má formação durante a infância. O desequilíbrio muscular, assim como o encurtamento dos músculos posteriores da coxa, favorece o impacto da cabeça do fêmur no acetábulo diminuindo assim o espaço intra-articular. Esse impacto pode ainda ser fator causal de outras lesões como a lesão de labrum acetabular  e artrose de quadril, as quais comentaremos adiante.

Lesão de Labrum acetabular

Como citado anteriormente, o labrum é uma estrutura fibrocartilaginosa que reveste o acetábulo, região está muito inervada e pouco vascularizada, responsável pela estabilidade e propriocepção articular, porém devido a sua pouca vascularização é uma região de difícil cicatrização. Sua lesão normalmente é decorrente de uma anatomia congênita diferenciada ou a prática esportiva que exige muita rotação de quadril ou mudança abrupta de direção.

Artrose de quadril

É uma patologia caracterizada pela perda de mobilidade articular e muita dor devido à degeneração da cartilagem articular. Pode ser decorrente de outras patologias como o impacto femoro acetabular, alterações congênitas do quadril, doenças inflamatórias e necrose avascular da cabeça do fêmur. A dor é consequência dessa alteração devido à formação de osteófitos na superfície articular, ou mesmo a mudança de densidade óssea, o que gera maior contato entre as superfícies.

Tendinite dos glúteos

Nesse quadro o acometimento normalmente é dos tendões do glúteo médio e mínimo, que são auxiliam na estabilidade da pelve e do tronco, onde o glúteo médio tem a função de abdução e rotação externa do quadril e o glúteo mínimo faz a abdução e rotação medial do quadril.  Geralmente é uma lesão degenerativa do tendão que leva a uma cronicidade da mesma. Entre os fatores causais estão esforço repetitivo, sobrecarga, fraqueza muscular, degeneração tendínea, e raramente traumas agudos. Os sintomas incluem dor na lateral do quadril, dor ao caminhar e ao subir e descer escadas. A tendinite tornou-se mais frequente devido ao aumento do número de praticantes da corrida. Não que a corrida seja a causa da tendinite, porém os diferentes comportamentos mecânicos geram alterações no gesto esportivo que podem ocasionar a lesão.

Tendinite do iliopsoas

Caracterizada pela inflamação do tendão do músculo psoas, que tem origem na coluna lombar e se une ao ilíaco na pelve e se inserem no trocânter menor e fazem a flexão do quadril. Essa inflamação é decorrente do desgaste do tendão devido ao uso excessivo da articulação. É uma lesão mais frequente em esportistas, como jogadores de futebol, e os sintomas são dor na região do quadril, dor profunda na região da virilha e rigidez articular.

Síndrome do piriforme

Devido à proximidade do músculo piriforme ao nervo ciático, alterações musculares podem desencadear alterações que caracterizam a síndrome. As causas podem ser a contratura, o encarceramento ou a hipertrofia do piriforme. A principal característica é a dor na região das nádegas, que pode irradiar até o joelho, decorrente da compressão do nervo ciático que anatomicamente passa entre os feixes do músculo. Responsável pela rotação externa e auxiliar na abdução do quadril, o piriforme auxilia na estabilização da pelve quando tiramos um pé do chão para trocar a passada, o que aumenta o risco de lesões por esmagamentos. Atividades que podem favorecer a síndrome do piriforme são corridas em aclives, declives e terrenos irregulares, treinamento excessivo de glúteos e ciclistas que passam um longo período de tempo sentado e podem exigir uma rotação externa do quadril se não tiverem um gesto esportivo biomecanicamente adequado.

Bursite do quadril

A bursite consiste numa inflamação na área de atrito entre tendões e ossos do quadril onde existem as bursas (pequenas bolsas gelatinosas preenchidas por líquido sinovial). Sua característica principal é a dor na lateral do quadril, que pode gerar desconforto durante a marcha e é decorrente do atrito excessivo entre as estruturas, fraqueza muscular, diminuição da flexibilidade e também pode ser ocasionada por traumas diretos no local.

Pubalgia

A sínfise púbica é uma região de junção dos ossos da pelve que sofre ação de forças de diversas direções por suportar e distribuir forças do compartimento superior do corpo. Nessa mesma região estão situados a inserção dos músculos abdominais, adutores e músculos do assoalho pélvico. Essa característica favorece que alterações nessas forças ou desequilíbrios musculares geram inflamação dessa articulação, que pode desencadear um processo degenerativo crônico.  A dor é decorrente dessa inflamação entre os ossos, cartilagens, ligamentos ou tendões que estão nessa região, e pode ser relatada desde a parte inferior do abdômen até a virilha.

O Pilates para a reabilitação do quadril

O Pilates é um grande aliado na reabilitação do quadril, mesmo durante a fase aguda da lesão, onde é muito importante que os exercícios sejam realizados em amplitudes que não ferem e não aumentem a dor. Além disso, o Método também pode atuar na prevenção de novas lesões do quadril.

O Pilates para a reabilitação do quadril também preconiza a correta ativação e fortalecimento dos músculos do Power House que, somados aos músculos do quadril, são responsáveis pela sustentação do corpo.

Exercícios de Pilates para a reabilitação do quadril

Os exercícios são seguros, devem ser individualizados e adaptados quando necessário respeitando as limitações de cada paciente, como a dor e amplitudes articulares, adequando também a resistência a ser vencida, seja ela da força da gravidade ou a resistência das faixas e molas, quando são utilizados aparelhos e acessórios. Com o método podemos atuar na manutenção da amplitude do movimento, no fortalecimento da musculatura estabilizadora não só do quadril, como do corpo como um todo, e treinos de propriocepção e equilíbrio, fundamentais para a biomecânica do movimento.

Single leg circle

Além do exercício original, duas variações podem ser realizadas no início do Pilates para a reabilitação do quadril.

Variação 1: o aluno deve manter o joelho do membro a ser reabilitado flexionado. Nessa posição é possível controlar o movimento do quadril sem a preocupação com o alongamento da cadeia posterior e também diminuir a sobrecarga para os músculos flexores do quadril.01 - Single Leg Circle

Variação 2:  é necessário manter o membro inferior contra-lateral flexionado para melhor posicionamento da pelve neutra durante o exercício e, assim, diminuir o desconforto ocasionado pelo encurtamento da cadeia posterior, quando houver.

Assim que possível, o exercício pode evoluir, mantendo ambos os membros em extensão. O instrutor deve se atentar para amplitude de movimento que não deve exceder a ponto de perder a estabilidade do membro apoiado no chão.02 - Single Leg Circle

Side kick

O aluno em decúbito lateral pode se sentir desconfortável em alguns estágios ou até mesmo quando ele é acometido por alguma patologia. No entanto, quando o aluno possui condições de realizar esse exercício, eles tornam-se excelentes para ativação muscular como um todo, com foco no posicionamento do quadril. Os músculos abdominais e glúteos devem estar ativos para manter o decúbito lateral e a cabeça pode repousar sobre o membro superior apoiado no chão oferecendo maior estabilidade ao aluno.

01 - Side Kick

Shoulder bridge

Realizado no MAT, a ponte fortalece os músculos posteriores da coxa e glúteos, alonga o iliopsoas e o quadríceps, proporciona o equilíbrio do quadril e trabalha a mobilidade da coluna.

Na versão bipodal é possível observar se há desequilíbrios musculares através do alinhamento do quadril, retificação da coluna lombar e distensão abdominal. Variando para o apoio unipodal podemos buscar o equilíbrio de forças entre os membros.

01 - Shoulder Bridge: Os melhores exercícios de Pilates para a reabilitação do quadril

Os acessórios, como Magic Circle e faixas elásticas e a bola são ótimos aliados em um segundo momento de reabilitação.

O Magic Circle proporciona uma variedade de exercícios recrutando outros grupos musculares enquanto um padrão de movimento é realizado. Por exemplo, quando posicionado na face medial da coxa podemos solicitar a adução dos membros durante uma ponte para estimular os músculos adutores e do assoalho pélvico. Ou ainda, quando posicionado na face externa da coxa solicitamos a abdução do quadril com intuito de recrutar o glúteo médio.

As faixas elásticas são ótimas para iniciar uma resistência elástica de baixa/média intensidade, o que proporciona melhor controle para o aluno. Em alguns casos, a perda de força é acentuada e a resistência oferecida pelas molas não podem ser vencidas pelo aluno, tornando então as faixas uma ótima alternativa.

A bola pode funcionar como base instável tanto para o paciente sentar e realizar um simples exercício, como a extensão unilateral do joelho mantendo a estabilidade pélvica e lombar, como solicitar a ativação dos adutores mantendo-a entre os tornozelos durante a realização de um abdominal como o double leg stretch.

Ballet séries – Cadillac

A sequência do ballet séries pode ser realizada no Cadillac e é uma ótima escolha para promover o alongamento dos músculos do quadril e do membro inferior como um todo. Com ela é possível iniciar o alongamento da cadeia posterior, adutores e flexores do quadril.

Também no Cadillac, podemos realizar a sequência de exercícios com alças de pés. Através dela podemos fortalecer os músculos estabilizadores de quadril, joelho e abdominais. A mesma sequência pode ser executada de maneira semelhante no Reformer, porém o carrinho é uma superfície instável e isso pode ser um fator limitante para alguns alunos.

Footwork

Este exercício é realizado no Reformer e oferece uma gama de posicionamentos que auxiliam no processo de reabilitação do quadril. Os diferentes posicionamentos dos pés na barra propiciam diferentes estímulos ao aluno durante a execução dos movimentos, como rotações de quadril, apoio no antepé e no calcâneo, além de exercícios clássicos como a ponte que aqui ganha amplitude e instabilidade com o movimento do carrinho. Também é interessante a dissociação de movimentos sem perder a estabilidade pélvica, como no single leg circle executado com o membro contralateral fazendo a extensão do joelho com o pé apoiado na barra.

01 - Footwork

Psoas stretch

Outro exercício muito utilizado no reformer é o psoas stretch para alongamento do músculo iliopsoas. Este movimento oferece uma posição confortável ao membro a ser alongado e um bom posicionamento do restante do corpo.

Swan dive – Chair

Proporciona trabalhar os extensores de quadril e adutores de maneira isométrica.

01 - Swan Front: Os melhores exercícios de Pilates para a reabilitação do quadril

Outra opção muito utilizada na Chair é o alongamento do glúteo médio. Este exercício, muitas vezes, é realizado no Barrel. Porém, alguns fatores limitantes como a altura do aluno podem dificultar a realização do exercício no Barrel, tornando a Chair uma opção mais confortável.

Ballet séries – Barrel

Também é possível realizar a série de alongamentos ballet séries no Barrel, sem os deslizamentos oferecidos no trapézio ou alça fuzzy do Cadillac.

01 - Ballet séries - Barrel

Horse – Barrel

O Horse também é realizado no Barrel e é um ótimo exercício para equilíbrio pélvico, fortalecimento de adutores exigindo contração dos glúteos, músculos abdominais e extensores do joelho. 

01 - Horse Barrel: Os melhores exercícios de Pilates para a reabilitação do quadril

Conclusão

Sendo a articulação do quadril uma das maiores articulações do corpo, que proporciona o apoio para a estabilidade corporal, suporta uma forte carga e peso, quaisquer alterações no quadril vão afetar de forma significativa até mesmo as articulações adjacentes, devido a sua interdependência durante a execução dos movimentos, como o caminhar.

Dessa forma sua reabilitação deve ser realizada visando a qualidade de vida e retorno às atividades o mais rápido possível.

Conhecendo os objetivos que devem ser alcançados durante esse processo, uma ferramenta eficaz é o Método Pilates para a reabilitação do quadril, apresentando benefícios variados quando aplicado de acordo com seus princípios e com poucas contra-indicações, sendo que a maioria delas não impede a aplicação do Método, apenas são exigidas algumas alterações e alguns cuidados, enfatizando que o Pilates para a reabilitação do quadril deve ser individualizado.